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Guerra no Oriente Médio afeta transporte de soja por navios no Brasil

A escalada das tensões no Oriente Médio já começa a gerar efeitos no comércio global de grãos. Navios com cerca de 660 mil toneladas de soja e farelo, destinados ao Irã, aguardam carregamento em portos brasileiros enquanto cresce a preocupação com a segurança da navegação na região do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
Segundo o gerente de operações nacional da Alphamar Agência Marítima, Egon Tales, a situação envolve três grupos distintos de embarcações: os navios que já estão próximos da região do conflito, aqueles que estão em viagem rumo ao Oriente Médio e os que ainda permanecem no Brasil aguardando carregamento.
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Os navios que já estão nas proximidades do Golfo Pérsico operam com maior atenção por estarem próximos da chamada zona de risco. Alguns aguardam em áreas consideradas mais seguras, como regiões próximas a Omã e à Arábia Saudita, enquanto outros já passaram pelo Estreito de Ormuz e seguem para descarregamento.
Já as embarcações que estão a caminho do Brasil ou aguardam carregamento ainda mantêm o Irã como destino final. No entanto, o setor avalia alternativas logísticas caso o conflito se prolongue. “Existe uma conversa entre as partes envolvidas para avaliar se será viável redirecionar esses navios para portos próximos, mas até o momento não há confirmação de mudanças de destino”, explicou.
Um outro fator que aumenta a incerteza é o impacto nos seguros marítimos. Em situações de conflito, entra em vigor a chamada cláusula de risco de guerra, o que eleva os custos das operações e exige novas avaliações por parte das seguradores e armadores antes da travessia por áreas consideradas perigosas.
Apesar das alternativas, a mudança de destino das cargas ainda enfrenta desafios logísticos e financeiros. Segundo o especialista, descarregar em portos vizinhos e depois transportar a carga por via terrestre ou por embarcações menores pode elevar muito os custos da operação.
Portos, como os da Arábia Saudita e de Omã, são apontados como possíveis alternativas para absorver parte dessas cargas caso haja necessidade de redirecionamento. O Irã é um comprador relevante de grãos brasileiros. De acordo com dados citados pelo especialista, cerca de 6% das exportações brasileiras de grãos têm como destino o país. No caso do milho, a participação é ainda maior, e supera 20% em determinados períodos.
Caso o conflito se prolongue pelas próximas semanas, o impacto poderá ser mais significativo no segundo semestre, com reflexos no valor do frete marítimo, nos prêmios de risco e na dinâmica global de oferta e demanda de grãos.
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Fertilizantes devem seguir caros e travar compras no 2º trimestre, aponta StoneX

O segundo trimestre de 2026, tradicionalmente visto como uma oportunidade para compra de fertilizantes, deve ser mais desafiador neste ano. A avaliação é da StoneX, que aponta impactos persistentes do conflito no Oriente Médio sobre preços, logística e poder de compra dos produtores.
Segundo a consultoria, o cenário global rompeu o padrão sazonal que, em anos anteriores, favorecia negociações mais vantajosas para aplicações no segundo semestre, como a safra de verão no Brasil.
“A combinação de problemas logísticos, redução de oferta e alta de preços diminui a chance de o período se consolidar como uma janela favorável de compra”, afirma o analista de mercado da empresa, Tomás Pernías.
Nitrogenados: volatilidade e perda de poder de compra
No mercado de nitrogenados, a volatilidade segue elevada. Mesmo com a reabertura parcial do Estreito de Ormuz, a expectativa é de que gargalos logísticos persistam, sustentando os preços.
A alta recente dos fertilizantes já afeta diretamente o produtor. Nos Estados Unidos, levantamento do Farm Bureau indica que cerca de 70% dos agricultores não têm capacidade financeira para adquirir todo o volume necessário de insumos.
Desde o início das tensões no Oriente Médio, os preços da ureia chegaram a subir cerca de 47%, pressionando ainda mais os custos de produção.
Além disso, a compra antecipada segue baixa, o que aumenta a exposição à volatilidade e ao risco de desabastecimento em momentos críticos da safra.
Fosfatados e potássicos: oferta restrita e preços firmes
No segmento de fosfatados, o cenário é considerado ainda mais rígido. A oferta global permanece limitada por fatores como dificuldades logísticas no Oriente Médio, manutenção industrial no Marrocos e incertezas nas exportações da China.
Os custos elevados de matérias-primas, como amônia e enxofre, também dificultam quedas nos preços. Esse conjunto de fatores aumenta o risco de redução na demanda ao longo de 2026, especialmente em um ambiente de margens pressionadas no campo.
Já no mercado de potássicos, como o cloreto de potássio (KCl), as condições são relativamente menos restritivas, mas ainda cercadas de incertezas.
Com margens apertadas, produtores podem priorizar nitrogenados e fosfatados, adiando compras de potássio. O cenário é agravado por custos elevados de frete e seguros, além do risco geopolítico.
Decisões mais difíceis no campo
Diante desse ambiente, a StoneX avalia que os produtores devem enfrentar escolhas mais complexas nos próximos meses: arcar com custos mais altos ou reduzir a aplicação de fertilizantes, assumindo riscos de produtividade.
“O gerenciamento de risco e a eficiência na gestão de custos serão determinantes para a sustentabilidade do negócio agrícola em 2026”, afirma Pernías.
A consultoria destaca que, apesar de algum alívio pontual com a reabertura de rotas comerciais, a normalização do mercado tende a ser lenta. Com isso, a tendência é de menor espaço para adiar compras ao longo do ano, mesmo em condições pouco favoráveis.
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Agro Mato Grosso
Frete de grãos sobe em MT e acende alerta para custos no campo

Alta nos preços do transporte impacta diretamente o escoamento da produção e a competitividade do agro mato-grossense
O recente boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta um movimento importante na logística do agro em Mato Grosso, o aumento no valor dos fretes rodoviários de grãos na maioria das rotas do estado. A elevação ocorre mesmo diante de uma oferta equilibrada de carga para transporte, evidenciando que o fator determinante foi a redução na disponibilidade de caminhões.
De acordo com o levantamento semanal, parte da frota deixou o estado em busca de melhores oportunidades em outras regiões do país. Esse deslocamento reduziu a oferta local de veículos, dando mais poder de negociação às transportadoras que permaneceram em Mato Grosso e impulsionando os preços dos fretes.
Os destaques para as principais rotas monitoradas, foram Diamantino a Rondonópolis uma média de R$ 155,00/t (+3,20%) e Querência a Uberlândia (MG) média de R$ 333,70/t (+3,28%). Os números reforçam uma tendência de valorização do frete em um momento estratégico para o escoamento da produção agrícola.
“Cabe destacar que, para o período atual, seria esperado um movimento de desvalorização nos preços de frete, à medida que a demanda por transporte tende a se equilibrar com a finalização da colheita da soja da safra 2025/26. Ainda assim, as cotações permaneceram em patamares superiores aos observados no mesmo período do ano anterior, sustentadas, sobretudo, pelas variações nos preços do diesel, que mantiveram os custos de transporte elevados na comparação anual, disse o o coordenador de inteligência de mercado agropecuário no Imea, Rodrigo Silva.
O custo do transporte é um dos principais componentes do custo total da produção agropecuária em Mato Grosso, estado com grande dependência da malha rodoviária para levar grãos até os centros consumidores e portos. Com o frete mais caro, o produtor rural sente diretamente no bolso, já que há redução nas margens de lucro.
Esse cenário impacta também a competitividade do agro mato-grossense no mercado nacional e internacional, especialmente quando comparado a regiões com melhor infraestrutura logística ou maior proximidade dos portos.
“A eficiência no escoamento da produção é decisiva para manter a sustentabilidade econômica das propriedades rurais e garantir a competitividade do estado como um dos principais produtores de grãos do país”, explicou Rodrigo Silva.
Os dados divulgados fazem parte do projeto de Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido em parceria entre o Imea e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT). A iniciativa acompanha de perto os principais indicadores que influenciam a atividade rural, oferecendo subsídios técnicos para a tomada de decisão no campo.
Texto: Rosanegla Milles
Business
Exportações de frutas crescem 25% e somam US$ 351 milhões no 1º trimestre

As exportações brasileiras de frutas começaram 2026 em alta, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (22) pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
No primeiro trimestre, o setor movimentou US$ 351,1 milhões, com embarques de 330,6 milhões de quilos — aumento de 25% em valor e 13% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.
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Demanda externa impulsiona embarques
O desempenho foi puxado por frutas com maior demanda no mercado internacional. A manga lidera o avanço, com crescimento de 69% em valor e 40% em volume. A melancia também se destaca, com altas de 40% e 12%, respectivamente.
Os melões seguem na mesma tendência, com aumento de 15% em valor e 3% em volume.
Ganho de mercado e destaques positivos
Entre os principais destaques, a maçã registrou forte expansão, com salto de 215% em valor e 228% em volume, refletindo ganho de mercado.
Outras frutas também apresentaram crescimento:
- Abacate: +18% em valor e +38% em volume;
- Banana: +32% e +14%;
- Mamão (papaya): +19% e +11%.
Na outra ponta, a uva apresentou retração, com queda de 16% em valor e 18% em volume, influenciada por fatores como clima e dinâmica de mercado.
Setor aposta em novos mercados
Segundo o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, o resultado reflete um avanço consistente do setor no exterior.
“O país vem ampliando sua presença no mercado internacional com produtos de qualidade e regularidade de oferta. Com o acordo que deve ser firmado agora no início de maio, nossa competitividade tende a aumentar, o que abre espaço para ampliar ainda mais as exportações brasileiras”, afirma.
O crescimento acompanha a expansão da fruticultura brasileira no mercado externo, impulsionada pela abertura de mercados, ganhos de competitividade e maior organização da cadeia produtiva.
Nesse cenário, produtores intensificam a agenda internacional. Uma comitiva participa da Macfrut 2026, na Itália, e, na sequência, segue para o Canadá em missão de prospecção, com foco na ampliação das exportações.
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