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12 de outubro de 2026

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Após 20 anos de pesquisa, Embrapa registra nova cultivar de pera mais resistente a doenças

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Foto: João Fioravanco/Embrapa

Uma nova alternativa genética para a produção de peras começa a chegar ao setor produtivo. Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho (RS), a BRS Áurea reúne características de interesse para o cultivo no Sul do Brasil, como adaptação às condições climáticas da região, potencial produtivo, qualidade dos frutos e capacidade de conservação pós-colheita.

É a primeira cultivar de pera desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da unidade gaúcha. A BRS Áurea é resultado do cruzamento entre a pera asiática Hosui e a europeia Abate Fetel, realizado em 2006, em Vacaria (RS).

Após cerca de 20 anos de seleção, a cultivar foi registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em maio de 2025. 

Características da fruta

Nos locais avaliados no Sul do Brasil, a cultivar apresentou elevado potencial produtivo, de 25 a 30 toneladas por hectare, e colheita precoce, concentrada em janeiro.

Ela também se destaca pela resistência à entomosporiose, uma das doenças mais graves e economicamente destrutivas dessa cultura, e pela menor suscetibilidade à mosca-das-frutas quando comparada à pera Rocha, variedade portuguesa comercializada no Brasil.

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Entre as características de interesse para o consumidor estão os frutos médios a grandes e uniformes, com massa entre 145 e 190 gramas. Na maturação, a casca adquire coloração amarelo-alaranjada a dourada, característica que inspirou o nome Áurea. A polpa é branca, crocante, suculenta e de sabor equilibrado. 

Os frutos da BRS Áurea são uniformes e simétricos, apresentam massa entre 145 e 190 gramas e, quando maduros, adquirem coloração amarelo-alaranjada ou dourada.

Potencial de produtividade

O pesquisador João Caetano Fioravanço, da Embrapa Uva e Vinho, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, afirma que a BRS Áurea é resultado de um trabalho de longo prazo voltado à obtenção de uma pera adaptada às condições brasileiras.

“A BRS Áurea reúne boa adaptação às condições do Sul do Brasil, potencial produtivo e frutos de excelente qualidade. Esses atributos são importantes para estimular a produção brasileira de peras”, avalia. 

A cultivar foi testada e validada no Rio Grande do Sul, nos municípios de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, e é recomendada para regiões produtoras de pera que apresentem entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno.

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Pera brasileira se destaca no mercado

Uma das características da BRS Áurea é a precocidade de maturação. Nas condições avaliadas, a colheita ocorre predominantemente entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo aproximado de 106 dias entre a plena floração e a maturação. A época de colheita permite antecipar a oferta da fruta e pode contribuir para ampliar a janela de comercialização de peras produzidas no Brasil. 

Em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a cultivar apresenta produtividade estimada entre 25 e 30 toneladas por hectare.

A combinação entre época de colheita, potencial produtivo e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de uso da cultivar em sistemas comerciais.

Qualidade na pós-colheita

Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea mostrou resultados promissores nas avaliações de pós-colheita. Em condições experimentais, as peras permaneceram com boa qualidade para consumo após 90 dias de armazenamento refrigerado a 0,5 °C, seguidos de 7 dias a 20 °C.

Nessas circunstâncias, a firmeza da polpa diminuiu e os frutos adquiriram coloração mais alaranjada, mantendo características consideradas adequadas para consumo. 

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“A BRS Áurea apresenta propriedades muito interessantes para o mercado de frutas frescas pelo bom potencial de conservação pós-colheita, aspecto importante para ampliar o período de comercialização e facilitar a distribuição da fruta”, enfatiza a pesquisadora, Lucimara Antoniolli.

Ensaios experimentais também indicaram potencial para períodos mais prolongados de armazenamento. Em atmosfera controlada, frutos mantidos por até 165 dias a 0,5 °C apresentaram maior firmeza após a retirada da câmara. Por outro lado, os frutos são delicados e podem sofrer danos por impacto durante a colheita e o transporte.

Menor suscetibilidade a doenças

A BRS Áurea também apresentou características favoráveis em relação a importantes problemas fitossanitários da cultura. Nas condições em que foi avaliada, demonstrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, doença fúngica que afeta folhas e frutos, além de menor suscetibilidade à mosca-das-frutas, em comparação à cultivar Rocha.

Em áreas experimentais onde as duas cultivares foram plantadas e submetidas à infestação natural, foram registrados 70% de frutos infestados na pera Rocha e 10% na BRS Áurea. Em outro experimento, no qual os frutos foram expostos diretamente aos insetos em condições sem chance de escolha, a infestação também foi menor na BRS Áurea: 40%, contra 100% na Rocha.

“A menor infestação observada na BRS Áurea é uma característica bastante interessante, principalmente considerando a importância da mosca-das-frutas para a fruticultura do Sul do Brasil. Isso não significa que o produtor possa deixar de monitorar e manejar a praga, mas indica uma característica favorável da cultivar que pode contribuir para o sistema de produção”, pontua o pesquisador Marcos Botton.

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Alternativa para ampliar a produção

A produção brasileira de peras ainda é insuficiente para atender à demanda interna e a disponibilidade de cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras permanece como um dos desafios da cultura. A irregularidade da produção e a qualidade dos frutos também são apontadas como fatores que limitam a competitividade da produção nacional. 

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Engenheiro-agrônomo amplia apoio técnico e inovação no campo paranaense

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Celebrado em 12 de outubro, o Dia do Engenheiro-agrônomo destaca o papel desses profissionais no desenvolvimento da agropecuária paranaense. Com formação multidisciplinar, eles atuam em diferentes etapas da produção, do planejamento das propriedades ao uso de biotecnologia, passando por manejo, pesquisa, assistência técnica e formulação de políticas públicas.

No Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater (IDR-Paraná), engenheiros-agrônomos integram equipes voltadas à geração, adaptação e difusão de tecnologias, além da orientação a agricultores em busca de sistemas produtivos mais eficientes, rentáveis e sustentáveis.

Segundo a diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, o desafio da pesquisa é usar o método científico para resolver problemas e gerar conhecimento e tecnologias aplicáveis no campo. Na instituição, esses profissionais desenvolvem estudos em áreas como melhoramento genético, propagação vegetal, manejo e conservação do solo, fitossanidade, agrometeorologia, fisiologia vegetal, sistemas integrados de produção, mecanização e agricultura de precisão.

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Um dos diferenciais do IDR-Paraná está na integração entre pesquisa e extensão rural. Enquanto pesquisadores investigam problemas e avaliam alternativas para os sistemas produtivos, extensionistas trabalham diretamente com os agricultores, orientando a aplicação do conhecimento técnico e identificando demandas que podem originar novos estudos.

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De acordo com o diretor de extensão rural do IDR-Paraná, Paulo Eduardo Sipoli Pereira, o trabalho do extensionista exige conhecer a realidade de cada família e construir soluções em conjunto. Além das práticas de cultivo e manejo, a atuação inclui planejamento das atividades, gestão econômica das propriedades, organização dos produtores e acesso a políticas públicas.

O Balanço Social do IDR-Paraná referente a 2023 apontou que 73 ações de pesquisa agropecuária, extensão rural e logística geraram retorno superior a R$ 7 para a sociedade a cada R$ 1 investido na instituição.

O avanço das ferramentas digitais, da biotecnologia e das exigências ligadas à viabilidade econômica e à sustentabilidade amplia o espaço de atuação da agronomia no campo. Para o presidente da Associação dos Engenheiros-agrônomos de Londrina, Renato Arantes, o profissional do futuro deverá reunir formação técnica, visão de gestão, tecnologia, negócios e sustentabilidade.

Fonte: agricultura.pr.gov.br

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Produtor vira engenheiro agrônomo para ajudar o pai e hoje soma 7 milhões de seguidores nas redes

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Com um chapéu de palha na cabeça, camiseta rasgada, bermuda e botas nos pés, o engenheiro agrônomo Isnael Nonato foge do visual tradicional de muitos profissionais que utilizam as redes sociais para compartilhar conhecimentos sobre agricultura. Mais conhecido como Agrônomo de Vera, ele conquistou milhões de seguidores nas redes sociais com uma comunicação simples, direta e sem formalidades.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Nascido em Cacoal (RO), criado em Goiânia (GO) e atualmente morador de Vera, no interior de Mato Grosso, Isnael produz seus vídeos em uma propriedade de apenas três hectares, onde vive com a esposa, Gabriela.

Aos poucos, as dicas sobre hortaliças, cuidados com plantas, controle de pragas e técnicas de cultivo ultrapassaram os limites da pequena propriedade. Hoje, ele acumula 7 milhões de seguidores em suas redes sociais, sendo 2,3 milhões só no Instagram.

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Por trás do sucesso nas redes sociais, porém, existe uma trajetória marcada por dificuldades financeiras, perdas familiares e uma promessa que Isnael fez a si mesmo ainda na adolescência: estudar agronomia para ajudar o pai e outros agricultores que não tinham acesso à assistência técnica.

O desejo de mudar a realidade da família

Filho e neto de trabalhadores rurais, Isnael cresceu acompanhando as dificuldades enfrentadas pela família para conseguir produzir no campo.

O avô trabalhava como caseiro em fazendas, enquanto o pai era funcionário em propriedades de terceiros. Durante a infância, Isnael observava que muitos agricultores tinham dificuldades para aumentar a produtividade por falta de orientação técnica.

“Desde criança eu via as dificuldades do meu avô e do meu pai. Eles plantavam, mas não tinham muita produtividade. Meu pai não tinha acesso à informação e ao profissional agrônomo”, recorda.

A situação despertou no adolescente o interesse pela profissão. Entre os 13 e os 15 anos, ele já havia decidido qual caminho seguiria.

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“Eu decidi que ia ser engenheiro agrônomo, que ia estudar essa parte da agricultura para poder ter esse conhecimento.”

A mudança da família para Mato Grosso reforçou ainda mais essa escolha. Depois de anos trabalhando para outras pessoas, o pai decidiu buscar uma oportunidade de ter a própria terra. Incentivado por informações de familiares que já moravam no estado, mudou-se com a família para a região de Sinop e conseguiu uma área de assentamento em Boa Esperança do Norte.

Na propriedade de aproximadamente 100 hectares, a família passou a trabalhar com hortaliças e criação de gado. Entretanto, a distância dos grandes centros urbanos tornava o acesso à assistência técnica ainda mais difícil. Segundo Isnael, a propriedade ficava a cerca de 280 quilômetros de Sorriso, e o atendimento aos pequenos produtores era limitado.

“Quando chegamos ao Mato Grosso, eu pensava que Goiânia era ruim de assistência técnica. Mas foi aqui que vimos o que era dificuldade. Tinha engenheiro agrônomo que ia atender meu pai e nem descia do carro”, conta.

Foto: Arquivo pessoal

Determinado a mudar aquela realidade, Isnael iniciou sua formação como técnico agrícola, concluída em 2013.

Ainda durante os estudos, aproveitava as visitas à propriedade do pai para orientar os agricultores vizinhos, principalmente em questões relacionadas ao cultivo e ao controle de pragas.

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Como muitos não tinham condições de comprar insumos ou contratar assistência especializada, ele procurava apresentar alternativas acessíveis, utilizando os recursos disponíveis nas propriedades.

Foi nessa época que percebeu que o conhecimento adquirido na escola poderia beneficiar muito mais pessoas do que apenas sua família.

Após concluir o curso técnico, Isnael começou a trabalhar em uma fazenda, onde respondia aos engenheiros agrônomos responsáveis pelas atividades.

A experiência despertou o desejo de continuar estudando. “Eu falei: ‘Não quero só executar as ordens dos engenheiros agrônomos. Quero ser mais do que isso’. Então fui para Sorriso estudar agronomia.”

Em 2019, concluiu a graduação em Engenharia Agronômica. Durante sua formação, trabalhou em empresas do setor de sementes e pesquisa agrícola, acumulando experiência com culturas como soja e milho.

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A carreira parecia encaminhada, mas uma sequência de acontecimentos mudaria completamente seus planos.

Perdas e dívidas

Em um período particularmente difícil, Isnael enfrentou a morte do pai e a perda do emprego em uma empresa do setor agrícola.

Morando de aluguel em Sorriso (MT), viu as despesas se acumularem enquanto tentava encontrar uma maneira de sustentar a família.

“Meu mundo desabou. Meu pai faleceu, perdi o emprego, estava devendo aluguel, as contas chegando e só acumulando”, relembra.

A oportunidade de recomeçar surgiu depois que sua mãe vendeu a propriedade da família em Boa Esperança do Norte e dividiu os recursos entre os filhos.

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Com sua parte, Isnael e Gabriela decidiram investir em uma pequena chácara de três hectares, no município de Vera.

O plano era ousado: viver exclusivamente da produção agrícola e provar, na prática, que uma pequena propriedade poderia garantir o sustento de uma família.

A ideia de compartilhar essa experiência nas redes sociais já existia, mas Isnael estabeleceu uma condição antes de começar a produzir conteúdo.

“Eu falei para a Gabriela: ‘Nós vamos pegar essa chácara, vamos plantar, vamos sobreviver dela e vamos fazer dar certo primeiro. Depois vamos mostrar para o Brasil que dá para viver na roça, que a gente consegue ter uma vida digna e ter sucesso’.”

O casal começou a trabalhar com o cultivo e a comercialização de hortaliças, especialmente alface.

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Depois de dois anos, a propriedade já gerava recursos suficientes para pagar as despesas da família e permitir alguns investimentos.

Foi então que Isnael decidiu colocar em prática a segunda parte do projeto: compartilhar o conhecimento adquirido com outras pessoas.

Viralizou!

Foto: Arquivo pessoal

Em outubro de 2024, Isnael e Gabriela criaram os perfis que dariam origem ao Agrônomo de Vera.

Inicialmente, as publicações eram utilizadas para divulgar os produtos da chácara e atrair compradores da região. A mudança aconteceu depois que um vereador de Vera, que acompanhava as divulgações de Isnael em grupos de WhatsApp, percebeu sua facilidade para se comunicar.

Segundo o agrônomo, o político telefonou para incentivá-lo a gravar vídeos com dicas de agricultura. “Ele falou: ‘Isnael, você se comunica muito bem. Você fala de uma forma que todo mundo entende, não interessa o grau de estudo. Começa a gravar esses vídeos e coloca nas redes sociais’.”

Apesar do incentivo, Isnael ainda tinha dúvidas. O casal também enfrentava novas dificuldades financeiras depois de investir as economias na construção de uma represa na propriedade.

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“Todo o dinheiro que tínhamos guardado naqueles dois anos, nós gastamos. Estávamos quebrados, com financiamento de carro e energia solar atrasados”, relata.

Em uma tarde de domingo, desanimado com a situação, Isnael estava sentado próximo à represa quando pediu à esposa que pegasse o celular.

“Eu estava muito triste. A Gabriela sempre me levantando, sempre positiva comigo. De repente, senti uma alegria muito grande e falei: ‘Gabi, grava um vídeo para mim’.”

Na gravação, de quase quatro minutos, ele se apresentou e explicou o que pretendia ensinar.

“Meu nome é Isnael Nonato, sou engenheiro agrônomo aqui da cidade de Vera, Mato Grosso. E nesse canal eu vou ensinar vocês a viver da roça. Vou provar que uma pessoa consegue sobreviver em um pequeno pedaço de chão.”

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O vídeo foi publicado no TikTok, onde o perfil tinha pouco mais de cem seguidores. Pouco depois da publicação, faltou energia elétrica na propriedade. Sem acesso à internet, o casal não conseguiu acompanhar a repercussão.

Na manhã seguinte, uma ligação da filha, Isabela, trouxe a notícia inesperada. “Mãe, o que vocês aprontaram com o pai ontem? O vídeo dele está com um milhão e meio de visualizações”, contou a jovem, segundo Isnael.

A repercussão surpreendeu a família. Quando a energia voltou, o casal decidiu publicar o mesmo conteúdo no Instagram. O resultado foi semelhante: milhares de visualizações e um crescimento acelerado no número de seguidores.

“De um dia para o outro, passamos de 10 mil seguidores no Instagram. No TikTok também ultrapassamos 10 mil. Depois colocamos no Facebook e no Kwai, e virou uma bola de neve.”

O casal decidiu aproveitar o momento e passou a publicar vídeos diariamente.”Falamos: ‘Se é para continuar, vamos postar um vídeo todo dia’. E nunca mais paramos.”

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Simplicidade na comunicação

Foto: Arquivo pessoal

Uma das características que mais chamam a atenção nos vídeos de Isnael é a maneira como ele transmite conhecimentos técnicos sem recorrer a explicações complicadas.

O agrônomo conta que a escolha pela linguagem simples surgiu de experiências vividas durante sua formação e atuação profissional.

Em palestras e eventos técnicos, ele frequentemente encontrava dificuldades para compreender determinados termos utilizados pelos próprios colegas.

“Eu sou engenheiro agrônomo e, quando ia às palestras, entendia 60% a 70% do que os caras falavam. Por que o sujeito tem que falar análise de solo e não pode falar análise de terra?”, questiona.

A percepção de que a linguagem excessivamente técnica afastava parte do público influenciou diretamente a forma como decidiu produzir seus conteúdos.

“Quando o cara fala muito técnico, está falando para um número limitado de pessoas. Quando fala do jeito certo, consegue alcançar tanto quem tem conhecimento quanto quem nunca foi à escola.”

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Para Isnael, o objetivo é oferecer orientações que possam ser compreendidas e aplicadas por pessoas com diferentes níveis de escolaridade.

Embora o foco principal seja a agricultura familiar, os conteúdos também alcançam moradores de cidades que desejam cultivar alimentos em pequenos espaços.

“Meu público é aquele que mora no apartamento, na chácara, na roça. Não interessa onde estiver. É quem precisa da informação.”

Segundo ele, uma pessoa que deseja plantar cebolinha em um vaso na varanda pode encontrar informações tão úteis quanto um agricultor que depende da produção para sustentar a família.

‘Não sou um personagem’

Foto: Arquivo pessoal

Além da linguagem, o visual de Isnael também se tornou uma marca registrada. Diferentemente da imagem frequentemente associada aos profissionais do agronegócio, ele aparece nos vídeos usando chapéu de palha, bermuda, botas e camisetas muitas vezes rasgadas pelo trabalho diário.

O estilo desperta curiosidade entre os seguidores, que questionam se as roupas fazem parte de uma estratégia para conquistar audiência.

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Isnael garante que não. “Não é um personagem. Essas roupas que vocês me veem usando nas redes sociais, de shortão e bota, sou eu. Se você chegar aqui hoje, vai me encontrar de bota, short e camiseta rasgada.”

Ele conta que mantém o estilo mesmo quando participa de compromissos fora da propriedade. “Quando vou viajar de avião, coloco meu chapelão e minha botona. Só não vou de camisa rasgada, porque aí o pessoal estranha”, brinca.

Para o agrônomo, a identificação com o público depende principalmente da autenticidade. “Hoje o seguidor bate o olho no vídeo, escuta uma frase e percebe se você está falando a verdade ou sendo falso. Eu sou simples assim.”

E acrescenta: “Eu sou aquele engenheiro agrônomo raiz, que quer pegar a terra com a mão, pisar na terra de bota e de short. Essa é minha realidade.”

O sucesso nas redes e a missão de ajudar outras pessoas

Com milhões de seguidores e vídeos que alcançam grandes audiências, Isnael passou a dedicar parte significativa da rotina à produção de conteúdo.

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As publicações abordam problemas que surgem no dia a dia da propriedade e dúvidas enviadas pelos seguidores.

Ele explica que acompanha os comentários para identificar os assuntos de maior interesse e procura publicar orientações relacionadas às necessidades do público em cada época do ano.

“Se tem dez comentários pedindo informações sobre jabuticaba e um sobre goiaba, eu vou olhar o que as pessoas estão pedindo. É isso que dá a oportunidade de saber o que elas querem.”

Apesar da popularidade, afirma que sua principal preocupação não é alcançar números cada vez maiores de visualizações.

“Se eu postar um vídeo que tenha 10 mil visualizações, vou ficar feliz, porque com certeza aquele vídeo ajudou alguém. Meu interesse não é mais bater um milhão de visualizações. Meu interesse é ajudar.”

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O crescimento também trouxe reconhecimento. Isnael figura entre os três colocados em uma parcial da votação do Prêmio iBest na categoria de influenciadores do agronegócio.

Mas, ao falar sobre o que considera sua maior conquista, o agrônomo volta às lembranças do pai. Segundo ele, um ensinamento recebido na infância continua orientando suas decisões.

“Meu pai sempre falava: ‘Isnael, quando você faz o mal, volta cem vezes mais. E quando você faz o bem, volta um milhão de vezes mais’.”

Hoje, ao receber mensagens de agradecimento e relatos de pessoas que conseguiram melhorar seus cultivos com as orientações compartilhadas, ele acredita estar colocando esse ensinamento em prática.

“Você não tem noção do tanto de gente que me deseja felicidade, saúde e paz. Isso volta para a gente de uma forma tão positiva que eu não sei explicar o quanto é bom.”

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Estudo aponta que aquários com divisórias aumentam o bem-estar de tilápias

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O uso de divisórias físicas em aquários pode contribuir para melhorar as condições de bem-estar de tilápias-do-Nilo mantidas em experimentos laboratoriais. O estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), revela que espécies de peixes com hierarquia social passam por situações de maior estresse nos aquários sem separações individuais.

A pesquisa comparou o comportamento e indicadores de estresse de peixes mantidos em aquários com e sem divisórias. O experimento foi realizado durante 17 dias, sendo dois de aclimatação e 15 de avaliação, em seis aquários de 300 litros equipados com sistema de recirculação de água. Três aquários receberam divisórias físicas e três permaneceram sem a barreira. Após a biometria inicial, três tilápias foram colocadas em cada aquário.

Durante o período experimental, os pesquisadores acompanharam diariamente o comportamento dos peixes, possíveis sinais clínicos de enfermidades e a ocorrência de mortalidade. Também foram monitorados parâmetros de qualidade da água, como concentração de amônia, oxigênio dissolvido, pH, temperatura e condutividade elétrica.

Os peixes receberam diariamente ração comercial equivalente a 3% da biomassa, sob um regime de 10 horas de luz e 14 horas de escuro. Ao final do experimento, os animais passaram por nova avaliação biométrica e foram coletadas amostras de sangue para verificar indicadores relacionados à saúde e ao estresse, como glicemia, hematócrito e proteína plasmática total.

Embora os parâmetros sanguíneos não tenham apresentado diferenças significativas entre os dois tratamentos, as observações comportamentais revelaram uma diferença importante. Nos aquários sem divisórias, foram identificados indivíduos dominantes que apresentavam comportamento agressivo, perseguindo e atacando os demais peixes.

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Já nos aquários com divisórias, alguns peixes também apresentaram comportamento agressivo, mas a barreira física impediu o contato direto entre os indivíduos. “Os resultados mostram que uma estrutura simples, como a utilização de divisórias, pode reduzir as interações agressivas entre os peixes e contribuir para melhores condições de bem-estar durante os experimentos”, afirma Víctor Biguetti, bolsista da Universidade de Jaguariúna.

A agressividade entre tilápias está relacionada à formação de hierarquias sociais, nas quais alguns indivíduos assumem posições dominantes e podem restringir o acesso dos demais a espaço e alimento.

O estudo reforça a importância de considerar não apenas os parâmetros fisiológicos, mas também o comportamento dos peixes na avaliação de seu bem-estar. “Essa observação demonstra a importância da padronização de metodologias para uso dos biomarcadores que sejam mais adequados para cada situação e ambiente”, explica Márcia Ishikawa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

“Associar ferramentas estruturais com as técnicas laboratoriais faz parte das boas práticas de manejo laboratorial na condução dos experimentos em ambiente controlado”, conclui Julio Queiroz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

O trabalho é de Víctor Biguetti, da UniFaj, Mariana de Oliveira Nascimento, bolsista da Faped, Julio Queiroz, Alfredo Luiz, Claudio Jonsson, Vera Castro e Márcia Ishikawa, da Embrapa Meio Ambiente.

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*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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