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Conflito entre EUA e Irã preocupa, mas impacto imediato deve ser limitado, avalia setor do milho

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã acendeu um alerta no mercado internacional de grãos e passou a ser acompanhada com atenção pelo setor de milho brasileiro. O país do Oriente Médio é hoje o principal destino das exportações brasileiras do cereal, responsável por cerca de 20% dos embarques realizados em 2025.
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Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), o Irã importou 9,08 milhões de toneladas do grão brasileiro no ano passado, consolidando-se como um parceiro estratégico para o agronegócio nacional. Do lado iraniano, a dependência também é significativa: cerca de 80% de todo o milho importado pelo país tem origem no Brasil.
Apesar da preocupação inicial, a entidade avalia que o impacto direto sobre o comércio internacional do cereal tende a ser limitado no curto prazo.
Segurança alimentar reduz risco de interrupção
O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, afirma que o conflito gera instabilidade nos mercados, mas ressalta que o milho é um produto ligado diretamente à segurança alimentar, o que tende a manter os fluxos comerciais.
“É óbvio que a preocupação com o conflito é grande. A gente vê como ele começa, mas não sabe quando e como termina. Isso traz instabilidade para todos os mercados, inclusive para o mercado brasileiro de grãos, em especial o milho”, afirma.
Ainda assim, ele acredita que os embarques não devem sofrer grandes interrupções.
“O Irã é um dos principais destinos do milho brasileiro e essa relação comercial é muito importante. Mas acreditamos que, por se tratar de um produto ligado à segurança alimentar, o milho não deve ser afetado diretamente pelo conflito.”
Bertolini lembra ainda que episódios semelhantes já ocorreram recentemente sem comprometer de forma relevante as exportações.
“No ano passado já houve um conflito armado envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e naquela ocasião não houve uma interrupção significativa dos embarques de milho para o país”, destaca.
Exportações maiores ocorrem no segundo semestre
Outro fator que reduz o impacto imediato da crise é o calendário da produção brasileira. Neste período do ano, os embarques de milho ainda são relativamente baixos.
Isso ocorre porque o Brasil está no momento da colheita da primeira safra, que é predominantemente de soja, fazendo com que os portos estejam concentrados nas exportações do grão.
“As exportações de milho entram com volumes maiores apenas no segundo semestre”, explica Bertolini.
A primeira safra brasileira produz entre 26 milhões e 27 milhões de toneladas. No entanto, o consumo interno no primeiro semestre chega a cerca de 50 milhões de toneladas, o que faz o país utilizar estoques remanescentes da segunda safra do ano anterior.
Dessa forma, eventuais impactos mais relevantes sobre as exportações poderiam surgir apenas na segunda metade do ano.
“Por isso a maior preocupação seria um eventual impacto a partir do segundo semestre, quando os volumes embarcados aumentam”, afirma o presidente da Abramilho.
Brasil tem mais de 100 destinos para o milho
Mesmo com a importância do mercado iraniano, o setor avalia que o Brasil possui capacidade para redirecionar parte das exportações caso ocorram restrições comerciais.
Diferentemente da soja, que possui destinos mais concentrados, o milho brasileiro é exportado para uma grande variedade de mercados.
“O Brasil tem mais de 100 destinos para o nosso milho nos cinco continentes. Isso garante uma diversificação importante de mercados”, afirma Bertolini.
Segundo a Abramilho, essa característica reduz o risco de dependência excessiva de um único comprador e amplia as alternativas comerciais para o país.
Relação comercial de mão dupla
A relação comercial entre Brasil e Irã no agronegócio ocorre em via de mão dupla. O milho brasileiro é um dos principais produtos exportados para o país persa, enquanto fertilizantes fazem o caminho inverso.
Em 2025, o Brasil importou aproximadamente US$ 84 milhões em produtos iranianos, valor considerado relativamente pequeno quando comparado ao comércio com outros grandes fornecedores globais de fertilizantes.
Há ainda suspeitas no mercado de triangulação de cargas, com produtos iranianos chegando ao Brasil por meio de bandeiras de outros países, como Nigéria, Omã ou Catar, como forma de contornar sanções internacionais.
Cenário segue sob monitoramento
A Abramilho afirma que continuará acompanhando os desdobramentos do conflito internacional e seus possíveis efeitos sobre o comércio agrícola.
A avaliação inicial da entidade é que, desde que a escalada militar não comprometa portos ou rotas marítimas por questões humanitárias, o abastecimento interno e o fluxo comercial do milho brasileiro não devem sofrer impactos relevantes.
Ainda assim, o setor mantém atenção redobrada sobre a evolução do cenário geopolítico, especialmente com a aproximação do período de maior exportação do cereal no Brasil.
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Agro Mato Grosso
MT abre 2026 com saldo de 18,7 mil novos empregos com carteira assinada; agro lidera

Mato Grosso iniciou 2026 com saldo positivo na geração de empregos formais. De acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta terça-feira (3.3), o Estado registrou a criação de 18.731 novos postos de trabalho com carteira assinada no mês de janeiro.
No período, foram contabilizadas 69.821 admissões e 51.090 desligamentos, elevando para 994.293 o número total de vínculos formais ativos em Mato Grosso.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo setor da agropecuária, responsável pela geração de 10.074 empregos, seguido pelos serviços, com saldo de 5.074 vagas. Também apresentaram resultados positivos os setores da construção (+1.637), indústria (+1.102) e comércio (+844).
Entre os municípios, Cuiabá liderou a geração de empregos no Estado, com saldo de 2.401 vagas, seguida por Sorriso (+1.377), Sinop (+1.220), Lucas do Rio Verde (+859) e Rondonópolis (+773).
No cenário nacional, Mato Grosso apresentou o segundo maior saldo absoluto de empregos formais em janeiro, ficando atrás apenas de Santa Catarina (+19.000) e à frente do Rio Grande do Sul (+18.421). Em termos percentuais, o Estado registrou o maior crescimento do país, com expansão de 1,9% no estoque de empregos, superando Santa Catarina e Goiás, ambos com alta de 0,7%.
Os resultados do Caged dialogam com indicadores recentes do mercado de trabalho divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), Mato Grosso encerrou 2025 com taxa média anual de desocupação de 2,2%, a menor desde o início da série histórica, em 2012.
O índice coloca o Estado na liderança nacional, com a menor taxa de desemprego entre todas as unidades da Federação. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 2,3%, e Mato Grosso do Sul, com 3,0%, evidenciando a manutenção de um mercado de trabalho aquecido e a continuidade da expansão do emprego formal em Mato Grosso.
Ao avaliar os dados do Caged, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico em exercício, Anderson Lombardi, afirmou que o desempenho na geração de empregos confirma o momento positivo da economia mato-grossense e acompanha outros indicadores que apontam o fortalecimento do mercado de trabalho no Estado.
“Quando observamos a criação de empregos formais em Mato Grosso, vemos que esse resultado não acontece de forma isolada. Ele está diretamente ligado ao crescimento que o Estado vem registrando em diversos setores produtivos, ao aumento da renda e à confiança de quem investe e produz aqui. É um cenário que demonstra uma economia forte, dinâmica e capaz de continuar gerando oportunidades para a população”, destacou.
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Projeção de safra recorde faz valor do café despencar, segundo Cepea

O mercado do café arabica finalizou em baixa no mês de fevereiro. Valor registrado é o menor desde julho de 2025. O motivo da queda tem relação com a projeção de safra para os próximos meses, já que é esperado quantidade recorde para o período 2026/27.
Números mostram uma porcentagem de baixa acima do comum. A média de valores de fevereiro foi fechada em R$ 1.864,51/sc, com queda de 14,3% em relação a janeiro. Valor corresponde a redução de R$ 311,31 por saca.
Apesar da diminuição dos valores no ultimo mês, o Cepea reitera que os preços ainda são altos comparados ao normal do produto. Em 2026, fevereiro ficou registrado com a terceira maior média de preços comparados a outros anos na mesma época, ficando atrás somente de 2025 e 1997.
Outro dado interessante revelado pelo Cepea é a comparação de valores com o pico da safra do ano anterior. Em julho de 2025, os preços ficaram apenas R$ 66,32 abaixo de fevereiro desse ano (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI).
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Safra recorde
Existe uma grande expectativa de uma safra com números recordes para as próximas datas. Números projetam quantidades que não eram vistas desde 2021, época que registrou maior volume dos últimos anos. Essa projeção antecipou a baixa dos valores do grão, visto que a esperança é de grande oferta para um futuro próximo.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Estoques de suco de laranja sobem 75,4% em 2025, aponta CitrusBR

Os estoques globais de suco de laranja brasileiro voltaram a crescer em 2025, após atingirem o menor patamar da série histórica no ano anterior.
Levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) mostra que, em 31 de dezembro de 2025, o volume totalizava 616.460 toneladas, convertidas em FCOJ equivalente (66° Brix), na posse das empresas associadas.
O número representa alta de 75,4% em relação às 351.483 toneladas registradas em 31 de dezembro de 2024 — até então, o nível mais baixo da série para o período.
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Demanda e preços
Segundo o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a recomposição está ligada ao comportamento do mercado internacional.
“O aumento dos estoques reflete, no agregado, a acomodação da demanda em mercados-chave após o período de preços elevados observado na safra anterior”, afirma.
Ele destaca que, desde os picos registrados em 2024, as cotações internacionais recuaram de forma expressiva. “Em cadeias globais, movimentos de preços podem levar algum tempo para se refletirem integralmente no varejo, por fatores como contratos, estoques e dinâmica de distribuição”, explica.
De acordo com Netto, à medida que esses ajustes avancem, pode haver recuperação ao menos parcial da demanda, a depender das condições de mercado.
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