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4 de maio de 2026

Business

Instabilidade climática desacelera operações do algodão e eleva alerta fitossanitário

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

As chuvas recorrentes e os elevados volumes registrados em diversas regiões de Mato Grosso reduziram o ritmo das atividades no campo, especialmente a colheita da soja e a semeadura do algodão. O cenário é apontado no boletim semanal da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), referente ao período de 18 a 24 de janeiro de 2026, que destaca a influência direta da instabilidade climática sobre o andamento da safra.

Apesar das limitações impostas pelo clima, o relatório indica que o plantio do algodão segue dentro do esperado para o período. De acordo com a AMPA, entre as áreas já implantadas, as lavouras apresentam “boa germinação, estande adequado e bom estabelecimento inicial”, inclusive nas regiões de segunda safra, mais afetadas pelas chuvas nas últimas semanas.

Plantio avança acima da média histórica

Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, até o dia 23 de janeiro, Mato Grosso havia cultivado 47,80% da área de algodão prevista para a safra 2025/26. O avanço semanal foi de 18,76 pontos percentuais, superando em 19,23 pontos percentuais o registrado no mesmo período da temporada anterior, quando o plantio alcançava 28,57%. A média histórica das últimas cinco safras é de 37,53%.

Entre os dias 9 e 16 de janeiro, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso, o avanço semanal na semeadura havia sido de 20,96 pontos percentuais, extensão considerada a maior desde o início dos trabalhos em dezembro.

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A região sudeste lidera o ritmo de semeadura, com 59,89% da área plantada, seguida pela noroeste, com 48,62%. O médio-norte já implantou 44,70% da área prevista, enquanto o oeste alcançou 44,58%. As regiões centro-sul e nordeste registraram avanço de 42,93% e 38,68%, respectivamente.

Colheita da soja condiciona ritmo no campo

A colheita da soja em Mato Grosso avançou de forma pontual ao longo da semana, limitada pelas janelas de tempo firme. De acordo com o boletim da AMPA, não houve registros relevantes de perdas causadas por eventos climáticos, e as produtividades médias observadas variaram entre 53 e 87 sacas por hectare.

Em algumas regiões, a permanência da soja em final de ciclo tem impactado diretamente a dinâmica da safra seguinte. O relatório aponta que essa condição vem postergando a liberação de áreas para a semeadura do algodão, sobretudo nas lavouras de segunda safra, contribuindo para a desaceleração momentânea do ritmo de implantação.

Pressão de pragas se intensifica

Com o avanço da colheita da soja, o monitoramento fitossanitário passou a indicar aumento consistente da pressão de pragas, com destaque para o bicudo-do-algodoeiro. Segundo a AMPA, “a presença da praga nas armadilhas apresentou elevação em praticamente todas as regionais monitoradas”, movimento observado principalmente após a retirada da soja das áreas.

As médias de captura variaram de 1,3 a mais de 6 insetos por armadilha, cenário que caracteriza “alta população residual” e demanda intensificação imediata das ações de manejo. Entre as medidas consideradas fundamentais estão o monitoramento contínuo, a instalação e manutenção de armadilhas e tubos mata-bicudo, as aplicações de defensivos agrícolas conforme recomendação técnica e a eliminação rigorosa de plantas de algodão tiguera.

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Além do bicudo, o boletim registra ocorrências relevantes de mosca-branca, percevejos, tripes, pulgões e lagartas. Um dos principais pontos de atenção é a migração da mosca-branca da soja para o algodão em fase inicial de desenvolvimento, exigindo manejo preventivo e corretivo conforme os níveis de infestação e os cronogramas operacionais de cada região.

Potencial produtivo com risco fitossanitário

Mesmo com o bom desempenho inicial das lavouras, o boletim avalia que o cenário atual combina potencial produtivo com elevado risco fitossanitário, especialmente durante o período de estabelecimento do algodão. A AMPA reforça que o momento exige atenção redobrada dos produtores e coordenação regional das ações de controle.

A adoção rigorosa do manejo integrado de pragas é apontada como determinante para preservar o desenvolvimento das lavouras e reduzir impactos sobre a produtividade da safra 2025/26, em um contexto marcado por clima instável e pressão crescente de insetos-praga.


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Ana Repezza assume CropLife Brasil e prioriza diálogo com governo e inovação agrícola

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Foto: Italo Oliveira/ Agência Triative

A CropLife Brasil empossou, nesta segunda-feira (4), Ana Repezza como nova presidente da entidade. A executiva assume o cargo com foco em ampliar o diálogo institucional, avançar em pautas regulatórias e reforçar a presença do setor nos debates internacionais sobre inovação agrícola.

À frente da associação, Repezza será responsável por articular os interesses dos quatro segmentos representados pela CropLife: defensivos químicos, biológicos, sementes e biotecnologia. A gestão ocorre em um momento de desafios regulatórios e econômicos para o setor de insumos.

Segundo a nova presidente, a prioridade será fortalecer a interlocução com o poder público. “Quero ampliar o diálogo produtivo com o governo, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Temos temas com impacto direto na pesquisa e na segurança jurídica do setor”, afirmou.

A executiva também destacou o potencial do Brasil no cenário global. Para ela, o país pode avançar não apenas como exportador de alimentos, mas também como referência em ciência aplicada à agricultura tropical.

Entre as diretrizes da nova gestão estão o estímulo à adoção de tecnologias sustentáveis no campo, a valorização de boas práticas agrícolas e o fortalecimento da participação brasileira em discussões internacionais sobre segurança alimentar e inovação.

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A escolha de Repezza foi feita pelo Conselho de Administração da CropLife Brasil, após um processo estruturado. Durante o período de transição, a entidade foi conduzida de forma colegiada.

Trajetória

Com mais de 25 anos de experiência, Ana Repezza tem atuação nas áreas de comércio exterior, relações institucionais e atração de investimentos. Antes de assumir a presidência da CropLife, esteve à frente da Diretoria de Negócios da ApexBrasil, onde liderou mais de 50 missões comerciais internacionais.

A executiva também foi secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), com atuação na formulação de políticas comerciais e regulação de bens agrícolas e industriais.

Repezza é mestre em Gestão Internacional pela University of London, possui MBA em Negócios Internacionais pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialização pelo World Trade Institute, da Universidade de Berna. É formada em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Após altas recordes, cotação do boi gordo perde força

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Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

O mercado físico do boi gordo encerrou abril com preços variando de estáveis a mais altos, embora abaixo dos patamares observados no início do mês. Na primeira quinzena, a restrição de oferta impulsionou as cotações e levou o boi a máximas no período.

A partir da segunda metade do mês, porém, os frigoríficos avançaram nas escalas de abate e passaram a exercer maior pressão sobre o mercado, reduzindo o ritmo de alta. O cenário também foi marcado por especulações sobre o esgotamento da cota de exportação para a China, o que pode indicar demanda menor no terceiro trimestre, justamente quando aumenta a oferta de animais confinados.

No dia 29 de abril, os preços da arroba a prazo apresentaram comportamentos distintos nas principais praças pecuárias. Em São Paulo, a cotação ficou em R$ 360,00, estável frente ao fim de março. Em Goiânia, houve alta para R$ 345,00, enquanto em Uberaba o valor recuou para R$ 340,00. Já em Dourados, o preço se manteve em R$ 350,00, e em Cuiabá subiu para R$ 360,00. Em Vilhena, a arroba avançou para R$ 330,00.

Atacado

No atacado, o mês foi marcado por valorização expressiva da carne bovina, com destaque para o quarto dianteiro, que atingiu R$ 23,50 por quilo, alta de 7,80% frente ao fim de março. Os cortes do traseiro também subiram, chegando a R$ 28,50 por quilo.

Exportações

O bom desempenho das exportações contribuiu para esse movimento. O Brasil embarcou 216,266 mil toneladas de carne bovina em abril (até 16 dias úteis), gerando receita de US$ 1,340 bilhão. O preço médio ficou em US$ 6.200,70 por tonelada.

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Comparações

Na comparação com abril de 2025, houve crescimento. Foi registrada alta de 38% na receita média diária, avanço de 11,9% no volume embarcado e valorização de 23,2% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposenta a lendária linha BH e lança Série M5 na Agrishow 2026

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Após 26 anos dominando os canaviais, linha histórica do trator BH dá lugar a tratores mais tecnológicos, confortáveis e preparados para a agricultura digital

A Valtra oficializou, durante a Agrishow 2026, uma virada histórica no mercado de mecanização agrícola: a aposentadoria da consagrada Série BH e o lançamento da nova Série M5, apresentada como a “evolução da lenda”. Mais do que uma troca de portfólio, o movimento simboliza a transição entre gerações de tecnologia no campo brasileiro. Com 26 anos de trajetória, o BH não foi apenas um trator — foi um marco na mecanização do setor sucroenergético. Lançado em 2000, com os modelos BH140, BH160 e BH180, a linha rapidamente se consolidou como sinônimo de robustez e confiabilidade em operações severas. Herdando a tradição dos clássicos Valtra-Valmet 1580, 1780 e 1880S, o BH se tornou o “canavieiro raiz”, dominando os canaviais e sendo peça-chave em atividades como preparo de solo, plantio e transbordo.

Evolucao - trator BH e serie M5 plantando da Valtra

Ao longo dos anos, a linha evoluiu em ciclos consistentes: a Geração 2 (2007) e a Geração 3 (2013) reforçaram sua liderança, enquanto a Geração 4, em 2017, elevou a potência para até 220 cv. Em 2018, a chegada da BH HiTech marcou o salto tecnológico com transmissão automatizada no segmento pesado. Esse histórico rendeu à Valtra, por uma década consecutiva, o reconhecimento do prêmio Master Cana como melhor trator do setor sucroenergético. Agora, esse legado ganha continuidade — e sofisticação — com a Série M5.

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A evolução da lenda

A nova linha chega com os modelos M165 (165 cv) e M185 (185 cv), projetados para ampliar a produtividade em culturas como grãos, arroz e, naturalmente, cana-de-açúcar. Segundo a fabricante, a proposta é clara: preservar o DNA de força do BH, mas incorporar inteligência operacional, eficiência energética e conforto ao operador.

Em entrevista exclusiva a Marcio Peruchi, diretamente da feira, o diretor de marketing da Valtra, Fabio Dotto, destacou que a decisão não representa ruptura, mas evolução. “O BH fez uma história muito bonita no agro. Ele evoluiu desde os anos 2000 até hoje sempre ao lado do produtor. Tudo aquilo que fez o BH ser reconhecido foi mantido.

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O que estamos fazendo agora é evoluir com tecnologias necessárias para os dias atuais”, afirmou. “Melhoramos a transmissão, trouxemos mais conforto e tecnologia na medida certa. O DNA permanece.” Essa visão é reforçada por Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto Trator da marca: “É uma nova era que começa. A Série M5 marca o próximo passo da evolução histórica da família BH, pensada estrategicamente para entregar máxima performance nas principais culturas do agronegócio brasileiro.”

Evolucao - trator BH e serie M5 subsolando o solo da Valtra

Tecnologia embarcada e foco no operador

A Série M5 materializa esse avanço em uma série de inovações técnicas e operacionais. O conjunto é equipado com motores AGCO Power de 4 cilindros, reconhecidos pela eficiência e economia de combustível. A nova Transmissão Power Shift HiTech 3 sincronizada permite trocas de marcha com o trator em movimento, com maior suavidade e ganho operacional — um ponto crítico em jornadas intensas no campo.

O sistema hidráulico também foi reforçado, com vazão de 205 litros por minuto, garantindo desempenho consistente mesmo com implementos pesados e em condições severas.

No campo do conforto, a evolução é ainda mais evidente. A cabine foi completamente redesenhada, com novos revestimentos, assentos aprimorados e soluções práticas como uma “cooler box” integrada — detalhe que evidencia a preocupação com o bem-estar do operador em longas jornadas.

Visualmente, o trator também marca uma nova fase, com design mais moderno e robusto, destacando o novo capô de 5ª geração.

DNA canavieiro preservado

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Mesmo com a ampliação de atuação para diferentes culturas, a Série M5 mantém uma ligação direta com o setor que consagrou o BH: a cana-de-açúcar. O tradicional kit canavieiro segue presente, incluindo eixo dianteiro com bitola de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola — elementos fundamentais para operações de transbordo com máxima eficiência.

Tradição e futuro no mesmo equipamento

Para a Valtra, o lançamento da Série M5 representa mais do que um avanço tecnológico — é a consolidação de um conceito: unir a força do passado com as demandas do futuro

“O que fizemos foi honrar a herança de força incansável da linha BH, elevando a máquina ao seu ápice tecnológico. Entregamos um trator que respeita sua história, mas que olha para frente com inteligência operacional e conforto. É o encontro entre o trabalho bruto e a agricultura digital”, resume Winston Quintas.

O fim da Série BH encerra um dos capítulos mais emblemáticos da mecanização agrícola brasileira. Já a chegada da Série M5 deixa claro que, no campo, a evolução não apaga a história — ela a transforma em base para o próximo salto.

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