Sustentabilidade
Soja/Ceema: Mercado da soja oscila com tensão geopolítica e expectativa de plantio nos EUA – MAIS SOJA

Comentários referentes ao período entre 20/03/2026 e 26/03/2026
A cotação da soja, em Chicago, após atingir a US$ 12,13/bushel no dia 12/03 (para o primeiro mês cotado), a mais alta cotação desde o início de junho de 2024, recuou, chegando a US$ 11,55 nos dias 16 e 24 de março. Todavia, na sequência voltou a subir, fechando a quinta-feira (26) em US$ 11,73/bushel.
Sob pressão das idas e vindas da guerra no Oriente Médio, o mercado espera com atenção o relatório de intenção de plantio nos EUA, previsto para o próximo dia 31/03. Existe forte tendência de uma redução na área a ser semeada com soja em 2026 naquele país. Caso isso se confirme, o movimento tende a ser baixista para as cotações da oleaginosa logo
adiante, caso a guerra não traga outras novidades.
Enquanto isso, no Brasil, os preços pouco se movimentaram, com o saco de 60 quilos registrando, na semana, valores médios entre R$ 98,00 e R$ 119,00 nas diferentes praças nacionais. Um mês atrás tais preços estiveram entre R$ 99,00 e R$ 117,00. Aqui no Rio Grande do Sul, as principais praças praticaram R$ 117,00/saco. Até o dia 19/03 a colheita da soja no Brasil chegava a 68% da área semeada, contra 80% na mesma época do ano anterior.
Ao mesmo tempo, o câmbio se mantém entre R$ 5,20 e R$ 5,25 na média deste mês de março, segurando os preços. O próprio óleo de soja, que disparou em Chicago após o início do conflito no Oriente Médio, se estabilizou em valores um pouco mais baixos nos últimos dias, embora tenha fechado a quinta-feira (26) em forte alta, atingindo a 68,02 centavos de dólar por libra-peso.
Dito isso, nos EUA, na semana encerrada em 19/03, este país embarcou 1,1 milhão de toneladas de soja, acumulando, no atual ano comercial, 29,2 milhões de toneladas, ou seja, 27% a menos do que o exportado na mesma época do ano anterior.
Por sua vez, as importações chinesas de soja dos EUA caíram nos dois primeiros meses de 2026, em relação ao ano anterior, já que a maioria das remessas, após uma trégua comercial no final de outubro, ainda não chegou. O maior importador de soja do mundo comprou 1,49 milhão de toneladas de soja estadunidense em janeiro e fevereiro, consolidando um recuo de 83,7% em relação aos 9,13 milhões de toneladas do ano anterior.
O mercado espera que Trump e Xi Jinping, presidente da China, se reúnam para dar mais clareza aos negócios entre os dois países (cf. Alfândega da China). Já as importações de soja procedentes do Brasil cresceram 82,7% no bimestre, atingindo a 6,56 milhões de toneladas no bimestre. Entretanto, o mercado está preocupado com o fato de que os controles fitossanitários mais rigorosos do Brasil e o prolongado desembaraço alfandegário da China possam diminuir o ritmo das chegadas nos próximos meses.
Enfim, os chineses importaram 3,27 milhões de toneladas da Argentina no primeiro bimestre do ano, contra apenas 111.603 toneladas no mesmo período do ano anterior. Na prática, a suspensão temporária dos impostos de exportação (as retenciones) na Argentina, em setembro passado, levou a um aumento nas compras de soja pela China (cf. JCI).
E aqui no Brasil, enquanto o quadro mais lógico indica uma colheita final entre 175 e 178 milhões de toneladas, dadas as quebras climáticas no Sul do país, o Rally da Safra, promovido pela Agroconsult, aponta um volume recorde 184,7 milhões de toneladas. Este número se deve à melhoria da produtividade em grande parte do país, a qual compensaria as quebras no Rio Grande do Sul. Segundo o levantamento, a produtividade média no país ficará em 62,7 sacos/hectare, com 4,6% de aumento sobre o ano anterior.
Entre os destaques positivos da safra 2025/26 estão Mato Grosso, maior produtor brasileiro, e a Bahia. Somente o Mato Grosso, por este levantamento, produziria 51,3 milhões de toneladas. Lembrando que a Conab espera uma colheita de 177,8 milhões de toneladas. Se o analista privado estiver correto, os estoques finais, neste atual ano comercial, saltam para 14 milhões de toneladas, com potencial para pressionar ainda mais os preços para baixo.
Fonte: Ceema

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: CEEMA
Sustentabilidade
Line-up prevê embarques de 14,053 mi de t de soja pelo Brasil em junho – MAIS SOJA

O line-up, a programação de embarques nos portos brasileiros, projeta a exportação de 14,053 milhões de toneladas de soja em grão para junho, conforme levantamento realizado por Safras & Mercado. No mesmo mês do ano anterior, exportações somaram 13,931 milhão de toneladas segundo a estimativa.
Para julho de 2026, estão previstas 9,491 milhões de toneladas. Em maio, foram programadas 15,304 milhões de toneladas.
De janeiro a julho de 2026, o line-up projeta o embarque de 82,130 milhões de toneladas. Pelo Secex, de janeiro a junho de 2025 foram embarcadas 64,947 milhões de toneladas.
Fonte: Agência Safras
Autor:Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Projeto de renegociação das dívidas dos agricultores retorna à Câmara dos Deputados – MAIS SOJA

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL 5.122/2023), que cria mecanismos para auxiliar produtores rurais endividados em todo o país por meio da renegociação de dívidas. A proposta prevê instrumentos para facilitar a repactuação dos débitos, entre eles a criação de uma linha especial de crédito com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e dos fundos constitucionais para produtores das regiões Norte e Nordeste.
O projeto já havia sido aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, mas, como recebeu alterações no Senado, precisará retornar à Câmara para nova votação antes de seguir para sanção presidencial.
A proposta foi discutida com o Ministério da Fazenda, mas, segundo parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), não houve acordo com a equipe econômica do governo.
Durante a votação, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (MS), afirmou que houve diversas tentativas de diálogo, mas que o governo não se sensibilizou com a situação enfrentada pelos produtores. Ela ressaltou, no entanto, que ainda há possibilidade de aperfeiçoamentos no texto durante a nova análise pela Câmara dos Deputados.
“Nós tentamos esgotar todos os pontos que eram preocupantes e hoje não estamos falando de um problema eleitoral. Estamos falando de um segmento que carrega o Brasil, que é a agricultura brasileira. Ela passa por um momento terrível: commodities em baixa, juros em alta, plantamos uma safra com dólar a R$ 6 e estamos colhendo com dólar a R$ 5. Isso é mortal para os preços dos agricultores, além dos problemas climáticos enfrentados pelo Rio Grande do Sul”, declarou a senadora.
Entre as condições previstas no projeto estão juros variando entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor; limite de até R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações; prazo de pagamento de até 10 anos, com até três anos de carência, podendo chegar a 15 anos em situações especiais.
Segundo o coordenador da Comissão Trabalhista da FPA, deputado Afonso Hamm (RS), a aprovação representa um importante avanço para o setor.
“Mais uma batalha vencida. Avançamos cerca de 80%, graças aos colegas deputados, senadores e ao movimento de quem vive esse drama, que são os produtores rurais. Esta é uma vitória importante, construída por muitas mãos.”
O senador Luiz Carlos Heinze (RS) lembrou que, no Rio Grande do Sul, quatro das últimas sete safras foram prejudicadas pela seca e uma pelas enchentes, agravando a situação financeira dos agricultores.
“É difícil pagar as contas diante de juros elevados, custos altos e preços baixos na comercialização. Pedimos ao governo que compreenda a realidade de um setor extremamente importante para o país.”
A deputada federal Daniela Reinehr (SC) afirmou que o projeto agora precisa ser novamente aprovado pela Câmara dos Deputados para seguir à sanção presidencial. Ela também criticou a postura do Governo Federal em relação à proposta, defendendo a necessidade de uma solução para os produtores que acumulam dívidas em razão das sucessivas frustrações de safra.
Fonte: Fecoagro com informações do Senado
Autor:Fecoagro com informações do Senado
Site: Fecoagro/SC
Sustentabilidade
El Niño 2026/27: foi dada a largada! – MAIS SOJA

Por Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS 244228)
Condições meteorológicas ocorridas em maio de 2026 no estado do Rio Grande do Sul (RS)
A maior parte do RS teve acumulados de precipitação abaixo dos 120 mm. As exceções foram algumas áreas no Centro e no extremo Norte, que superaram os 160 mm (Figura 1A). Em boa parte da Metade Sul, as anomalias de precipitação foram negativas, com exceção do setor Nordeste (Figura 1B). Embora o aquecimento no Pacífico já tenha iniciado, a atmosfera demora um tempo para responder, estando ela ainda refletindo às condições de transição entre a La Niña e a Neutralidade.
Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para julho, agosto e setembro de 2026 no estado do RS
Os eventos de chuva ocorreram, basicamente, nos primeiros 10 dias de maio. Já ao redor do dia 25, houve chuva, mas em volumes muito baixos (Figura 2). Na média mensal, a temperatura do ar ficou com anomalia negativa, segundo dados do INMET. Houve alguns dias com temperaturas mais altas, em torno dos 30°C, mas que não caracterizaram um veranico. No restante do mês, as temperaturas máximas e mínimas ficaram, na maior parte dos dias, abaixo dos valores da Normal Climatológica (NC).

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas
Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 11 de junho de 2026, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu o início das condições do El Niño.
O mapa da anomalia da temperatura da superfície do mar mostra o avanço das águas mais quentes em direção ao Oceano Pacífico Equatorial, já abrangendo toda a região Equatorial (Figura 3). No boletim mensal divulgado pela NOAA, a anomalia na região do Niño 3.4, considerando a metodologia antiga (ONI) foi de +0,9°C e, considerando a metodologia nova (RONI), foi de +0,45°C, para o mês de maio. Aliás, pela metodologia antiga, o aquecimento começou em 15 de abril, já pelo novo método começou em 20 de maio, ambos em 2026. A região mais próxima à costa da América do Sul, o Niño 1+2, esteve com anomalia de +1,8°C considerando o ONI e com ~+1,4°C, considerando o RONI. A anomalia trimestral (Mar-Abr-Mai/2026), segundo o método RONI foi de -0,1°C, caracterizando a fase neutra do ENOS; já pela metodologia antiga (ONI), a anomalia foi de +0,5°C, caracterizando o primeiro trimestre em limiar de El Niño. Apenas para lembrar, a NOAA mudou a metodologia de cálculo, de ONI para RONI, tema já debatido em boletins anteriores. Só que, ao analisar a Figura 3, ela parece representar os dados do método antigo.

A NOAA prevê, com 46% de probabilidade, que o El Niño atingirá a intensidade forte (anomalias entre +1,5 e +1,9°C) nesse próximo trimestre (Jul-Ago-Set/2026). Há 63% de probabilidade do evento chegar à intensidade muito forte (anomalias superiores a +2,0°C) durante o trimestre Nov-Dez/2026-Jan/2027. Lembrando que, eventos mais intensos nem sempre resultam em impactos meteorológicos e climáticos maiores. Mas, eles podem aumentar a probabilidade de ocorrência de determinados impactos.
O bolsão de águas subsuperficiais, com anomalias positivas de temperatura, segue ativo, e em intensificação, ao longo dos últimos meses na região equatorial (Figura 4). Há áreas com anomalias acima dos 6°C desde maio, ou seja, essas águas estão aflorando em superfície e darão sustentação e intensidade ao El Niño que está em desenvolvimento.

Previsão de precipitação – trimestre junho, julho e agosto de 2026 no RS
Para esse trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica precipitação próxima aos valores da Normal Climatológica (NC) na Metade Sul, com aumento da probabilidade de chuvas no Norte do Estado. Já o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações abaixo da NC, em todo o RS, em julho; dentro da NC em agosto e com tendência de ficar dentro da NC em setembro. Por sua vez, o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê precipitações acima da NC durante os próximos três meses, com destaque para setembro (Figura 5). Analisando um conjunto maior de modelos, mas que não estão expostos aqui, a convergência entre eles é de que as precipitações fiquem acima da NC a partir de agosto.

O El Niño foi declarado pela NOAA e, agora, a expectativa fica por conta do início das chuvas mais frequentes no RS. É importante ressaltar que o principal efeito do El Niño é no aumento da frequência e volume das precipitações durante a primavera do primeiro ano (2026) e, em um segundo momento, durante o outono do ano seguinte (2027). Em anos de El Niño, além do aumento da nebulosidade, com consequente diminuição da radiação solar, além da temperatura média do ar sem mais alta, mas sem extremos, e umidade relativa do ar também mais elevada.
Em função disso, o produtor do RS deve ficar atento, na safra 2026/27, para alguns aspectos importantes:
- Aproveitar os períodos secos para fazer o preparo das áreas para a semeadura do arroz irrigado e das culturas de sequeiro, para viabilizar a semeadura dentro do período recomendado;
- Maior risco de enchentes em áreas próximas de rios. Logo, recomenda-se evitar grandes investimentos nessas áreas;
- Para as lavouras de soja e milho em rotação, nas áreas baixas, priorizar um eficiente sistema de drenagem;
- Com a primavera mais chuvosa, as janelas de semeadura serão menores e, possivelmente, haverá atraso na época de semeadura (arroz e soja). Semeaduras muito tardias devem ser evitadas, primeiro devido à redução de produtividade, em decorrência da menor disponibilidade de radiação solar e, segundo, devido ao impacto secundário do El Niño durante o outono de 2027, que poderá prejudicar a operação de colheita dessas culturas;
- A brusone, principal doença fúngica do arroz, ocorre sob condições de temperaturas em torno dos 28°C, alta umidade relativa do ar (>90%), maior nebulosidade e molhamento foliar, conforme recomendações da Comissão Técnica do Arroz (CTAR, 2025). Em anos sob El Niño, essas condições ocorrem com maior frequência. Dentre as práticas de controle dessa doença, atenção deve ser dada para a escolha de cultivares mais resistentes a doenças e da adoção do manejo preventivo;
- E, por último, mas não menos importante, é ficar atento ao sistema de irrigação para as culturas de sequeiro, como a soja, pois mesmo com El Niño, durante o verão há o risco de ocorrer algum período de 10 a 15 dias sem chuvas, com redução da produtividade de grãos.
Mantem-se a recomendação do acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.
Fonte: IRGA

Autor:Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS 244228)
Site: IRGA
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