Sustentabilidade
Planejamento estratégico do ILP influencia a qualidade física do solo e reflete na produção de grãos – MAIS SOJA

O sistema de integração lavoura-pecuária (ILP) possibilita a otimização do uso da terra e contribui para a sustentabilidade dos sistemas produtivos. No entanto, para que os benefícios do ILP se consolidem sem comprometer a produtividade das culturas produtoras de grãos, é indispensável planejamento estratégico das atividades, com definição adequada de carga animal, período de pastejo e condições de solo, a fim de mitigar os impactos da presença dos animais na área.
Nesse contexto, um dos principais desafios do ILP é minimizar os efeitos do pisoteio, especialmente no que se refere à compactação do solo. Embora haja divergências na literatura quanto à magnitude do impacto do pisoteio animal sobre os atributos físicos do solo e a produtividade das culturas em sucessão, é consenso que a compactação, seja causada por bovinos ou por máquinas agrícolas, reduz a macroporosidade, limita o crescimento radicular e restringe a profundidade efetivamente explorada pelas raízes. Como consequência, as plantas tornam-se mais vulneráveis aos períodos de estiagem, devido à menor capacidade de acessar água e nutrientes em camadas mais profundas do perfil do solo, entre outros efeitos (figura 1).
Figura 1. Efeito da compactação do solo (à esquerda) e de solo sem compactação (à direita) no crescimento e desenvolvimento de plantas de soja.
Conforme destacado por Dalatorre et al. (2010) independentemente da pressão de pastejo, o pisoteio animal aumenta o grau de compactação do solo na superfície do solo (0,05 m). Além disso, altas pressões de pastejo, acima da capacidade de suporte da pastagem, em solos com elevado conteúdo de água, podem aumentar o grau de compactação do solo em profundidades de até 0,25 m.
Figura 2. Efeito do pisoteio animal (bovino) em solo úmido.
Embora os efeitos da compactação do solo variem em função da plasticidade radicular da cultivar, do tipo de solo e das condições edafoclimáticas; de modo geral o aumento da compactação do solo está associado à redução da produtividade da soja. Valores de resistência do solo à penetração superiores a 1,5 MPa já podem resultar em perdas substanciais de rendimento (Girardello et al., 2014), evidenciando a sensibilidade da cultura a restrições físicas no perfil.
Em sistemas de ILP conduzidos de forma contínua e sem manejo adequado, os efeitos da compactação tendem a se concentrar nas camadas superficiais, especialmente entre 0 e 12 cm. Contudo, na maioria das situações avaliadas, esses valores não atingem níveis críticos capazes de comprometer o crescimento e o desenvolvimento das culturas anuais (Conte et al., 2011). Ainda assim, a adoção de estratégias preventivas é fundamental para preservar a qualidade física do solo, garantindo sustentabilidade e rentabilidade ao sistema, sobretudo quando o objetivo é maximizar o desempenho de culturas produtoras de grãos, cultivadas em sucessão à pecuária.
Mitigando os efeitos do pisoteio
Para mitigar os efeitos da compactação decorrente do pisoteio animal, Balbinot et al. (2020) destacam a adoção de práticas de manejo específicas, como:
- Estabelecimento adequado da densidade de plantas forrageiras na implantação das pastagens; retirada dos animais da área entre 20 e 30 dias antes da dessecação;
- Suspensão do pastejo em períodos em que o solo apresente umidade próxima ou acima da capacidade de campo, direcionando os animais para áreas com pastagens perenes;
- E, ajuste da taxa de lotação conforme o sistema de pastejo e a espécie forrageira utilizada.
Essas estratégias contribuem para reduzir a pressão mecânica sobre o solo e manter sua estrutura em condições favoráveis ao desenvolvimento radicular das culturas subsequentes. Cabe destacar que a taxa de lotação deve ser ajustada conforme a espécie forrageira, o sistema de pastejo adotado, o período de permanência e o momento de entrada dos animais na área, variando, em geral, de 1 a 3 animais ha⁻¹ (Zimmer et al., 2012).
Nas estações frias, em razão da menor produção de matéria seca pelas forrageiras, é fundamental redobrar a atenção quanto ao dimensionamento da carga animal e ao momento de utilização da área, evitando pressão excessiva sobre o solo e sobre a cultura implantada.
Sobretudo, quando o sistema é conduzido com planejamento e manejo adequados, é possível conciliar a preservação dos atributos físicos do solo com ganhos expressivos no desempenho, resultando em benefícios tanto para a produção de grãos quanto para a produtividade animal.
Veja mais: Impacto da compactação na raiz

Referências:
CONTE, O. et al. EVOLUÇÃO DE ATRIBUTOS FÍSICOS DE SOLO EM SISTEMA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 46, p. 1301- 1309, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pab/a/mwDDqhNnJZ6vZQDtFhKSZ4v/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 27/02/2026.
DALATORRE, P. J. et al. QUALIDADE FÍSICA DO SOLO EM UM SISTEMA DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA COM DIFERENTES PRESSÕES DE PASTEJO. V Jornada Acadêmica da Embrapa Soja, 2010. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/859387 >, acesso em: 27/02/2026.
FALKER. APLICAÇÕES: COMPACTAÇÃO DO SOLO. FALKER, s. d. Disponível em: < https://www.falker.com.br/br/compactacao_do_solo >, acesso em: 27/02/2026.
GIRARDELLO, V. C. et al. RESISTÊNCIA À PENETRAÇÃO, EFICIENCIA DE ESCARIFICADORES MECÂNICOS E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM LATOSSOLO ARGILOSO MANEJADO SOB PLANTIO DIRETO DE LONGA DURAÇÃO. R. Bras. Ci. Solo, 38:1234-1244, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbcs/a/GL9npmLBjc5x5wY8zdVtCWS/abstract/?lang=pt >, acesso em: 27/02/2026.
ZIMMER, A. H. et al. USO DA ILP NA MELHORIA DA PRODUÇÃO ANIMAL IN: SIMPAPASTO – SIMÓSIO DE PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO. UEM/Sthampa, 2012. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1354377/1743380/Uso-ILP-estrategia-melhoria-producao-animal-Ademir-Zimmer.pdf/863043fb-9f09-455c-be8e-6b9cddbebcd4?version=1.0 >, acesso em: 27/02/2026.

Sustentabilidade
Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.
Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.
Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.
Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.
Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)
N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.
CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.
SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.
S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.
Fonte: Conab

Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.
No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.
Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.
Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.
Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.
Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.
Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).
A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).
Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.
Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.
Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.
Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.

Referências:
AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.
EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.
GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.
OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
Foto de capa: Alessandro Braucks.

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