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9 de junho de 2026

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Vendas de soja ficam em ‘segundo plano’; mercado trava apesar da alta em Chicago

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O mercado brasileiro de soja registrou em fevereiro mais um mês de comercialização arrastada, com preços entre estáveis e mais baixos na maior parte das praças. Apesar da valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, o impacto no mercado interno foi neutralizado por prêmios mais fracos e pelo comportamento do câmbio.

Com a colheita avançando em diversas regiões, os produtores deixaram as vendas em segundo plano, aguardando melhores oportunidades. Mesmo com problemas climáticos pontuais, o Brasil caminha para colher a maior safra da história, fator que mantém pressão sobre as cotações globais.

Cenário internacional

No cenário internacional, a Bolsa de Chicago apresentou desempenho positivo ao longo do mês, sustentada por expectativas favoráveis em relação à demanda. Internamente, o mercado acompanha a possibilidade de confirmação de incentivos ao setor de biodiesel pelo governo de Donald Trump, o que pode ampliar a demanda pela soja.

Parte dos ganhos acumulados em Chicago também esteve ligada às especulações sobre um possível acordo comercial entre China e Estados Unidos. A expectativa é de que, após encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping nos próximos dias, novas metas comerciais envolvendo a soja possam ser estabelecidas.

Para a próxima safra norte-americana, o sentimento inicial aponta para ampliação da área de soja em detrimento do milho, conforme sinalização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos durante seu Fórum Anual. A primeira estimativa oficial de plantio será divulgada em 31 de março.

Safra recorde, com ajustes regionais

A produção brasileira de soja em 2025/26 está estimada em 177,72 milhões de toneladas, alta de 3,4% frente às 171,84 milhões de toneladas da temporada anterior, segundo a consultoria Safras & Mercado. Em janeiro, a projeção era de 179,28 milhões de toneladas, indicando leve revisão para baixo.

A área plantada deve crescer 1,5%, alcançando 48,33 milhões de hectares, ante 47,64 milhões no ciclo anterior. A produtividade média nacional tende a subir de 3.625 quilos por hectare para 3.696 quilos.

De acordo com o analista de soja da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a safra brasileira permanece como recorde, apesar de ajustes pontuais de produtividade, especialmente no Rio Grande do Sul, em função do estresse climático.

No estado gaúcho, a produção foi revisada de um potencial entre 22 milhões e 23 milhões de toneladas para cerca de 20,9 milhões, com possibilidade de novas revisões. A produtividade média está estimada em 51 sacas por hectare.

No Centro-Oeste, houve ajuste para Mato Grosso, com produção projetada em 49,27 milhões de toneladas e produtividade média de 64,33 sacas por hectare, impactada pelo excesso de chuvas.

Em Minas Gerais e São Paulo, as expectativas seguem favoráveis, com possibilidade de revisões positivas. Já no Nordeste, o quadro permanece positivo, inclusive na região do Matopiba, onde as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.

Oferta e demanda indicam alta nos estoques

As exportações brasileiras de soja devem atingir 105 milhões de toneladas em 2026, recuo de 3% frente às 108,2 milhões embarcadas em 2025. A estimativa foi mantida em relação ao relatório anterior.

O esmagamento está projetado em 60 milhões de toneladas em 2026, acima das 58,5 milhões previstas para 2025. As importações devem somar 200 mil toneladas em 2026, contra 969 mil toneladas estimadas para 2025.

Com isso, a oferta total de soja em 2026 deverá crescer 5%, alcançando 182,43 milhões de toneladas. A demanda total é estimada em 168,42 milhões de toneladas, recuo de 1% na comparação anual. Nesse cenário, os estoques finais tendem a avançar de 4,51 milhões para 14,01 milhões de toneladas, uma elevação de 211%, reforçando o ambiente de maior disponibilidade interna.

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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.

Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.

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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.

Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.

A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.

O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.

Fonte: gov.br

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O que é retrofit? Solução permite atualizar máquinas agrícolas com menor custo

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Foto: reprodução/Mercado & Cia

Em meio ao cenário de juros elevados, crédito restrito e margens cada vez mais apertadas no campo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a produtividade sem ampliar os custos. Uma dessas soluções que vem ganhando força no Brasil é o retrofit (processo de modernização) de máquinas e equipamentos agrícolas.

A prática consiste em atualizar máquinas já em operação com tecnologias embarcadas que aumentam eficiência, precisão e conforto, sem exigir o investimento milionário na compra de equipamentos novos.

No município de Palmeira, no interior do Paraná, o agricultor Manoel Pereira Júnior acompanha mais uma temporada do plantio de aveia, trigo e cevada enquanto busca formas de enfrentar um momento considerado desafiador para o setor.

“Juros em disparada, sem crédito oficial do governo, sem crédito rural para custeio, dólar baixo, commodities baixas e o fertilizante, principalmente nos custos, que está na estratosfera”, destaca.

Eficiência e tecnologia

A busca por eficiência não é novidade na propriedade, há quase cinco décadas, a família foi pioneira na adoção do sistema de plantio direto. Agora, a inovação chega por outro caminho, manter máquinas antigas em operação, mas equipadas com recursos de última geração.

Foi o que aconteceu com uma colheitadeira adquirida em 2023 que passou por atualização tecnológica. O resultado, segundo o produtor, foi uma máquina com desempenho próximo ao de um equipamento novo, mas com investimento muito menor.

“A prestação hoje de uma colheitadeira nova é R$ 400.000 para pagar em 6 anos mais os juros. Se você pegar esse dinheiro e reformar a colheitadeira, você vai ter uma máquina zero com o preço insignificante comparado com a nova”, afirma Júnior.

Segundo presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, as vendas nos primeiros quatro meses do ano caíram 18%. O faturamento veio para R$ 17,1 bilhões. Para o setor não há dúvidas de que o momento é de retração.

“O recurso que o agricultor tem, ele segura esse recurso para fazer custeio e deixa os investimentos para depois. Porque se ele for no mercado pegar dinheiro emprestado para fazer custeio, o juros é muito caro, isso aperta mais a margem dele”, destaca Estevão.

Atualizações disponíveis

A atualização tecnológica inclui instalação de sensores de sementes, sensores de adubo, sistemas de monitoramento por satélite e monitores de plantio que permitem acompanhar falhas e melhorar o desempenho operacional.

Entre as funcionalidades, os sensores conseguem identificar falhas na semeadura em tempo real, aumentando a precisão do plantio e reduzindo desperdícios.”O foco principal é esse, trazer resultado pro pro produtor rural a um custo acessível”, afirma o desenvolvedor de produto, Douglas Ramos. 

O planejamento de Júnior está bem desenhado, o plantio de inverno cobrindo os campos e a tecnologia aos poucos vai embarcando no velho maquinário que fará aumentar a produtividade. 

Além do ganho em produtividade, o retrofit também promete mais conforto para o operador e abre caminho para novas soluções que ainda estão chegando ao mercado, como monitores inteligentes para semeadeiras, tecnologia considerada inédita no país.

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Sistema Faep pede reversão de corte de R$ 461,7 mi no seguro rural para 2026

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Foto: Pixabay

O Sistema Faep manifestou preocupação com o novo bloqueio previsto no orçamento do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2026.

Segundo dados do Painel do Orçamento Federal divulgados nesta terça-feira (9), o contingenciamento pode chegar a R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% dos R$ 1,01 bilhão inicialmente previstos para o programa.

A entidade pede que o governo federal reverta a medida para assegurar previsibilidade e proteção financeira aos produtores rurais.

Os recentes cortes geram alerta e dificultam ainda mais a situação do campo. Em 2025, cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR foram bloqueados. Já em 2024, a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

“Esperamos que o governo federal não efetive esse novo corte. Do contrário, será um golpe duro no produtor rural, que já enfrenta inúmeros dificuldades nas últimas temporadas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

“Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, já que somos o estado que mais contrata o seguro rural no país”, complementa.

Contratos firmados

Em 2025, o Paraná contratou 28,02 mil apólices, quase 43,7% dos contratos firmados via PSR no país (64,17 mil apólices). Segundo Meneguette, os cortes dos últimos anos, pelo governo federal, são críticos e desestimulam ainda mais o agricultor.

Informações do PSR e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam que o número de apólices caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, queda de 68,3% em quatro anos. Ainda de acordo com dados do programa, a extensão da área assegurada, no Paraná, acompanha o declínio das apólices.

Em 2021, o estado protegia mais de 3,8 milhões de hectares, mas esse número encolheu para 1,25 milhão de hectares em 2025, queda de 63,8%.

“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta”, afirma. “Sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, reforça Meneguette.

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