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Parceria entre Brasil e Índia contempla de feijão a combustível de aviação

O Fórum Empresarial Brasil-Índia reuniu empresários e autoridades dos dois países em Nova Déli para aproximar as duas economias, consideradas duas das mais pujantes entre as nações em desenvolvimento.
O gerente de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller, ressalta que o evento tem o potencial de trabalhar o agronegócio brasileiro na região. “A Índia é um país gigante, mas mais do que isso: possui quase 300 milhões de pessoas que saíram da pobreza. Isso significa crescimento, significa mais comida que eles vão precisar”, ressalta.
Ele lembra que apesar de ser um grande produtor de alimentos, o país asiático não tem a capacidade de surprir a sua própria demanda e, para isso, precisa contar com parceiros comerciais, como o Brasil.
Já o presidente da Apex-Brasil, Jorge Viana, destaca que o fórum de Nova Déli é o maior realizado pela atual missão brasileira entre os 20 já feitos. “Foi anunciado investimento pelas empresas indianas de R$ 10 bilhões [no Brasil] nos próximos anos, e também foi anunciado o investimento a Vale e da Embraer aqui na Índia”, detalha.
Para o diretor-executivo da Nanoventions Brasil, Ritesh Sharma, a aproximação é benéfica para os dois países, uma vez que a Índia também busca maior infiltração na América Latina.
“Acho que precisávamos [da atuação] mais forte dos governos. […] acho que os dois países vão crescer. Por exemplo, nós estamos fazendo uma parceria de três anos [com o Brasil]. Agora nós começamos a construir uma fábrica no Paraná, levando tecnologia da Índia para o Brasil e também tecnologia do Brasil para a Índia. Estamos muito animados pela cooperação, para os negócios que vão fortalecer esse relacionamento”, diz.
Exportação de alimentos
Ao longo do fórum, o Brasil vem focando em seu potencial de produção de alimentos para exportação. Nessa esfera, um dos destaques é o feijão. O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Lüders, conta que o país tem buscado ampliar a presença da leguminosa na Índia com foco em dois tipos.
“Dois deles têm um grande volume de exportação para a Índia. Um deles nós já temos agora um acordo fitossanitário, que é o mungo-preto e o outro que nós estamos aguardando o acordo fitossanitário, que pode vir a ser anunciado agora ou em mais algum tempo, seria do nosso guandu.”
Segundo Lüders, a abertura de mercado para essas espécies de feijões descortinam a possibilidade de o Brasil dobrar as exportações para o país asiático, sendo que em 2025 o Brasil embarcou cerca de 300 mil toneladas do grão a um faturamento em torno de US$ 250 milhões.
Abismo entre China e Índia
Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia ultrapassou a China como o país mais populoso do mundo em 2023, mas segue longe de figurar entre os maiores parceiros do Brasil. Em 2025, o comércio bilateral entre as duas nações foi de US$ 15,2 bilhões, US$ 156 bilhões a menos do que o Brasil trocou com os chineses, seu principal societário na Ásia e no mundo.
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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, acredita que existem muitas oportunidades inexploradas entre os dois países por conta da complementariedade das duas economias. “Podemos fazer, estreitar as parcerias em uma economia digital, na questão da segurança alimentar, na transição energética, tanto com os minerais quanto com os biocombustíveis; podemos [também] na área farmacêutica, na área de saúde”, enumera.
Parcerias aeronáuticas

Outro assunto discutido no fórum foi o setor aeronáutico. A Embraer enxerga na Índia um mercado para expansão e parcerias tecnológicas, com oportunidades inclusive para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês).
“Os nossos aviões hoje já podem operar com até 50% de SAF em uma mistura e nós estamos trabalhando para certificar os nossos aviões antes 2030 para operar com 100% de SAF. Estamos atuando junto a potenciais fabricantes no Brasil e até fora para ajudar a promover o desenvolvimento e a produção do SAF”, ressalta o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto.
Nesta esfera, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gucci, destaca o papel do etanol no futuro da aviação verde. “Mais de 70% dos voos são considerados de longa distância e para essas rotas, não tem alternativas que não sejam o combustível sustentável de aviação. Por isso que nós estamos falando de bilhões e bilhões de litros de SAF nos próximos anos, até 2050. E o etanol, com certeza, vai ser uma rota bastante relevante para contribuir nesse processo de redução de emissões.”
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Preço do arroz reage no RS com avanço das exportações e alta do dólar

Os preços do arroz em casca voltaram a apresentar leve recuperação no Rio Grande do Sul, impulsionados principalmente pelo aumento da demanda internacional pelo cereal. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo o Cepea, o avanço das exportações brasileiras, aliado à valorização dos indicadores externos e à alta do dólar, fortaleceu o interesse de compradores por lotes destinados ao mercado externo.
Apesar da melhora nos preços, o mercado interno ainda segue com baixa liquidez. Pesquisadores apontam que as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado e a menor participação dos agentes nas negociações continuam limitando o ritmo dos negócios no país.
Outro fator que ajudou a sustentar as cotações foi a menor disponibilidade de arroz com rendimento de 56% de grãos inteiros, padrão mais utilizado nas exportações. Com a necessidade de recompor volumes, exportadores passaram a buscar também lotes com 58% de inteiros, ampliando a procura pelo produto e contribuindo para o movimento de alta.
De acordo com o Cepea, esse cenário reforça a influência do mercado externo sobre a formação dos preços do arroz no Brasil neste momento, especialmente em meio à valorização cambial e ao maior apetite internacional pelo cereal brasileiro.
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Mato Grosso proíbe uso de biomassa oriunda de desmatamento

O uso de biomassa proveniente de desmatamento por grandes consumidores está proibido em Mato Grosso. A medida foi formalizada por meio de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado na segunda-feira (8) entre o Governo do Estado e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
O acordo revoga a Instrução Normativa nº 06/2022, que permitia o aproveitamento de biomassa oriunda de áreas desmatadas. Pelo termo, o Governo do Estado não poderá emitir licenças para novos empreendimentos ou ampliações de unidades já existentes que dependam de matéria-prima nativa.
A decisão ocorre em um momento de discussão sobre a oferta de biomassa para atender a demanda crescente da indústria mato-grossense, especialmente das usinas de etanol de milho, que ampliaram a necessidade de madeira para geração de energia.
Representantes do setor florestal avaliam que a medida pode estimular novos investimentos em florestas plantadas e fortalecer a participação do eucalipto reflorestado no abastecimento das indústrias instaladas no estado.
Acordo prevê rastreabilidade e fiscalização
Além de revogar a norma, o termo estabelece novas obrigações para o Governo do Estado relacionadas ao monitoramento do consumo de biomassa pelos grandes usuários.
Conforme o acordo, Mato Grosso terá 30 dias para editar o Decreto do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026-2040 e 120 dias para regulamentar mecanismos de rastreabilidade da matéria-prima utilizada pelas indústrias.
Presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa considera que a medida cria um ambiente mais favorável para o desenvolvimento das florestas plantadas no estado.
“Enfim, nosso estado começa a construir uma trajetória clara para o florestamento no Estado, substituindo a biomassa de desmatamento pela biomassa de fonte sustentável, renovável, escalável e perene, como é o caso das florestas plantadas”.
Segundo Takizawa, o acordo também prevê mecanismos para acompanhar se os grandes consumidores estão cumprindo os compromissos assumidos para garantir o abastecimento futuro de biomassa.
“O governo terá que criar um sistema informatizado para acompanhar se os grandes consumidores estão, de fato, executando seus Planos de Suprimento Sustentável (PSS). Ou seja, se estão investindo em florestas plantadas de forma proporcional ao consumo previsto”.
O termo prevê ainda sanções administrativas, aplicação de multas e impedimentos para renovação de licenças em caso de descumprimento das exigências estabelecidas.
Área plantada precisará mais que dobrar até 2030
A discussão sobre a origem da biomassa ocorre em meio aos alertas do setor florestal sobre a necessidade de ampliar a área plantada de eucalipto em Mato Grosso para atender à demanda projetada para os próximos anos.
De acordo com a Arefloresta, a participação das florestas plantadas no mercado estadual de biomassa caiu de 59% em 2022 para 47,5% em 2025, movimento atribuído ao avanço da biomassa proveniente de desmatamento.
Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas. A estimativa da entidade é que, considerando apenas a demanda das indústrias de etanol de milho, essa área precisará alcançar 436 mil hectares até 2030.
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CNA defende uso eficiente da água e pagamento por serviços ambientais no campo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.
Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.
Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.
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Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.
No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.
O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.
Fonte: cnabrasil.org.br
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