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4 de novembro de 2026

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Exportação de milho do Brasil para o Irã cresceu 280% em cinco anos

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

As exportações de milho do Brasil para o Irã cresceram cerca de 280% nos últimos cinco anos, consolidando o país asiático como um dos principais destinos do cereal brasileiro. Os dados reforçam a importância do mercado iraniano para o agronegócio nacional, especialmente em um momento de tensão geopolítica no Oriente Médio.

Segundo levantamento apresentado no Mercado & Cia, o Brasil exportou 3,23 milhões de toneladas de milho para o Irã em 2021. Em 2025, esse volume chegou a aproximadamente 9 milhões de toneladas, evidenciando o avanço da participação iraniana nas compras do cereal brasileiro.

Apesar do cenário de conflito na região, analistas e entidades do setor avaliam que os impactos no curto prazo tendem a ser limitados. No entanto, especialistas alertam que os efeitos podem aparecer no médio e longo prazo, dependendo da duração e da intensidade das tensões.

Participação crescente nas exportações brasileiras

O crescimento das compras iranianas também elevou a participação do país no total das exportações brasileiras de milho.

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Em 2025, cerca de 22,5% de todo o milho exportado pelo Brasil teve como destino o Irã. O volume total de embarques do cereal ficou entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas nos últimos dois anos.

A relevância do mercado iraniano chama atenção justamente em um momento em que o Brasil busca recuperar o ritmo das exportações. Em 2023, o país registrou um recorde de 55 milhões de toneladas exportadas, mas os volumes recuaram nos anos seguintes.

Três países concentram mais da metade das compras

Outro ponto de atenção no comércio internacional do milho brasileiro é a concentração de mercados compradores.

De acordo com os dados, Irã, Egito e Vietnã responderam por 53% das exportações brasileiras do cereal em 2025.

O ranking dos principais importadores no ano passado foi liderado pelo Irã, com cerca de 9 milhões de toneladas, seguido por Egito, com 7,6 milhões de toneladas, e Vietnã, com aproximadamente 4,26 milhões de toneladas.

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No ano anterior, o Egito ocupava a primeira posição entre os compradores do milho brasileiro, seguido pelo Irã, indicando uma alternância entre os dois países na liderança das importações.

Exportações seguem fortes em 2026

Nos dois primeiros meses de 2026, o ritmo das exportações brasileiras para o Irã segue elevado.

Entre janeiro e fevereiro, o Brasil embarcou 5,8 milhões de toneladas de milho, sendo que 1,3 milhão de toneladas tiveram como destino o país asiático. Isso representa cerca de 23% do total exportado no período, percentual semelhante ao registrado ao longo de 2025.

Grande parte do milho destinado ao mercado iraniano sai por dois portos brasileiros. Quase 80% das exportações para o Irã são embarcadas pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Somente nos dois primeiros meses de 2026, aproximadamente 600 mil toneladas saíram pelo porto de Santos, enquanto cerca de 400 mil toneladas foram embarcadas por Paranaguá.

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Frete e petróleo também preocupam mercado

Além da possível redução das compras, outro fator que preocupa o mercado é o aumento do custo do frete marítimo.

Conflitos no Oriente Médio costumam pressionar o preço do petróleo e elevar os custos logísticos, especialmente em rotas que passam por regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores para o transporte global de petróleo.

Com o aumento do risco geopolítico, o custo do transporte tende a subir, o que pode dificultar a competitividade das exportações.

Destino do excedente

O Brasil deve colher cerca de 140 milhões de toneladas de milho, o que gera um volume significativo de excedente exportável.

Caso as vendas para o Irã sejam afetadas ao longo do ano, especialistas alertam que será necessário buscar novos mercados para absorver parte desse milho, garantindo liquidez ao produto e sustentação de preços no mercado interno.

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Segundo analistas, a diversificação de destinos será fundamental para evitar impactos maiores no setor caso o conflito se prolongue.

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Plantio de soja ganha ritmo, mas irregularidade das chuvas mantém alerta para trabalhos em campo

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O plantio da soja da safra 2026/27 ganhou velocidade na segunda metade de outubro, com recuperação dos trabalhos nas principais regiões produtoras do Brasil. Segundo análise da consultoria Agro do Itaú BBA, o avanço reduz, neste momento, o risco de atrasos generalizados no calendário agrícola e melhora as perspectivas para a implantação da segunda safra. Apesar disso, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas seguem como pontos de atenção, especialmente em áreas do Centro-Oeste.

Em Mato Grosso, a semeadura acelerou com o retorno das precipitações. No entanto, depois das boas chuvas registradas no fim de setembro e início de outubro, a frequência e a intensidade dos volumes diminuíram em algumas áreas. Com o calor, a perda de umidade do solo também se intensificou, aumentando a necessidade de novas precipitações para garantir o estabelecimento das lavouras.

O relatório do Itaú BBA aponta relatos pontuais de necessidade de replantio em Mato Grosso, mas os casos ainda são limitados e, até o momento, não comprometem o potencial produtivo do estado. A expectativa é de que as chuvas previstas pelos modelos meteorológicos favoreçam a recuperação da umidade e a continuidade dos trabalhos no campo.

Em Mato Grosso do Sul e Goiás, a evolução do plantio também é consistente. Entretanto, períodos quentes e secos entre os eventos de chuva podem reduzir a umidade superficial do solo e comprometer a uniformidade da emergência das plantas.

No Paraná, o avanço da semeadura ocorreu de maneira relativamente contínua, favorecendo a distribuição das operações e a liberação das áreas para o milho de segunda safra. Mais recentemente, o excesso de chuva provocou desaceleração dos trabalhos e levantou preocupações sobre possíveis prejuízos às lavouras, incluindo a necessidade de replantio. Ainda assim, o estado conta com uma janela de plantio mais extensa, o que tende a reduzir os impactos sobre o calendário.

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Outras culturas no radar

A velocidade do plantio da soja também influencia diretamente as perspectivas para o milho e o algodão de segunda safra. De acordo com a análise do Itaú BBA, quanto maior a parcela da oleaginosa semeada até o fim de outubro, maior a possibilidade de colheita dentro de um período que preserve a janela ideal para as culturas seguintes.

Quando o plantio avança para novembro, a colheita tende a ser deslocada, reduzindo o intervalo disponível para a implantação da safrinha. O produtor pode precisar acelerar as operações, reduzir a área planejada ou até optar por culturas com maior resiliência climática.

Em Mato Grosso, a recuperação observada na segunda metade de outubro diminuiu a probabilidade de atrasos generalizados na segunda safra. A avaliação aponta que a área de soja equivalente à projetada para milho e algodão de segunda safra no estado foi implantada dentro da janela considerada ideal. O resultado é melhor que o observado em 2015/16, outro ciclo sob influência do El Niño, e apresenta um desenho ligeiramente mais favorável que o de 2023/24.

Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a aceleração da semeadura também reduz o risco de deslocamento do milho para datas mais tardias. A preocupação, nesses estados, é que o El Niño costuma estar associado ao encerramento mais antecipado das chuvas em partes do Cerrado, aumentando a exposição das lavouras implantadas fora da janela preferencial.

Previsão de chuva será decisiva

Para o curto prazo, os modelos meteorológicos indicam aumento da amplitude e dos volumes de chuva entre 29 de outubro e 12 de novembro. A melhora pode favorecer a continuidade do plantio e a recomposição da umidade do solo no Centro-Oeste, embora a distribuição das precipitações permaneça mais irregular no Norte do país.

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Para o período entre novembro e fevereiro, o Itaú BBA destaca um cenário de contrastes regionais, com maior propensão a volumes acima da média no Sul e chuvas mais irregulares em áreas do Centro-Norte.

Na Bahia, Tocantins e Maranhão, o avanço da semeadura depende da consolidação das chuvas, enquanto a irregularidade das precipitações pode provocar interrupções nas operações. Em Minas Gerais e São Paulo, o plantio segue trajetória mais próxima do padrão sazonal, com melhora após a ampliação das chuvas no Brasil Central.

No Rio Grande do Sul, a semeadura ainda está em fase inicial, em linha com a janela mais tardia do estado. Por enquanto, as condições de umidade são consideradas mais confortáveis que no Centro-Oeste.

Apesar dos desafios regionais, a avaliação do Itaú BBA mantém como cenário-base a perspectiva de uma nova boa safra de soja no Brasil. A confirmação das chuvas previstas para o início de novembro será determinante para consolidar a emergência das lavouras, reduzir a necessidade de replantio e preservar o potencial produtivo da safra 2026/27.

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Alta do diesel pode elevar custo do frete em MT e pressionar produtor na safra de soja

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O produtor rural de Mato Grosso pode enfrentar uma conta mais alta para transportar a temporada 2026/27 de soja. A cada 5% de aumento no preço do diesel, o custo operacional do frete rodoviário cresce aproximadamente 1,5%, conforme estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com o combustível acumulando valorização de até 20% em 2026, a pressão sobre a logística preocupa principalmente com o período de colheita em janeiro e o escoamento dos grãos.

A influência do diesel sobre o transporte é significativa porque o combustível representa aproximadamente 30% das despesas operacionais do frete. Considerando uma alta entre 15% e 20% entre janeiro e outubro deste ano, o Imea calcula um aumento de 4,5% nesses custos. A variação ainda não foi integralmente incorporada aos valores cobrados pelo serviço.

O efeito, entretanto, não fica restrito às transportadoras. O combustível também encareceu as operações realizadas dentro das propriedades e passou a ocupar uma parcela maior do orçamento destinado à produção agrícola.

Na soja, os gastos com diesel nas operações mecanizadas da safra 2026/27 estão estimados em R$ 198,59 por hectare, crescimento de 23,8% em relação ao ciclo anterior. O valor considera atividades como semeadura, aplicações e colheita.

“Hoje o diesel corresponde a 30% de todo o custo operacional do frete. Quando aumenta 5% o preço do combustível, isso acarreta um aumento de 1,5% no custo operacional do transporte para o produtor”, explica a analista de logística do Imea, Ébila Ferreira, ao detalhar a relação entre a valorização do combustível e as despesas do transporte.

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Diesel muda a composição dos custos da soja

A participação do combustível no custeio da soja chegou a 4,59% em Mato Grosso. O percentual é o maior da série histórica acompanhada pelo Imea e supera a média de 3,82% registrada nas últimas cinco safras.

Outro dado mostra a dimensão dessa mudança: aproximadamente 27% do aumento do custeio da cultura entre as safras 2025/26 e 2026/27 está relacionado ao diesel. Portanto, a valorização do combustível interfere simultaneamente no custo para produzir e na despesa para levar os grãos ao mercado.

A pressão também se intensificou no período mais recente. Entre setembro e outubro, o preço do diesel avançou aproximadamente 6%, ampliando o peso do insumo nas contas do setor.

Para o produtor, essa combinação representa uma exposição maior às oscilações do combustível. Mesmo que o reajuste do frete não acompanhe imediatamente a alta do diesel, o custo de transporte permanece sujeito à recomposição das despesas das empresas responsáveis pelo serviço.

Demanda por transporte será decisiva

A diferença entre o aumento dos custos operacionais e os valores efetivamente cobrados pelo frete ajuda a explicar por que a pressão ainda não apareceu integralmente nas tarifas. Na comparação entre janeiro e outubro, as médias praticadas em Mato Grosso permaneceram equivalentes.

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O mercado de transporte, porém, não depende apenas do preço do combustível. A disponibilidade de caminhões, a movimentação de grãos e as condições de negociação também interferem nos valores. Durante a colheita, a concentração da demanda pode alterar esse equilíbrio.

É nesse período que o Imea identifica a possibilidade de repasse dos aumentos acumulados. Com maior necessidade de caminhões para retirar a soja das propriedades, os transportadores poderão ter mais espaço para negociar tarifas que contemplem os custos operacionais.

“Quando começar a colheita e o escoamento da soja, o valor do frete pode refletir esses aumentos do diesel que vêm acontecendo agora”, avalia Ébila.

A subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, prorrogada na última semana, também entra nessa equação. O benefício ajuda a amortecer a pressão sobre o combustível, mas sua continuidade durante a colheita é uma preocupação para o setor.

A analista alerta que o encerramento do auxílio nesse intervalo poderá ampliar as despesas justamente quando a demanda por transporte estiver maior. “Essa subvenção ajuda a retardar os efeitos que podemos enfrentar posteriormente. A preocupação é saber se ela continuará no período da colheita e do escoamento da soja, quando os fretes já tendem a ser mais altos naturalmente”, afirma.

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Assim, além do comportamento do diesel, a evolução das tarifas durante a retirada da soja será determinante para dimensionar quanto da pressão sobre o transporte chegará efetivamente ao caixa dos produtores.


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Alta do dólar impulsiona preços do arroz, que atingem maior média desde fevereiro de 2025

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A valorização do dólar na última semana de outubro voltou a estimular as expectativas de exportação de arroz brasileiro, contribuindo para uma leve recuperação dos preços no mercado do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a média do Indicador Cepea/Irga-RS em outubro foi a maior, em termos nominais, desde fevereiro de 2025.

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De acordo com pesquisadores do Cepea, a possibilidade de retomada da demanda internacional levou parte dos vendedores a adiar negociações, na expectativa de melhores oportunidades comerciais.

Por outro lado, as indústrias permaneceram cautelosas nas compras, diante das vendas enfraquecidas de arroz beneficiado no mercado interno e das dificuldades para repassar os custos da matéria-prima.

Com os produtores também concentrados nas atividades de semeadura da nova safra, o ritmo de comercialização permaneceu limitado. Mesmo com negócios pontuais, os preços apresentaram leve reação no encerramento de outubro.

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Plantio de arroz avança no Rio Grande do Sul

Enquanto o mercado acompanha as perspectivas de exportação, os produtores gaúchos avançam na implantação da safra 2026/27.

Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), até 29 de outubro, a semeadura havia alcançado 533,18 mil hectares no Rio Grande do Sul, o equivalente a 61,86% da área prevista para o ciclo.

Apesar do avanço dos trabalhos, o excesso de umidade no solo continua dificultando as operações em determinadas regiões produtoras.

O andamento da semeadura e a possibilidade de maior demanda externa permanecem entre os fatores acompanhados pelo setor, em um cenário de negociações restritas e recuperação moderada dos preços.

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