Sustentabilidade
A realidade dos componentes de produtividade nas lavouras de milho do Sul do Brasil – MAIS SOJA

A produtividade de uma cultura é construída ao longo de todo o seu ciclo de desenvolvimento. Para compreendê-la, é fundamental analisar seus componentes estruturais (Monteiro, 2009). Uma análise dos componentes de produtividade de 276 lavouras e experimentos acompanhados em 10 anos pela Equipe FieldCrops, identificou a ordem de importância dos componentes de produtividade a nível de lavoura.
O principal componente de produtividade do milho, avaliado nas lavouras e experimentos, com produtividade média de 9,8 t ha-1, é o número de plantas por m2 (densidade). Porém, vale ressaltar, que os componentes podem ser muito diferentes em outros ambientes de produção como o Cinturão do milho nos Estados Unidos ou na segunda safra de milho no Brasil. Por isso, consideramos a Densidade Agronómica Ótima (DAO) de acordo com o ambiente de produção. As lavouras com maiores produtividades (>12,1 t ha-1) apresentam uma densidade de 80 a 100 mil plantas por hectare, enquanto as lavouras de baixas produtividades apresentam densidades menores que 80 mil plantas por hectare.
O segundo componente de produtividade mais importante para altas produtividades (>11 t ha-1) é a massa de mil grãos, sendo que as lavouras com produtividades maiores apresentam valores superiores a 313 g (Figura 1).
Figura 1. Árvore de regressão mostrando fontes de variação na produtividade de grãos de milho devido a fatores de manejo. As caixas são nós de divisão, com as caixas inferiores representando os nós terminais. Os valores dentro de cada nó terminal indicam a média da produtividade de grãos (t ha-1) com base no teor de umidade de 13% e a porcentagem de observações em cada nó terminal.
O Diagrama de Venn (Figura 2) atua como uma ferramenta norteadora para identificar e visualizar as propriedades dos componentes de produtividade e suas interrelações. Ao representar os conjuntos e as diferentes conexões existentes, o diagrama evidencia as interações necessárias para se alcançar o teto produtivo. De acordo com o diagrama, a interação máxima, ou seja, o ponto onde todos os componentes atingem seus valores ótimos simultaneamente garante uma produtividade média de 14,8 t/ha. No entanto, a análise demonstra a complexidade desse equilíbrio: apenas 5,8% do total de lavouras e experimentos monitorados conseguiram atingir essa sinergia plena.
Figura 2. Relação entre os valores ótimos dos componentes de produtividade do milho e a produtividade de grãos, utilizando o diagrama de Venn. A produtividade média de grãos atingindo o valor ótimo de apenas um dos componentes é indicada nos círculos mais externos. As áreas sobrepostas indicam os valores dos experimentos que atingiram o valor ótimo de dois componentes de produtividade. A área de sobreposição central indica a produtividade quando os três componentes de produtividade atingem os valores ótimos nas suas determinadas faixas.


Referências Bibliográficas
MONTEIRO, J. E. (org.). Agrometeorologia dos cultivos: o fator meteorológico na produção agrícola. Brasília, DF: INMET, 2009. 530 p.
PILECCO, I. B. et. al. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 2, 2024.

Sustentabilidade
Resistência múltipla do arroz daninho a herbicidas inibidores da ACCase e ALS é identificada – MAIS SOJA

Em conjunto com algumas espécies de poáceas, asteráceas, fabáceas e asteraceas, o arroz daninho (Oryza sativa) integra o grupo das principais espécies daninhas do arroz irrigado. Em função das suas similaridades com o arroz cultivado, o arroz daninha apresente um complexo controle, requerendo alto nível técnico e prático para um manejo eficiente e assertivo.
Figura 1. Infestação típica de plantas daninhas em uma lavoura de arroz irrigado no RS: plântulas de arroz daninho (1), capim-arroz (2), angiquinho (3) e ciperáceas (4) (Andres & Martins, 2021).
Estima-se que sob elevadas infestações, a matocompetição do arroz daninho com o arroz cultivado possa resultar em perdas de produtividade superiores a 45%. Além de reduzir o rendimento da cultura, perdas qualitativas podem ser observadas em função da interferência da comunidade infestante (Oliveira Neto et al., 2017).
Embora o sistema de semeadura pré-germinado, aliado à aplicação de herbicidas em pré-semeadura e ao manejo adequado da lâmina de irrigação, se configure como uma estratégia altamente eficiente para a supressão do arroz-daninho em áreas infestadas, o controle dessa planta permanece complexo (Oliveira Neto et al., 2017). Essa dificuldade é agravada pela ocorrência de populações com resistência a herbicidas, o que limita a eficácia das práticas de manejo adotadas.
O primeiro caso de resistência do arroz daninho a herbicidas registrado no Brasil é datado de 2006, onde forma identificadas populações dessa espécie daninha com resistência aos herbicidas imazapic e imazetapir na cultura do arroz, no Rio Grande do Sul. Esses herbicidas fazem parte do grupo dos inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS) (Heap, 2026).
Já em 2026, um caso de resistência múltipla foi identificado em populações do arroz daninho, também no Rio Grande do Sul. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirmaram a resistência múltipla do arroz daninho aos herbicidas quizalofope-petílico (inibidor da ACCase) e imazetapir (Inibidor da ALS) (HRAC-BR, 2026).
A confirmação da resistência múltipla do arroz-daninho a herbicidas com diferentes mecanismos de ação reforça a necessidade de intensificar estratégias de manejo integrado para seu controle. Entre as principais medidas, destacam-se o uso de sementes certificadas, a higienização de máquinas agrícolas a fim de impedir a disseminação entre áreas, e o monitoramento constante para identificação e eliminação de plantas sobreviventes, seja por controle manual ou com herbicidas de mecanismos alternativos, priorizando a rotação de modos de ação (HRAC-BR, 2026).
Em conjunto com as estratégias supracitadas, a doção de tecnologias adequadas de aplicação, assim como o bom posicionamento de herbicidas pré e pós-emergentes e a rotação de culturas, contribuem para o aumento da eficácia no controle do arroz daninho.
Referências:
ANDRES, A.; MARTINS, M. B. ARROZ: MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/arroz/producao/sistema-de-cultivo/arroz-irrigado-na-regiao-subtropical/manejo-de-pragas/manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 30/04/2026.
HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2026. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 30/04/2026.
HRAC-BR. COMUNICADO DE RESISTÊNCIA. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/6c1e70_32d06f5f5720427c8b55af552fc812b3.pdf >, acesso em: 30/04/2026.
OLIVEIRA NETO, A. M. et al. MANEJO DE ARROZ-DANINHO NA ENTRESSAFRA DO ARROZ IRRIGADO EM SISTEMA PRÉ-GERMINADO. Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, 2017. Disponível em: < https://www.sosbai.com.br/uploads/trabalhos/manejo-de-arroz-daninho-na-entressafra-do-arroz-irrigado-em-sistema-pre-germinado_864.pdf >, acesso em: 30/04/2026.

Sustentabilidade
Frente fria, geada, chuvas acima de 100 mm e clima quente; saiba o que esperar do tempo em maio

De acordo com a previsão do tempo apurada pelo meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, uma frente fria chega ao Rio Grande do Sul e avança a partir desta sexta-feira (1º), trazendo chuvas para o estado e também para Santa Catarina.
No decorrer da primeira semana do mês, o tempo segue quente e seco em boa parte do Centro-Oeste do Brasil e da região Sudeste do Brasil, assim como em áreas do Matopiba. Esse cenário deve persistir nas lavouras de soja pelos próximos 10 dias.
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Há previsão de períodos prolongados de chuva, principalmente no Rio Grande do Sul, onde os acumulados podem ultrapassar 100 mm em apenas cinco dias.
Até o período de 11 de maio, o padrão se mantém, com um Brasil central quente e seco e uma tendência de retorno irregular das chuvas, ainda com baixa umidade. Esse cenário deve agravar a situação das lavouras, especialmente o milho de segunda safra, que pode enfrentar restrição hídrica e perdas produtivas.
Além disso, a partir de domingo (5), há risco de geada, principalmente nas áreas de serra do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, elevando a preocupação no campo.
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Sustentabilidade
Abril tem alta, mas oferta elevada de arroz aumenta risco de correção – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de arroz permanece travado, com liquidez muito baixa e pouca referência real de preço. “Na prática, há preço ofertado, porém poucos negócios, o que caracteriza um mercado sem validação por fluxo”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
No Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, os preços giram entre R$ 60 e R$ 64 por saca de 50 quilos na Fronteira Oeste, com lotes de melhor qualidade chegando a R$ 65–68 em negociações pontuais. Em Santa Catarina, variam de R$ 55 a R$ 60 por saca.
A colheita avança e reforça o cenário de oferta elevada. O Brasil já colheu 88,3% da área conforme a Conab, acima do ano passado e da média histórica. A produtividade é alta e a qualidade geral positiva, com picos acima de 65% de inteiros e lotes atingindo 70% em algumas regiões. “Apesar disso, surgem gargalos: filas em armazéns e indústrias limitando recebimento indicam pressão logística”, pondera o consultor.
O comportamento dos agentes mantém o mercado paralisado. “O grande produtor retém estoque aguardando melhor preço, enquanto o pequeno vende por necessidade de caixa”, relata o analista.
A indústria compra apenas o necessário, pressionada por margens apertadas e dificuldade de repasse ao varejo. “Pequenas cerealistas, com preços mais agressivos, aumentam a desorganização do mercado”, acrescenta.
No cenário externo, a exportação segue fraca e não cumpre o papel de escoamento. O câmbio abaixo de R$ 5,00 reduz a competitividade, enquanto as importações crescem, pressionando ainda mais o mercado interno.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 29 de abril cotada a R$ 63,58, queda de 1,05% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço ainda era de 2,56%. Em relação a 2025, a desvalorização atingia 17,52%.
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