Sustentabilidade
Milho/Ceema: Colheita avança no Brasil e milho tenta reagir, mas exportações preocupam mercado – MAIS SOJA

Comentários referentes ao período entre 27/02/2026 e 05/03/2026
A cotação do milho, em Chicago, até o momento apresenta pouca alteração devido ao conflito entre EUA/Israel e o Irã. A cotação do bushel do cereal trabalhou entre US$ 4,27 e US$ 4,40 nas últimas semanas, ficando mais baixa do que um ano atrás, quando no mesmo período oscilou entre US$ 4,40 e US$ 4,80/bushel. O fechamento desta quinta-feira (05) ficou em US$ 4,41/bushel, contra US$ 4,33 uma semana antes. A média de fevereiro atingiu a US$ 4,29, recuando 0,2% sobre a média de janeiro.
Os embarques estadunidenses de milho, na semana encerrada em 26/02, atingiram a 1,8 milhão de toneladas, superando as expectativas do mercado. Assim, o total do cereal já embarcado pelos Estados Unidos, no atual ano comercial, chega a 39,6 milhões de toneladas, ou seja, 45% acima do registrado há um ano no mesmo período.
E aqui no Brasil, os preços ensaiaram uma pequena recuperação, porém, sem sustentação por enquanto, diante do avanço da colheita da safra de verão e certas dificuldades de exportação, agora pioradas pelo conflito no Oriente Médio. No Rio Grande do Sul as principais praças praticaram R$ 56,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 51,00 e R$ 68,00/saco. Em termos de preço por aqui, segundo o Cepea, os mesmos só não estariam menores porque os produtores estão segurando o produto visando melhoria nas cotações e dando prioridade às vendas de soja.
Segundo a Conab, o plantio da safrinha, em todo o Brasil, se mantinha atrasado no início de março, com 65% da área esperada semeada, contra 70% no mesmo período do ano passado, porém, acima da média dos últimos cinco anos que é de 57,2%. Até então o Mato Grosso havia semeado 85,6% da sua área, Tocantins 70%, Goiás 62%, Maranhão 57%, Mato Grosso do Sul e Paraná 45%, Minas Gerais 31% e Piauí 28%. Já a colheita da safra de verão, em todo o país, atingia a 25% da área, ficando praticamente igual ao do ano passado e acima dos 23% da média dos últimos cinco anos. Até então, o Rio Grande do Sul havia colhido 75% da área, Paraná 42%, Santa Catarina 28%, São Paulo 7%, Bahia 6% e Minas Gerais 1%. Os demais estados ainda não haviam iniciado a colheita.
Em relação especificamente ao Centro-Sul brasileiro, a área semeada teria chegado a 66% do esperado até o dia 26/02, sendo este o índice mais baixo desde 2022. Um ano atrás o plantio atingia, nesta época, a 80% da área esperada. Já o milho verão estava com 36% colhido na região, contra 46% um ano atrás (cf. AgRural).
Em paralelo, o mercado acompanha de perto o conflito no Oriente Médio já que o Irã se tornou o principal importador de milho brasileiro. Se o conflito perdurar o Brasil irá destinar o produto para outros países, já que nosso mercado do cereal é bem mais diversificado do que o da soja. Em termos de participação, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de nosso milho exportado em 2025, ou seja, cerca de 20% de toda a exportação brasileira de milho no ano passado. Para o país persa, o Brasil é um fornecedor estratégico: aproximadamente 80% de todo o milho importado pelos iranianos têm origem nas lavouras brasileiras.
Em contrapartida, o Irã também exporta componentes de fertilizantes para o Brasil. Em 2025, o país persa exportou 184.700 toneladas de ureia para o Brasil. Não é muito perto dos milhões de toneladas que importamos, mas um conflito que envolva este país provoca aumento de preços dos fertilizantes no mundo. Mas, existem suspeitas de que o Irã faça triangulações na exportação de ureia, o que deixaria o volume total por nós importado daquele país bem maior. É possível que cargas iranianas cheguem ao Brasil sob bandeira de países como a Nigéria, Omã ou Catar, para contornar restrições comerciais impostas contra o Irã (cf. Abramilho).
Enfim, a produção total de milho no Brasil, em 2025/26, está, agora, estimada entre 136 e 141,7 milhões de toneladas. Este último número superando de pouco a safra passada. A área plantada teria sido de 21,83 milhões de hectares. Em termos de safrinha, a produtividade média ficaria em 6.417 quilos/hectare. Isso remete o potencial de colheita da safrinha para 100,6 milhões de toneladas, ficando muito próximo do registrado no ano passado. Já a colheita de verão ficaria em 25,5 milhões de toneladas no Centro-Sul do país, quase um milhão de toneladas acima do registrado no ano anterior (cf. Safras & Mercado).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Sustentabilidade
Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.
O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.
Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.
O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.
Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).
Cuiabá
Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.
O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.
Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).
Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).
“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.
CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
A importância do trigo tropical e os desafios do manejo da brusone – MAIS SOJA

Angelo Aparecido Barbosa Sussel, pesquisador da Embrapa Cerrados
Jorge Henrique Chagas, pesquisador da Embrapa Trigo
O trigo ocupa posição estratégica na agricultura brasileira, tanto pela importância econômica quanto pelo papel que pode desempenhar na diversificação dos sistemas de produção, na segurança alimentar e na utilização mais eficiente das áreas agrícolas durante diferentes épocas do ano. Historicamente, a produção brasileira de trigo esteve concentrada nas regiões Sul e Sudeste, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura. Entretanto, os avanços no melhoramento genético, no conhecimento dos ambientes de produção e no desenvolvimento de sistemas de manejo adaptados às condições tropicais vêm permitindo a expansão da cultura para regiões anteriormente consideradas marginais ao cultivo de trigo.
Nesse contexto, o trigo tropical representa uma das principais oportunidades de expansão da triticultura brasileira. A região Centro-Oeste e determinadas áreas do Sudeste, especialmente de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, apresentam condições que permitem a produção de trigo com elevado potencial produtivo, desde que sejam utilizadas cultivares adaptadas, épocas de semeadura adequadas e estratégias de manejo compatíveis com as condições climáticas locais. A própria Embrapa destaca o potencial do trigo de sequeiro no Brasil Central, associando a expansão da cultura ao desenvolvimento de cultivares com maior tolerância à deficiência hídrica e resistência à brusone, principal doença que acomete os trigais da região.
A expansão do trigo para o ambiente tropical não deve, entretanto, ser entendida como uma simples transferência do modelo de produção utilizado no Sul do Brasil. O ambiente tropical apresenta características próprias, especialmente relacionadas à temperatura, à disponibilidade hídrica e à ocorrência de doenças. Por isso, o sucesso da cultura depende de uma combinação entre genética, época de semeadura, disponibilidade de água, fertilidade do solo e manejo fitossanitário.
Uma das principais ferramentas para mitigar riscos é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Mais do que uma tabela de datas, o Zarc é um guia estratégico que cruza dados de clima, solo, ciclo da cultivar e probabilidade de eventos adversos. A indicação das janelas de plantio, atualizadas periodicamente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ajuda a proteger a lavoura nas fases mais sensíveis: espigamento, florescimento e enchimento de grãos.
O produtor deve considerar que não existe uma única época ideal de semeadura. A janela recomendada depende do município, do sistema de cultivo, do tipo de solo, da cultivar e, em muitos casos, do sistema irrigado ou de sequeiro. A documentação técnica do Mapa destaca que, no ambiente tropical, deficiência hídrica e excesso de calor estão entre os principais fatores limitantes e que, do ponto de vista fitossanitário, a brusone constitui um dos principais problemas para a produção de trigo no Centro do Brasil, tanto em sistemas de sequeiro quanto irrigado. Não basta escolher uma cultivar produtiva. É necessário posicioná-la em uma época em que as condições climáticas sejam menos favoráveis aos principais estresses da cultura.
Entre as doenças que podem comprometer a produção de trigo no ambiente tropical, a brusone ocupa posição de destaque. A brusone pode ocorrer nas folhas, causando lesões que reduzem a área fotossinteticamente ativa, mas seu impacto econômico mais grave está associado à infecção das espigas (Figura 1). Quando a doença atinge o ráquis (eixo da espiga) ou regiões próximas ao ponto de inserção das espiguetas, pode ocorrer interrupção do fluxo de água e fotoassimilados (nutrientes gerados na fotossíntese) para a parte superior da espiga. Como consequência, as espiguetas podem apresentar grãos chochos ou ausência de formação de grãos. Outra condição que tem sido observada é a infecção na base do colmo, matando a planta, principalmente na cultivares com maior suscetibilidade (Figura 2).
O manejo da brusone precise ser pensado em duas dimensões complementares: proteção da parte aérea e proteção da espiga. A proteção durante o período vegetativo tanto protege o trigo de manchas foliares como reduz o potencial de inóculo da brusone para o período de espigamento. A proteção durante o período de espigamento e florescimento deve ser considerada uma das principais prioridades do manejo, especialmente quando as condições ambientais favorecem a infecção da doença.
No trigo de sequeiro, a ocorrência de chuvas durante fases críticas da cultura pode criar períodos de molhamento foliar e elevar a umidade dentro do dossel (massa foliar), favorecendo a infecção e a disseminação do patógeno. Por essa razão, a escolha da época de semeadura é uma ferramenta de controle de doenças tão importante quanto a aplicação de fungicidas. A estratégia é procurar evitar que o período de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições ambientais altamente favoráveis ao desenvolvimento da doença.
No trigo irrigado, por outro lado, o produtor consegue controlar melhor a disponibilidade de água e evitar situações de deficiência hídrica severa. Isso reduz um dos principais riscos do trigo tropical e normalmente permite maior estabilidade produtiva. Entretanto, irrigação não significa ausência de risco de brusone. A irrigação pode, inclusive, aumentar a duração dos períodos de molhamento quando manejada de maneira inadequada. Assim, o sistema irrigado exige planejamento cuidadoso do momento e da quantidade de água aplicada, evitando excesso de umidade.
A safra de 2026 merece atenção especial. No acompanhamento das lavouras de trigo tropical realizado neste ano, tem sido observada maior ocorrência de brusone inclusive em áreas irrigadas, situação que chama a atenção porque, normalmente, o sistema irrigado apresenta menor risco da doença quando comparado ao trigo de sequeiro.
Contudo, dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizadas no Distrito Federal e em Cristalina (GO), registraram os menores somatórios de horas de temperatura mínima abaixo de 15 °C para o período de maio a agosto de 2026 dos últimos oito anos, o que indica um final de outono e início de inverno mais quente que a média do mesmo período (Figura 3). As temperaturas máximas deste ano também estão se comportando com valores superiores às médias do período (Figura 4), da mesma forma que a quantidade de horas com chuva (Figura 5). Essa condição de maior calor, associada à elevação da umidade relativa provocada pela irrigação por aspersão, permite gerar as condições favoráveis à manutenção do patógeno e à ocorrência de epidemias de brusone em trigo irrigado, principalmente nas cultivares de maior suscetibilidade, reduzindo a vantagem fitossanitária normalmente associada ao cultivo nesse sistema.
É importante, contudo, interpretar essa observação com cautela. A relação entre clima e brusone não depende exclusivamente da precipitação acumulada ou da temperatura média. O desenvolvimento da doença é resultado da interação entre temperatura, umidade, duração do molhamento, chuva, estádio fenológico (fase de desenvolvimento da planta), suscetibilidade da cultivar e presença de inóculo. Assim, o comportamento observado em 2026 deve ser considerado um importante sinal de alerta, e não simplesmente atribuído à irrigação. A documentação do Zarc para o Distrito Federal já reconhece que a brusone é um dos principais problemas fitossanitários do trigo no ambiente tropical, tanto no cultivo irrigado quanto no de sequeiro.
Também é fundamental a compreensão de que o controle da brusone não deve depender exclusivamente de fungicidas. O manejo mais eficiente começa antes da semeadura e envolve uma sequência de decisões. A primeira é a escolha da cultivar. Cultivares com maior resistência ou menor suscetibilidade à brusone podem apresentar vantagem significativa em ambientes de maior risco. Entretanto, resistência genética não deve ser considerada uma proteção absoluta, pois o desempenho das cultivares pode variar conforme o ambiente e a pressão da doença.
A segunda é a época de semeadura. O posicionamento da cultura dentro da janela recomendada pelo Zarc deve procurar reduzir a coincidência entre os estádios críticos do trigo e os períodos de maior risco climático. Em publicações técnicas da Embrapa para trigo irrigado no Cerrado, por exemplo, recomenda-se atenção à época de semeadura e destaca-se a importância de evitar períodos que aumentem a probabilidade de ocorrência de brusone.
A terceira é o monitoramento da lavoura. O produtor deve acompanhar especialmente as condições ambientais e a evolução da doença nas folhas antes do espigamento. A presença de sintomas foliares próximos à entrada no período reprodutivo deve aumentar o nível de atenção para a proteção das espigas.
A quarta é o manejo racional da irrigação. A água deve ser utilizada para atender às necessidades da cultura, mas evitando criar condições desnecessariamente favoráveis ao desenvolvimento de doenças. O momento, a lâmina e a frequência das irrigações devem ser definidos considerando o solo, a evapotranspiração, o estádio da cultura e a previsão meteorológica.
Finalmente, o controle químico deve ser integrado às demais medidas. A eficiência dos fungicidas depende do produto, da dose, da tecnologia de aplicação, do momento da aplicação, da cobertura das plantas e da sensibilidade do patógeno. No caso da brusone da espiga, o posicionamento da aplicação é especialmente importante, pois uma aplicação muito antecipada ou muito tardia pode apresentar eficiência inferior à desejada.
A experiência de 2026 reforça uma mensagem fundamental: mesmo quando o produtor dispõe de irrigação e reduz o risco de deficiência hídrica, o ambiente continua determinando a ocorrência das doenças. A produção de trigo tropical, portanto, deve ser encarada como um sistema em que clima, planta, patógeno e manejo estão permanentemente interligados.
Fonte: Embrapa
Autor:Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) Embrapa Cerrados
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Produção de soja e milho muda perfil da mão de obra no campo em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

Mato Grosso do Sul registrou 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026. O avanço da produção ocorre junto a mudanças no mercado de trabalho rural, com redução da quantidade de pessoas ocupadas diretamente nas lavouras e aumento da participação de atividades relacionadas à agroindústria, aos agrosserviços e ao suporte técnico.
Os dados do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea em parceria com a CNA, mostram que o agronegócio brasileiro empregou 28,40 milhões de pessoas em 2025, maior patamar da série histórica iniciada em 2012. O número representa 26,3% da população ocupada no país e corresponde a um aumento de 601.806 trabalhadores em relação a 2024.
Enquanto a agroindústria teve aumento de 1,4% nas contratações e os agrosserviços cresceram 6,1%, o segmento primário recuou 1,1%, com redução de 87.378 trabalhadores.
Na agricultura, a soja registrou queda de 6,9% na população ocupada, equivalente a 31.987 pessoas. No milho, a redução foi de 10%, ou 43.087 trabalhadores.
Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, os dados refletem a tecnificação no campo.
“No caso da soja e do milho, a mecanização e a automação reduzem determinadas atividades manuais. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”.
Em Mato Grosso do Sul, a produção de soja e milho tem participação na economia estadual e nas exportações. Em 2025, o complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio do Estado.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações sobre admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, também mostram esse movimento no Estado.
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com saldo positivo de 19.756 empregos formais. A agropecuária respondeu por 1.256 vagas, enquanto construção civil, serviços, indústria e comércio apresentaram saldos superiores.
Os dados também apresentam variações relacionadas ao calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas no Estado. Em agosto de 2025, o setor teve saldo negativo de 175 vagas, período que coincidiu com o vazio sanitário da soja.
Com o encerramento do vazio sanitário em 15 de setembro e a liberação do plantio a partir de 16 de setembro, a demanda por mão de obra relacionada à soja volta a acompanhar o calendário da nova safra.
Remuneração
Um levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) apresenta diferenças de remuneração conforme o nível de escolaridade dos trabalhadores da agropecuária.
Nos municípios analisados, mulheres com ensino superior completo apresentaram remuneração média de R$ 5.138,46, enquanto aquelas com ensino médio tiveram média de R$ 2.378,29. Os dados são referentes ao levantamento realizado com base em informações da Rais e do Caged de 2021.
“A tecnologia aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais e atuar em atividades de gestão e suporte à produção. A qualificação passa a fazer parte da estrutura necessária para acompanhar as mudanças na agricultura”, finaliza Raphael.
O estudo completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
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