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Instabilidade climática desacelera operações do algodão e eleva alerta fitossanitário

As chuvas recorrentes e os elevados volumes registrados em diversas regiões de Mato Grosso reduziram o ritmo das atividades no campo, especialmente a colheita da soja e a semeadura do algodão. O cenário é apontado no boletim semanal da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), referente ao período de 18 a 24 de janeiro de 2026, que destaca a influência direta da instabilidade climática sobre o andamento da safra.
Apesar das limitações impostas pelo clima, o relatório indica que o plantio do algodão segue dentro do esperado para o período. De acordo com a AMPA, entre as áreas já implantadas, as lavouras apresentam “boa germinação, estande adequado e bom estabelecimento inicial”, inclusive nas regiões de segunda safra, mais afetadas pelas chuvas nas últimas semanas.
Plantio avança acima da média histórica
Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, até o dia 23 de janeiro, Mato Grosso havia cultivado 47,80% da área de algodão prevista para a safra 2025/26. O avanço semanal foi de 18,76 pontos percentuais, superando em 19,23 pontos percentuais o registrado no mesmo período da temporada anterior, quando o plantio alcançava 28,57%. A média histórica das últimas cinco safras é de 37,53%.
Entre os dias 9 e 16 de janeiro, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso, o avanço semanal na semeadura havia sido de 20,96 pontos percentuais, extensão considerada a maior desde o início dos trabalhos em dezembro.
A região sudeste lidera o ritmo de semeadura, com 59,89% da área plantada, seguida pela noroeste, com 48,62%. O médio-norte já implantou 44,70% da área prevista, enquanto o oeste alcançou 44,58%. As regiões centro-sul e nordeste registraram avanço de 42,93% e 38,68%, respectivamente.
Colheita da soja condiciona ritmo no campo
A colheita da soja em Mato Grosso avançou de forma pontual ao longo da semana, limitada pelas janelas de tempo firme. De acordo com o boletim da AMPA, não houve registros relevantes de perdas causadas por eventos climáticos, e as produtividades médias observadas variaram entre 53 e 87 sacas por hectare.
Em algumas regiões, a permanência da soja em final de ciclo tem impactado diretamente a dinâmica da safra seguinte. O relatório aponta que essa condição vem postergando a liberação de áreas para a semeadura do algodão, sobretudo nas lavouras de segunda safra, contribuindo para a desaceleração momentânea do ritmo de implantação.
Pressão de pragas se intensifica
Com o avanço da colheita da soja, o monitoramento fitossanitário passou a indicar aumento consistente da pressão de pragas, com destaque para o bicudo-do-algodoeiro. Segundo a AMPA, “a presença da praga nas armadilhas apresentou elevação em praticamente todas as regionais monitoradas”, movimento observado principalmente após a retirada da soja das áreas.
As médias de captura variaram de 1,3 a mais de 6 insetos por armadilha, cenário que caracteriza “alta população residual” e demanda intensificação imediata das ações de manejo. Entre as medidas consideradas fundamentais estão o monitoramento contínuo, a instalação e manutenção de armadilhas e tubos mata-bicudo, as aplicações de defensivos agrícolas conforme recomendação técnica e a eliminação rigorosa de plantas de algodão tiguera.
Além do bicudo, o boletim registra ocorrências relevantes de mosca-branca, percevejos, tripes, pulgões e lagartas. Um dos principais pontos de atenção é a migração da mosca-branca da soja para o algodão em fase inicial de desenvolvimento, exigindo manejo preventivo e corretivo conforme os níveis de infestação e os cronogramas operacionais de cada região.
Potencial produtivo com risco fitossanitário
Mesmo com o bom desempenho inicial das lavouras, o boletim avalia que o cenário atual combina potencial produtivo com elevado risco fitossanitário, especialmente durante o período de estabelecimento do algodão. A AMPA reforça que o momento exige atenção redobrada dos produtores e coordenação regional das ações de controle.
A adoção rigorosa do manejo integrado de pragas é apontada como determinante para preservar o desenvolvimento das lavouras e reduzir impactos sobre a produtividade da safra 2025/26, em um contexto marcado por clima instável e pressão crescente de insetos-praga.
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Sementes certificadas e proteção intelectual ganham destaque em debate sobre o futuro do agro

A inovação tecnológica tem sido um dos principais motores da expansão da agricultura brasileira nas últimas décadas. O avanço da biotecnologia, do melhoramento genético e da pesquisa permitiu ganhos expressivos de produtividade e ajudou o país a consolidar sua posição entre os maiores produtores de alimentos do mundo.
Mas, ao mesmo tempo em que novas tecnologias chegam ao campo, cresce a preocupação com a comercialização irregular de sementes e insumos agrícolas. O tema esteve no centro das discussões de um workshop realizado em São Paulo, que reuniu representantes da indústria, produtores rurais e especialistas do setor.
O debate destacou a importância da pesquisa para o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e adaptadas às diferentes regiões do país, além dos desafios para garantir que esses investimentos continuem chegando ao campo.
Para o líder do negócio de soja da Bayer, Fabiano Oliveira, o trabalho começa muitos anos antes de a semente chegar às propriedades rurais. “Tem muita pesquisa, muito tempo, tanto de laboratório quanto de campo para entender a performance de cada cultivar e de cada biotecnologia para gerar as melhores recomendações para que quando o agricultor vai plantar ele tenha sucesso”.
Os resultados dessa evolução já aparecem na produtividade. Dados apresentados durante o evento mostram que produtores que utilizaram a tecnologia IPRO colheram, em média, 96 sacas por hectare, enquanto sistemas convencionais registraram 86 sacas, uma diferença de 12%.

Pesquisa e produtividade
Por trás de cada nova cultivar lançada no mercado existe um longo processo de pesquisa, testes e validações. O desenvolvimento de uma variedade pode levar mais de uma década até chegar ao campo, envolvendo avaliações em laboratório e em diferentes regiões produtoras.
Fabiano Oliveira destaca ao Canal Rural Mato Grosso que esse trabalho é realizado em conjunto com produtores, cooperativas, revendas e sementeiros para que as tecnologias cheguem ao mercado com recomendações adequadas às diferentes realidades agrícolas. Conforme ele, o objetivo é ampliar as chances de sucesso das lavouras e manter o Brasil na liderança da produção global de alimentos.
A qualidade das sementes também foi apontada como um fator decisivo para que o potencial produtivo seja alcançado. O CEO da Sementes Jotabasso, Tages Martinelli, afirmou que a empresa realizou mais de 92 mil análises nos últimos anos para garantir altos padrões de qualidade e vigor.
Para ele, a certificação oferece mais segurança ao produtor diante dos desafios enfrentados a cada safra. “Por isso a importância de uma semente certificada. É garantir que o produtor quando vai lançar essas sementes ao campo ela possa expressar todo o seu potencial e garantir assim que seus investimentos tenham valido a pena, mesmo nos desafios climáticos que a safras ano após ano vem apresentando para nós”.
A ampliação do número de cultivares disponíveis no mercado também aumentou a responsabilidade dos produtores na hora de escolher a tecnologia mais adequada para cada propriedade.
Produtor rural em Chapadão do Sul, em Mato Grosso do Sul, Pompilio Rocha cultiva cerca de 1,5 mil hectares de soja e milho segunda safra e afirma que o processo de seleção das variedades se tornou cada vez mais complexo. “Você tinha 7, 8, 10 variedades no máximo e hoje já foram passadas para nós são 2,7 mil no Brasil”.
Para reduzir riscos, ele conta que realiza testes em pequenas áreas da fazenda antes de ampliar o uso dos materiais. “A gente planta áreas pequenas para ver quais têm as melhores performances, porque eu tenho que conhecer aquela variedade na minha realidade”, explica à reportagem.

Pirataria preocupa setor
Além dos avanços tecnológicos, o workshop trouxe um alerta sobre os impactos da comercialização irregular de sementes para toda a cadeia produtiva da soja.
Representantes do setor destacaram que a pirataria reduz a capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de gerar prejuízos para empresas, produtores e demais elos envolvidos na produção agrícola.
Um estudo realizado pela CropLife Brasil em parceria com a consultoria Céleres apontou que 11% das sementes de soja utilizadas no país são de origem ilegal. De acordo com a diretora da entidade, Catharina Pires, o problema apresenta índices ainda maiores em alguns estados.
“Quando a gente olha para esse número, estado a estado, por exemplo, no caso do Rio Grande do Sul, nos deparamos com um percentual ainda maior. Quase 30% da semente de soja utilizada no estado do Rio Grande do Sul é de origem ilegal”, afirma.
De acordo com ela, o uso de sementes sem certificação pode comprometer o desempenho das lavouras e trazer prejuízos ao produtor. “Isso coloca em risco em primeiro lugar o agricultor que está plantando algo sem saber o que vai colher”.
Ainda conforme o levantamento, a utilização de sementes ilegais representa um impacto econômico estimado em R$ 10 bilhões por ano para a cadeia da soja.
Para Tages Martinelli, a escolha de sementes de qualidade se torna ainda mais importante em períodos de incerteza climática e margens apertadas. “Em margens apertadas não podemos brincar com aquilo que é essencial. Se você não colocar uma semente de altíssima qualidade, o potencial não vai ser expressado”.

Segurança jurídica e perspectivas
O fortalecimento da inovação também passa pela segurança jurídica. Durante o encontro, especialistas destacaram que as leis de propriedade intelectual e de proteção de cultivares foram fundamentais para atrair investimentos e ampliar a oferta de tecnologias no país.
Fabiano Oliveira pontua que os ganhos gerados pela biotecnologia podem ser observados diretamente nos resultados obtidos pelos produtores. “Quando o agricultor escolhe biotecnologias com patente válida a gente vê, através de dados robustos, incrementos da ordem de 10%, 11%, 12% a mais de produtividade em todas as regiões do Brasil”.
Conforme ele, o aumento da produtividade beneficia não apenas os agricultores, mas também cooperativas, revendas, multiplicadores de sementes e empresas ligadas ao desenvolvimento genético.
As perspectivas para a soja e o milho também estiveram em pauta durante a programação. Entre os temas debatidos estiveram os desafios econômicos enfrentados pelos produtores e as oportunidades ligadas ao crescimento da demanda por biocombustíveis.
Para o fundador da Veeries, Fábio Meneghin, o setor deve viver um novo ciclo de investimentos impulsionado por políticas voltadas ao etanol, biodiesel, HVO e SAF. “Os biocombustíveis devem trazer essa nova onda de investimentos, algo similar ao que a gente viu nos últimos 20 anos pelas proteínas animais”.
Na avaliação de Pompilio Rocha, o momento exige maior eficiência dentro da porteira. Segundo ele, custos elevados de logística e armazenagem reforçam a necessidade de escolhas mais assertivas em relação às tecnologias utilizadas. “Nós temos que priorizar o solo, temos que priorizar a tecnologia na parte de defensivos e variedade de soja. A tecnologia está aí, temos que saber até quanto usar dela para manter a rentabilidade”.
O diretor comercial da Bayer, Fábio Passos, acredita que a inovação continuará ocupando papel central para a competitividade do agro brasileiro. “A produtividade e a inovação têm que ser centrais em um momento como esse, onde eu preciso ser mais efetivo, ter mais controle de custos e recursos para produzir mais”.
Para Passos, o futuro passa não apenas por novas biotecnologias, mas também por ferramentas digitais e práticas sustentáveis. “Tem inovação digital e sustentabilidade que vai vir aí e com certeza nos impulsiona muito para esse futuro”. O desafio, frisa, será produzir mais, com eficiência e sustentabilidade, aproveitando as oportunidades que surgirão para a soja e o milho nos próximos anos.
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Comissão da CNA avalia controle de pragas e proposta sobre cancro da videira

A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta sexta-feira (19), em Brasília, uma reunião para discutir temas estratégicos da defesa fitossanitária da fruticultura brasileira. O encontro também serviu para alinhar as contribuições do setor produtivo à consulta pública sobre o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira. O material divulgado não informa prazo da consulta no texto fornecido.
Durante a reunião, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentaram um panorama das ações de defesa fitossanitária em andamento no país. Segundo o material, o foco esteve nas estratégias de prevenção, monitoramento e controle de pragas e doenças que afetam a produção de frutas.
Entre os temas listados estiveram o combate à mosca-da-carambola e à monilíase na região Norte, o enfrentamento ao greening dos citros, o controle do moko da bananeira e outras iniciativas conduzidas em parceria com as secretarias estaduais de defesa agropecuária. A apresentação, de acordo com a CNA, buscou atualizar as Federações de Agricultura sobre a execução dos programas nacionais e reforçar a atuação integrada entre o Sistema CNA/Senar, os estados e o Mapa.
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Outro ponto central foi a análise da proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira, submetida à consulta pública por meio da Portaria SDA nº 1.620, de 8 de maio de 2026. O representante do Mapa apresentou o histórico da regulamentação, os principais pontos da minuta e os aspectos que demandam maior atenção do setor.
A proposta estabelece estratégias diferenciadas conforme o status fitossanitário de cada unidade da Federação. Pelo texto discutido, os estados podem ser classificados como áreas com ocorrência da doença, sem ocorrência, áreas livres ou áreas sob Sistema de Mitigação de Risco (SMR). Segundo a CNA, esse modelo busca direcionar as ações de monitoramento, vigilância e controle de forma mais ajustada à realidade regional.
Os integrantes da Comissão apresentaram sugestões, dúvidas e preocupações sobre a implementação da medida. As contribuições devem embasar um posicionamento consolidado do Sistema CNA/Senar a ser encaminhado ao Ministério. O texto original não detalha quais sugestões foram apresentadas nem informa estimativa de custo ou prazo de implementação.
Para a presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Mari Anna, o fortalecimento da defesa fitossanitária depende do engajamento dos produtores na prevenção e na contenção de pragas e doenças. O material divulgado indica que o posicionamento do setor será encaminhado ao Mapa, mas não informa a data desse envio nem os desdobramentos previstos após a consulta pública.
Fonte: cnabrasil.org.br
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Conhecido por dar origem à tequila, agave vira aposta para produção de bioenergia no Brasil

Conhecido mundialmente por ser a matéria-prima da tequila no México, o agave ganha espaço no Brasil como aposta para produção de bioenergia em regiões de clima seco.
Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que a planta, adaptada a altas temperaturas e baixa disponibilidade de água, pode abrir caminho para uma nova fronteira agrícola e industrial no semiárido.
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O estudo integra o programa Brave (Brazilian Agave Development), desenvolvido em parceria entre a universidade e o Senai Cimatec, e busca estruturar toda a cadeia produtiva do agave voltada à geração de biocombustíveis.
Segundo o professor titular do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, Gonçalo Pereira, o desafio global da energia passa pela capacidade de transformar luz solar em energia química, processo realizado naturalmente pelas plantas por meio da fotossíntese. Nesse cenário, culturas tradicionalmente utilizadas para energia, como cana-de-açúcar, milho e sorgo, enfrentam limitações em ambientes de altas temperaturas e restrição hídrica.
“É um tipo de planta que é muito conhecido no México porque ela dá origem a tequila. Você pode não conhecer o agave, mas a tequila é difícil você não conhecer. A tequila é uma espécie de cachaça. A cachaça do México, assim como a cachaça, uma bebida brasileira que vem da cana, no México eles tinham a tequila que vem do agave”, afirmou Pereira.
É justamente nesse ponto que o agave chama atenção. Adaptada às regiões semiáridas, a planta apresenta elevada eficiência no aproveitamento da radiação solar e consegue manter produtividade mesmo sob condições extremas.
Produção
Embora seja associado à produção de tequila, o agave possui características semelhantes às da cana em termos de rendimento por hectare. A diferença está na resistência climática e no tipo de açúcar armazenado.
Enquanto a cana acumula sacarose, o agave produz cadeias de frutose, compostos que ajudam na retenção de água e podem ser convertidos em biocombustíveis.
A proposta ganha relevância no contexto brasileiro, afinal, o sertão concentra o semiárido mais populoso do mundo, com cerca de 24 milhões de habitantes. Além disso, o Brasil já ocupa posição de destaque na produção de agave para fibras, especialmente com o cultivo do agave sisalana.
A implantação de biorrefinarias pode estimular a industrialização regional, gerando empregos, demanda por formação técnica e fortalecimento econômico local, processo semelhante ao observado em regiões impulsionadas pelo setor sucroenergético.
Próximos passos
Atualmente, o projeto já avançou na seleção das variedades mais promissoras e na definição dos processos de produção. A próxima etapa depende do tempo de desenvolvimento das plantas em escala de campo.
Mesmo antes da conclusão das pesquisas, uma empresa já decidiu investir no cultivo em larga escala, com previsão de implantação de uma área de 120 mil hectares destinada à produção de agave.
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