Sustentabilidade
Aprosoja MT cobra medidas efetivas no Plano Agrícola e Pecuário para enfrentar o endividamento rural – MAIS SOJA

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) documento apontando a necessidade de adoção de medidas concretas no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027 para enfrentar o agravamento do endividamento no campo, à luz dos dados oficiais recentemente divulgados, que evidenciam crescimento nominal concentrado em CPR, à juros livres, enquanto recuam linhas tradicionais, como custeio e investimento equalizados.
Entre as propostas apresentadas estão a destinação de R$ 20 bilhões para o alongamento de dívidas rurais vencidas e vincendas, com taxas adequadas à atividade agropecuária, o uso de funding dos fundos constitucionais, a utilização do Fundo Social para repactuação ou concessão de crédito, além da articulação do próprio Ministério da Agricultura para promover alterações na Medida Provisória 1.337 de 2026, de forma a alcançar também situações estadualmente reconhecidas por decretos de emergência relacionados à produção.
“Antes de falar em Plano Safra 26/27, é fundamental ampliar o volume de recursos destinados ao alongamento das dívidas, para além dos R$ 20 bilhões propostos, e garantir que os decretos de emergência também sejam considerados, não apenas os de calamidade. Precisamos de uma solução estruturada, com renegociação dos passivos dos produtores em todas as linhas do governo federal e das operações de outras instituições financeiras que são destinadas a atividades rurais, com juros equalizados de até 8% ao ano, prazos mais longos e período de carência adequado para que o produtor consiga se reequilibrar”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.
O boletim de desempenho do Plano Safra 2025/2026 revela que o crescimento anunciado pelo governo federal não se traduziu em fortalecimento efetivo das linhas tradicionais de crédito rural. Embora os recursos contratados tenham registrado alta nominal de 7% e os concedidos avanço de 4% no período de julho de 2025 a fevereiro de 2026, esse resultado foi impulsionado principalmente pela CPR, que cresceu 39%. Em sentido oposto, o custeio recuou 13% nas contratações e 16% nas concessões, o investimento caiu 20% e 33%, respectivamente, ou seja, o avanço numérico agregado esconde a retração justamente das linhas mais importantes para sustentar a produção e garantir fôlego financeiro ao produtor rural.
Outro dado que reforça a gravidade do cenário é a redução do número de operações. No período, o total de contratos firmados caiu 24%, passando de 488.317 para 369.655. Isso demonstra que, mesmo diante do crescimento nominal em valor, houve diminuição do alcance efetivo do crédito, com menor capilaridade e maior dificuldade de acesso para os produtores.
O boletim também evidencia a baixa execução dos recursos equalizáveis. Do total programado de R$ 113,4 bilhões, apenas R$ 44,1 bilhões haviam sido concedidos até fevereiro, deixando 61% ainda por contratar. O dado reforça a percepção de que o crédito com condições mais aderentes à política agrícola não chegou ao produtor na intensidade exigida pelo atual cenário de endividamento, queda de renda e aumento do risco da atividade. Além disso, a retração dos principais programas de investimento confirma o enfraquecimento da política de financiamento da atividade rural. Programas como Moderfrota, Inovagro, Proirriga, RenovAgro e Pronamp registraram queda no período, comprometendo a capacidade de investimento, inovação, irrigação, armazenagem e sustentabilidade produtiva no campo.
A retração dessas linhas não apenas limita novos investimentos, mas também retira do produtor instrumentos fundamentais para recompor sua estrutura financeira, o que ajuda a explicar o avanço do endividamento. Em Mato Grosso, a dimensão da crise do produtor rural é ainda mais evidente. Até dezembro de 2025, 14,1% da carteira de crédito rural do estado – o equivalente a cerca de R$ 13,49 bilhões – já se encontrava em atraso, inadimplente, prorrogada ou em renegociação. Paralelamente, o endividamento dos beneficiários do crédito rural no Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 112,41 bilhões. Esse quadro confirma que as respostas adotadas até agora pelo governo federal têm sido insuficientes diante da deterioração da capacidade de pagamento no campo.
A regulamentação da Medida Provisória nº 1.314/2025, editada para atender produtores afetados por eventos climáticos, trouxe critérios que não contemplaram produtores mato-grossenses que sofreram perdas efetivas e comprovadas, excluindo justamente parte de quem mais precisava de alívio financeiro. A consequência foi empurrar produtores para operações com juros de mercado partindo de 16% ao ano, em um cenário já marcado por frustração de safra, desvalorização das commodities e comprometimento da renda no campo.
Ao formalizar a demanda ao Ministério da Agricultura, a Aprosoja MT reforça que o endividamento rural precisa ser tratado como tema central da política agrícola brasileira, e não como um problema episódico ou secundário. Sem medidas efetivas, individualizadas e compatíveis com a realidade do setor, o produtor rural continuará submetido a um ambiente de crédito cada vez mais restritivo, oneroso e incapaz de garantir a continuidade da produção.
Sustentabilidade
Preço do milho recua nos últimos cinco anos, enquanto custos de produção avançam e pressionam rentabilidade do produtor – MAIS SOJA

A agricultura brasileira convive cada vez mais com os reflexos das instabilidades econômicas globais. Fatores climáticos, conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e mudanças nas políticas econômicas influenciam diretamente o desempenho do setor, especialmente de culturas com forte inserção no mercado internacional, como o milho.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, os últimos cinco anos foram marcados por um crescimento expressivo da área cultivada, da produção e da produtividade. Entretanto, apesar dos avanços produtivos, a rentabilidade do produtor rural não acompanhou o mesmo ritmo. A combinação entre queda nos preços do milho, aumento dos custos de produção e desvalorização do real vem reduzindo as margens e ampliando os desafios para quem produz.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a produção estadual de milho saltou de 32,56 milhões de toneladas na safra 2020/21 para uma estimativa de 53,35 milhões de toneladas na safra 2025/26. No mesmo período, a área cultivada passou de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares. O crescimento da produção foi impulsionado principalmente pelos ganhos de produtividade obtidos pelos produtores mato-grossenses.
Segundo o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o estado ampliou significativamente seu desempenho nos últimos anos. “Trabalhávamos em torno de 100 sacas por hectare e chegamos agora a 120 sacas por hectare. Nossa produção já ultrapassa 50 milhões de toneladas e, em alguns anos, superou até mesmo a produção de soja”, destaca.
Apesar da expansão produtiva, os preços do milho seguiram trajetória oposta. Em 2020, a média anual da saca foi de R$ 43,24. Em 2021, impulsionada por problemas climáticos, oferta restrita e forte demanda internacional, a cotação atingiu média de R$ 71,14 por saca, chegando a superar R$ 78 em alguns meses. A partir de 2022, porém, iniciou-se um movimento de acomodação do mercado. Em 2023, a média anual caiu para R$ 43,34 e, em 2024, ficou em R$ 41,33 por saca. Em 2026, considerando os valores registrados entre janeiro e junho, a média está em R$ 45,31.
Gilson observa que o produtor enfrentou uma forte oscilação de preços ao longo desse período. “Nos últimos cinco anos saímos da casa dos R$ 30, chegamos a R$ 70, tivemos picos próximos de R$ 80 e hoje trabalhamos novamente na faixa dos R$ 40. É uma oscilação muito grande”, afirma.
Entre os principais fatores que explicam o atual cenário de preços está o aumento da oferta de milho no Brasil. Além da expansão da produção em Mato Grosso, o país registrou safras recordes nos últimos anos, elevando os estoques e ampliando a disponibilidade do cereal. Para o diretor financeiro da Aprosoja MT, Nathan Belusso, o avanço da colheita da segunda safra intensifica ainda mais essa pressão.
“Historicamente, nessa época do ano, por conta do avanço da colheita do milho segunda safra, a pressão pelo excesso de oferta faz com que os preços tendam a cair”, explica. Nathan destaca ainda que o déficit de armazenagem e os gargalos logísticos contribuem para reduzir os preços pagos ao produtor. “O custo para armazenar aumenta e, consequentemente, o valor pago pelas tradings e armazenadores acaba sendo menor”, acrescenta.
Embora os preços permaneçam pressionados, a expansão das usinas de etanol de milho tem contribuído para dar sustentação ao mercado estadual. Segundo Gilson Antunes de Melo, a indústria de biocombustíveis já absorve uma parcela significativa da produção mato-grossense. “Este ano está estimado que as usinas processem cerca de 16 milhões de toneladas de milho, algo superior a 30% da produção estadual. Isso ajuda a equilibrar o mercado e dá maior segurança para o produtor”, afirma.
Desvalorização do real aumenta custos da produção
Se por um lado os preços do milho recuaram nos últimos anos, por outro os custos para produzir cresceram de forma consistente. Grande parte dos insumos utilizados na agricultura possui relação direta com o dólar, especialmente fertilizantes, defensivos agrícolas, peças, máquinas e combustíveis. Com a desvalorização do real frente à moeda norte-americana ao longo dos últimos anos, os custos de produção aumentaram significativamente.
Os números do Imea mostram essa evolução. O Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne desembolsos diretos da atividade, passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26, aumento superior a 42%. Já o Custo Total (CT), que considera também o custo de oportunidade do capital investido, avançou de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare no mesmo período, alta de aproximadamente 53%.
Os fertilizantes e corretivos seguem sendo o principal componente do custo de produção. Na safra 2021/22, representavam 34,55% do COE. Em 2025/26, responderam por 29,58% dos custos operacionais e permanecem como o item de maior peso para o produtor.
Segundo o produtor associado da Aprosoja MT pelo núcleo Vale do Arinos, Renato Tozzo, a atual relação entre preço do milho e custo de produção é uma das mais desafiadoras dos últimos anos. “Na minha visão, este está sendo o pior cenário dos últimos cinco anos. A margem está bastante apertada e os custos de fertilizantes, diesel e demais insumos continuam elevados”, afirma. Para ele, a inflação e a desvalorização da moeda brasileira agravam ainda mais o cenário. “A inflação vem impactando diretamente o agro. Fertilizantes, óleo diesel e outros insumos ficaram mais caros. Além disso, o ambiente econômico traz muitas incertezas para quem produz”, destaca.
O aumento dos custos vem reduzindo significativamente a rentabilidade do produtor. Dados do Imea mostram que o LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) saiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para apenas R$ 683,18 na safra 2025/26. Para a safra 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. Na prática, isso significa que o ganho financeiro do produtor está cada vez menor, mesmo diante do aumento da produtividade.
Na região de Itanhangá, o delegado coordenador do núcleo da Aprosoja MT, Ivam Franceschet, relata que os custos operacionais já consomem cerca de 100 sacas por hectare. “Hoje gastamos em torno de R$ 4.300 por hectare para produzir. O diesel está caro, o frete também está pesado e todos os custos aumentaram. Atualmente conseguimos algo entre 15 e 20 sacas por hectare de lucro. O ideal seria trabalhar entre 25 e 30 sacas”, avalia.
O cenário de margens apertadas pode trazer consequências para os próximos ciclos produtivos. Com menor capacidade financeira, muitos produtores tendem a reduzir investimentos em tecnologia, fertilização e manejo. Nathan Belusso alerta que a atual faixa de preços não é suficiente para garantir a sustentabilidade econômica da atividade. “Para que a produção de milho seja viável e permita ao produtor financiar a próxima safra, o preço deveria estar entre R$ 50 e R$ 55 por saca. Hoje estamos trabalhando entre R$ 38 e R$ 44, muito abaixo da necessidade do setor”, afirma.
O produtor acaba diminuindo a aplicação de fertilizantes e outros insumos. Isso pode refletir na produção das próximas safras”, explica. Mesmo diante das dificuldades, Mato Grosso segue consolidando sua posição como principal produtor de milho do país. O crescimento da produtividade, a expansão da indústria de etanol de milho e os investimentos em tecnologia reforçam a competitividade da produção estadual.
A Aprosoja MT avalia que o desafio para os próximos anos será encontrar mecanismos que permitam ao produtor preservar sua rentabilidade em um ambiente cada vez mais influenciado por fatores globais, garantindo a continuidade dos investimentos e a sustentabilidade econômica de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro.
Fonte: Aprosoja MT
Sustentabilidade
Soja impulsiona exportações do Paraná e movimenta quase US$ 3 bilhões em cinco meses

O complexo soja segue sendo um dos principais motores da economia do Paraná. De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (18), as exportações paranaenses do setor somaram 6,72 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses de 2026, volume 8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando haviam sido embarcadas 6,2 milhões de toneladas.
O forte ritmo das exportações acelerou a comercialização da oleaginosa e ajudou a liberar espaço nos armazéns para a entrada da safra de milho. Em termos financeiros, o complexo soja gerou US$ 2,94 bilhões para a balança comercial do Paraná entre janeiro e maio, um crescimento de 18% em relação aos US$ 2,50 bilhões obtidos em igual período de 2025.
Segundo o analista do Deral, Edmar Gervasio, o óleo de soja foi um dos destaques do período. As exportações do produto alcançaram 338 mil toneladas, registrando aumento de 59% na receita.
“O desempenho do complexo soja também é positivo nacionalmente. As exportações brasileiras totalizaram 66,2 milhões de toneladas, crescimento de 7% em volume e de 15% em valor, movimentando mais de US$ 27 bilhões para a balança comercial do país”, destacou Gervasio.
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Outros produtos
Além da soja, o boletim aponta outros segmentos em evidência no estado. O Paraná consolidou-se como o segundo maior produtor de urucum do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com uma produção de 1,6 mil toneladas em 1,4 mil hectares e um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 27,5 milhões. O município de Paranacity, principal produtor nacional, conquistou recentemente o selo de Indicação Geográfica (IG) de procedência junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
Na avicultura, o Paraná manteve posição de destaque na produção de ovos, ocupando o terceiro lugar nacional, com 119,35 milhões de dúzias produzidas no primeiro trimestre de 2026, volume 1,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O estado segue líder absoluto na produção de ovos férteis para incubação, respondendo por 30,9% de toda a produção brasileira.
Já na avicultura de corte, a redução nos preços do milho e do farelo de soja trouxe um alívio aos custos de produção. Em maio, o custo do frango vivo no Paraná recuou para R$ 4,68 por quilo, ficando ligeiramente abaixo do preço médio recebido pelos produtores, de R$ 4,69 por quilo.
O boletim também destaca o avanço da atividade leiteira. O Paraná registrou crescimento de 8,8% na captação de leite no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando quase 1,1 bilhão de litros adquiridos pelas indústrias e reduzindo a distância em relação a Minas Gerais, principal produtor nacional.
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Agro Mato Grosso
Syngenta automatiza testes de compatibilidade de caldas

A Syngenta passou a usar o robô proprietário ATLAS, sigla em inglês para Application Technology Laboratory Automation System, em testes de compatibilidade de misturas em tanque. O sistema automatizado acelera a avaliação de produtos, reduz a subjetividade das análises e ajuda a reproduzir condições de uso em campo.
A tecnologia foi desenvolvida e refinada pela empresa. O objetivo consiste em gerar resultados mais consistentes e precisos antes da chegada dos produtos ao mercado. O robô processa de 500 a 600 combinações por mês. Segundo a Syngenta, esse volume poderia exigir até seis meses em avaliação manual.
O ATLAS executa todo o processo de compatibilidade. A rotina inclui preparo de amostras, registro de imagens das misturas e análise completa das amostras. A automação reduz variações associadas à avaliação manual. Os dados ajudam no desenvolvimento de produtos, no manejo responsável e nas recomendações técnicas.
O sistema também auxilia o suporte técnico após o lançamento de produtos. Em casos de dificuldades inesperadas em misturas em tanque, o ATLAS pode usar fontes de água ou adjuvantes fornecidos por clientes. Com isso, a empresa recria condições específicas de aplicação em ambiente controlado.
A plataforma avalia problemas ligados a sedimentação, entupimento de pontas, ordem de mistura e outros fatores. As análises ajudam a compreender o comportamento dentro do tanque de pulverização. Os resultados também alimentam uma base histórica de testes para orientar diagnósticos mais rápidos e baseados em dados.
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