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Chuvas sem trégua travam colheita e ameaçam safra de soja em Paranatinga

Em Paranatinga, no médio-norte de Mato Grosso, o excesso de chuva aumenta a incerteza sobre o tamanho das perdas nas lavouras de soja e preocupa produtores em pleno período de colheita. No campo, cada dia de solo encharcado representa mais do que atraso no cronograma: significa renda comprometida e dificuldade para fechar as contas no fim da safra. Diante desse cenário, o município já estuda acionar o decreto de estado de emergência como forma de reconhecer oficialmente os impactos provocados pelo clima e buscar medidas de apoio ao setor produtivo.
O agricultor Rubilar Pedro Calgaro Filho é um dos que sente os impactos causados pelo volume de chuvas nos últimos dias em Paranatinga. Ele apostou alto na safra 2025/26, com 620 hectares cultivados e expectativa de produtividade acima da média. Nos primeiros dias de colheita, o resultado chegou a trazer esperança. “Nos primeiros dias que nós colhemos aqui uma soja com uma produtividade média de 70 sacas, só que infelizmente só conseguimos tirar uma amostra, depois não conseguimos mais entrar”, relata.
Uma extensão de 80 hectares foi dessecada há 16 dias e está pronta para a colheita há quase uma semana. No entanto, o excesso de umidade impede a entrada das máquinas, e os grãos permanecem expostos no campo, sob risco crescente de deterioração.

Perdas que aumentam a cada dia
Com o avanço das chuvas e sem previsão de trégua consistente, o produtor já observa sinais claros de perda de qualidade e produtividade. “Nesse momento hoje em que ela se encontra já é uma perda aí na faixa de uns 50%, aí a gente vai ter que aguardar para ver quando vamos ter a oportunidade, se o tempo vai permitir para que a gente consiga colher ela. É uma soja que a cada dia que passa vai se perdendo”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo Rubilar, o comprometimento da lavoura se agrava rapidamente. “Soja brotada são grãos avariados e muitas delas vão acabar caindo no chão e a colheitadeira não vai conseguir nem recolher. Então eu estimo que se não passar a colheitadeira aqui dentro essa lavoura provavelmente será 100% perdida”.
O impacto financeiro é ainda mais preocupante em um ano de margens apertadas. “Esse ano já é um ano muito ajustado, custos elevados, o preço da soja está nos menores níveis dos últimos 5, 6 anos, então aquela esperança que a gente tinha, aquele mínimo de sobrar alguma coisa praticamente já foi pelo ralo infelizmente”, diz.
Com custo estimado em 60 sacas por hectare, ele acredita que o resultado esperado dificilmente será alcançado. “Essa lavoura aqui tem um custo médio estimado de 60 sacas por hectare. Eu acredito com essa perda já aí no início pelo excesso de chuva que dificilmente será alcançada essa média na fazenda, o lucro já foi embora na verdade”.
Além do prejuízo financeiro, o abalo emocional também é evidente entre os produtores de Paranatinga. “O sentimento é de tristeza, mas vamos olhar pra frente e pedir a Deus que a gente consiga…”, diz, emocionado. A preocupação agora é conseguir equilibrar as contas ao fim da safra. “Que no final a gente consiga ao menos pagar as contas…”.

Preocupação coletiva e possível decreto
A apreensão é compartilhada por outros produtores do município, conforme o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga, Carlinhos Rodrigues. Conforme ele, o excesso de chuva compromete diferentes fases da cultura e dificulta a maturação adequada das plantas.
“As lavouras estão todas chegando, a grande maioria dos produtores tem soja pronta. Dos 20 dias com chuvas, teve um ou dois dias que apareceu sol, no restante dos dias não”, explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Ele ressalta que o impacto vai além das áreas prontas e também afeta lavouras em outras fases. “Quando pega um longo período na nossa situação de chuva, 20 dias praticamente nublado e de chuva, ela vem acarretar em todo o ciclo da cultura. Então a soja que está pronta para colher, mas ela está aí igual a gente está vendo no campo, soja apodrecendo, soja brotando no pé”, afirma.
De acordo com o presidente, até áreas em enchimento de grãos podem sofrer perdas importantes. “A gente não sabe ainda onde vai chegar o tamanho desse nosso prejuízo, desse nosso problema, mas é muito preocupante, muito mesmo”, relata.
Diante da gravidade da situação, o setor produtivo já discute medidas institucionais. “Já estamos conversando sobre esse assunto, estamos levando para questão jurídica. Pelo longo período que nós estamos enfrentando de chuva, por esse início de colheita, estamos levantando alguns dados. Mas, acredita-se que vamos partir para tomar essa decisão juntamente com os órgãos públicos”, pontua.
O presidente do Sindicato Rural de Paranatinga explica que o pedido de estado de emergência é considerado necessário diante das perdas generalizadas. “Não é só a lavoura pronta que está perdendo, também estamos tendo perdas nas lavouras que não estão prontas, então há necessidade de que ocorra alguma medida em cima disso”, diz. O cenário amplia a incerteza no campo e pressiona toda a cadeia produtiva. “É uma conta que é difícil fechar para todo mundo, tanto para nós produtores como para as revendas. Então fica muito difícil pra gente esse cenário”.
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Estudo da FAO aponta que bioinsumos podem reduzir custos no campo

A adoção de bioinsumos pode aumentar a rentabilidade das propriedades rurais e reduzir os custos de produção, desde que a tecnologia seja utilizada nas condições adequadas para cada sistema produtivo. A conclusão é de um novo estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A publicação reúne estudos de caso realizados em Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica e México e aponta que o uso de bioinsumos pode trazer benefícios econômicos, ambientais e produtivos. Segundo a FAO, porém, os resultados dependem de fatores como a cultura cultivada, o tipo de solo, as condições agroecológicas, a escala da propriedade e o nível de tecnologia adotado.
O levantamento destaca que a América Latina e o Caribe é a região onde o mercado de bioinsumos mais cresce no mundo, com expansão superior a 10% ao ano. Enquanto a média global de adoção de bioestimulantes, biofertilizantes e agentes de biocontrole é de 38%, no Brasil esse índice chega a 67%, um dos mais elevados do planeta.
Alta dos fertilizantes impulsionou busca por alternativas
Segundo a FAO, o interesse pelos bioinsumos ganhou força após a disparada dos preços dos fertilizantes, provocada pelo aumento do custo do gás natural e pelos impactos da guerra na Ucrânia.
De acordo com o estudo, o valor das importações de fertilizantes pela América Latina e pelo Caribe cresceu 137% em 2022, cenário que acelerou a procura por alternativas capazes de reduzir a dependência de insumos importados e aumentar a resiliência da produção agrícola.
Além do potencial de reduzir custos, os bioinsumos também podem contribuir para preservar a fertilidade do solo, diminuir o impacto ambiental da atividade agrícola e tornar os sistemas produtivos mais resistentes a crises externas.
Casos mostram ganhos em diferentes culturas
A pesquisa avaliou diferentes modelos de adoção e produção de bioinsumos, incluindo o uso de produtos comerciais, a fabricação dentro das propriedades rurais e a operação de biofábricas cooperativas.
Entre os resultados positivos, o estudo cita os casos da cana-de-açúcar no México e das culturas de soja e uva na Bolívia. Nesses sistemas, a combinação de bioinsumos comerciais com a redução parcial do uso de agroquímicos aumentou a rentabilidade, seja pelo ganho de produtividade, seja pela redução dos custos de produção.
Já nas propriedades que produzem os próprios bioinsumos, os resultados variaram mais. Em algumas situações, o aumento da necessidade de mão de obra diminuiu parte das vantagens econômicas.
Ainda assim, a FAO conclui que a produção na própria fazenda pode ser competitiva em relação à compra de produtos comerciais, principalmente em regiões distantes dos centros de abastecimento, desde que sejam adotados protocolos técnicos e controle de qualidade para garantir a eficácia e a segurança dos produtos.
O estudo também aponta que biofábricas organizadas de forma cooperativa tendem a ser financeiramente viáveis quando a capacidade de produção acompanha a demanda local e aproveita a infraestrutura disponível.
Benefícios vão além da economia
Além dos resultados financeiros, a publicação destaca ganhos ambientais associados ao uso de bioinsumos, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e o uso mais eficiente da água.
Os autores, porém, ressaltam que esses benefícios podem ser ainda maiores do que os registrados na pesquisa, já que ainda faltam dados para mensurar impactos sobre a saúde do solo, a biodiversidade e até a saúde humana.
Outro ponto destacado é o potencial dos bioinsumos para facilitar o acesso a mercados internacionais mais exigentes, especialmente para produtos exportados, como café, cacau, banana e abacate, ao contribuir para o atendimento dos limites máximos de resíduos de pesticidas.
FAO defende incentivo a políticas públicas
Com base nos resultados, a FAO recomenda ampliar os investimentos e as políticas públicas voltadas à adoção de bioinsumos na região.
Entre as principais medidas sugeridas estão o fortalecimento das linhas de financiamento e da assistência técnica para apoiar principalmente os pequenos produtores durante a transição, além da ampliação das pesquisas científicas, do aperfeiçoamento dos sistemas de controle de qualidade e da consolidação de marcos regulatórios que aumentem a confiança do mercado e incentivem a expansão dessa tecnologia na agricultura.
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Espírito Santo lança mostra para vender café conilon de alta qualidade em grandes volume

Antes vista apenas em concursos de qualidade, a valorização do café conilon agora ganha um novo formato no Espírito Santo. Pela primeira vez no Brasil, grandes lotes comerciais de alta qualidade dessa variedade serão apresentados diretamente a compradores em uma rodada de negócios, conectando quem produz a quem compra e abrindo novas oportunidades para o mercado.
O estado vai sediar uma iniciativa inédita no Brasil voltada ao café conilon. A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) lançaram a 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume, uma rodada de negócios criada para comercializar grandes lotes de café conilon de alta qualidade.
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A proposta marca uma mudança na forma de promover o produto. Em vez de premiar pequenos lotes, como acontece nos tradicionais concursos de qualidade, a mostra reunirá produtores e compradores para negociar volumes comerciais de cafés que atendam a elevados padrões físicos e sensoriais. É a primeira iniciativa do gênero voltada exclusivamente ao café conilon no Brasil.
A expectativa é reconhecer o trabalho de produtores que vêm investindo na melhoria da qualidade dos grãos e dos processos pós-colheita, além de ampliar o acesso do café capixaba a novos mercados e fortalecer sua presença nos cenários nacional e internacional.
“O Espírito Santo é referência nacional na produção de café conilon e agora avança para mostrar ao mercado que também possui capacidade de ofertar grandes volumes com elevado padrão de qualidade. A mostra aproxima produtores e compradores, agrega valor à produção e fortalece a imagem do nosso café nos mercados nacional e internacional”, afirma o secretário de estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Segundo a gerente de Projetos de Cafeicultura da Seag, Aline Silva, a iniciativa representa uma nova etapa para o setor.
“Estamos falando de lotes comerciais que reúnem volume, padronização e qualidade. É uma oportunidade para valorizar o trabalho realizado nas lavouras e no pós-colheita, conectando essa produção diferenciada a compradores que buscam grandes lotes com qualidade comprovada”, destaca.
Como funciona a mostra de café conilon
Podem participar produtores de café conilon com lavouras localizadas no Espírito Santo, além de cooperativas e associações de produtores que desejarem inscrever lotes coletivos.
Cada lote deverá ter, no mínimo, 420 sacas de 60 quilos da safra atual. Não há limite de inscrições por participante. As amostras passarão por análises físicas e sensoriais realizadas por provadores certificados, seguindo os critérios definidos no regulamento.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 28 de agosto nos Escritórios Locais de Desenvolvimento Rural (ELDRs) do Incaper, distribuídos em todos os municípios capixabas.
Cupping e negócios
A mostra será realizada em 17 de setembro. Durante o evento, compradores convidados participarão de sessões de cupping para avaliar física e sensorialmente os lotes habilitados.
As negociações serão feitas diretamente entre produtores e compradores, enquanto a Seag e o Incaper atuarão apenas como facilitadores da aproximação entre as partes.
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A disputa pelo prato do futuro, e por que não associamos o feijão à proteína?

Há mais de 30 anos acompanho diariamente o mercado de Feijão. Nesse período, aprendi que, quando falamos desse alimento, estamos tratando de muito mais do que uma commodity agrícola. Estamos falando do Prato Feito brasileiro, da segurança alimentar e da forma como milhões de famílias se alimentam.
Posso afirmar que poucas vezes vi tantas mudanças acontecendo ao mesmo tempo, e não apenas na lavoura, mas principalmente no consumidor.
Durante décadas, uma pergunta orientou grande parte das análises sobre o consumo de alimentos: quanto o consumidor pode gastar?
Ela continua indispensável. Inflação, juros, renda, emprego e câmbio determinam o tamanho da cesta de compras. Quando o orçamento aperta, as famílias substituem marcas, reduzem quantidades, procuram promoções e reorganizam o cardápio.
Mas uma segunda pergunta começa a ganhar protagonismo, silenciosamente, no Brasil e no exterior: o que merece ocupar espaço no prato?
Pode parecer uma mudança pequena, mas ela tem potencial para redesenhar uma parte importante do mercado de alimentos. O consumidor continua atento ao preço. Compara ofertas e troca de marca quando necessário. Porém, cada vez mais, sua decisão também considera saúde, praticidade, origem, confiança, qualidade nutricional e a história por trás do produto.
Em outras palavras, ele não procura apenas o alimento mais barato. Procura aquilo que, dentro de seu orçamento, entrega mais valor. Essa transformação merece a atenção do agronegócio brasileiro.
Durante muito tempo, concentramos nossa comunicação na produção. Quantos hectares foram plantados? Qual será a produtividade? Quanto exportamos? Como estão os preços?
Essas questões continuarão essenciais para produtores, empacotadores, cerealistas e exportadores. Mas, se desejamos aumentar o consumo dos alimentos de verdade, precisamos olhar com mais atenção para quem está do outro lado da cadeia: a pessoa que decide, todos os dias, o que colocar na mesa da família.
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Essa decisão passou a ser influenciada por fatores que, até poucos anos atrás, quase não apareciam nas análises agrícolas.
O envelhecimento da população aumenta a preocupação com a alimentação preventiva. A incidência de doenças metabólicas amplia a procura por dietas equilibradas. A disseminação de medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade também começa a alterar o comportamento alimentar de milhões de pessoas.
Posso falar por experiência própria. Ao iniciar o uso de um medicamento da classe GLP-1, ouvi do médico uma orientação muito clara: seria necessário prestar ainda mais atenção ao consumo de proteína.
Quando a fome diminui, cada refeição passa a ter um peso maior. Não se trata apenas de comer menos. É preciso escolher melhor o que será consumido. Foi então que me fiz uma pergunta: quando se recomenda proteína, por que quase ninguém se lembra do Feijão?
A publicidade costuma relacionar proteína principalmente às carnes, aos laticínios, aos suplementos, às barras e a uma nova geração de produtos industrializados. Ao mesmo tempo, um dos alimentos mais completos, acessíveis e presentes na cultura brasileira permanece quase invisível nessa conversa. Esse é um dos grandes paradoxos da alimentação moderna.
Enquanto a indústria trabalha para adicionar proteínas e fibras a diferentes formulações, o Feijão já reúne naturalmente proteína vegetal, fibras, vitaminas e minerais. Além disso, carrega uma história construída ao longo de gerações.
O mesmo vale para o grão-de-bico, a lentilha e a ervilha. Esses alimentos, conhecidos internacionalmente como pulses, ocupam espaço crescente nos debates sobre nutrição, sustentabilidade e segurança alimentar.
No Brasil, porém, continuamos tratando-os quase exclusivamente como commodities ou produtos básicos de abastecimento. Não está na hora de mudar essa narrativa?
Outro movimento importante ocorre dentro dos supermercados. As grandes redes estão ampliando suas marcas próprias e procurando produtos que combinem qualidade, diferenciação e preço competitivo.
Isso não deve ser visto apenas como ameaça para a indústria. Pode representar uma oportunidade para empacotadores e processadores brasileiros desenvolverem novas linhas de Feijões, pulses, pipoca, gergelim e outras colheitas especiais.
Também cresce o interesse por alimentos minimamente processados, por ingredientes de origem conhecida e por produtos cuja história possa ser contada. O consumidor quer entender quem produz, como produz e por que aquele alimento merece sua confiança.
Isso aproxima o campo da mesa de uma maneira que ainda não compreendemos completamente. E o Brasil possui vantagens extraordinárias nesse cenário.
Somos capazes de produzir durante praticamente todo o ano. Temos uma enorme diversidade de Feijões, além de pulses, pipoca, gergelim e outras culturas especiais. Contamos com pesquisa científica, produtores tecnificados, agricultura familiar, cooperativas, empresas de beneficiamento e presença crescente no comércio internacional.
Mas ainda precisamos conectar essa capacidade produtiva com aquilo que realmente move o consumidor.
Não basta produzir mais. É preciso comunicar melhor. Não basta exportar mais. É preciso construir reputação.
Não basta afirmar que o alimento é saudável. É necessário explicar, demonstrar e participar ativamente da conversa sobre saúde e alimentação.
Quem não ocupar esse espaço corre o risco de produzir alimentos extraordinários e continuar invisível aos olhos do consumidor. É por isso que tenho defendido o conceito de Agroalimento.
O século 21 provavelmente não será lembrado apenas pela expansão do agronegócio. Será lembrado como o período em que a sociedade passou a discutir, com muito mais profundidade, a qualidade daquilo que come.
Quem compreender essa mudança deixará de vender somente produtos agrícolas e passará a oferecer soluções alimentares. Essa diferença é enorme.
O produtor continuará olhando para o clima, os custos, a produtividade, o câmbio e os mercados internacionais. Mas precisará olhar também para o consumidor final, entender suas preocupações, suas aspirações e seus novos hábitos.
A próxima grande disputa do agro não acontecerá apenas pela terra, pela produtividade ou pelos mercados externos. Será também uma disputa por espaço no prato.
O futuro do agronegócio continuará sendo construído na lavoura. Mas será confirmado — ou não — todos os dias, diante de milhões de consumidores.
Quem compreender isso primeiro deixará de disputar apenas mercados. Passará a disputar algo ainda mais valioso: a confiança de quem escolhe o que colocar no prato.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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