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26 de agosto de 2026

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Guerra no Oriente Médio pressiona custos do açúcar no Centro-Sul do Brasil

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Foto: Embaixada dos EUA no Brasil

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a impactar diretamente o setor sucroenergético brasileiro. Segundo análise da StoneX, a forte alta do petróleo no mercado internacional tem pressionado os preços dos combustíveis no Brasil, elevando os custos de produção de açúcar e etanol no Centro-Sul.

Desde 28 de fevereiro, o Brent acumula valorização superior a 40%. No mesmo período, estimativas de Preço de Paridade de Importação (PPI) apontam aumento de 48% na gasolina e de 91% no diesel.

De acordo com a análise da consultoria, nas bombas, o diesel B já subiu mais de R$ 1,00 por litro no país, com avanço médio de R$ 1,26/L (20,6%) até 21 de março. Em São Paulo, a alta foi de 12%.

Para o analista de Inteligência de Mercado da empresa, Marcelo Di Bonifacio Filho, o cenário traz efeitos opostos sobre o setor. “Se, por um lado, o petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol e melhorar a perspectiva de receita das usinas, por outro, a alta do diesel impacta diretamente os custos operacionais, especialmente nas atividades agrícolas”, avalia.

Com forte peso na estrutura de custos, o diesel mantém correlação de 97,46% com o custo agroindustrial total do setor nas últimas 19 safras. Na prática, cada aumento de R$ 1,00 por litro pode elevar os custos entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.

A StoneX aponta que mesmo com a isenção de tributos federais sobre o diesel B, o reajuste de R$ 0,30/L aplicado pela Petrobras em março limitou o alívio nos preços internos.

Pressão nos fertilizantes

A StoneX avalia que o conflito também repercute no mercado global de fertilizantes, com alta generalizada de produtos como ureia e MAP. Isso porque a região do Oriente Médio, relevante na produção de amônia e enxofre, enfrenta restrições de oferta, enquanto o encarecimento do gás natural e dos fretes marítimos amplia a pressão sobre os custos.

“Apesar disso, o impacto tende a ser mais diluído no curto prazo para o Brasil, já que a maior parte das compras ocorre no segundo semestre”, sinaliza a consultoria.

Contudo, para a próxima temporada, o avanço do diesel deve ter efeito mais imediato sobre os custos. A StoneX estima o custo de produção do açúcar VHP no Centro-Sul em R$ 1.730/t (base usina) e R$ 1.875/t (FOB).

Com o câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30 por dólar, o ponto de equilíbrio do açúcar no contrato #11 varia de US¢ 15,40 a 17,01/lb. Com as cotações pouco acima de US¢ 15,50/lb no fim de março, as usinas operam próximas do equilíbrio.

“Ainda assim, fatores como ganho de produtividade, menor investimento no canavial e queda esperada no preço do ATR — abaixo de R$ 1,00/kg — devem reduzir o custo total em cerca de R$ 45/t frente à safra anterior. A queda de 10,5% no custo da cana de terceiros pode gerar economia adicional de R$ 35/t”, destaca a empresa.

Mudança no mix ganha força

Diante desse cenário, a tendência é de maior direcionamento da cana para o etanol. “A alta do petróleo melhora a competitividade do etanol, mas o impacto imediato do diesel sobre os custos reduz as margens do açúcar, o que pode incentivar uma maior destinação para biocombustíveis”, realça Di Bonifacio Filho.

De acordo com ele, o avanço do petróleo reforça a dualidade do cenário. “Enquanto sustenta receitas com etanol, amplia a pressão de custos via diesel e insumos, limitando a rentabilidade das usinas e exigindo ajustes estratégicos na safra 2026/27”, conclui o analista.

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Coopercitrus e Yara firmam acordo para avaliar projetos em café e cacau

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A Coopercitrus e a Yara Brasil assinaram nesta terça-feira (25), em São Paulo, um Memorando de Entendimentos (MoU) não vinculante para avaliar potenciais parcerias de negócios voltadas à descarbonização das cadeias de café e cacau. Os estudos terão início imediato. O acordo foi firmado durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

A parceria prevê a avaliação de projetos que conciliem o aumento da produção de alimentos com a redução do impacto ambiental da agricultura. O foco está nas cadeias de café e cacau, com análise de oportunidades de negócios associadas à descarbonização da produção.

Segundo a Yara Brasil, a descarbonização pode gerar valor adicional aos produtos agrícolas e ampliar o acesso dos produtores a novos mercados. “Quando o produtor investe na descarbonização de sua produção, ele cria um diferencial relevante para seus produtos, agregando valor e ampliando o potencial de acesso a novos mercados”, afirmou a diretora de Public Affairs, Comunicação, Sustentabilidade e Cadeia do Alimento da Yara Brasil, Deise DallaNora.

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A executiva destacou ainda que a Coopercitrus já disponibiliza aos cooperados produtos do portfólio da Yara de “baixíssima pegada de carbono”. O memorando amplia a estratégia da empresa de atuar na descarbonização de cadeias de alimentos no Brasil.

No café, a Yara já mantém parcerias com Cooxupé, Coocacer, JDE Peet’s e ofi. No cacau, a empresa cita acordo com a Barry Callebaut. A companhia também mantém parceria com o Grupo Bananas Corrêa, na bananicultura.

Com a assinatura do memorando, Coopercitrus e Yara passam a avaliar projetos para descarbonização nas cadeias de café e cacau, com início imediato dos estudos e foco na combinação entre produção e redução do impacto ambiental.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Após 20 anos de pesquisa, Embrapa registra nova cultivar de pera mais resistente a doenças

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Foto: João Fioravanco/Embrapa

Uma nova alternativa genética para a produção de peras começa a chegar ao setor produtivo. Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho (RS), a BRS Áurea reúne características de interesse para o cultivo no Sul do Brasil, como adaptação às condições climáticas da região, potencial produtivo, qualidade dos frutos e capacidade de conservação pós-colheita.

É a primeira cultivar de pera desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da unidade gaúcha. A BRS Áurea é resultado do cruzamento entre a pera asiática Hosui e a europeia Abate Fetel, realizado em 2006, em Vacaria (RS).

Após cerca de 20 anos de seleção, a cultivar foi registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em maio de 2025. 

Características da fruta

Nos locais avaliados no Sul do Brasil, a cultivar apresentou elevado potencial produtivo, de 25 a 30 toneladas por hectare, e colheita precoce, concentrada em janeiro.

Ela também se destaca pela resistência à entomosporiose, uma das doenças mais graves e economicamente destrutivas dessa cultura, e pela menor suscetibilidade à mosca-das-frutas quando comparada à pera Rocha, variedade portuguesa comercializada no Brasil.

Entre as características de interesse para o consumidor estão os frutos médios a grandes e uniformes, com massa entre 145 e 190 gramas. Na maturação, a casca adquire coloração amarelo-alaranjada a dourada, característica que inspirou o nome Áurea. A polpa é branca, crocante, suculenta e de sabor equilibrado. 

Os frutos da BRS Áurea são uniformes e simétricos, apresentam massa entre 145 e 190 gramas e, quando maduros, adquirem coloração amarelo-alaranjada ou dourada.

Potencial de produtividade

O pesquisador João Caetano Fioravanço, da Embrapa Uva e Vinho, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, afirma que a BRS Áurea é resultado de um trabalho de longo prazo voltado à obtenção de uma pera adaptada às condições brasileiras.

“A BRS Áurea reúne boa adaptação às condições do Sul do Brasil, potencial produtivo e frutos de excelente qualidade. Esses atributos são importantes para estimular a produção brasileira de peras”, avalia. 

A cultivar foi testada e validada no Rio Grande do Sul, nos municípios de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, e é recomendada para regiões produtoras de pera que apresentem entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno.

Pera brasileira se destaca no mercado

Uma das características da BRS Áurea é a precocidade de maturação. Nas condições avaliadas, a colheita ocorre predominantemente entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo aproximado de 106 dias entre a plena floração e a maturação. A época de colheita permite antecipar a oferta da fruta e pode contribuir para ampliar a janela de comercialização de peras produzidas no Brasil. 

Em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a cultivar apresenta produtividade estimada entre 25 e 30 toneladas por hectare.

A combinação entre época de colheita, potencial produtivo e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de uso da cultivar em sistemas comerciais.

Qualidade na pós-colheita

Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea mostrou resultados promissores nas avaliações de pós-colheita. Em condições experimentais, as peras permaneceram com boa qualidade para consumo após 90 dias de armazenamento refrigerado a 0,5 °C, seguidos de 7 dias a 20 °C.

Nessas circunstâncias, a firmeza da polpa diminuiu e os frutos adquiriram coloração mais alaranjada, mantendo características consideradas adequadas para consumo. 

“A BRS Áurea apresenta propriedades muito interessantes para o mercado de frutas frescas pelo bom potencial de conservação pós-colheita, aspecto importante para ampliar o período de comercialização e facilitar a distribuição da fruta”, enfatiza a pesquisadora, Lucimara Antoniolli.

Ensaios experimentais também indicaram potencial para períodos mais prolongados de armazenamento. Em atmosfera controlada, frutos mantidos por até 165 dias a 0,5 °C apresentaram maior firmeza após a retirada da câmara. Por outro lado, os frutos são delicados e podem sofrer danos por impacto durante a colheita e o transporte.

Menor suscetibilidade a doenças

A BRS Áurea também apresentou características favoráveis em relação a importantes problemas fitossanitários da cultura. Nas condições em que foi avaliada, demonstrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, doença fúngica que afeta folhas e frutos, além de menor suscetibilidade à mosca-das-frutas, em comparação à cultivar Rocha.

Em áreas experimentais onde as duas cultivares foram plantadas e submetidas à infestação natural, foram registrados 70% de frutos infestados na pera Rocha e 10% na BRS Áurea. Em outro experimento, no qual os frutos foram expostos diretamente aos insetos em condições sem chance de escolha, a infestação também foi menor na BRS Áurea: 40%, contra 100% na Rocha.

“A menor infestação observada na BRS Áurea é uma característica bastante interessante, principalmente considerando a importância da mosca-das-frutas para a fruticultura do Sul do Brasil. Isso não significa que o produtor possa deixar de monitorar e manejar a praga, mas indica uma característica favorável da cultivar que pode contribuir para o sistema de produção”, pontua o pesquisador Marcos Botton.

Alternativa para ampliar a produção

A produção brasileira de peras ainda é insuficiente para atender à demanda interna e a disponibilidade de cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras permanece como um dos desafios da cultura. A irregularidade da produção e a qualidade dos frutos também são apontadas como fatores que limitam a competitividade da produção nacional. 

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Bioinsumos são os grandes vencedores com a aprovação do Profert, diz Abinbio

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Foto: Fundação MT/Divulgação

A aprovação pelo Senado do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) representa uma mudança estratégica para o mercado nacional de insumos agrícolas.

Embora o programa tenha sido concebido originalmente para reduzir a dependência do país de fertilizantes importados, a inclusão expressa de bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores entre os beneficiários dos incentivos fiscais coloca a indústria de tecnologias biológicas entre as principais vencedoras da nova política. Essa é a avaliação da Associação Brasileira das Indústrias de Bioinsumos (Abinbio).

Previsto no Projeto de Lei (PL) 699/2023, o Profert poderá mobilizar até R$ 10 bilhões em incentivos fiscais entre 2027 e 2031 para projetos de construção, expansão e modernização de unidades industriais. O limite será de R$ 2 bilhões por ano, com possibilidade de transferência de valores não utilizados para o exercício seguinte.

O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais do que um programa de estímulo à produção de fertilizantes convencionais, o Profert passa a estabelecer uma política industrial com potencial para acelerar investimentos em uma cadeia de insumos estratégicos que inclui tecnologias biológicas.

Segundo o assessor jurídico da Abinbio, Rodrigo Ribeiro de Souza, a aprovação do projeto representa “um incentivo para a indústria brasileira, para que o país deixe de depender de fertilizantes importados, com o estabelecimento de uma política industrial permanente, que contribuirá para o aumento dos investimentos no setor, especialmente em P&D e inovação, garantindo o aprimoramento e o fortalecimento do setor nacional de bioinsumos”.

De acordo com ele, a inclusão dos bioinsumos é particularmente relevante porque o texto não os trata apenas como uma alternativa complementar aos fertilizantes químicos. Assim, as indústrias de bioinsumos e biofertilizantes passam a estar expressamente contempladas entre as empresas elegíveis aos incentivos do programa, criando uma nova oportunidade de acesso a mecanismos de estímulo industrial, financiamento e investimento.

Vitória para a indústria biológica

O avanço ocorre em um momento de forte expansão do mercado brasileiro de insumos biológicos. Segundo a consultoria DunhamTrimmer International Bio Intelligence, o mercado brasileiro de bioinsumos e biofertilizantes já movimenta mais de US$ 1,5 bilhão e deverá superar US$ 3 bilhões até 2030.

Para o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da empresa, Ignacio Moyano, o segmento está entrando em uma fase de transformação estrutural.

“Quando olhamos para o futuro sob a perspectiva das tendências e dos fatores que impulsionam o mercado atualmente, prevemos que estamos entrando em um processo de mudança significativa, que estabelecerá o segmento de biofertilizantes como um dos mais inovadores e de crescimento mais acelerado da agricultura global”, afirma.

A expectativa é que o Profert contribua para acelerar essa transformação ao criar condições para que empresas brasileiras ampliem sua capacidade produtiva, invistam em pesquisa e desenvolvimento e criem tecnologias adaptadas às necessidades da agricultura nacional.

O impacto potencial vai além da expansão de fábricas. A legislação estabelece que, para acessar os benefícios, as empresas deverão adotar critérios relacionados à mitigação das emissões de gases de efeito estufa e ao desenvolvimento local. Moyano enxerga que para o setor de bioinsumos, esses requisitos podem funcionar como um estímulo adicional à inovação e à adoção de tecnologias de menor impacto ambiental.

Mercado global favorece expansão

A oportunidade brasileira ocorre em paralelo a uma expansão acelerada do mercado mundial de insumos biológicos. A DunhamTrimmer projeta crescimento de aproximadamente 10% para o mercado global de insumos biológicos entre 2025 e 2030, atingindo cerca de US$ 25 bilhões até o final da década.

Na América Latina, a taxa de crescimento projetada é ainda maior, próxima de 14%, com o Brasil ocupando posição central nesse mercado.

Para o porta-voz da Abinbio, outro aspecto importante do Profert é que o programa introduz uma visão mais ampla sobre a segurança dos insumos agrícolas. A política não se limita a garantir a disponibilidade de fertilizantes minerais, mas passa a reconhecer tecnologias biológicas como parte da infraestrutura estratégica necessária à produção agrícola brasileira.

Essa mudança ocorre em um momento em que agricultores e empresas buscam ampliar o uso de soluções biológicas para complementar ou substituir parcialmente insumos convencionais em diferentes sistemas de produção.

Para o Brasil, os benefícios potenciais são econômicos e estratégicos. Uma indústria doméstica mais forte pode reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional, estimular investimentos e gerar capacidade tecnológica local.

“A redução dessa dependência é relevante não apenas para a política agrícola, mas também para a segurança alimentar e nutricional, a estabilidade econômica e a resiliência das cadeias de abastecimento do agronegócio brasileiro”, afirmou a senadora Tereza Cristina, relatora da proposta no Senado.

Embora o nome Profert esteja diretamente associado à indústria de fertilizantes, a inclusão dos bioinsumos muda a dimensão do programa. A partir de sua implementação, a política brasileira de estímulo à produção de insumos agrícolas passa a contemplar também uma das cadeias de maior crescimento e potencial de inovação do agronegócio.

Nesse sentido, a Abinbio enxerga que os bioinsumos podem ser considerados os grandes vencedores da aprovação do Profert: um setor que já cresce impulsionado pela demanda do produtor passa agora a contar também com reconhecimento explícito dentro de uma política industrial voltada à soberania, à inovação e à segurança das cadeias de abastecimento agrícola brasileiras.

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