Sustentabilidade
Cigarrinha-do-milho já apresenta evolução da resistência a inseticidas no Brasil – MAIS SOJA

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é atualmente a principal praga da cultura, causando danos indiretos por meio da transmissão dos enfezamentos, que podem reduzir drasticamente a produtividade e, em casos severos, inviabilizar a colheita. Embora o manejo integrado, com a adoção de diferentes estratégias, seja fundamental para a redução das populações da praga, o controle químico com inseticidas destaca-se como a alternativa mais eficiente para obtenção de resultados em curto prazo.
Figura 1. Foto de adulto da cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis.
Considerando o curto ciclo de vida da cigarrinha e sua grande capacidade de reinfestar rapidamente as áreas agrícolas, a aplicação sequencial de inseticidas, respeitando curtos intervalos entre aplicações é uma das estratégias mais eficientes para a redução expressiva da população da praga, especialmente durante a fase sensível do milho á cigarrinha (de VE a V5).
No entanto, mesmo adotando essa estratégia, o posicionamento de inseticidas quanto a eficiência de controle é de suma importância visando o sucesso do manejo. Da mesma forma, o planejamento estratégico do posicionamento dos inseticidas é crucial para o manejo da resistência da praga a inseticidas, bem como para a manutenção da eficácia de mecanismos de ação no controle da cigarrinha do milho.
Recentemente, o Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas – Brasil (IRAC) divulgou um boletim técnico destacando a evolução da resistência da cigarrinha Dalbulus maidis a piretroides (Grupo 3A) e neonicotinoides (Grupo 4A) no Brasil. De acordo com o Boletim, estudos realizados no Laboratório de Resistência de Artrópodes a Táticas de Controle da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), reportaram casos de evolução da resistência de D. maidis a alguns inseticidas pertencentes aos grupos químicos dos piretroides e neonicotinoides, em populações coletadas em importantes regiões produtoras de milho no país.
O estudo publicado por Dias e colaboradores (2025) demonstram que a resistência da cigarrinha do milho a imidaclopride é instável e podem apresentar resistência a bifentrina e outros inseticidas desse grupo (Piretroides). Através de bioensaios, os autores observaram que a razão de resistência aumentou de 1397 vezes para 8871 vezes na linhagem Imi-R (linhagem resistente ao imidaclopride) e diminuiu de 1397 vezes para 105 vezes na linhagem Imi-unsel (população sem pressão seletiva) demonstrando que a resistência de D. maidis ao imidaclopride é instável, ou seja, sem pressão de seleção (uso do inseticida), a resistência tende a reduzir ao longo do tempo.
Figura 2. Monitoramento da taxa de resistência ao longo de 11 gerações em uma população de Dalbulus maidis, na presença ou na ausência de pressão seletiva com o inseticida bifentrina.

Os cruzamentos recíprocos mostraram que a resistência da Dalbulus maidis ao imidacloprido é autossômica (não ligada ao sexo), incompletamente dominante (os indivíduos heterozigotos já apresentam certo nível de resistência) e poligênica (controlada por vários genes). Estudos de resistência cruzada indicaram que a linhagem Imi-R apresenta alta resistência (>200 vezes) a bifentrina, lambda-cialotrina e acetamiprido. Por outro lado, a resistência entre imidacloprido e outros grupos de inseticidas, como carbamatos (metomil e carbosulfam), organofosforados (acefato) e o neonicotinóide dinotefuran, foi baixa (razão de resistência <7 vezes) (Dias et al., 2025).
Vale destacar que estudos anteriores como o desenvolvido por Machado e colaboradores (2024) já haviam identificado a suscetibilidade reduzida de populações da cigarrinha do milho à bifentrina, acetamiprido e imidacloprido, fato que demonstra que a resistência da praga tem evoluído ao longo das safras. Nesse contexto, fica evidente a necessidade de rotacionar inseticidas para o controle químico da cigarrinha Dalbulus maidis, reduzindo a pressão de seleção pelo uso contínuo de inseticidas de mesmo grupo químico, especialmente se tratando de piretroides e neonicotinóides.
Veja mais: Suscetibilidade da cigarrinha do milho a inseticidas

Referências:
DIAS, G. S. et al. BIFENTHRIN RESISTANCE IN Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae): INHERITANCE, CROSS-RESISTANCE, AND STABILITY. Pest Manag Sci., 2025.Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8848 >, acesso em: 31/03/2026.
IRAC. BOLETIM TÉCNICO: EVOLUÇÃO DA RESISTÊNCIA DE Dalbulus maidis (CIGARRINHA-DO-MILHO) A PIRETROIDES (GRUPO 3A) E NEONICOTINOIDES (GRUPO 4A) NO BRASIL. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas: Brasil, 2026. Disponível em: < https://92813ac4-b3b4-47f4-a8b3-43c4292d561c.filesusr.com/ugd/6c1e70_4e4a5230daff42d9b4283e8f2748c33a.pdf >, acesso em: 31/03/2026.
MACHADO, E. P. IS INSECTICIDE RESISTANCE A FACTOR CONTRIBUTINGTO THE INCREASING PROBLEMS WITH Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae) IN BRAZIL? Society of Chemical Industry, 2024. Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8237?domain=author&token=EFNPXSEM4KUXHHESVXEG >, acesso em: 31/03/2026.

Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Cotações sinalizam recuperação – MAIS SOJA

Os preços do arroz em casca avançaram no Rio Grande do Sul, melhorando a relação entre as cotações e os custos de produção. No entanto, segundo o Cepea, as margens calculadas para julho ainda ficaram abaixo das registradas no mesmo período do ano passado.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a baixa disponibilidade de matéria-prima e a necessidade de recomposição de estoques pelo setor industrial têm sustentado as cotações no mercado spot. A valorização, contudo, não aumentou a disposição dos produtores para negociar, enquanto as indústrias encontram dificuldades para repassar as altas da matéria-prima ao arroz beneficiado.
Neste contexto, as negociações seguem pontuais, sobretudo diante da diferença entre os valores pretendidos por vendedores e os ofertados por compradores. Segundo pesquisadores do Cepea, outro fator determinante foram as chuvas que dificultaram o transporte do cereal em algumas regiões e passaram a gerar preocupações com o preparo do solo para a safra 2026/27.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
ALGODÃO/CEPEA: Apesar de negócios seguirem pontuais, cotação sobe – MAIS SOJA

Os preços do algodão em pluma registraram alta no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionados pela postura firme dos vendedores e pelos avanços dos preços internacionais.
Segundo o Cepea, compradores com necessidade imediata de matéria-prima demonstram maior disposição para adquirir novos lotes, principalmente de melhor qualidade. Por outro lado, parte desses agentes permanece cautelosa, oferecendo valores menores diante das dificuldades de repasse das valorizações aos produtos manufaturados. De modo geral, a diferença entre os preços pedidos por vendedores e os oferecidos por compradores mantém as negociações pontuais.
O Centro de Pesquisas ressalta que, apesar da alta, os preços no mercado interno passaram a ficar 3% abaixo da paridade de exportação, situação que não era observada desde novembro de 2025.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
CMN flexibiliza uso de recursos para renegociar dívidas rurais – MAIS SOJA

Em vigor desde o fim de julho, a renegociação especial de dívidas dos produtores rurais será facilitada. Nesta segunda-feira (24), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que flexibiliza o uso de recursos obrigatórios pelos bancos e cooperativas de crédito para quitar ou reduzir débitos contratados originalmente com outras fontes de financiamento.
A medida está relacionada à renegociação de dívidas rurais autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026 e busca resolver uma dificuldade que vinha limitando a atuação das instituições financeiras.
O que mudou
Os bancos são obrigados a destinar uma parcela dos recursos captados em depósitos à vista para determinadas finalidades. Atualmente, 31,5% dos depósitos à vista são destinados ao crédito rural.
Antes da decisão do CMN, esses recursos só poderiam ser usados para renegociar operações que tivessem sido contratadas originalmente com a mesma fonte de recursos. Na prática, isso restringia a quantidade de dívidas que cada instituição financeira conseguia renegociar.
Com a mudança, os recursos obrigatórios poderão ser utilizados para liquidar ou amortizar operações contratadas originalmente com outras fontes. A exceção são as operações vinculadas aos fundos constitucionais.
Dessa forma, um banco passa a ter mais liberdade para usar os recursos obrigatórios disponíveis para ajudar na renegociação de dívidas rurais, mesmo quando o financiamento original não veio daquela mesma fonte.
A regra anterior determinava que as instituições considerassem os saldos das fontes de recursos apurados em 22 de julho. Segundo o Ministério da Fazenda, esse mecanismo dificultava a operacionalização e o controle das renegociações.
Limite de 40%
A flexibilização, porém, tem um limite. Os agentes financeiros poderão usar até 40% da exigibilidade do ano-safra em renegociações.
A exigibilidade é, de forma simplificada, a parcela dos recursos que as instituições financeiras são obrigadas a destinar a determinadas modalidades de crédito.
O teto de 40% foi estabelecido para evitar que os recursos destinados ao crédito rural sejam consumidos em grande parte pelo refinanciamento de dívidas. A intenção é preservar dinheiro também para novos empréstimos aos produtores.
Juros das operações
Poderão ser utilizados recursos direcionados não controlados ou recursos livres não controlados, respeitando as taxas de juros previstas para as renegociações. Os juros ficarão entre 5% e 12% ao ano, conforme o nível de perdas comprovado pelo produtor rural. A taxa, portanto, não será necessariamente a mesma para todos. A situação de cada produtor e a comprovação das perdas influenciarão as condições da renegociação.
Mais bancos
A medida também pode ampliar o número de instituições financeiras capazes de participar da renegociação das dívidas rurais.
Em 14 de agosto, o Ministério da Fazenda distribuiu R$ 25,8 bilhões em limites de equalização entre dez instituições financeiras.
A equalização é um mecanismo usado pelo governo para compensar instituições financeiras pela diferença entre o custo de captação dos recursos e os juros cobrados em determinadas operações.
Com a nova regra, bancos que não receberam limites de equalização naquela distribuição também poderão participar das renegociações usando os recursos obrigatórios.
Quem recebeu menos
A mudança também beneficia instituições que receberam um limite de equalização menor do que o necessário para atender à demanda de seus clientes. Esses bancos poderão usar até 40% das exigibilidades dos recursos obrigatórios para complementar os valores destinados à renegociação.
Na prática, a medida amplia a capacidade das instituições financeiras de atender produtores que buscam reorganizar suas dívidas, sem retirar totalmente os recursos que precisam continuar disponíveis para novos financiamentos rurais.
Efeito esperado
O objetivo central da decisão do CMN é destravar as renegociações de dívidas rurais.
Ao permitir que mais fontes de recursos sejam utilizadas e ao ampliar a quantidade de instituições que podem participar das operações, o governo espera facilitar a repactuação dos débitos.
Ao mesmo tempo, o limite de 40% procura equilibrar os dois objetivos: ajudar produtores endividados a reorganizar suas dívidas e preservar recursos para que o sistema financeiro continue concedendo novos créditos rurais.
Fonte: Agência Brasil
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