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Impasse entre produtor e comprador trava mercado de soja no Brasil; saiba os preços do dia

O mercado brasileiro de soja teve mais um dia de pouca movimentação, marcado por indicações nominais e fretes elevados. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário segue travado por um impasse entre vendedores e compradores. De um lado, o produtor mantém a soja retida à espera de preços melhores; do outro, a demanda tenta ajustar as ofertas, o que reduz o volume de negócios no país.
No mercado físico, as cotações tiveram comportamento misto. Confira:
- Em Passo Fundo (RS): estável em R$ 122,00
- Em Santa Rosa (RS): estável em R$ 123,00
- Em Cascavel (PR): subiu de R$ 116,00 para R$ 117,00
- Em Rondonópolis (MT): estável em R$ 106,00
- Em Dourados (MS): estável em R$ 110,00
- Em Rio Verde (GO): estável em R$ 107,00
- Em Paranaguá (PR): subiu de R$ 127,00 para R$ 128,00
- Em Rio Grande (RS): estável em R$ 128,00
Soja em Chicago
No cenário externo, a Bolsa de Chicago Board of Trade registrou variações discretas, sem uma direção definida. O movimento acabou sendo neutralizado pela queda do dólar, enquanto os prêmios apresentaram leve melhora. Ainda assim, faltam fatores mais consistentes no curto prazo. Nos portos, o ritmo segue lento, e a indústria compra de forma pontual, diante da postura mais firme dos produtores.
Entre os fatores que influenciaram o mercado internacional, esteve o adiamento da viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China para encontro com Xi Jinping. A mudança ocorre em meio às tensões envolvendo o Irã e adia possíveis avanços em um acordo comercial entre as duas potências, que poderia incluir compras de soja americana pelos chineses.
Contratos futuros de soja
Na CBOT, os contratos da soja com entrega em maio fecharam em leve alta de 0,15%, a US$ 11,57 por bushel, enquanto julho subiu 0,32%, a US$ 11,71 1/4. Entre os derivados, o farelo recuou 0,16%, para US$ 311,70 por tonelada, enquanto o óleo avançou 3,17%, a 65,97 centavos de dólar por libra-peso, impulsionado pela alta do petróleo.
No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,1997 para venda, o que ajudou a limitar ganhos no mercado interno. A moeda chegou a oscilar entre R$ 5,1765 e R$ 5,2420 ao longo da sessão.
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Agro Mato Grosso
Empresa é multada em mais de R$ 1 milhão por desmatamento em MT

Ação da Polícia Ambiental apreendeu trator, motosserras e identificou mais de 300 hectares de área desmatada.
Uma multa no valor de R$ 1,5 milhão foi aplicada contra uma empresa madeireira por exploração irregular de madeira e desmatamento de floresta, durante uma operação da Polícia Militar Ambiental, em uma área rural de União do Sul, a 689 km de Cuiabá, nessa segunda-feira (16).
A ação ocorreu durante a Operação Flora Hot Spot 2026, após equipes serem acionadas com base em informações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT), que apontavam indícios de desmatamento ilegal na região. Policiais militares, com apoio da Força Tática, foram até o local para averiguar a denúncia.
No local, os agentes encontraram uma área de 307,2 hectares de vegetação devastada. Durante a fiscalização, foram apreendidos um trator, duas motosserras e 15 dúzias de lascas de madeira, que seriam utilizadas na produção de cercas.
Segundo a polícia, foram registrados autos de inspeção e infração, além de termos de embargo, apreensão e depósito dos materiais encontrados. A madeira apreendida foi destinada ao Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do município. Até a publicação desta reportagem, nenhum suspeito havia sido localizado pela polícia.
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Agentes em outro ponto da área desmatada cumprindo os mandados — Foto: Reprodução PMMT
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Setor produtivo apresenta à bancada federal impactos do possível fim da escala 6×1

Representantes do setor produtivo de Mato Grosso se reuniram, nesta segunda-feira (16), com deputados federais e senadores do estado para discutir os impactos econômicos da possível mudança na jornada de trabalho com o fim da escala 6×1, proposta em debate no Congresso Nacional por meio da PEC nº 221/2019 e da PEC nº 8/2025.
O encontro foi promovido pela Aliança do Setor Produtivo de Mato Grosso – formada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT) e Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) – durante um café da manhã realizado na sede da Fecomércio-MT, em Cuiabá.
Durante a reunião, técnicos das entidades apresentaram estudos que apontam possíveis impactos da redução da jornada de trabalho, seja pela necessidade de contratação de novos funcionários, seja pelo aumento do pagamento de horas extras para manter o atual nível de atividade econômica.
Os relatórios, além de apontarem impactos sobre os empregos formais, destacaram o aumento no custo dos produtos, com destaque para o setor do comércio, no qual o repasse ao consumidor poderia chegar a 24%. O agronegócio estima aumento do Custo Operacional Efetivo das principais culturas analisadas, o que também pode refletir no preço final.
Também foi abordado o risco de aumento da informalidade. Segundo a gerente do Observatório de Mato Grosso, Vanessa Gasch, os dados analisados ainda não consideram o impacto do mercado informal, que possui forte presença no estado.
“Cerca de 31% dos trabalhadores que hoje atuam em Mato Grosso estão na informalidade. Nossos estudos, que já apresentam números preocupantes para o setor produtivo, representam apenas uma parte da realidade, visto que ainda temos um percentual elevado de trabalhadores informais.”
Setor produtivo pede cautela no debate
Os presidentes das federações da Agricultura e Pecuária (Famato), Vilmondes Tomain, do Comércio (Fecomércio-MT), Wenceslau Júnior, e da Indústria (Fiemt), Silvio Rangel, reforçaram a preocupação do setor produtivo com os possíveis impactos da medida sobre a atividade econômica.
Segundo os representantes das entidades, diferentes setores possuem dinâmicas próprias de funcionamento, o que exige flexibilidade na organização das jornadas de trabalho e na definição das relações trabalhistas.
No caso do agronegócio, por exemplo, atividades como plantio, colheita e transporte dependem de fatores climáticos e operacionais que exigem continuidade nas operações.
“Na agricultura e na logística do campo, não é possível simplesmente interromper atividades como plantio, colheita ou transporte de mercadorias. São processos que dependem de condições climáticas e operacionais específicas”, destacou o presidente da Famato, Vilmondes Tomain.
Já o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, ressaltou que a diversidade de atividades econômicas exige mecanismos que permitam maior flexibilidade na definição das jornadas de trabalho.
“Cada empresa tem suas particularidades e até dentro de uma mesma organização existem dinâmicas diferentes de funcionamento. Essa complexidade mostra que as relações de trabalho precisam de flexibilidade para se adaptar à realidade de cada atividade econômica.”
Para o presidente da Fiemt, Silvio Rangel, o setor produtivo não se opõe ao debate sobre melhorias nas relações de trabalho, mas defende que qualquer mudança seja conduzida com planejamento e análise técnica.
“O setor produtivo não é contrário ao diálogo sobre melhorias nas relações de trabalho, mas é fundamental que qualquer mudança leve em conta a produtividade, a competitividade das empresas e os efeitos na geração de empregos.”
Parlamentares defendem aprofundamento da discussão
Entre os parlamentares presentes, também houve consenso sobre a necessidade de ampliar o debate sobre o tema antes de qualquer avanço na tramitação das propostas.
Para a senadora Margareth Buzetti, mudanças estruturais na jornada de trabalho precisam ser analisadas com cautela, considerando os impactos sobre a economia e sobre as contas públicas.
“Esse é um tema que precisa ser discutido com mais responsabilidade e planejamento, avaliando os reflexos sobre custos, investimentos e os serviços públicos.”
A deputada federal Coronel Fernanda também ressaltou a importância do diálogo entre o setor produtivo e o Congresso Nacional para avaliar os possíveis impactos da medida.
“Precisamos ouvir todos os setores envolvidos para que qualquer decisão seja tomada com equilíbrio e responsabilidade.”
Já a deputada federal Gisela Simona destacou que o debate ainda está em fase inicial de análise no Congresso Nacional e que a discussão precisa considerar aspectos técnicos antes de qualquer definição legislativa.
“O debate sobre a jornada de trabalho precisa ser tratado com responsabilidade e análise técnica. É fundamental ampliar o diálogo para construir um texto mais adequado à realidade do país.”
O debate sobre a possível mudança na jornada de trabalho segue em análise no Congresso Nacional e deve continuar mobilizando representantes do setor produtivo e parlamentares nos próximos meses.
Agro Mato Grosso
Chile aumenta compra de carne bovina em 52% e se torna 3º maior mercado de MT

Volume exportado saltou de 2,7 mil toneladas para 4,2 mil toneladas. O estado possui um rebanho de quase 34 milhões de gado, um dos maiores do Brasil.
O Chile aumentou as compras de carne bovina de Mato Grosso em 52,4% em janeiro deste ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado, de acordo com comunicado divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
Diante disso, os chilenos se tornaram o terceiro principal destino de proteína no primeiro mês deste ano. O estado possui um rebanho de quase 34 milhões de gado, um dos maiores do Brasil.
Segundo o Imac, o volume exportado saltou de 2,7 mil toneladas para 4,2 mil toneladas. O desempenho confirma a crescente relevância do mercado chileno para o setor.
Em 2025, o Chile já havia se consolidado como o terceiro maior comprador de carne bovina de Mato Grosso, com a aquisição de 47,7 mil toneladas, crescimento de 44,8% em relação a 2024, quando importou 32,5 mil toneladas e ocupava a sétima posição no ranking dos destinos da proteína estadual.
O resultado vem no momento em que a produção agropecuária busca diversificar o número de mercados compradores. Em dois anos, o estado ganhou 15 novos mercados internacionais para reforçar a pauta exportadora.
Pelo segundo ano consecutivo, a pecuária bateu novo recorde ao registrar mais de sete milhões de abate de bovinos em 2025, o que representa uma alta de 1,44% quando comparado com 2024.
A expectativa dos produtores para os próximos anos, contudo, passa pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve criar a maior zona de livre comércio do mundo.
Esse tratado deve beneficiar Mato Grosso com a redução tarifária, acesso ampliado aos mercados, novas tecnologias europeias e estímulo à agroindustrialização do estado.
Critérios chilenos
O consumidor chileno prioriza cortes desossados, carne refrigerada e padronização no acabamento, fatores que favorecem estados com escala produtiva e estrutura industrial consolidada, como Mato Grosso, de acordo com o Imac.
Entre os diferenciais na comercialização para o Chile está o refilamento específico exigido por esse mercado. Os importadores demandam um acabamento diferente no corte, o que requer adaptação das indústrias frigoríficas aos padrões locais de consumo.
Diversificação
Apesar dessa ampliação, a economia mato-grossense ainda está concentrada em quase 40% da porteira para dentro, com agricultura e pecuária, enquanto a produção industrial está em torno de 50% voltada a alimentos e 10% em biocombustível.
Mesmo com essa concentração na economia, o estado procura ampliar a diversificação nas exportações. Essa estratégia ganhou força depois do tarifaço contra os produtos brasileiros imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a dobrar a aposta, mas agora de forma global.
Durante a primeira leva de tarifas, o estado ampliou a venda de carne bovina para Argentina, Uruguai e, também, a China.
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