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Tecnologia, inovação e agro: o papel estratégico da ABDI no Brasil

Levar inovação ao campo ainda é um desafio no Brasil, especialmente diante de gargalos como conectividade e acesso à tecnologia. Para reduzir essa distância, iniciativas têm buscado aproximar soluções tecnológicas da realidade das fazendas e acelerar a transformação digital no agronegócio.
Nesse contexto, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) atua na articulação entre governo e setor produtivo e na execução de políticas públicas voltadas à ampliação da competitividade, produtividade e sustentabilidade no campo, com foco na validação e difusão de tecnologias.
Segundo a gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya, a agência tem como missão apoiar a implementação de políticas industriais e aproximar novas soluções do setor produtivo.
“A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial nasceu para executar política pública, política industrial. Então, o nosso papel é, historicamente, ajudar ao setor produtivo, especificamente as suas ações de inovação, principalmente transformação digital, com foco em produtividade, em sustentabilidade e eficiência”, afirma.
Esse trabalho está inserido na política industrial vigente, que estabelece prioridades estratégicas para o desenvolvimento econômico. Conforme Isabela, o agronegócio ocupa posição central nesse planejamento. “Hoje em dia a gente tem a Nova Indústria Brasil. Essa política industrial é construída em seis missões. A primeira missão é a missão do agronegócio, voltada para a agroindústria, em que a gente visa, por exemplo, ampliar a mecanização da agricultura familiar”, explica em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Validação de tecnologias no campo
Além de contribuir com diagnósticos e diretrizes estratégicas, a ABDI atua diretamente na validação de tecnologias junto aos produtores rurais. A proposta é testar soluções em ambiente real antes de ampliar sua adoção.
De acordo com Isabela, esse processo permite avaliar resultados concretos no campo. “A gente pega o produtor rural e uma empresa, que vai implantar essa tecnologia, para saber qual é resultado prático para o produtor rural”, relata ao comentar que os trabalhos de “testes” são realizados com 20 produtores.

O financiamento da aplicação da tecnologia também faz parte da estratégia. “O que a gente faz é dar dinheiro para os 20 produtores pegarem a tecnologia e implantar nas fazendas deles por seis meses”, diz. O objetivo é avaliar indicadores como aumento de produtividade, redução de custos e sustentabilidade.
Segundo a gerente, o foco da agência não é desenvolver tecnologias, mas facilitar sua adoção e comprovar sua eficácia. “A gente não cria a tecnologia. A gente fomenta a adaptação da tecnologia no produtor rural”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Ponte entre inovação e produtor
A ABDI também atua como elo entre setor público, empresas e produtores, identificando demandas e articulando soluções. Esse trabalho inclui monitoramento da política industrial e execução de projetos estratégicos.
“A gente trabalha com inteligência inicialmente, onde a gente vai avaliar não só as demandas do setor produtivo. A gente trabalha muito nessa articulação entre setor público e privado, identificando o diagnóstico e as necessidades”, explica Isabela.
Entre as iniciativas, estão chamadas públicas para testar tecnologias voltadas a desafios específicos, como prevenção de queimadas. Os projetos reúnem cooperativas, produtores e empresas para desenvolver e validar soluções em campo.
“A solução envolve um conjunto de fonte de dados, não só sensores que você coloca no lugar, câmeras, informações de satélite para que você possa captar sinais embrionários de queimadas, isso gerará alerta em que você possa tomar uma ação”, relata.
Após a validação, a agência promove a difusão das tecnologias, ampliando seu alcance. “Se ele [produtor] gostou, a gente vai dentro da cooperativa mostrar para os outros produtores rurais. Essa validação que fazemos é justamente porque no agro funciona essa questão de boca a boca”, acrescenta.
Conectividade ainda é desafio
Apesar do avanço tecnológico, a conectividade no campo ainda é um dos principais obstáculos para a transformação digital no agro brasileiro.
“O principal gargalo hoje, quando falamos principalmente de Agricultura 4.0, digital, de precisão, é justamente a conectividade. A gente tem 70% do nosso território sem cobertura de conectividade”, pontua Isabela.
Como alternativa, modelos de infraestrutura compartilhada têm ajudado a viabilizar o acesso à internet, especialmente entre pequenos produtores. Cooperativas e associações dividem os custos de antenas, satélites e redes privadas.
Outra estratégia é o uso de plataformas digitais que permitem acesso a informações sem a necessidade de grandes investimentos em equipamentos. Conforme Isabela, essas soluções tornam a tecnologia mais acessível. “Tende a baratear. A tecnologia evolui, né? Mas uma alternativa de baixo custo é o compartilhamento da infraestrutura mesmo, num primeiro momento”.
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CNA defende uso eficiente da água e pagamento por serviços ambientais no campo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.
Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.
Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.
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Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.
No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.
O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.
Fonte: cnabrasil.org.br
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Café, leite e crédito impulsionam expansão das cooperativas em Minas Gerais

Mesmo diante de juros elevados, instabilidade financeira e desafios climáticos, o cooperativismo em Minas Gerais avançou em ritmo muito superior ao da economia estadual em 2025. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, as cooperativas movimentaram R$ 184 bilhões no período, crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior — quase 12 vezes acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, que cresceu 1,4%.
Os números serão apresentados nesta quarta-feira (10), durante o seminário de lançamento do anuário, considerado o principal censo anual do setor no estado.
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Atualmente, o cooperativismo responde por 15,9% do PIB mineiro, estimado em R$ 1,1 trilhão. O setor reúne 788 cooperativas, 4,2 milhões de cooperados e 64,1 mil empregados diretos em Minas Gerais.
Entre os segmentos do cooperativismo, o ramo agropecuário foi um dos grandes destaques de 2025. As cooperativas ligadas ao agro movimentaram R$ 66,8 bilhões, alta de 26,7% em relação ao ano anterior. O avanço representou mais da metade de todo o crescimento econômico registrado pelo cooperativismo mineiro no período.
O setor agropecuário também lidera em número de cooperativas no estado. São 196 organizações, o equivalente a uma em cada quatro cooperativas mineiras. Juntas, elas reúnem 228,8 mil cooperados e geram 21,3 mil empregos diretos.
Cooperativismo agropecuário amplia peso no agro mineiro
Os dados mostram a força crescente das cooperativas no agronegócio de Minas Gerais. Em 2025, o ramo cooperativista agropecuário passou a representar 26,5% do PIB do agronegócio mineiro.
De cada R$ 100 movimentados pelo cooperativismo no estado, aproximadamente R$ 36 vieram diretamente das cooperativas agropecuárias, de acordo com o levantamento.
Em cinco anos, a movimentação econômica do segmento quase dobrou, passando de R$ 36 bilhões em 2021 para R$ 66,8 bilhões em 2025 — avanço de 85,6%.
Além da expansão financeira, o setor também teve forte impacto na geração de empregos. Somente em 2025, as cooperativas agropecuárias criaram 1.010 novos postos de trabalho, o equivalente a 36% de todas as vagas abertas pelo cooperativismo mineiro no período.
Café e leite reforçam protagonismo das cooperativas
As cooperativas também consolidaram presença estratégica em cadeias relevantes do agro mineiro, especialmente no café e no leite.
Segundo o levantamento, 63,6% do café produzido em Minas Gerais passou por cooperativas mineiras em 2025. Em nível nacional, isso significa que, a cada 100 xícaras de café produzidas no Brasil, 29 passaram por cooperativas do estado.
Na cadeia leiteira, as cooperativas responderam por 18,3% da produção mineira e por 5,1% da produção nacional.
Crédito cooperativo fortalece produtores rurais
Outro destaque do levantamento foi o desempenho das cooperativas de crédito, que seguem ampliando presença no interior e fortalecendo o financiamento ao agro.
O ramo movimentou R$ 93,4 bilhões em 2025, alta de 12,3% sobre o ano anterior. As cooperativas financeiras repassaram R$ 14,4 bilhões em crédito rural para pequenos e médios produtores mineiros, crescimento de 5,8% em relação a 2024.
Atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em 84,4% dos municípios mineiros e são a única instituição financeira com atendimento físico em 84 cidades do estado.
Cooperativismo cresce acima da média e amplia geração de renda
O levantamento também mostra avanço na geração de empregos e renda. As cooperativas mineiras criaram quase 2,8 mil vagas em um ano, crescimento de 4,6% — desempenho três vezes superior à média estadual.
O salário médio pago pelas cooperativas chegou a R$ 4.059,97, valor 36,2% maior que a média do setor privado em Minas Gerais.
As mulheres também ampliaram participação no setor. Elas representam 54,9% do quadro funcional das cooperativas mineiras e ocuparam seis em cada dez novas vagas criadas em 2025.
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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.
A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.
Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.
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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.
Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.
A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.
O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.
Fonte: gov.br
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