Sustentabilidade
Trigo/Ceema: Superoferta da Argentina pressiona mercado e mantém preços do trigo brasileiro sob controle, mesmo com alta em Chicago – MAIS SOJA

Nesta semana de feriados, o bushel de trigo, em Chicago, após recuar, disparou para US$ 5,59 para o primeiro mês cotado, no fechamento do dia 19/02, contra US$ 5,52 uma semana antes, se mantendo bastante firme em relação aos piores momentos de meados de janeiro.
O mercado está atento ao ritmo das exportações estadunidenses de trigo diante da competitividade dos outros países exportadores. Enquanto isso, tais exportações, na semana encerrada em 12/02, atingiram a 375.402 toneladas, ficando pouco acima do nível inferior esperado pelo mercado. Com isso, o total já exportado pelos EUA, no atual ano comercial, soma 17,7 milhões de toneladas, ficando 19% acima do exportado no mesmo período do ano anterior.
Dito isso, a principal notícia vem da Argentina, onde a oferta total de trigo, somando a última colheita recorde e os estoques, alcança 31,1 milhões de toneladas. O vizinho país já teria exportado 9,4 milhões de toneladas em menos de três meses (seu ano comercial iniciou em dezembro/25). Tal volume está 4,6 milhões de toneladas acima do executado no mesmo período do ano anterior e está 87% acima da média dos últimos cinco anos. A oferta total indicada está 50% acima da média da última década. Ou seja, estamos diante de uma superoferta de trigo por parte da Argentina, transformando seu trigo no mais competitivo do mercado mundial neste momento.
Com isso, fica ainda mais em conta importar trigo do vizinho país, impedindo que os preços brasileiros reajam. Tanto é verdade que nestes primeiros meses de exportação, o Brasil é o quarto principal destino do produto argentino, com pouco menos de um milhão de toneladas compradas. Vietnã, Indonésia e Bangladesh concentraram 54% das exportações nos três primeiros meses das vendas 2025/26 da Argentina, com mais de cinco milhões de toneladas embarcadas.
A China, que tradicionalmente compra volumes esporádicos da Argentina, já soma 381.000 toneladas nesta temporada. Países como Argélia, Tailândia e Marrocos receberam entre 300.000 e 420.000 toneladas cada, enquanto mercados regionais como Equador, Chile e Peru superaram 100.000 toneladas. A presença argentina também avança por países da África e da Ásia. Até agora, 15,3 milhões de toneladas da safra 2025/26 já estariam comprometidas, o equivalente a 55% da colheita total. Ainda restam 45% disponíveis, o que mantém a perspectiva de continuidade no ritmo forte de embarques. Lembrando que o vizinho país é o último dentre os grandes exportadores a colher sua safra. Com Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Austrália já avançados em seus programas de exportação, a menor disponibilidade dessas origens amplia a janela comercial argentina no primeiro trimestre do ano. Lembrando ainda que o Brasil importa da Argentina, atualmente, até 70% de suas compras externas do cereal. Assim, o comportamento do trigo argentino seguirá como variável central na formação de preços internos em 2026 (cf. Bolsa de Cereais de Rosário e Conab).
Pelo sim ou pelo não, o fato é que o recente cenário de preços no mercado do trigo brasileiro foi moldado pela ampla oferta global em geral e pela oferta argentina em particular. Tem muito trigo no mundo, além de o câmbio no Brasil, com o Real na casa dos R$ 5,20 a R$ 5,25 por dólar, favorecer as importações. Isso também dificulta as exportações. Mesmo assim, neste último caso, a julgar pela contratação de navios, o Brasil deve alcançar, até o final de fevereiro, exportações ao redor de 1,4 milhão de toneladas no acumulado do ano comercial 2025/26, iniciado em agosto/25. “A origem dos embarques permanece altamente concentrada no Rio Grande do Sul, responsável por 98% do volume total registrado para exportação, enquanto o Paraná fica com 2%. Quanto ao destino de nossas exportações de trigo, a predominância é a Ásia.
O Bangladesh lidera as aquisições, com 418.303 toneladas, respondendo por cerca de 29% do total exportado no período. Na sequência, o Vietnã registra 349.095 toneladas, correspondente a aproximadamente 24%. A Indonésia aparece com 139.447 toneladas. Além dos mercados asiáticos, a cabotagem interna soma 155.700 toneladas, refletindo transferências entre regiões do próprio país. Entre os destinos adicionais, destacam-se o Quênia (117.940 toneladas), a Nigéria (104.500 toneladas), o Equador (52.000 toneladas), a África do Sul (37.935 toneladas), a República Dominicana (33.000 toneladas) e a Mauritânia (15.400 toneladas). Já em termos de importação do cereal, o país acumula 3,07 milhões de toneladas no atual ano comercial, considerando já os volumes programados até março/26. Sob a ótica regional, os desembarques permanecem fortemente concentrados em poucos estados.
O Ceará lidera as importações, com 650.955 toneladas, respondendo por 21,2% do total. São Paulo aparece logo em seguida, com 644.216 toneladas (21,0%), confirmando seu papel como principal porta de entrada do trigo destinado ao Sudeste. Na sequência, destacam-se a Bahia, com 412.050 toneladas (13,4%), e Pernambuco, com 367.880 toneladas (12,0%). Esses quatro estados concentram mais de dois terços de todo o trigo importado no período indicado. Depois vem o Rio de Janeiro com 259.693 toneladas (8,4%), enquanto Paraná e Rio Grande do Sul registram volumes semelhantes, de 161.405 toneladas e 159.490 toneladas, respectivamente, cada um com 5,2% de participação. Estados adicionais, como Paraíba (119.959 t / 3,9%), Sergipe (93.100 t / 3,0%), Pará (74.600 t / 2,4%) e Espírito Santo (65.650 t / 2,1%), completam o quadro, com participações mais fragmentadas. Maranhão, Amazonas e Santa Catarina respondem juntos por parcela residual do total”. No período, os principais exportadores ao Brasil são, obviamente, a Argentina, com mais de 60%, seguida do Uruguai e EUA (cf. Safras & Mercado).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:prof. Dr. Argemiro Luís Brum
Site: CEEMA
Sustentabilidade
Condições de mercado estão difíceis para o produtor nacional de soja – MAIS SOJA

O mercado mundial de soja passa por um momento de dificuldades. A ampla oferta da oleaginosa e as expectativas favoráveis pressionam as cotações. Em termos domésticos, a combinação de queda dos contratos futuros em Chicago e do dólar tornar o ritmo dos negócios ainda mais lento.
O cenário é cada vez mais complexo para a soja, tanto internamente como no exterior. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira, que participou nesta semana do 11o Safras Agri Week. “Para o Brasil, o maior desafio é o preço”, afirma.
Nos Estados Unidos, a demanda interna está aquecida, com bons esmagamentos, e ainda há a expectativa do retorno da China à ponta compradora. Para o produtor brasileiro, o consultor acredita que pode haver mais oportunidades no segundo semestre, se os estoques norte-americanos apertarem e sustentarem a Bolsa de Mercadorias de Chicago.
Na Argentina, a situação é bastante tranquila, conforme o analista Agustin Geier. “É muito cedo para se falar em atraso de colheita no país”, frisa. “Além disso, são esperadas 49,8 milhões de toneladas, o que é um patamar muito bom para nós”, relata, acrescentando que tudo está correndo bem e sem expectativa de quebra de safra argentina.
Nos subprodutos, a volatilidade tem sido muito grande com a guerra no Irã, que impulsionou os preços do petróleo. “Trouxe suporte ao óleo de soja, que é uma das alternativas para a produção de biodiesel”, finaliza o analista e consultor Gabriel Viana.
Conab e Abiove
A produção brasileira de soja deverá totalizar 179,151 milhões de toneladas na temporada 2025/26, com aumento de 4,5% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. A projeção faz parte do 7º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na estimativa anterior, a previsão estava em 177,85 milhões de toneladas.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) atualizou as estatísticas do complexo soja, elevando as projeções para o ano de 2026. O novo balanço aponta que o Brasil deve atingir um patamar recorde de esmagamento interno, impulsionado pela robustez da safra e pela crescente demanda por derivados.
As estimativas para 2026 foram revisadas positivamente em relação ao levantamento anterior, com o processamento de soja no país devendo alcançar 62,2 milhões de toneladas, um aumento de 1,1%. Esse avanço na atividade industrial reflete-se diretamente na oferta de produtos de maior valor agregado, com a produção de farelo de soja estimada em 47,9 milhões de toneladas e a de óleo de soja em 12,5 milhões de toneladas.
Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE, destaca que a atualização dos dados reforça o amadurecimento e a resiliência da indústria brasileira. “O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro”, afirma.
Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua e Rodrigo Ramos / Safras News
Sustentabilidade
Volatilidade marca mercado de soja e mantém ritmo moderado de negócios no Brasil

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com um ritmo moderado de negócios, em meio a oscilações ao longo do dia. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada por dois momentos distintos, refletindo a instabilidade nos principais formadores de preço.
- Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!
Pela manhã, o dólar e a Bolsa de Chicago operaram em queda, pressionando as cotações e reduzindo a oferta, especialmente nos portos. Esse movimento deixou os preços mais fracos no início do dia, com pouca disposição de venda por parte dos produtores.
Ao longo da sessão, no entanto, Chicago mudou de direção, ainda que com oscilações limitadas. Com isso, os preços passaram a variar entre estabilidade e leve baixa, dependendo da praça e das condições de pagamento. O produtor segue negociando conforme a necessidade de caixa, enquanto a indústria aproveita os níveis atuais para recompor margens.
No mercado físico brasileiro, as cotações apresentaram comportamento misto entre estabilidade e recursos pontuais. Saiba mais:
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 122,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 123,00
- Cascavel (PR): caiu de R$ 119,00 para R$ 118,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 108,00
- Dourados (MS): desceu de R$ 111,00 para R$ 110,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 110,00
- Paranaguá (PR): queda de R$ 129,00 para R$ 128,00
- Rio Grande (RS): manteve em R$ 128,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta nesta sexta-feira (17) na Bolsa de Chicago, em mais uma sessão volátil. O mercado foi influenciado pelo reposicionamento de carteiras antes do fim de semana e pelo comportamento de outros ativos.
Na semana, o contrato maio acumulou queda de 0,71%. A desvalorização do dólar frente a outras moedas trouxe algum suporte às cotações, ao aumentar a competitividade da soja americana no mercado internacional.
Por outro lado, a forte queda do petróleo, diante de expectativas de avanço em negociações no Oriente Médio, limitou a recuperação dos preços da oleaginosa.
O mercado também acompanha o início do plantio da nova safra nos Estados Unidos. A previsão de retorno das chuvas pode atrasar os trabalhos de campo, mas tende a beneficiar o desenvolvimento inicial das lavouras.
Contratos futuros
Os contratos com entrega em maio fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar, ou 0,30%, a US$ 11,67 1/4 por bushel. A posição julho encerrou cotada a US$ 11,83 por bushel, com ganho de 2,50 centavos, ou 0,21%.
Entre os subprodutos, o farelo para maio caiu US$ 0,90, ou 0,27%, para US$ 331,80 por tonelada. Já o óleo de soja, também com vencimento em maio, recuou 1,17 centavo, ou 1,68%, para 68,16 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,18%, cotado a R$ 4,9933 para venda e R$ 4,9813 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9502 e a máxima de R$ 4,9922. Na semana, a divisa acumulou desvalorização de 0,54%.
O post Volatilidade marca mercado de soja e mantém ritmo moderado de negócios no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.
Sustentabilidade
Soja mantém patamar em Chicago com pressão do plantio nos EUA e cenário global instável – MAIS SOJA

As cotações da soja, em Chicago, após ensaiarem um recuo, voltaram aos patamares da semana anterior. O primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (16) em US$ 11,63/bushel, contra US$ 11,65 uma semana antes.
A continuidade da guerra no Oriente Médio, com um cessar-fogo capenga, não permite que o mercado mundial do petróleo e outras commodities básicas se acomode. Além disso, o plantio da soja nos EUA começa a fazer pressão sobre Chicago, sendo que o chamado “mercado do clima” ganha espaço.
Por enquanto, o mercado vem sendo surpreendido pela aceleração no plantio da safra estadunidense. Até o dia 12/04 a área atingia a 6% do esperado, enquanto o mercado esperava menos, e a média para a data é 2%. Isso significa que, para o plantio, por enquanto, o clima é normal nos EUA.
Dito isso, os embarques de soja estadunidense, na semana encerrada em 9 de abril, chegaram a 814.562 toneladas, elevando o volume total, no ano comercial, para 31,5 milhões de toneladas, representando 25% a menos do que há um ano. Outra notícia que pesou sobre o mercado, e mais especificamente no mercado do farelo, foi o início da greve dos caminhoneiros autônomos na Argentina. Com isso houve bloqueio de rotas direcionadas aos portos de exportação. Isso elevou o preço do farelo em Chicago, com o mesmo atingindo a US$ 334,40/tonelada curta no dia 15/04.
A mais alta cotação para este subproduto desde o dia 02/10/2024. Se não houver acordo com o governo local, a greve pode interromper “a logística da principal colheita e o abastecimento normal dos portos, em um momento crucial para a entrada de divisas no vizinho país” (cf. Clarin).
E na China as importações de soja aumentaram 14,9% em março, sobre o mesmo mês do ano anterior, porém, ficaram abaixo do que esperava o mercado. Houve atraso nos embarques do Brasil devido a inspeções mais rigorosas para descartar contaminação.
O total importado chegou a 4,02 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava 6,4 milhões (cf. Reuters). Entre janeiro e março a China importou 16,6 milhões de toneladas, com um recuo de 3,1% sobre o mesmo período de 2025. Para o período de abril a junho espera-se que a média mensal importada pelos chineses seja de 10 milhões de toneladas.
Já nos EUA, a NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas) informou que o esmagamento de soja naquele país, em março, atingiu a 6,16 milhões de toneladas, sendo o segundo maior para o mês e 16% maior do que no mesmo período do ano passado.
E no Brasil, diante de um câmbio que rompeu o piso dos R$ 5,00 por dólar, fechando alguns dias da semana em R$ 4,99, os preços recuaram, com as principais praças gaúchas voltando aos R$ 117,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 99,00 e R$ 114,00/saco.
Enfim, em seu boletim de abril a Conab apontou que a safra brasileira de soja 2025/26 deverá atingir a 179,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões no ano anterior. O Rio Grande do Sul ficará com 18,9 milhões de toneladas, ou seja, com redução de 13,3% sobre o inicialmente previsto. A área total semeada no Brasil foi de 48,47 milhões de hectares e a produtividade média ficaria em 3.696 quilos/hectare (61,6 sacos/hectare), enquanto a produtividade média gaúcha cai para 46,2 sacos.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Agro Mato Grosso15 horas agoVisitas técnicas nos CTECNOS apresentam pesquisas aplicadas ao campo em MT
Business19 horas agoBanana do Vale do Ribeira conquista Indicação Geográfica e valoriza produção paulista
Agro Mato Grosso14 horas agoValtra destaca tratores eficientes para setor sucroenergético I MT
Business23 horas agoEstudantes transformam borra de café em sabonete esfoliante
Featured23 horas agoBriga por valor de programa termina em tiros dentro de motel em Cuiabá
Featured17 horas agoMRV é condenada por falhas em apartamento e terá que indenizar moradora em Cuiabá
Featured16 horas agoAnvisa prepara nova regra para barrar “canetas emagrecedoras” piratas e irregulares
Featured17 horas agoSímbolos nazistas são encontrados em centro acadêmico da UFMT














