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Comercialização de soja é lenta e segue abaixo de 40%; analistas respondem se é é hora de vender ou segurar

A comercialização da soja no Brasil segue em ritmo lento neste início de ano. Segundo o consultor em agronegócio Carlos Cogo, com de 40% da safra 2025/26 negociada até fevereiro, reflexo direto da pressão sobre os preços no mercado interno. “Estamos passando por uma queda dos valores dos prêmios nos portos brasileiros e um recuo do câmbio, o que está pressionando o preço ao produtor”, explica o especialista.
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Mesmo com a alta recente das cotações internacionais, impulsionada pela expectativa de novas vendas de soja dos Estados Unidos para a China, o movimento não se refletiu no mercado brasileiro. Cogo afirma que os fatores internos continuam predominando. “As cotações internacionais subiram nas últimas semanas, mas não foram assimiladas aqui no Brasil. O efeito negativo dos prêmios em queda e do dólar cedendo vai se somar, nas próximas semanas, a um aumento sazonal dos preços dos fretes, que também retira preço FOB.”
Com o avanço da colheita, a tendência é de manutenção desse ritmo mais cauteloso nas negociações. “O produtor deve manter essa postura mais lenta, reduzindo a velocidade de negociação da safra 25/26 e já buscando algumas oportunidades para 26/27”, diz.
A rentabilidade é outro ponto de atenção. Segundo o consultor, a margem líquida neste ciclo é a menor da série histórica. “Para um produtor de Mato Grosso com produtividade de 65 sacas por hectare, a margem líquida de rentabilidade, considerando o custo total de produção, está em torno de 3% a 4%. É a menor da nossa série histórica, iniciada em 2010”, destaca.
Para a safra 2026/27, o cenário também pode permanecer pressionado, especialmente diante da perspectiva de aumento da área de soja nos Estados Unidos. “Há sinalização de que o produtor americano deve ampliar a área plantada de soja e reduzir a de milho, o que pode gerar ainda mais inchaço nos estoques globais e levar a preços mais deprimidos no mercado global”, avalia.
Ele ressalta, no entanto, que o clima pode alterar essa dinâmica ao longo do segundo semestre. “Uma eventual ocorrência de fenômeno climático pode trazer impacto ao mercado futuro de soja. Há histórico de quebras de safra em anos de El Niño e isso pode ser precificado em algum momento no mercado futuro porque temos registros de quebras de soja em anos de aparição.”
O consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, observa que o mercado internacional reagiu a um comentário do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre possíveis compras chinesas de soja dos Estados Unidos. “Isso gerou especulação e alta na Bolsa de Chicago, mas o impacto no Brasil foi limitado devido aos prêmios nos portos. Chicago subiu, mas ainda é preciso ver se a China vai comprar todo esse volume”, pondera.
Segundo Silveira, a comercialização brasileira segue atrasada em relação a anos anteriores. Os dados mais recentes indicam que cerca de 34% na safra atual foi negociada, número abaixo dos 40% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média de 45,2% das últimas cinco temporadas. O atraso reflete o cenário de preços pressionados e margens estreitas.
Silveira diz que os valores atuais não animam o produtor. “Os preços estão baixos e as margens apertadas. Com dificuldade de crédito e necessidade de caixa, muitos produtores devem vender agora, buscar aplicações financeiras e tentar reduzir custos para maximizar a rentabilidade, mesmo que ela não seja elevada”, afirma.
Ele destaca que o custo do dinheiro pesa nas decisões. Com juros em torno de 15% ao ano, a venda da soja e a aplicação dos recursos em renda fixa podem ajudar a reduzir o custo de oportunidade e preservar margem. “Em alguns casos, vender a soja agora e aplicar o recurso pode ser uma alternativa para não perder tanto, principalmente diante da dificuldade de acesso ao crédito”, explica.
O avanço da colheita, somado às chuvas intensas em partes do Centro-Oeste e aos problemas climáticos no Sul, também influencia o mercado. Em Mato Grosso, há preocupação com a logística e com a qualidade do grão, fatores que podem pressionar ainda mais os preços em algumas praças. Com maior oferta no curto prazo e necessidade de caixa, esse cenário tende a forçar vendas, especialmente entre produtores mais alavancados.
Apesar da recente alta em Chicago, Silveira avalia que não há, no momento, um gatilho consistente para grandes movimentos de valorização no mercado interno. A expectativa é de que o primeiro semestre continue marcado por preços pressionados, diante das grandes safras na América do Sul e da oferta elevada no mercado global.
Nesse contexto, estratégias mais conservadoras ganham espaço. A comercialização da safra, combinada com aplicação dos recursos em investimentos de renda fixa, pode oferecer maior previsibilidade financeira em um ambiente de margens reduzidas e juros elevados. Já operações mais agressivas, apostando em fortes altas de câmbio ou de Bolsa, tendem a envolver riscos maiores.
Os produtores que anteciparam parte das vendas em momentos mais favoráveis estão em situação mais confortável. Ainda assim, a tendência é de que o ritmo de comercialização ganhe força com o avanço da colheita e a necessidade de caixa, normalizando gradualmente o fluxo de negócios ao longo do semestre. Até lá, o mercado deve seguir marcado por cautela, margens apertadas e decisões cada vez mais voltadas à gestão de risco e preservação financeira.
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Oferta limitada e exportações firmes sustentam o boi gordo no Brasil

O mercado físico do boi gordo registrou preços estáveis a mais altos ao longo da semana no Brasil, sustentado principalmente pela oferta interna limitada de animais terminados e pelo forte ritmo de exportações de carne bovina.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário atual é marcado por uma “anêmica oferta de animais terminados”, o que mantém escalas de abate encurtadas nos frigoríficos e sustenta os preços da arroba em diversas regiões do país.
Outro fator decisivo para a firmeza das cotações é a demanda externa, com destaque para a China. De acordo com Iglesias, a dificuldade do governo brasileiro em renegociar o sistema de cotas fez com que importadores chineses e exportadores brasileiros acelerassem embarques, buscando aproveitar ao máximo o volume disponível na virada do ano.
O analista alerta, no entanto, que a continuidade desse ritmo pode antecipar o esgotamento da cota destinada ao Brasil entre maio e julho. Caso isso se confirme, o terceiro trimestre pode registrar redução no fluxo de exportações, abrindo espaço para pressão baixista sobre os preços da arroba justamente em um período de maior oferta de animais confinados.
No mercado físico, os valores do boi gordo a prazo em 26 de março ficaram assim:
- São Paulo (Capital): R$ 355,00/@, estável
- Goiás (Goiânia): R$ 340,00/@, inalterado
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 340,00/@, sem mudanças
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 345,00/@, alta de 1,47%
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 350,00/@, avanço de 2,94%
- Rondônia (Vilhena): R$ 315,00/@, alta de 1,61%
No atacado, apesar de leves sinais de reação nos preços ao longo da semana, o escoamento entre atacado e varejo segue mais lento no curto prazo, refletindo um consumo ainda contido. A carne de frango, por outro lado, continua com demanda aquecida, reforçando a migração do consumo para proteínas mais acessíveis, como ovos e embutidos.
O quarto do dianteiro foi cotado a R$ 21,00/kg, alta de 2,44%, enquanto o traseiro bovino atingiu R$ 27,30/kg, avanço de 1,11% na comparação semanal.
Nas exportações, o Brasil faturou US$ 966,208 milhões em março até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 64,413 milhões. O volume embarcado chegou a 167,061 mil toneladas, com preço médio de US$ 5.783,50 por tonelada.
Na comparação com março de 2025, houve alta de 16% no valor médio diário exportado, queda de 1,7% no volume e aumento de 18% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
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Embrapa desenvolve batata-doce mais produtiva e resistente a pragas

Novo resultado de pesquisa da Embrapa, a batata-doce BRS Prenda chega ao mercado como alimento biofortificado e reúne qualidades de interesse dos produtores e consumidores.
Sua produtividade é alta – é possível colher acima de dois quilos por planta, desempenho considerado excelente em cultivos de hortaliças. A nova cultivar apresenta boa resistência a pragas e doenças, otimizando o uso de insumos.
A arquitetura das suas plantas com ramas curtas e eretas facilita o cultivo e a colheita. Além disso, suas batatas resistem por até três meses em boas condições, superando desafios relacionados ao armazenamento pós-colheita.
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O pesquisador Luis Antônio Suíta de Castro, responsável por conduzir o trabalho nos campos experimentais da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), reforça que a nova cultivar supre demandas de produtores e consumidores.
“Buscamos chegar a um material genético que apresentasse alta qualidade nutricional, boa aparência, tempo estendido de consumo após a colheita, e que fosse mais fácil de ser colhida, uma vez que as outras cultivares se espalham pelo solo”.
Segundo o pesquisador, a BRS Prenda se assemelha em doçura e em polpa amarelo-intenso à BRS Amélia, outra cultivar da Embrapa.
Ele ainda ressalta que a nova batata-doce se enquadra como os chamados ‘superalimentos’, e se enquadra nos biofortificados devido à alta concentração de carotenóides.
Batata diferenciada para culinária

Além das propriedades nutricionais para consumo de mesa, a nova cultivar de batata-doce é atraente por sua casca rosada e polpa amarela, em tons intensos. Isso lhe confere usos variados na cozinha gourmet ao possibilitar pratos coloridos e diferenciados.
“A BRS Prenda é uma batata muito bonita, pelo seu formato arredondado e por apresentar melhor aparência quando comparada às disponibilizadas no mercado, e isso atrai ainda mais o consumidor”, destaca Castro.
Ele comenta que a cultivar apresenta um tempo um pouco maior de cura — processo onde as batatas são submetidas a condições específicas de temperatura e umidade para intensificar o sabor, aumentar a doçura e melhorar a textura — do que as outras.
Origem da batata-doce
A BRS Prenda, nome comercial da cultivar BD 179 – BRS Prenda, foi identificada a partir de uma seleção local no Sul do Brasil, seguida de excelente adaptação às condições edafoclimáticas em plantios realizados nos campos experimentais da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS).
Ali, avaliaram sua produtividade com prospecção de produção, realizaram sua descrição botânica e analisaram suas qualidades nutricional e pós-colheita, e observaram boa resistência a pragas e a doenças durante oito safras consecutivas.
A cultivar pertence ao Banco Ativo de Germoplasma da Batata-Doce da Embrapa Clima Temperado. De acordo com Luis Antônio Suíta de Castro, a batata-doce foi obtida a partir de sementes disponibilizadas por produtores rurais.
Em razão de suas características botânicas, agronômicas e nutricionais diferenciadas demonstrou ter potencial como nova cultivar de batata-doce para plantio na região Sul.
Além disso, sua sustentabilidade e a qualidade in natura as tornam aptas ao processamento nas principais regiões produtoras do Brasil.
“Ela veio atender às demandas do mercado por alimentos mais nutritivos, produtivos e com menos insumos na produção”, reforça Castro.
Características agronômicas da batata

A produtividade média de dois quilos por planta corresponde a aproximadamente 50 toneladas por hectare em lavouras bem conduzidas. A cultivar apresenta plantas compactas, com ramas curtas, eretas, de cor verde e com baixa pilosidade.
As folhas apresentam cinco lóbulos profundos — folha tipo “pé de galinha” — diferentes dos observados nas cultivares atuais, são de cor verde-clara e medem entre 10 e 15 cm.
As batatas têm boa aparência, com ausência de veias, rachaduras e poucos defeitos na superfície. A produção atende á exigência do mercado por alto percentual de batatas de tamanho médio. O seu ciclo de cultivo varia de 120 a 140 dias.
O armazenamento pós-colheita permite manter a qualidade das batatas em boas condições por até três meses em temperatura ambiente.
A arquitetura da planta, a qualidade das batatas produzidas, os componentes nutricionais e a produtividade são os pontos diferenciais em relação às cultivares atualmente comercializadas.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Estudo aponta entraves e caminhos para ampliar uso da agricultura 4.0 no Brasil

Um estudo publicado na revista Agricultural Systems identificou os principais fatores que influenciam a adoção de tecnologias da chamada agricultura 4.0 no Brasil e propõe estratégias para ampliar seu uso de forma eficiente e sustentável no campo.
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A pesquisa integra as ações do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital), sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas (SP), com apoio da Fapesp.
Lacuna entre tecnologia e campo ainda é desafio
O estudo parte de uma constatação recorrente no setor: muitas tecnologias desenvolvidas não chegam ao produtor ou não geram o impacto esperado.
“Ainda existe uma lacuna grande entre o que é desenvolvido na academia e o que chega de fato ao campo”, afirma o pesquisador Jayme Barbedo, coautor do estudo.
Para entender esse cenário, os pesquisadores analisaram 18 fatores determinantes da adoção tecnológica, divididos em dimensões sociais, políticas e tecnológicas.
Conectividade rural é fator central
Entre os principais fatores identificados, a conectividade rural aparece como elemento estruturante.
Apesar dos avanços no acesso à internet, ainda há falhas importantes nas áreas produtivas, o que limita o funcionamento de tecnologias como sensores e internet das coisas (IoT).
“Boa parte dos produtores tem internet em casa, mas não na área de produção, onde essas tecnologias precisam operar”, destaca Barbedo.
Jovens são ponte para inovação no campo
O estudo também aponta o papel estratégico dos jovens na transformação digital do agro.
Segundo os pesquisadores, essa geração atua como elo entre a realidade do campo e as novas tecnologias, ajudando a impulsionar a inovação dentro das propriedades.
No entanto, a permanência dos jovens no meio rural depende de infraestrutura e oportunidades.
Informação e políticas públicas fazem diferença
Outro ponto destacado é a circulação de informação. A falta de acesso a tecnologias em algumas regiões aumenta a resistência à adoção.
Para reduzir essa barreira, os pesquisadores sugerem iniciativas como fazendas-modelo e demonstrações práticas, que permitem ao produtor avaliar resultados antes de investir.
Na área de políticas públicas, o estudo indica que as estratégias devem ser adaptadas ao perfil do produtor.
Enquanto grandes produtores avançam mais rapidamente na adoção tecnológica, pequenos e médios enfrentam limitações financeiras e de capacitação.
Escala responsável
Um dos conceitos centrais do estudo é o de “escala responsável”. A proposta é que a expansão da agricultura 4.0 leve em conta impactos sociais, ambientais e econômicos, evitando ampliar desigualdades ou comprometer metas de sustentabilidade.
Isso inclui ações como:
- ampliação da conectividade rural
- capacitação contínua de produtores
- acesso a crédito
- regras claras sobre uso de dados
- monitoramento de impactos ambientais
- Tecnologia precisa gerar impacto real
Para os pesquisadores, estudos desse tipo ajudam a orientar decisões estratégicas no agro.
“É fundamental direcionar esforços para tecnologias que realmente tragam impacto para o produtor”, afirma Barbedo.
O cenário, no entanto, segue em rápida transformação, especialmente com os avanços da inteligência artificial, o que exige atualização constante das estratégias.
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