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9 de junho de 2026

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Usinas ampliam canaviais por arrendamento e mudam estrutura fundiária em São Paulo

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Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

O resultado é uma forte concentração no uso da terra, mesmo que a posse formal das propriedades continue dispersa no papel. A conclusão é de estudo assinado por José Giacomo Baccarin, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, em Jaboticabal, publicado na revista internacional Land Use Policy.

São Paulo responde por 54% da safra brasileira de cana-de-açúcar, além de concentrar 62% da produção nacional de açúcar e 49% do etanol. O estado é líder mundial na produção desses derivados da cana.

Concentração no uso, não na posse

Dados analisados pelo pesquisador mostram que, em 2017, estabelecimentos agrícolas com mais de mil hectares respondiam por cerca de 45% da área agrícola paulista. No entanto, os imóveis rurais com mais de mil hectares ocupavam apenas 21% da área total destinada à agricultura no estado.

A diferença revela que grandes áreas contínuas sob um único administrador são formadas a partir da junção de diversas propriedades menores arrendadas.

No jargão técnico, “estabelecimento agrícola” se refere a uma área contígua administrada por um único ente, independentemente do número de matrículas ou proprietários envolvidos.

Logística explica avanço da cana

A dinâmica é puxada pela própria característica da cana-de-açúcar. Diferentemente de culturas como soja ou laranja, a cana precisa ser processada logo após o corte.

Por isso, as usinas operam com um raio logístico de até 50 quilômetros. Distâncias maiores elevam custos de transporte e aumentam perdas de matéria-prima.

Cada unidade industrial forma, assim, um cinturão de cultivo ao seu redor e disputa áreas disponíveis dentro desse limite. A expansão ocorre menos pela abertura de novas fronteiras agrícolas e mais pela incorporação de terras próximas às usinas.

Segundo o estudo, cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas. Os outros 40% vêm de fornecedores independentes.

Mecanização elevou escala mínima

O movimento de concentração ganhou força a partir de 2007, com o Protocolo Agroambiental do setor sucroenergético paulista, que previu a eliminação gradual da queima da palha e a adoção da colheita mecanizada até 2017.

A mecanização exigiu investimentos elevados em máquinas, novas variedades de cana e adaptação das áreas para permitir a operação dos equipamentos.

Com isso, aumentaram os custos fixos e a escala mínima eficiente de produção. Uma única colhedora pode processar centenas de milhares de toneladas por safra, o que dificulta a viabilidade econômica em áreas pequenas.

Para propriedades de menor porte, o arrendamento passou a ser alternativa mais atrativa do que manter a produção própria.

Mudança no perfil do proprietário

O estudo também aponta transformações no perfil socioeconômico dos donos das terras arrendadas. Muitas famílias mantêm a propriedade como fonte de renda, mas migraram para atividades urbanas, como comércio e serviços.

As novas gerações, frequentemente formadas em profissões urbanas, demonstram menor interesse em retomar a atividade agrícola.

Desafios e novas pressões

O setor sucroenergético também enfrenta mudanças estruturais. Cerca de um quarto do etanol brasileiro já é produzido a partir do milho, que apresenta rendimento superior ao da cana por tonelada processada.

Ao mesmo tempo, o consumo de açúcar desacelera em países desenvolvidos, o que pode impactar o ritmo de expansão da cultura nas próximas décadas.

Para o pesquisador, a concentração do uso da terra traz ganhos de eficiência e redução de custos, mas também levanta desafios econômicos, sociais e ambientais.

Entre os pontos de atenção estão a distribuição de renda no campo, a responsabilidade ambiental em áreas arrendadas e a necessidade de políticas públicas que incentivem a diversificação produtiva em pequenas propriedades, como frutas, hortaliças e recuperação de áreas de preservação.

A estrutura fundiária do estado de São Paulo já não pode ser explicada apenas pela oposição clássica entre latifúndios e agricultura familiar. Desde os anos 1990, empresas do setor sucroalcooleiro vêm ampliando seus canaviais principalmente por meio de arrendamentos, alugando terras de pequenos e médios proprietários em vez de comprá-las.

O resultado é uma forte concentração no uso da terra, mesmo que a posse formal das propriedades continue dispersa no papel. A conclusão é de estudo assinado por José Giacomo Baccarin, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, em Jaboticabal, publicado na revista internacional Land Use Policy.

São Paulo responde por 54% da safra brasileira de cana-de-açúcar, além de concentrar 62% da produção nacional de açúcar e 49% do etanol. O estado é líder mundial na produção desses derivados da cana.

Concentração no uso, não na posse

Dados analisados pelo pesquisador mostram que, em 2017, estabelecimentos agrícolas com mais de mil hectares respondiam por cerca de 45% da área agrícola paulista. No entanto, os imóveis rurais com mais de mil hectares ocupavam apenas 21% da área total destinada à agricultura no estado.

A diferença revela que grandes áreas contínuas sob um único administrador são formadas a partir da junção de diversas propriedades menores arrendadas.

No jargão técnico, “estabelecimento agrícola” se refere a uma área contígua administrada por um único ente, independentemente do número de matrículas ou proprietários envolvidos.

Logística explica avanço da cana

A dinâmica é puxada pela própria característica da cana-de-açúcar. Diferentemente de culturas como soja ou laranja, a cana precisa ser processada logo após o corte.

Por isso, as usinas operam com um raio logístico de até 50 quilômetros. Distâncias maiores elevam custos de transporte e aumentam perdas de matéria-prima.

Cada unidade industrial forma, assim, um cinturão de cultivo ao seu redor e disputa áreas disponíveis dentro desse limite. A expansão ocorre menos pela abertura de novas fronteiras agrícolas e mais pela incorporação de terras próximas às usinas.

Segundo o estudo, cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas. Os outros 40% vêm de fornecedores independentes.

Mecanização elevou escala mínima

O movimento de concentração ganhou força a partir de 2007, com o Protocolo Agroambiental do setor sucroenergético paulista, que previu a eliminação gradual da queima da palha e a adoção da colheita mecanizada até 2017.

A mecanização exigiu investimentos elevados em máquinas, novas variedades de cana e adaptação das áreas para permitir a operação dos equipamentos.

Com isso, aumentaram os custos fixos e a escala mínima eficiente de produção. Uma única colhedora pode processar centenas de milhares de toneladas por safra, o que dificulta a viabilidade econômica em áreas pequenas.

Para propriedades de menor porte, o arrendamento passou a ser alternativa mais atrativa do que manter a produção própria.

Mudança no perfil do proprietário

O estudo também aponta transformações no perfil socioeconômico dos donos das terras arrendadas. Muitas famílias mantêm a propriedade como fonte de renda, mas migraram para atividades urbanas, como comércio e serviços.

As novas gerações, frequentemente formadas em profissões urbanas, demonstram menor interesse em retomar a atividade agrícola.

Desafios e novas pressões

O setor sucroenergético também enfrenta mudanças estruturais. Cerca de um quarto do etanol brasileiro já é produzido a partir do milho, que apresenta rendimento superior ao da cana por tonelada processada.

Ao mesmo tempo, o consumo de açúcar desacelera em países desenvolvidos, o que pode impactar o ritmo de expansão da cultura nas próximas décadas.

Para o pesquisador, a concentração do uso da terra traz ganhos de eficiência e redução de custos, mas também levanta desafios econômicos, sociais e ambientais.

Entre os pontos de atenção estão a distribuição de renda no campo, a responsabilidade ambiental em áreas arrendadas e a necessidade de políticas públicas que incentivem a diversificação produtiva em pequenas propriedades, como frutas, hortaliças e recuperação de áreas de preservação.

*Reportagem de Bruno Vaiano, publicado no Jornal da Unesp,

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O que é retrofit? Solução permite atualizar máquinas agrícolas com menor custo

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Foto: reprodução/Mercado & Cia

Em meio ao cenário de juros elevados, crédito restrito e margens cada vez mais apertadas no campo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a produtividade sem ampliar os custos. Uma dessas soluções que vem ganhando força no Brasil é o retrofit (processo de modernização) de máquinas e equipamentos agrícolas.

A prática consiste em atualizar máquinas já em operação com tecnologias embarcadas que aumentam eficiência, precisão e conforto, sem exigir o investimento milionário na compra de equipamentos novos.

No município de Palmeira, no interior do Paraná, o agricultor Manoel Pereira Júnior acompanha mais uma temporada do plantio de aveia, trigo e cevada enquanto busca formas de enfrentar um momento considerado desafiador para o setor.

“Juros em disparada, sem crédito oficial do governo, sem crédito rural para custeio, dólar baixo, commodities baixas e o fertilizante, principalmente nos custos, que está na estratosfera”, destaca.

Eficiência e tecnologia

A busca por eficiência não é novidade na propriedade, há quase cinco décadas, a família foi pioneira na adoção do sistema de plantio direto. Agora, a inovação chega por outro caminho, manter máquinas antigas em operação, mas equipadas com recursos de última geração.

Foi o que aconteceu com uma colheitadeira adquirida em 2023 que passou por atualização tecnológica. O resultado, segundo o produtor, foi uma máquina com desempenho próximo ao de um equipamento novo, mas com investimento muito menor.

“A prestação hoje de uma colheitadeira nova é R$ 400.000 para pagar em 6 anos mais os juros. Se você pegar esse dinheiro e reformar a colheitadeira, você vai ter uma máquina zero com o preço insignificante comparado com a nova”, afirma Júnior.

Segundo presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, as vendas nos primeiros quatro meses do ano caíram 18%. O faturamento veio para R$ 17,1 bilhões. Para o setor não há dúvidas de que o momento é de retração.

“O recurso que o agricultor tem, ele segura esse recurso para fazer custeio e deixa os investimentos para depois. Porque se ele for no mercado pegar dinheiro emprestado para fazer custeio, o juros é muito caro, isso aperta mais a margem dele”, destaca Estevão.

Atualizações disponíveis

A atualização tecnológica inclui instalação de sensores de sementes, sensores de adubo, sistemas de monitoramento por satélite e monitores de plantio que permitem acompanhar falhas e melhorar o desempenho operacional.

Entre as funcionalidades, os sensores conseguem identificar falhas na semeadura em tempo real, aumentando a precisão do plantio e reduzindo desperdícios.”O foco principal é esse, trazer resultado pro pro produtor rural a um custo acessível”, afirma o desenvolvedor de produto, Douglas Ramos. 

O planejamento de Júnior está bem desenhado, o plantio de inverno cobrindo os campos e a tecnologia aos poucos vai embarcando no velho maquinário que fará aumentar a produtividade. 

Além do ganho em produtividade, o retrofit também promete mais conforto para o operador e abre caminho para novas soluções que ainda estão chegando ao mercado, como monitores inteligentes para semeadeiras, tecnologia considerada inédita no país.

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Sistema Faep pede reversão de corte de R$ 461,7 mi no seguro rural para 2026

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Foto: Pixabay

O Sistema Faep manifestou preocupação com o novo bloqueio previsto no orçamento do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2026.

Segundo dados do Painel do Orçamento Federal divulgados nesta terça-feira (9), o contingenciamento pode chegar a R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% dos R$ 1,01 bilhão inicialmente previstos para o programa.

A entidade pede que o governo federal reverta a medida para assegurar previsibilidade e proteção financeira aos produtores rurais.

Os recentes cortes geram alerta e dificultam ainda mais a situação do campo. Em 2025, cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR foram bloqueados. Já em 2024, a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

“Esperamos que o governo federal não efetive esse novo corte. Do contrário, será um golpe duro no produtor rural, que já enfrenta inúmeros dificuldades nas últimas temporadas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

“Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, já que somos o estado que mais contrata o seguro rural no país”, complementa.

Contratos firmados

Em 2025, o Paraná contratou 28,02 mil apólices, quase 43,7% dos contratos firmados via PSR no país (64,17 mil apólices). Segundo Meneguette, os cortes dos últimos anos, pelo governo federal, são críticos e desestimulam ainda mais o agricultor.

Informações do PSR e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam que o número de apólices caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, queda de 68,3% em quatro anos. Ainda de acordo com dados do programa, a extensão da área assegurada, no Paraná, acompanha o declínio das apólices.

Em 2021, o estado protegia mais de 3,8 milhões de hectares, mas esse número encolheu para 1,25 milhão de hectares em 2025, queda de 63,8%.

“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta”, afirma. “Sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, reforça Meneguette.

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Tecnofam reúne parceiros na 6ª edição voltada à agricultura familiar

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A Tecnofam abriu programação nesta segunda-feira (9) com a participação de ministérios, secretarias estaduais de Mato Grosso do Sul, parlamentares, associações de produtores e entidades do setor. Em sua 6ª edição, o evento é voltado à agricultura familiar e deve receber cerca de 5 mil visitantes ao longo de três dias, segundo as informações divulgadas pela organização.

A abertura do evento reuniu representantes de diferentes frentes ligadas ao desenvolvimento rural. Entre os participantes citados estão o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), além de ministérios, secretarias estaduais, deputados, vereadores e associações de produtores.

Com expectativa de 5 mil visitantes em três dias, a Tecnofam chega à 6ª edição como espaço de articulação entre produtores, entidades de assistência, organizações de representação e agentes públicos. O foco na agricultura familiar insere o evento em uma agenda relevante para o setor, especialmente em temas como difusão de tecnologia, qualificação da produção, acesso a políticas públicas e integração com cooperativas e instituições de apoio.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

A presença simultânea de órgãos públicos e entidades privadas indica um esforço de coordenação em torno de demandas típicas da agricultura familiar, como orientação técnica, gestão, comercialização e fortalecimento da produção. Esses pontos têm relação direta com a produtividade e com a permanência de pequenos e médios produtores nas cadeias agropecuárias.

As informações disponíveis não detalham, até o momento, a programação técnica, o local exato do evento nem as pautas prioritárias desta edição. Também não foram informados recortes por cadeia produtiva, volume de negócios esperado ou número de expositores presentes no primeiro dia.

A dimensão da Tecnofam em sua 6ª edição e a participação de instituições públicas e setoriais reforçam o papel da agricultura familiar na agenda rural de Mato Grosso do Sul. Sem detalhamento oficial adicional sobre programação e resultados esperados, a avaliação técnica dos desdobramentos do evento depende da divulgação de novos dados pela organização.

Fonte: embrapa.br

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