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Buracos e atoleiros na BR-174 elevam custos e causam prejuízos a produtores em Juína

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A precariedade da BR-174 tem causado prejuízos diretos aos produtores rurais de Juína, no noroeste de Mato Grosso. Buracos, atoleiros e atrasos no transporte elevam o custo logístico e reduzem o valor pago pela soja, com perdas que chegam a R$ 10 por saca.

Considerada um dos principais corredores de escoamento entre Mato Grosso e Rondônia, a rodovia encurta o caminho até Porto Velho. No trecho entre Juína e Vilhena são cerca de 230 quilômetros que poderiam garantir mais competitividade à produção regional, mas as condições atuais da estrada dificultam o transporte e aumentam os prejuízos.

Produtor rural com área de 1,6 mil hectares de soja, além de milho, pecuária integrada e manejo florestal, Alcides Szulczewski Filho relata que os atrasos no transporte comprometem a qualidade e o volume comercializado.

Segundo ele, a demora faz com que os grãos permaneçam mais tempo armazenados, o que aumenta a umidade e reduz o rendimento. “O caminhão atrasa para ir, atrasa para chegar […] quando você vê é uma porcentagem a mais da nossa produção que vai embora por conta da logística que nós não temos para chegar mais rápido até o destino, e esse aí é o reflexo depois é no bolso”, diz ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos maiores e perda de competitividade

O excesso de chuva agrava a situação e aumenta o risco de prejuízos. Alcides conta que os danos aos veículos são frequentes e elevam ainda mais os custos da operação. “Um caminhão meu veio, passou dentro de um buraco cheio d’água, tinha uma pedra de ponta lá e estourou dois pneus. Então você tem lá uma viagem de 30 quilômetros, dois pneus R$ 6 mil, R$ 7 mil”, relata Alcides ao cobrar melhorias na trafegabilidade.

Na região, o produtor Moacir Damiani já enfrenta dificuldades logo no início da colheita. Ele cultivou quatro mil hectares de soja nesta safra e afirma que o principal gargalo está fora da porteira. “Hoje o gargalo nosso de colheita é a parte de logística […] um caminhão para fazer esses 11 quilômetros aqui demora uma hora”.

A situação já causou paralisação na retirada da produção. Moacir conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que, mesmo com a carga pronta, os caminhões não conseguem cumprir os prazos. “Eu já fiquei com a colheita lá parada por causa de caminhão […] devido à chuva, não roda conforme deveria rodar e aí você já começa perder a soja, começa a dar avaria”.

As condições da rodovia também afetam diretamente os preços pagos aos produtores. De acordo com Renato Tozzo, empresas têm optado por rotas alternativas mais longas para evitar o trecho. O desvio pode acrescentar entre 400 e 500 quilômetros ao percurso, o que reduz a competitividade da região. “Hoje Campo Novo por exemplo está falando de soja de R$ 100, R$ 103 e Juína hoje R$ 92, R$ 93. Essa é a diferença por conta da logística nossa aqui que é péssima”.

Conforme ele, o impacto é direto na rentabilidade. “A gente perde aproximadamente R$ 10 por saca de soja por falta desse acesso da de custo a mais para nós produtores”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impactos além do campo

Os problemas na rodovia também afetam o transporte de pacientes, alimentos e mercadorias. O líder indígena Holikialari Enawêne relata que as dificuldades atingem comunidades inteiras. “Muito difícil. Transporte de pacientes, transportes de emergência, até transporte de merenda escolar também está muito complicado para transportar nessa BR, muito buraco, muito atoleiro”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Apesar de reconhecer avanços em relação ao passado, Alcides afirma que ainda há muito a melhorar. De acordo com o produtor rural de Juína, a rodovia já recebeu intervenções, mas não atende à demanda crescente da região. “Ela evoluiu bastante […] mas falta mais, precisamos avançar ainda porque a infraestrutura para nós, para agricultura aqui em Juína, é muito precária”.

Entre os produtores, a pavimentação do trecho até Vilhena é vista como essencial para garantir competitividade e reduzir prejuízos. “A gente sonha com a ligação desse asfalto daqui para Vilhena para dar uma transformada na logística nossa aqui…”, conclui Moacir.

A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) quanto às obras na BR-174, na região de Juína. No entanto, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Área tratada com defensivos na safra 25/26 deve crescer 6%, indica Sindiveg

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O mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar a safra 2025/26 com expansão de 6,1% na Área Potencial Tratada (PAT), contabilizando aplicação em 2,6 bilhões de hectares. O dado parte de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).

O indicador utilizado no estudo leva em conta o número de aplicações e a quantidade de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras.

Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas.

Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos do ciclo 2025/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, visto que a semeadura transcorreu no período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado.

Pragas e fungos

O estudo destaca que a maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.

Entre os produtos mais utilizados na safra 2025/26, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento.

No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser:

  • Soja (55%);
  • Milho (18%);
  • Algodão (8%);
  • Pastagem: 5%;
  • Cana-de-açúcar: 4%;
  • Trigo: 2%;
  • Feijão: 2%;
  • Arroz: 1%;
  • Hortifruti: 1%;
  • Café: 1%; e
  • Outras culturas: 2%

Aplicação de defensivos por estados

Mato Grosso e Rondônia lideram em aplicação de defensivos, concentrando 32% da área tratada no país. Já a região agrícola conhecida como Bamatopipa (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%.

Em seguida, a pesquisa aponta São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%.

As demais regiões somam os 2% restantes. O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.

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Estudo avalia diferentes cultivares de soja e identifica a mais adequada por clima e ciclo

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Reprodução Canal Rural/Soja Brasil

A Expedição Soja Brasil acompanhou, no Rio Grande do Sul, um estudo conduzido por uma Rede Técnica Cooperativa formada por oito cooperativas do estado. O objetivo foi identificar as cultivares mais indicadas, considerando clima, período de semeadura e duração do ciclo.

Ao longo das últimas cinco safras, cerca de 20 cultivares de soja foram avaliadas em diferentes épocas de plantio e grupos de maturação, sempre dentro da janela recomendada para o estado.

Os experimentos foram replicados em diversos campos experimentais, permitindo comparar o desempenho de cultivares plantadas em outubro, início e fim de novembro e dezembro. Os resultados mostraram que a produtividade varia conforme o grupo de maturação e a data de semeadura. A janela mais indicada ficou entre 5 e 20 de novembro, quando luminosidade e umidade favorecem maior rendimento.

Entre 2020 e 2024, áreas conduzidas sem critério técnico registraram média de 38 sacas por hectare. Já as lavouras manejadas com base nos experimentos alcançaram 81 sacas por hectare. O estudo também apontou cultivares mais adaptadas para abertura de plantio, com maior tolerância a doenças de solo e outras mais indicadas para o fechamento da janela, com melhor resistência à macrophomina, que costuma se intensificar em períodos de estiagem.

Essa pesquisa ainda considera os impactos relacionados às mudanças climáticas no estado, marcado por eventos como o La Niña, anos de seca e também períodos de excesso de chuva.

A recomendação prática é dividir a área em três blocos de semeadura, com intervalos de cerca de 10 dias, combinando cultivares com diferença mínima de cinco pontos no grupo de maturação. A estratégia reduz riscos climáticos, facilita os tratos culturais e evita concentração da colheita em um único período, melhorando a organização e o desempenho da lavoura.

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Chuvas sem trégua travam colheita e ameaçam safra de soja em Paranatinga

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em Paranatinga, no médio-norte de Mato Grosso, o excesso de chuva aumenta a incerteza sobre o tamanho das perdas nas lavouras de soja e preocupa produtores em pleno período de colheita. No campo, cada dia de solo encharcado representa mais do que atraso no cronograma: significa renda comprometida e dificuldade para fechar as contas no fim da safra. Diante desse cenário, o município já estuda acionar o decreto de estado de emergência como forma de reconhecer oficialmente os impactos provocados pelo clima e buscar medidas de apoio ao setor produtivo.

O agricultor Rubilar Pedro Calgaro Filho é um dos que sente os impactos causados pelo volume de chuvas nos últimos dias em Paranatinga. Ele apostou alto na safra 2025/26, com 620 hectares cultivados e expectativa de produtividade acima da média. Nos primeiros dias de colheita, o resultado chegou a trazer esperança. “Nos primeiros dias que nós colhemos aqui uma soja com uma produtividade média de 70 sacas, só que infelizmente só conseguimos tirar uma amostra, depois não conseguimos mais entrar”, relata.

Uma extensão de 80 hectares foi dessecada há 16 dias e está pronta para a colheita há quase uma semana. No entanto, o excesso de umidade impede a entrada das máquinas, e os grãos permanecem expostos no campo, sob risco crescente de deterioração.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Perdas que aumentam a cada dia

Com o avanço das chuvas e sem previsão de trégua consistente, o produtor já observa sinais claros de perda de qualidade e produtividade. “Nesse momento hoje em que ela se encontra já é uma perda aí na faixa de uns 50%, aí a gente vai ter que aguardar para ver quando vamos ter a oportunidade, se o tempo vai permitir para que a gente consiga colher ela. É uma soja que a cada dia que passa vai se perdendo”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Segundo Rubilar, o comprometimento da lavoura se agrava rapidamente. “Soja brotada são grãos avariados e muitas delas vão acabar caindo no chão e a colheitadeira não vai conseguir nem recolher. Então eu estimo que se não passar a colheitadeira aqui dentro essa lavoura provavelmente será 100% perdida”.

O impacto financeiro é ainda mais preocupante em um ano de margens apertadas. “Esse ano já é um ano muito ajustado, custos elevados, o preço da soja está nos menores níveis dos últimos 5, 6 anos, então aquela esperança que a gente tinha, aquele mínimo de sobrar alguma coisa praticamente já foi pelo ralo infelizmente”, diz.

Com custo estimado em 60 sacas por hectare, ele acredita que o resultado esperado dificilmente será alcançado. “Essa lavoura aqui tem um custo médio estimado de 60 sacas por hectare. Eu acredito com essa perda já aí no início pelo excesso de chuva que dificilmente será alcançada essa média na fazenda, o lucro já foi embora na verdade”.

Além do prejuízo financeiro, o abalo emocional também é evidente entre os produtores de Paranatinga. “O sentimento é de tristeza, mas vamos olhar pra frente e pedir a Deus que a gente consiga…”, diz, emocionado. A preocupação agora é conseguir equilibrar as contas ao fim da safra. “Que no final a gente consiga ao menos pagar as contas…”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Preocupação coletiva e possível decreto

A apreensão é compartilhada por outros produtores do município, conforme o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga, Carlinhos Rodrigues. Conforme ele, o excesso de chuva compromete diferentes fases da cultura e dificulta a maturação adequada das plantas.

“As lavouras estão todas chegando, a grande maioria dos produtores tem soja pronta. Dos 20 dias com chuvas, teve um ou dois dias que apareceu sol, no restante dos dias não”, explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Ele ressalta que o impacto vai além das áreas prontas e também afeta lavouras em outras fases. “Quando pega um longo período na nossa situação de chuva, 20 dias praticamente nublado e de chuva, ela vem acarretar em todo o ciclo da cultura. Então a soja que está pronta para colher, mas ela está aí igual a gente está vendo no campo, soja apodrecendo, soja brotando no pé”, afirma.

De acordo com o presidente, até áreas em enchimento de grãos podem sofrer perdas importantes. “A gente não sabe ainda onde vai chegar o tamanho desse nosso prejuízo, desse nosso problema, mas é muito preocupante, muito mesmo”, relata.

Diante da gravidade da situação, o setor produtivo já discute medidas institucionais. “Já estamos conversando sobre esse assunto, estamos levando para questão jurídica. Pelo longo período que nós estamos enfrentando de chuva, por esse início de colheita, estamos levantando alguns dados. Mas, acredita-se que vamos partir para tomar essa decisão juntamente com os órgãos públicos”, pontua.

O presidente do Sindicato Rural de Paranatinga explica que o pedido de estado de emergência é considerado necessário diante das perdas generalizadas. “Não é só a lavoura pronta que está perdendo, também estamos tendo perdas nas lavouras que não estão prontas, então há necessidade de que ocorra alguma medida em cima disso”, diz. O cenário amplia a incerteza no campo e pressiona toda a cadeia produtiva. “É uma conta que é difícil fechar para todo mundo, tanto para nós produtores como para as revendas. Então fica muito difícil pra gente esse cenário”.


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