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10 de junho de 2026

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Aos 99 anos, morre Ray Goldberg, criador do conceito de agronegócio

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Ray A. Goldberg, professor emérito da Universidade de Harvard e um dos principais formuladores do conceito moderno de agronegócio, faleceu na última segunda-feira (16), aos 99 anos. Reconhecido mundialmente por introduzir a abordagem sistêmica da economia alimentar global, Goldberg morreu em casa. Sua trajetória acadêmica e intelectual moldou a forma como governos, empresas e pesquisadores passaram a compreender as cadeias agroalimentares.

Considerado um dos pioneiros no estudo integrado da produção de alimentos, Goldberg ajudou a estabelecer o termo agronegócio, conceito que redefiniu o entendimento das interconexões entre agricultura, indústria, mercados e políticas públicas. Ao longo de mais de sete décadas de atuação na Harvard Business School e na Harvard Kennedy School, o professor teve papel central na consolidação de um campo de estudo que ultrapassou os limites da academia e influenciou decisões estratégicas em escala global.

Nascido em Fargo, no estado de Dakota do Norte, Goldberg desenvolveu ainda jovem interesse pelo funcionamento dos sistemas de produção e distribuição de alimentos. Mudou-se para Harvard, onde concluiu o bacharelado em 1948 e o MBA em 1950. Posteriormente, obteve o doutorado em Economia Agrícola pela Universidade de Minnesota, em 1952. Foi durante esse período que, ao lado de seu mentor John H. Davis, cunhou o termo “agronegócio”, estabelecendo as bases conceituais de uma nova forma de analisar o setor.

Na Harvard Business School, Goldberg introduziu o primeiro curso dedicado ao agronegócio, adotando uma abordagem que examinava toda a cadeia alimentar — dos insumos e da produção rural ao processamento, distribuição e comportamento do consumidor. A proposta rompia com análises fragmentadas e defendia a compreensão do sistema alimentar como uma rede interdependente de agentes econômicos e institucionais. A iniciativa influenciou gerações de estudantes e executivos, além de inspirar políticas públicas e modelos de negócios em diversos países.

Durante sua carreira, Goldberg também fundou os Seminários de Gestão Sênior em Agronegócio, espaço voltado à formação e ao debate entre lideranças do setor. Na Harvard Kennedy School, liderou o fórum anual do PAPSAC, que reunia representantes dos setores público e privado para discutir desafios estruturais da produção e segurança alimentar. O professor defendia que problemas complexos do sistema alimentar exigiam cooperação entre disciplinas, empresas e governos.

Mesmo após se aposentar formalmente da Harvard Business School, em 1997, Goldberg manteve intensa atividade acadêmica. Continuou lecionando temas ligados à política alimentar e agronegócio até 2015, além de conduzir seminários sobre os impactos das mudanças climáticas na produção global de alimentos. Sua produção intelectual incluiu 23 livros e mais de 110 artigos, além da supervisão de centenas de estudos de caso que se tornaram referência no ensino de economia e gestão do agronegócio.

A influência de Goldberg também se estendeu ao setor privado. Ao longo da vida, integrou mais de quarenta conselhos de administração de empresas, cooperativas e organizações ligadas ao agronegócio e à tecnologia. Atuou ainda como consultor de instituições financeiras e foi fundador e primeiro presidente da International Agribusiness Management Association, entidade dedicada ao desenvolvimento do setor em âmbito internacional.

Ray Goldberg deixa um legado associado à construção de uma visão integrada do sistema agroalimentar. Sua contribuição teórica e prática ajudou a consolidar o agronegócio como conceito econômico, acadêmico e estratégico, com impactos duradouros sobre a organização das cadeias produtivas e o debate sobre segurança alimentar global.

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Preço do arroz reage no RS com avanço das exportações e alta do dólar

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Foto: Freepik

Os preços do arroz em casca voltaram a apresentar leve recuperação no Rio Grande do Sul, impulsionados principalmente pelo aumento da demanda internacional pelo cereal. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço das exportações brasileiras, aliado à valorização dos indicadores externos e à alta do dólar, fortaleceu o interesse de compradores por lotes destinados ao mercado externo.

Apesar da melhora nos preços, o mercado interno ainda segue com baixa liquidez. Pesquisadores apontam que as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado e a menor participação dos agentes nas negociações continuam limitando o ritmo dos negócios no país.

Outro fator que ajudou a sustentar as cotações foi a menor disponibilidade de arroz com rendimento de 56% de grãos inteiros, padrão mais utilizado nas exportações. Com a necessidade de recompor volumes, exportadores passaram a buscar também lotes com 58% de inteiros, ampliando a procura pelo produto e contribuindo para o movimento de alta.

De acordo com o Cepea, esse cenário reforça a influência do mercado externo sobre a formação dos preços do arroz no Brasil neste momento, especialmente em meio à valorização cambial e ao maior apetite internacional pelo cereal brasileiro.

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Mato Grosso proíbe uso de biomassa oriunda de desmatamento

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O uso de biomassa proveniente de desmatamento por grandes consumidores está proibido em Mato Grosso. A medida foi formalizada por meio de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado na segunda-feira (8) entre o Governo do Estado e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

O acordo revoga a Instrução Normativa nº 06/2022, que permitia o aproveitamento de biomassa oriunda de áreas desmatadas. Pelo termo, o Governo do Estado não poderá emitir licenças para novos empreendimentos ou ampliações de unidades já existentes que dependam de matéria-prima nativa.

A decisão ocorre em um momento de discussão sobre a oferta de biomassa para atender a demanda crescente da indústria mato-grossense, especialmente das usinas de etanol de milho, que ampliaram a necessidade de madeira para geração de energia.

Representantes do setor florestal avaliam que a medida pode estimular novos investimentos em florestas plantadas e fortalecer a participação do eucalipto reflorestado no abastecimento das indústrias instaladas no estado.

Acordo prevê rastreabilidade e fiscalização

Além de revogar a norma, o termo estabelece novas obrigações para o Governo do Estado relacionadas ao monitoramento do consumo de biomassa pelos grandes usuários.

Conforme o acordo, Mato Grosso terá 30 dias para editar o Decreto do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026-2040 e 120 dias para regulamentar mecanismos de rastreabilidade da matéria-prima utilizada pelas indústrias.

Presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa considera que a medida cria um ambiente mais favorável para o desenvolvimento das florestas plantadas no estado.

“Enfim, nosso estado começa a construir uma trajetória clara para o florestamento no Estado, substituindo a biomassa de desmatamento pela biomassa de fonte sustentável, renovável, escalável e perene, como é o caso das florestas plantadas”.

Segundo Takizawa, o acordo também prevê mecanismos para acompanhar se os grandes consumidores estão cumprindo os compromissos assumidos para garantir o abastecimento futuro de biomassa.

“O governo terá que criar um sistema informatizado para acompanhar se os grandes consumidores estão, de fato, executando seus Planos de Suprimento Sustentável (PSS). Ou seja, se estão investindo em florestas plantadas de forma proporcional ao consumo previsto”.

O termo prevê ainda sanções administrativas, aplicação de multas e impedimentos para renovação de licenças em caso de descumprimento das exigências estabelecidas.

Área plantada precisará mais que dobrar até 2030

A discussão sobre a origem da biomassa ocorre em meio aos alertas do setor florestal sobre a necessidade de ampliar a área plantada de eucalipto em Mato Grosso para atender à demanda projetada para os próximos anos.

De acordo com a Arefloresta, a participação das florestas plantadas no mercado estadual de biomassa caiu de 59% em 2022 para 47,5% em 2025, movimento atribuído ao avanço da biomassa proveniente de desmatamento.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares de florestas plantadas. A estimativa da entidade é que, considerando apenas a demanda das indústrias de etanol de milho, essa área precisará alcançar 436 mil hectares até 2030.


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CNA defende uso eficiente da água e pagamento por serviços ambientais no campo

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.

Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.

Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.

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Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.

No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.

O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.

Fonte: cnabrasil.org.br

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