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10 de junho de 2026

Business

Capital próprio, armazenagem e disciplina financeira sustentam crescimento da Estância VN

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Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

A gestão baseada em capital próprio, investimento em armazenagem e controle rigoroso dos custos é o que sustenta a produção de grãos da Estância VN, em Querência, região Araguaia-Xingu de Mato Grosso. À frente da propriedade, o produtor rural Irio Guisolphi conduz a atividade com foco na independência financeira e em decisões estratégicas que permitam maior previsibilidade e rentabilidade ao negócio.

Natural de Vargeão, no Oeste de Santa Catarina, ele chegou ao município em 1987, quando decidiu recomeçar a vida no Centro-Oeste. O destino em Mato Grosso era Querência. Após trabalhar em cooperativa e manter um escritório de assessoria agronômica por mais de duas décadas, iniciou o próprio cultivo e expandiu a área ao longo dos anos.

Hoje, a Estância VN soma 7,4 mil hectares. Na propriedade, a soja abre espaço para o milho segunda safra, cultura que ganhou protagonismo no resultado financeiro. “A soja com os preços que está e a logística também não temos, tem muito pouco, ela empata o custo total. Ela acaba deixando muita pouca margem. O que está sobrando um pouco é no milho”, explica. Para ele, a segunda safra é determinante. “Eu digo o seguinte, o produtor sem a segunda safra, aqui nessa região nossa hoje, é praticamente inviável entrar”.

A estratégia produtiva é acompanhada de metas claras de desempenho. Para esta safra, a expectativa média é de até 140 sacas por hectare, com potencial superior nas áreas mais precoces. “A gente sempre cria expectativa para colher pelo menos aí 130, 140 sacas de milho na média geral. Esse primeiro milho aqui, eu acho que estamos trabalhando para colher umas 170, 180 sacas”, projeta à reportagem do Especial Mais Milho.

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Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Na safra anterior, o desempenho confirmou a importância do manejo e da tecnologia. “O ano passado a gente colheu 180 sacas o primeiro plantado e com mais tecnologia e o outro colhemos na faixa de 100 sacas. Deu uma média de 135 sacas por hectare nas duas fazendas. O que determina muito a produtividade no final é bastante a chuva”, relata.

Armazenagem garante autonomia e melhor comercialização

Um dos pilares da gestão da Estância VN é o investimento em estrutura própria de armazenagem, decisão tomada ainda no início da expansão da propriedade. Atualmente, a capacidade é de 560 mil sacas e uma nova unidade está em construção, com capacidade adicional de 630 mil sacas.

Segundo o produtor, a armazenagem permite independência logística e maior poder de negociação. “Pensamos muito no início no que iriamos investir? Fomos para armazenagem e, graças a Deus, consegui montar essa unidade aqui. Na outra fazenda também tem a armazenagem. A gente colhe no ponto bom de colher, sempre damos uma controlada nisso pelo fato de ter o armazém”, conta ao Canal Rural Mato Grosso.

A estratégia também reduz custos operacionais e permite comercializar nos melhores momentos. “Você tendo o produto depois armazenado no seu armazém, você é dono dele. Você comercializa a hora que você quer, nas melhores oportunidades”, ressalta. O ganho financeiro é direto. “Se eu hoje tenho um produto no armazém fora de época, principalmente o milho, a gente consegue agregar aí pelo menos uns R$ 10 a saca, com certeza, no milho”.

Além disso, a estrutura diminui a dependência de transporte externo e gargalos logísticos comuns na região. “Aonde numa fazenda dessa precisaria de 15, 18, 20 caminhões, eu com quatro caminhões faço todo o operacional da fazenda”, diz.

Querência Irio Guisolphi Especial Mais Milho foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Capital próprio e disciplina financeira como estratégia

Outro diferencial da gestão é a decisão de operar exclusivamente com recursos próprios, tanto para investimentos quanto para custeio da lavoura. A estratégia foi construída ao longo dos anos e hoje garante autonomia financeira.

“Com o tempo, graças a Deus, a gente conseguiu trabalhar com recursos próprios 100%, tanto investimento quanto custeio. Então todo nosso recurso é 100% próprio”, pontua. Conforme ele, evitar financiamentos reduz custos e aumenta a rentabilidade. “Eu acho que esse juro fica com a gente, a gente consegue agregar, pelo menos hoje eu digo que você agrega 10% em cima”.

A disciplina é regra na propriedade. “Você tem o recurso, você investe. Se você não tem, você não investe”, resume.

Para o filho e engenheiro agrônomo Vinícius Guisolphi, que já atua na condução técnica da lavoura, o modelo implantado pelo pai é referência. “É seguir o mesmo jeito que ele faz. E hoje a agricultura, tanto adubo quanto insumo estão muito caro, então tem que tentar diminuir um pouco mais esse custo, tentando comprar à vista e fazer as coisas certo”, frisa ao projeto Mais Milho.

Ele destaca ainda o valor da convivência e da sucessão familiar no campo. “Cara, ficar lado do meu pai é tudo. Quando tem um pai que fica junto com a gente, eu acho que é a melhor coisa que existe para um filho”.

Querência Irio Guisolphi Especial Mais Milho foto Maruan Bello Canal Rural Mato Grosso4
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Tecnologia e manejo impulsionam produtividade

O uso de cultivares adaptadas e manejo técnico são parte da estratégia produtiva da Estância VN. De acordo com o engenheiro agrônomo Maurício Silva, representante comercial Bayer – Agroeste, que presta suporte técnico à fazenda, o desempenho recente confirma o potencial da área.

“Já é o terceiro ano consecutivo que o senhor Irio vem plantando o híbrido AS 1868 Pro4. É um material super precoce, que entrega produtividade, sanidade e alta caixa produtiva. No ano passado e no ano retrasado, a gente atingiu a marca de 183 sacas por hectare”, explica.

Para esta safra, o manejo foi ajustado para buscar resultados ainda melhores. “Nós ajustamos uma população um pouco para cima, nós colocamos 70.000 sementes por hectare. Aumentamos a adubação. Tanto na primeira cobertura, quanto na segunda cobertura, a gente vai ajustar um pouco para cima e também o manejo de pragas e doenças”, detalha.

Além da tecnologia, seu Irio destaca a troca constante de informações como fator essencial para a tomada de decisão. “O produtor de Querência a gente sempre fala que ele é um pouquinho diferenciado. A gente troca muita informação. Toda quarta-feira temos no Sindicato café da manhã onde é conversado entre produtores, vendedores, consultores”, conta.

Após quase quatro décadas dedicadas ao agro em Mato Grosso, o produtor resume o que a atividade representa em sua vida. “É um prazer sempre estar na lavoura, sabe? Eu chegar um final de semana, se não der uma volta na fazenda, não está certo. Então, para mim a minha vida é em campo, sabe?”.

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Preço do arroz reage no RS com avanço das exportações e alta do dólar

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Foto: Freepik

Os preços do arroz em casca voltaram a apresentar leve recuperação no Rio Grande do Sul, impulsionados principalmente pelo aumento da demanda internacional pelo cereal. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço das exportações brasileiras, aliado à valorização dos indicadores externos e à alta do dólar, fortaleceu o interesse de compradores por lotes destinados ao mercado externo.

Apesar da melhora nos preços, o mercado interno ainda segue com baixa liquidez. Pesquisadores apontam que as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado e a menor participação dos agentes nas negociações continuam limitando o ritmo dos negócios no país.

Outro fator que ajudou a sustentar as cotações foi a menor disponibilidade de arroz com rendimento de 56% de grãos inteiros, padrão mais utilizado nas exportações. Com a necessidade de recompor volumes, exportadores passaram a buscar também lotes com 58% de inteiros, ampliando a procura pelo produto e contribuindo para o movimento de alta.

De acordo com o Cepea, esse cenário reforça a influência do mercado externo sobre a formação dos preços do arroz no Brasil neste momento, especialmente em meio à valorização cambial e ao maior apetite internacional pelo cereal brasileiro.

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Mato Grosso proíbe uso de biomassa oriunda de desmatamento

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O uso de biomassa proveniente de desmatamento por grandes consumidores está proibido em Mato Grosso. A medida foi formalizada por meio de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado na segunda-feira (8) entre o Governo do Estado e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

O acordo revoga a Instrução Normativa nº 06/2022, que permitia o aproveitamento de biomassa oriunda de áreas desmatadas. Pelo termo, o Governo do Estado não poderá emitir licenças para novos empreendimentos ou ampliações de unidades já existentes que dependam de matéria-prima nativa.

A decisão ocorre em um momento de discussão sobre a oferta de biomassa para atender a demanda crescente da indústria mato-grossense, especialmente das usinas de etanol de milho, que ampliaram a necessidade de madeira para geração de energia.

Representantes do setor florestal avaliam que a medida pode estimular novos investimentos em florestas plantadas e fortalecer a participação do eucalipto reflorestado no abastecimento das indústrias instaladas no estado.

Acordo prevê rastreabilidade e fiscalização

Além de revogar a norma, o termo estabelece novas obrigações para o Governo do Estado relacionadas ao monitoramento do consumo de biomassa pelos grandes usuários.

Conforme o acordo, Mato Grosso terá 30 dias para editar o Decreto do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026-2040 e 120 dias para regulamentar mecanismos de rastreabilidade da matéria-prima utilizada pelas indústrias.

Presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa considera que a medida cria um ambiente mais favorável para o desenvolvimento das florestas plantadas no estado.

“Enfim, nosso estado começa a construir uma trajetória clara para o florestamento no Estado, substituindo a biomassa de desmatamento pela biomassa de fonte sustentável, renovável, escalável e perene, como é o caso das florestas plantadas”.

Segundo Takizawa, o acordo também prevê mecanismos para acompanhar se os grandes consumidores estão cumprindo os compromissos assumidos para garantir o abastecimento futuro de biomassa.

“O governo terá que criar um sistema informatizado para acompanhar se os grandes consumidores estão, de fato, executando seus Planos de Suprimento Sustentável (PSS). Ou seja, se estão investindo em florestas plantadas de forma proporcional ao consumo previsto”.

O termo prevê ainda sanções administrativas, aplicação de multas e impedimentos para renovação de licenças em caso de descumprimento das exigências estabelecidas.

Área plantada precisará mais que dobrar até 2030

A discussão sobre a origem da biomassa ocorre em meio aos alertas do setor florestal sobre a necessidade de ampliar a área plantada de eucalipto em Mato Grosso para atender à demanda projetada para os próximos anos.

De acordo com a Arefloresta, a participação das florestas plantadas no mercado estadual de biomassa caiu de 59% em 2022 para 47,5% em 2025, movimento atribuído ao avanço da biomassa proveniente de desmatamento.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas. A estimativa da entidade é que, considerando apenas a demanda das indústrias de etanol de milho, essa área precisará alcançar 436 mil hectares até 2030.


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CNA defende uso eficiente da água e pagamento por serviços ambientais no campo

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.

Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.

Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.

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Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.

No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.

O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.

Fonte: cnabrasil.org.br

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