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Preço do feijão tem queda, mas média de março segue mais alta que a de fevereiro, aponta Cepea

A última semana foi marcada pela queda nos preços do feijão na maior parte das regiões brasileiras. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o recuo está ligado à baixa demanda observada nos últimos dias.
Apesar disso, o feijão carioca de nota 9 ou superior manteve, em março, cotações 8,72% acima das registradas em fevereiro. No caso do feijão preto, os preços também permaneceram 1,1% maiores que no período anterior, mas a maior oferta de vendedores acabou pressionando os valores no mercado.
Oscilações de preços já chegam ao consumidor
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as variações de preço do feijão já começaram a ser sentidas pelo consumidor em fevereiro.
O feijão carioca registrou alta de 11,73% no segundo mês do ano, enquanto no acumulado de 12 meses a elevação foi de 11,5%.
Já o feijão preto apresentou comportamento diferente. Em fevereiro, houve alta de 2,84%, mas no acumulado de 12 meses as cotações registraram queda de 22,78%.
De acordo com o Cepea, no campo o feijão carioca acumula valorização significativa em 12 meses, com alta de 42,2% para grãos de nota 9 ou superior e de 55,7% para os classificados entre 8,0 e 8,5. No caso do feijão preto, o avanço foi bem mais modesto, de apenas 1% no mesmo período.
Os dados indicam que os aumentos observados no campo ainda foram repassados apenas parcialmente ao consumidor final.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Ferrugem asiática eleva custos da soja e reforça aposta em nova tecnologia de fungicida

A ferrugem asiática segue como a principal ameaça fitossanitária das lavouras de soja no Brasil. Nos municípios produtores, o controle da doença representa entre 5% e 11% do custo operacional efetivo, podendo responder por mais de 40% dos gastos da lavoura.
Além da ferrugem, outras doenças fúngicas também desafiam o produtor ao longo do ciclo da cultura, como mancha-alvo, oídio, antracnose e anomalias da soja, que podem surgir em diferentes fases do desenvolvimento da planta.
Nesse cenário, especialistas reforçam que planejamento agronômico e manejo adequado são fundamentais para preservar o potencial produtivo das lavouras.
Manejo começa antes mesmo do plantio
Segundo o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Ihara, Andrey Boiko, o sucesso no controle de doenças depende de uma série de decisões tomadas ao longo de todo o sistema produtivo.
“Existem diversas etapas do processo que precisam ser observadas pelo agricultor e ele sabe fazer isso melhor do que ninguém. Desde a escolha da variedade, os tratos culturais iniciais, o preparo do solo, a adubação e o plantio direto”, afirma.
De acordo com o especialista, o controle de pragas e plantas daninhas também faz parte desse conjunto de práticas que contribuem para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da cultura.
Paraná lidera registros de ferrugem na safra
Na safra atual, o Paraná aparece entre os estados com maior número de casos de ferrugem asiática, com mais de 50 registros confirmados, segundo dados do Consórcio Antiferrugem.
Considerada uma das doenças mais severas da soja, a ferrugem pode provocar perdas de até 90% na produtividade quando não controlada, o que mantém os produtores em constante alerta.
A experiência do produtor Juarez Penz, de Passo Fundo (RS), mostra como o impacto pode ser significativo. Em anos anteriores, a ferrugem comprometeu parte da lavoura e resultou em perdas de cerca de 10 sacas por hectare.
“Tivemos anos com muita ferrugem, principalmente quando tem umidade e temperatura alta. A incidência aumenta e tivemos dificuldade no controle”, relata.
Tecnologia busca ampliar proteção das lavouras
Diante da pressão crescente das doenças, novas tecnologias de proteção têm sido incorporadas ao manejo fitossanitário.
Uma das soluções desenvolvidas pela Ihara é o fungicida Sugoy, formulado com três ingredientes ativos que atuam de forma complementar no controle das principais doenças da soja.
Segundo o gerente de produtos da Ihara, Archimedes Nishida, a proposta é oferecer uma solução completa para o produtor.
“Sugoy é uma grande oportunidade ao agricultor. Ele tem em sua formulação fungicida protetor, sendo uma solução completa, trazendo controle de doenças com alta seletividade”, afirma.
Dez anos de pesquisa até chegar ao campo
O desenvolvimento do produto exigiu uma década de pesquisa e investimento em tecnologia.
De acordo com Boiko, o maior desafio foi reunir diferentes ingredientes ativos em uma formulação estável e eficiente.
“É muito difícil unir três ingredientes ativos em uma formulação estável e seletiva, que permita ao agricultor trabalhar com eficiência e agilidade no campo”, conta.
A formulação em suspensão concentrada permite que os ingredientes ativos sejam rapidamente absorvidos pela planta e permaneçam disponíveis por mais tempo, protegendo a lavoura mesmo sob condições climáticas adversas.
Estratégia no manejo de resistência
Outro desafio no controle de doenças é o manejo da resistência dos fungos aos produtos utilizados no campo.
Segundo o pesquisador Carlos Forcelini, da Agro Tecno Research, a combinação de diferentes grupos químicos aumenta a eficácia da estratégia.
“Mesmo que o patógeno tenha resistência a algum dos ativos, é muito difícil que consiga se defender do fungicida aplicado quando há múltiplos mecanismos de ação”, afirma.
Aplicação no momento certo é decisiva
No manejo fitossanitário da soja, o momento da aplicação também é determinante para o sucesso do controle.
Boiko afirma que a severidade das doenças no Brasil exige mais de uma aplicação ao longo do ciclo da cultura.
“Muitas vezes é necessário lançar mão de várias aplicações para proteger a cultura no período mais sensível, que é a fase reprodutiva, quando a planta está formando os grãos”, destaca.
Fungicidas se tornam indispensáveis
Produtores que acompanham a evolução da cultura da soja relatam que o cenário atual exige cada vez mais atenção ao manejo fitossanitário.
O produtor Sergio Pierdoná, terceira geração de agricultores no Sul do país, afirma que a realidade mudou nas últimas décadas.
“Até o começo dos anos 2000 a gente praticamente não tratava a soja. Com a ferrugem, isso mudou. Hoje é indispensável fazer o tratamento com fungicida”, diz.
Ele destaca que soluções prontas também facilitam a operação no campo. “Em vez de colocar três produtos no pulverizador, você coloca um só. Fica muito mais prático e ágil.”
Eficiência e segurança na aplicação
Além da proteção da lavoura, a tecnologia também busca reduzir riscos operacionais no momento da aplicação.
Segundo Nishida, a formulação do fungicida elimina a necessidade de misturas adicionais no tanque.
“O produtor tem uma solução completa, que minimiza o risco operacional e traz maior consistência no controle”, afirma.
A expectativa da Ihara é continuar investindo em inovação para a proteção de cultivos nos próximos anos.
“Nós podemos garantir que a Ihara vai trazer ainda mais inovação e novos produtos para o agricultor brasileiro”, conclui Boiko.
Com a expansão da área de soja e a pressão crescente de doenças, especialistas avaliam que manejo integrado, monitoramento constante e tecnologias avançadas serão cada vez mais essenciais para manter a produtividade e a sustentabilidade das lavouras brasileiras.
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Guerra no Oriente Médio eleva preço da soja, mas exigências fitossanitárias travam exportações

Os preços internacionais da soja registraram alta na última semana, impulsionados principalmente pelo aumento das tensões no Oriente Médio. O cenário geopolítico elevou as preocupações sobre o fluxo de petróleo na região e sustentou as cotações das commodities energéticas, refletindo também no mercado de grãos.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização externa contribuiu para elevar a paridade de exportação da soja brasileira, o que ajudou a sustentar as cotações no mercado doméstico.
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Apesar desse movimento de alta, o ritmo de negócios nos portos brasileiros foi limitado nos últimos dias. Segundo o Cepea, novos protocolos de exigências fitossanitárias têm gerado incertezas no comércio internacional da oleaginosa.
Esse cenário levou à devolução de cargas destinadas à exportação, o que acabou reduzindo o volume de negociações nos portos.
Diante das dúvidas sobre a aplicação das novas regras, parte dos agentes do mercado passou a priorizar negociações no mercado interno, especialmente entre diferentes regiões produtoras.
A estratégia busca reduzir riscos enquanto exportadores e compradores aguardam maior clareza sobre os procedimentos sanitários exigidos nas operações internacionais.
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SP regulamenta sistema de inspeção sanitária para produtos de origem vegetal

O Governo do Estado de São Paulo regulamentou a Lei nº 18.154, de 5 de junho de 2025, que institui o sistema estadual de inspeção, fiscalização e auditoria sanitária de produtos de origem vegetal. A medida foi formalizada por decreto publicado no Diário Oficial na última quarta-feira (11).
O decreto estabelece as bases operacionais do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SISP-POV).
O sistema foi criado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Diretoria de Defesa Agropecuária. O serviço será responsável pela fiscalização, inspeção e auditoria sanitária de produtos vegetais e derivados, além de itens provenientes da algicultura e da fungicultura.
Regras para registro e fiscalização
Com a regulamentação, o SISP-POV passa a organizar o controle sanitário sobre estabelecimentos que manipulam, beneficiam, industrializam, armazenam, transportam ou comercializam produtos de origem vegetal.
O sistema estabelece procedimentos para registro de empresas, fiscalização sanitária, auditoria de processos produtivos e identificação oficial dos produtos por meio da inspeção estadual.
Entre os alimentos abrangidos estão polpas e sucos de frutas, vegetais higienizados, conservas vegetais, cogumelos comestíveis, algas alimentícias, farinhas vegetais, temperos e produtos desidratados.
“Estamos estruturando um sistema moderno de inspeção de produtos de origem vegetal que fortalece a agroindústria, garante segurança ao consumidor e amplia as oportunidades de comercialização dos produtos paulistas”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
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Estrutura e implementação
A coordenação do SISP-POV ficará sob responsabilidade da Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal e Animal (CIPOAV), vinculada à Defesa Agropecuária.
O sistema terá suporte do Sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE), plataforma por meio da qual os estabelecimentos poderão realizar o registro e acompanhar procedimentos sanitários.
A implementação será realizada de forma gradual, com a elaboração de normas específicas para diferentes cadeias produtivas. Entre os primeiros segmentos a serem regulamentados estão os estabelecimentos que trabalham com vegetais frescos higienizados.
“Trata-se de mais um passo em busca da segurança e da inocuidade dos produtos de origem vegetal, fungos e algas produzidos em São Paulo e que chegam à mesa dos cidadãos”, destacou o engenheiro agrônomo Eduardo Prada, chefe da Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Defesa Agropecuária.
Integração com sistema nacional
A regulamentação também permite a integração do estado ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SISBI-POV), componente do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Com a adesão, produtos inspecionados poderão ser comercializados fora do território estadual, desde que atendam às exigências do sistema nacional.
Atuação da Defesa Agropecuária
O novo serviço passa a integrar as ações da Defesa Agropecuária paulista, que atua na sanidade da produção agrícola e na fiscalização de alimentos destinados ao consumo.
Entre as atividades do órgão estão o monitoramento fitossanitário das lavouras, o controle de pragas e doenças e ações de fiscalização relacionadas à qualidade dos alimentos produzidos no estado.
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