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16 de setembro de 2026

Business

Vendas de soja ficam em ‘segundo plano’; mercado trava apesar da alta em Chicago

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O mercado brasileiro de soja registrou em fevereiro mais um mês de comercialização arrastada, com preços entre estáveis e mais baixos na maior parte das praças. Apesar da valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, o impacto no mercado interno foi neutralizado por prêmios mais fracos e pelo comportamento do câmbio.

Com a colheita avançando em diversas regiões, os produtores deixaram as vendas em segundo plano, aguardando melhores oportunidades. Mesmo com problemas climáticos pontuais, o Brasil caminha para colher a maior safra da história, fator que mantém pressão sobre as cotações globais.

Cenário internacional

No cenário internacional, a Bolsa de Chicago apresentou desempenho positivo ao longo do mês, sustentada por expectativas favoráveis em relação à demanda. Internamente, o mercado acompanha a possibilidade de confirmação de incentivos ao setor de biodiesel pelo governo de Donald Trump, o que pode ampliar a demanda pela soja.

Parte dos ganhos acumulados em Chicago também esteve ligada às especulações sobre um possível acordo comercial entre China e Estados Unidos. A expectativa é de que, após encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping nos próximos dias, novas metas comerciais envolvendo a soja possam ser estabelecidas.

Para a próxima safra norte-americana, o sentimento inicial aponta para ampliação da área de soja em detrimento do milho, conforme sinalização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos durante seu Fórum Anual. A primeira estimativa oficial de plantio será divulgada em 31 de março.

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Safra recorde, com ajustes regionais

A produção brasileira de soja em 2025/26 está estimada em 177,72 milhões de toneladas, alta de 3,4% frente às 171,84 milhões de toneladas da temporada anterior, segundo a consultoria Safras & Mercado. Em janeiro, a projeção era de 179,28 milhões de toneladas, indicando leve revisão para baixo.

A área plantada deve crescer 1,5%, alcançando 48,33 milhões de hectares, ante 47,64 milhões no ciclo anterior. A produtividade média nacional tende a subir de 3.625 quilos por hectare para 3.696 quilos.

De acordo com o analista de soja da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a safra brasileira permanece como recorde, apesar de ajustes pontuais de produtividade, especialmente no Rio Grande do Sul, em função do estresse climático.

No estado gaúcho, a produção foi revisada de um potencial entre 22 milhões e 23 milhões de toneladas para cerca de 20,9 milhões, com possibilidade de novas revisões. A produtividade média está estimada em 51 sacas por hectare.

No Centro-Oeste, houve ajuste para Mato Grosso, com produção projetada em 49,27 milhões de toneladas e produtividade média de 64,33 sacas por hectare, impactada pelo excesso de chuvas.

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Em Minas Gerais e São Paulo, as expectativas seguem favoráveis, com possibilidade de revisões positivas. Já no Nordeste, o quadro permanece positivo, inclusive na região do Matopiba, onde as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.

Oferta e demanda indicam alta nos estoques

As exportações brasileiras de soja devem atingir 105 milhões de toneladas em 2026, recuo de 3% frente às 108,2 milhões embarcadas em 2025. A estimativa foi mantida em relação ao relatório anterior.

O esmagamento está projetado em 60 milhões de toneladas em 2026, acima das 58,5 milhões previstas para 2025. As importações devem somar 200 mil toneladas em 2026, contra 969 mil toneladas estimadas para 2025.

Com isso, a oferta total de soja em 2026 deverá crescer 5%, alcançando 182,43 milhões de toneladas. A demanda total é estimada em 168,42 milhões de toneladas, recuo de 1% na comparação anual. Nesse cenário, os estoques finais tendem a avançar de 4,51 milhões para 14,01 milhões de toneladas, uma elevação de 211%, reforçando o ambiente de maior disponibilidade interna.

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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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