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Força-tarefa no campo: chuva e atraso pressionam milho no Sul de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja e o plantio do milho segunda safra em Mato Grosso se transformaram em uma verdadeira corrida contra o tempo. No Sul do estado, as chuvas irregulares e o prolongamento do ciclo de algumas variedades de soja estão travando o ritmo das máquinas e empurrando a semeadura do cereal para uma janela climática de alto risco. O cenário exige uma força-tarefa dentro das propriedades para evitar perdas ainda maiores na rentabilidade da temporada.

Em Jaciara, o agricultor Rogério Berwanger enfrenta dificuldades para dar ritmo aos trabalhos, com metade dos 1.720 hectares de soja ainda pendentes de retirada. A preocupação central é que a umidade excessiva concentre a maturação das áreas, fazendo com que todos os talhões precisem de colheita simultânea sob o risco das famosas chuvas de março. Berwanger explica que o clima prejudicou o início e, após uma trégua, as precipitações voltaram, alongando o ciclo das variedades.

“São áreas que vão chegar todas juntas e março é um mês ainda de muita chuva. Estamos entrando aí, quase na segunda quinzena de março, onde sempre tem a enchente de ‘São José’, que é famosa por todos os anos”, afirma o produtor ao projeto Mais Milho. Ele destaca que a apreensão com o clima é constante neste final de colheita para toda a região Sul mato-grossense.

Janela do milho de risco

O atraso na retirada da soja impacta diretamente o cronograma do milho, deixando parte da área de segunda safra sob o que os produtores chamam de “loteria climática“. Berwanger pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o sucesso da safra agora é incerto e depende exclusivamente de um alongamento do período chuvoso.

“Se o tempo ajudar igual ao ano passado… Mas, é uma loteria. Se a chuva se alongar, ainda consegue talvez fazer uma boa safra, mas é bem arriscado. Já se a chuva cortar em abril, há talhões que não irão pegar nenhuma água”, explica.

milho juína foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Nas fazendas da região, o domingo tornou-se dia de plantão, com equipes prontas para entrar em campo a qualquer sinal de sol para tentar finalizar o plantio. A situação é de alerta geral, já que o atraso não é um caso isolado e atinge grande parte dos agricultores locais que ainda lutam para vencer o calendário. A corrida contra o tempo visa diminuir os prejuízos de uma safra que já começa pressionada pela irregularidade das chuvas e pelo excesso de umidade no solo.

Além do clima, a repentina alta no preço do óleo diesel, impulsionada por conflitos internacionais, trouxe uma nova camada de incerteza financeira para o produtor. Em apenas uma semana, o combustível subiu entre R$ 1,00 e R$ 1,50, elevando drasticamente o custo operacional das máquinas em um momento de uso intenso. Berwanger classifica a situação como um “absurdo” que retira qualquer previsibilidade do setor, afetando toda a cadeia alimentar e de transporte de mercadorias.

“O oportunismo sempre aparece nessas situações, mais um sofrimento para o produtor rural que já está com a colheita atrasada, clima difícil e lavouras perdidas por excesso de chuvas. O país não tem estabilidade”, lamenta o agricultor. Para ele, o impacto é gigantesco entre colheita e plantio, deixando o campo sem segurança para investir e produzir.

Alerta na produtividade

Mesmo quem conseguiu avançar com o milho monitora o desenvolvimento das plantas, que já sofreram com veranicos pontuais na última semana. O produtor Jorge Schinoca relata que a falta de chuva regular fez com que as folhas do milho “enrolassem” em algumas áreas, sinalizando um estresse hídrico precoce que preocupa para o futuro da safra.

“Tivemos um veranico de uns oito, quase dez dias na semana passada. A expectativa é que essa chuva dê uma esticadinha, em abril, maio”, projeta Schinoca, que observa milharais em diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive alguns ainda nascendo.

De acordo com o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura do milho em Mato Grosso atingiu 93,68%, mas o ritmo geral segue 2,76 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada.

A região Sudeste lidera o atraso, com uma diferença negativa de 7,69 pontos percentuais em comparação com a safra anterior. Esses dados reforçam a preocupação de que o ciclo do milho seja concluído em um período de escassez hídrica, afetando o peso final dos grãos.

O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diego Bertuol, alerta que o plantio tardio em março traz o risco adicional da lixiviação, onde o excesso de água “lava” os fertilizantes aplicados.

“A janela ideal para a segunda cultura do milho aqui em Mato Grosso já se passou, mas o produtor vai ter de 10 a 15 dias plantando para conseguir”, analisa em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Bertuol complementa que toda a tecnologia e adubação aplicadas podem não trazer resultado em grandes produções se faltar chuva no enchimento pleno do milho lá na frente.

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Ministério discute estratégias para ampliar irrigação nas lavouras gaúchas

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Foto: Reprodução

O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, recebeu nesta quarta-feira (11) o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para discutir estratégias de ampliação da irrigação no estado como forma de reduzir os impactos das estiagens recorrentes sobre a produção agrícola do estado.

Durante a reunião, o governador apresentou o projeto Irrigação Resiliente no Rio Grande do Sul, que prevê a ampliação da área irrigada e investimentos em infraestrutura hídrica.

Segundo o Mapa, a proposta busca fortalecer a segurança hídrica e energética, ampliar a previsibilidade da produção e aumentar a capacidade de adaptação do setor agropecuário gaúcho a eventos climáticos extremos.

“A crise climática já se transformou em um problema econômico que precisa ser enfrentado de forma estruturante. O Mapa está à disposição para oferecer subsídio técnico e pareceres, porque esta é a casa do agricultor brasileiro”, afirmou Fávaro.

O ministro também ressaltou a importância do uso racional da água e citou experiências bem-sucedidas de irrigação no país. “A irrigação é fundamental. Perguntei sobre o aquífero Guarani porque tive a oportunidade de conhecer sistemas que utilizam águas de aquíferos, tanto no oeste da Bahia quanto no Piauí, onde a irrigação tem apresentado excelentes resultados e longevidade. O uso racional da água é essencial para que esse modelo funcione”, disse.

Impactos econômicos da estiagem

Ao apresentar a proposta, o governador Eduardo Leite destacou os impactos econômicos provocados pelas estiagens recorrentes no estado. Entre 2020 e 2025, o Rio Grande do Sul perdeu 48,6 milhões de toneladas de grãos.

Segundo ele, ao mesmo tempo, os produtores deixaram de faturar cerca de R$ 126,3 bilhões com culturas como arroz, milho, soja e trigo, e a economia deixou de gerar R$ 319,2 bilhões em Produto Interno Bruto, valor equivalente a aproximadamente 49% do PIB do estado em 2023.

Entre os resultados esperados com a ampliação da irrigação estão a preservação do potencial produtivo, a redução das perdas causadas por quebras de safra, o aumento da produtividade média das lavouras e a melhoria da qualidade dos grãos.

De acordo com Leite, a iniciativa também pode reduzir a dependência de cereais provenientes de outros estados, especialmente para a cadeia de proteína animal, além de contribuir para maior estabilidade econômica regional.

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Vendas de soja seguem cautelosas em Mato Grosso mesmo com “recuperação” de preços

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A saca de 60 quilos da soja em Mato Grosso foi negociada em média a R$ 107,19 no mês de fevereiro, alta de 2,95% em relação a janeiro. Apesar da “recuperação”, os produtores seguem cautelosos na hora da venda. No segundo mês de 2026 as negociações atingiram 56,58% da produção prevista para a temporada 2025/26, avanço de 7,09 pontos percentuais na variação mensal e 1,61 ponto percentual acima do observado no mês para a safra 2024/25.

Mato Grosso cultivou 13 milhões de hectares e conta com uma estimativa de produção de 51,412 milhões de toneladas de soja, conforme projeções levantadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Até o dia 6 de março, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso, 89,15% da área estava colhida.

A cautela dos produtores, explica o Instituto, decorre dos preços que “ainda permanecem abaixo das expectativas”.

Safra 2026/27 abaixo da média

As negociações para a safra 2026/27 não são diferentes, aponta o Imea. A comercialização da soja futura alcançou 3,96% da produção estimada, progresso de 2,50 pontos percentuais em relação a janeiro. Entretanto, o cenário mostra que no comparativo com o ciclo 2025/26 está 0,97 ponto percentual abaixo. Já em relação a média das últimas cinco safras, 6,58 pontos percentuais.

Quanto ao preço médio da saca de 60 quilos de soja da safra 2026/27, para o período ficou na média de R$ 107,48, incremento de 5,03% no comparativo mensal.

“Com o atraso na comercialização, alguns sojicultores optam por postergar as negociações das safras, à espera de melhores preços. No entanto, é importante manter atenção ao custo de carrego”, salienta o Imea.


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Pela primeira vez, Brasil exporta hortifrútis frescos em voo direto para ilha africana

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Foto: Fermac

Pela primeira vez, um cargueiro fretado realizou a entrega de hortifrútis brasileiros diretamente na Ilha do Sal, um dos destinos mais procurados do arquipélago de Cabo Verde, próximo à costa noroeste da África, informa o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta quarta-feira (11).

A operação partiu no domingo (8) do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas São Paulo, após inspeção da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro).

Segundo a chefe da Vigiagro em Viracopos, Rita Lourenço, o mercado de Cabo Verde já recebia produtos brasileiros, mas a logística anterior envolvia escalas em aeroportos europeus e posterior transporte marítimo até a ilha.

“O primeiro embarque incluiu pequenas quantidades de diferentes produtos agrícolas. A ideia é testar para verificar a viabilidade de adotar essa entrega direta com mais frequência”, afirmou.

Entre os produtos enviados estão itens mais sensíveis, como alface, tomate e pimentão. A expectativa é que os hortifrútis brasileiros abasteçam hotéis e resorts da ilha.

Segundo a servidora do Mapa, voos diretos contribuem para ampliar o tempo de prateleira e melhorar a conservação, a apresentação e a durabilidade dos alimentos. Outro diferencial da operação é que os hortifrútis seguiram diretamente da produção para o destino final, sem intermediários, o que agrega valor e qualidade aos produtos brasileiros.

Produtos enviados

O cargueiro deixou o Brasil com cerca de cinco toneladas de amostras de diferentes alimentos:

  • Manga: 576 kg
  • Figo roxo: 240 kg
  • Pitaya: 36 kg
  • Carambola: 7,2 kg
  • Goiaba: 13,8 kg
  • Mamão: 891 kg
  • Tomate fresco: 18 kg
  • Alface fresca: 6,4 kg
  • Pimentão: 234 kg
  • Mandioca: 108 kg
  • Lima ácida Tahiti: 1.310 kg
  • Abacate avocado: 720 kg

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