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Arroz: ampla oferta exige disciplina máxima do setor em 2026

A safra 2025/2026 de arroz terá seu início em março sob um pano de fundo que impõe racionalidade tática e pouco espaço para projeções otimistas. O setor ingressa neste novo ciclo ainda absorvendo os desdobramentos de um período anterior marcado por severos desequilíbrios, com volumes expressivos de estoque remanescente — superiores a 2,2 milhões de toneladas (base casca) — que exigem escoamento ágil para impedir nova compressão de preços e margens em toda a estrutura produtiva. Diante desse quadro, qualquer leitura alvissareira carece de sustentação técnica.
Mantidas as condições atuais, o desenho mais provável é de um mercado operando em faixa estreita de preços, com avanços limitados e diretamente dependentes da capacidade de exportação para absorver o excedente. A geração de resultado tende a seguir restrita ao longo do primeiro semestre, com eventual alívio condicionado à condução comercial mais disciplinada por parte dos produtores e à eficiência da indústria em diluir a oferta ao longo do tempo, evitando picos concentrados de venda.
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Do ponto de vista das variáveis fundamentais, alguns fatores assumem papel central na formação de preços. No mercado interno, os principais gargalos seguem bem definidos: custos de produção elevados, logística onerosa e perda de competitividade frente ao Mercosul, especialmente Paraguai, que opera com estruturas mais leves e modernas, além de uma hipertrofia de incentivos, tanto públicos quanto privados.
A dificuldade de repasse no varejo, somada a um consumo doméstico estruturalmente fraco, limita qualquer tentativa de reação sustentada. A lógica é simples: sem giro, não há sustentação de preços. No campo, insistir na retenção como estratégia padrão apenas amplia riscos financeiros e posterga o ajuste necessário.
Mercado internacional do arroz
No ambiente externo, o câmbio segue como variável sensível. Um dólar extremamente volátil, recuando quase 6% no mês de janeiro, reduz margens exportadoras, especialmente em produtos de maior valor agregado, e dificulta ainda mais o fechamento de novos contratos. Ainda assim, a exportação permanece como necessidade matemática, não como opção.
A geopolítica também entra no radar: mercados como México e Venezuela (ambos inseridos em tabuleiros diplomáticos inflamáveis) seguem relevantes como válvulas de escape, enquanto a possibilidade de redução de área no Mercosul e nos Estados Unidos pode, ao longo do tempo, contribuir para um reequilíbrio gradual da oferta no continente. No curto prazo, porém, o ambiente internacional ainda é de superoferta, com a Índia mantendo forte pressão estrutural sobre as cotações.
Encerrando a leitura deste início de ciclo, 2026 se apresenta como um período que exige revisão conceitual e mudança de postura do setor orizícola. Insistir em uma visão restrita do arroz como “cultura básica” é, na prática, perpetuar movimentos recorrentes de excesso de oferta e crise de rentabilidade.
A resposta de longo prazo passa por elevar o nível de sofisticação das exportações, ampliar aplicações industriais e alimentares do cereal e avançar de forma consistente em políticas que ataquem a estrutura de custos no campo que oneram cada vez mais a rentabilidade dos produtores.
Para quem dá os primeiros passos da colheita, a mensagem é objetiva: o mercado se move em ciclos próprios e não concede prêmios à inércia. Valoriza decisões calculadas, timing comercial e planejamento.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão
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Boi gordo avança com oferta restrita e escalas curtas no Brasil

O mercado físico do boi gordo registrou negociações acima da referência média em diversas praças do país ao longo da semana. O movimento foi sustentado, principalmente, pela restrição na oferta de animais terminados, que segue como o principal fator de sustentação dos preços em março.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades para alongar suas escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional. Esse cenário mantém a necessidade de compras mais agressivas por parte da indústria.
Apesar da firmeza nos preços, o mercado segue volátil. Entre os fatores de pressão estão o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que tornam o comportamento dos contratos futuros do boi gordo na B3 bastante instável.
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Nas principais praças, os preços da arroba apresentaram movimentos mistos na semana:
- São Paulo (SP): R$ 355,00, alta de 2,90% frente aos R$ 345,00 da semana anterior
- Goiânia (GO): R$ 340,00, avanço de 3,03% ante R$ 330,00
- Uberaba (MG): R$ 345,00, estável
- Dourados (MS): R$ 340,00, queda de 1,45% frente aos R$ 345,00
- Cuiabá (MT): R$ 340,00, estável
- Vilhena (RO): R$ 310,00, sem alterações
Atacado
No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo da semana, sinalizando limitações para novos avanços. De acordo com Iglesias, esse comportamento reflete a maior competitividade de proteínas concorrentes.
O quarto do dianteiro seguiu cotado a R$ 20,50 por quilo, enquanto o traseiro bovino permaneceu em R$ 27,00 por quilo.
Exportações
No comércio exterior, as exportações brasileiras de carne bovina seguem aquecidas em março. Até o momento, o país já embarcou 115,678 mil toneladas, com receita de US$ 666,888 milhões. A média diária ficou em 11,567 mil toneladas, com faturamento médio de US$ 66,688 milhões.
Na comparação com março do ano passado, houve crescimento de 20,1% na receita média diária, avanço de 2,1% no volume e alta de 17,6% no preço médio da tonelada, que ficou em US$ 5.765,00.
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Banana ambrosia chega ao mercado após 20 anos de estudos trazendo alta resistência

A pesquisa agropecuária alcançou um resultado de destaque com o desenvolvimento da banana ambrosia, nova cultivar recomendada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para fortalecer a bananicultura no Espírito Santo. Resultado de mais de 20 anos de estudos, a variedade do tipo nanica foi desenvolvida para atender às demandas do setor produtivo e ampliar as alternativas disponíveis aos produtores rurais.
A cultivar surge como resposta a um desafio importante da atividade: a busca por uma variedade do subgrupo cavendish com resistência a doenças que afetam a produção em todo o país, como sigatoka-amarela e negra e mal do Panamá (raça 1). Com isso, a nova
variedade passa a representar uma alternativa tecnológica construída a partir da ciência pública e voltada diretamente às necessidades do campo.
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Entre as características apontadas pelo Incaper estão plantas mais robustas, cachos com peso médio superior a 30 quilos, alta produtividade e frutos com qualidade destacada. Outro
diferencial é o potencial de aproveitamento na agroindústria, já que a cultivar apresenta características que ampliam suas possibilidades de uso além do consumo in natura.
Neste mês, cerca de 1.200 mudas da nova variedade já foram entregues a produtores rurais, incentivando a adoção inicial da cultivar em propriedades capixabas. A iniciativa reforça a integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo na difusão de novas tecnologias para a agricultura do Espírito Santo.
Além da recomendação da cultivar, o Incaper também apresentou a cartilha Ambrosia, uma
banana tipo nanica para o Espírito Santo. A publicação reúne o histórico da pesquisa, a descrição da variedade e suas principais características, servindo como material de apoio para produtores, técnicos e demais profissionais ligados à cadeia da banana.
Com a nova cultivar, o Espírito Santo passa a contar com uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas e direcionada ao fortalecimento de uma atividade tradicional em municípios como Alfredo Chaves, onde a produção de banana tem peso importante na economia rural. A ambrosia se consolida, assim, como mais um resultado do trabalho científico voltado à competitividade e à sustentabilidade do agro capixaba.
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São Paulo abre inscrições para programa de apoio a produtores; saiba mais

Estão abertas as inscrições para o Programa Semeando Negócios, iniciativa da Prefeitura de São Paulo voltada a produtores rurais da zona sul da capital. A ação contempla propriedades localizadas em Parelheiros, Marsilac, Grajaú e na Terra Indígena Tenondé Porã.
O programa oferece assessoria técnica e aporte financeiro de até R$ 30 mil para projetos ligados ao turismo rural e ao beneficiamento de produtos.
Foco em geração de renda
A região atendida reúne mais de 600 propriedades rurais e integra o Polo de Ecoturismo de São Paulo. As atividades incluem produção de alimentos e experiências como visitação, degustação e práticas ligadas ao meio rural.
Segundo a organização, o objetivo é apoiar a estruturação de negócios e ampliar a renda das propriedades.
“Este programa de aceleração ajuda a enfrentar um dos principais desafios da agricultura em grandes cidades: tornar a atividade economicamente viável e garantir que as famílias continuem no campo”, afirma Carlos Alberto Santos, diretor de desenvolvimento local da ADE SAMPA, em comunicado.
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Resultados da primeira edição
Na primeira edição, o programa apoiou 29 projetos. Entre eles, o Recanto Magini utilizou os recursos para aquisição de equipamentos. O Sítio do Léo ampliou a produção de doce de leite de cabra. Já o Meliponário Mondury investiu em consultoria e expansão da produção de mel.
Inscrições abertas
O programa é destinado a produtores familiares, cooperativas e associações. As inscrições para a edição de 2026 podem ser feitas até 25 de março pelo site oficial do projeto (clique aqui).
Em caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail semeandonegocios@adesampa.com.br ou pelo whatsapp: (11) 93484-5363.
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