Agro Mato Grosso
Entenda por que países asiáticos compram pênis bovino de MT

Estado superou o próprio recorde pelo segundo ano consecutivo ao abater mais de sete milhões de bovinos, o que também aumentou a exportação do volume deste tipo de subproduto no mercado.
Um subproduto comercializado em meio às exportações bovinas de Mato Grosso a países asiáticos tem se destacado nos últimos anos em razão da demanda cultural e econômica dos compradores. É a venda de pênis bovino, também chamado de vergalho no mercado.
Com um dos maiores rebanhos de gado do país, com cerca de 31,6 milhões de animais, o estado superou o próprio recorde pelo segundo ano consecutivo ao abater mais de sete milhões de bovinos, e o vergalho acompanha esse crescimento.
Por isso, o volume de subprodutos desses abates também cresceu, especialmente do vergalho. É o que afirmou o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
“O vergalho, principalmente para a Ásia, é um produto afrodisíaco e costuma ser usado em receitas gastronômicas, além de estar na produção de petiscos para cachorros e gatos. A população tem cada vez mais pets, então é um mercado que tem crescido bastante”, afirmou.
Segundo dados do Imac, o preço médio é de R$ 21 o quilo, além da venda no mercado interno.
Já nos destinos internacionais, em Hong Kong por exemplo, o valor da tonelada pode chegar a US$ 6 mil. O Imac informou que esse tipo de produto é exportado na forma in natura, seguindo protocolos sanitários rígidos.
A China é a maior compradora da carne bovina mato-grossense, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). De toda a carne exportada, os chineses responderam por 54,8% no ano passado.
Para se ter uma ideia, o estado apresentou aumento de 42,9% no abate bovino entre 2006 e 2025, de acordo com dados do Imac, o que passou de 5,2 milhões para 7,4 milhões de abates.
No caso do vergalho, as entidades mato-grossenses não possuem dados especifícos sobre esse segmento, porque essas informações são contabilizadas genericamente como miúdos nas estatísticas.
Assim, o lucro das miudezas bovinas congeladas exportadas do estado subiu 30,2% entre 2024 e 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), saindo de US$ 47,631 milhões para US$ 62,027 milhões.
Cultural e econômico
Já os asiáticos que compram a carne bovina integral, incluindo cortes de vergalho quando se trata do aproveitamento cultural e culinário, a expectativa é que esse tipo de uso passe a diminuir nos próximos anos, conforme Andrade.
“No longo prazo é possível que isso diminua, porque é associado a pessoas mais velhas, enquanto as mais jovens já estão perdendo esse costume. É um produto interessante para a balança comercial”, disse.
Andrade destacou que parte da população tende a consumir mais vergalho de forma indireta. Isso porque o subproduto é usado em petiscos para pets. Enquanto a outra forma de consumo, especialmente no aspecto cultural e culinário, tende a diminuir pela mudança de comportamento da nova geração.
Agro Mato Grosso
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Agro Mato Grosso
Uso de antibióticos para ganho de peso é proibido na produção animal

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na produção animal, em medida que já está em vigor e altera práticas consolidadas nas cadeias de aves, suínos e bovinos. A decisão veta a importação, fabricação, comercialização e uso desses aditivos quando destinados ao ganho de desempenho produtivo, além de determinar o cancelamento dos registros dos produtos enquadrados nessa categoria.
Na prática, substâncias tradicionalmente utilizadas para acelerar o ganho de peso deixam de ser permitidas com essa finalidade. Entre os compostos atingidos estão a virginiamicina, a bacitracina (e suas variações) e a avoparcina, com destaque para a primeira, amplamente adotada em sistemas intensivos. A norma, no entanto, mantém a possibilidade de fabricação exclusiva para exportação, desde que haja autorização prévia do Mapa.
A mudança segue recomendações de organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde, que há anos orientam a restrição do uso de antimicrobianos na produção animal quando não houver finalidade terapêutica. O objetivo é conter o avanço da resistência antimicrobiana — fenômeno em que bactérias se tornam resistentes a antibióticos, reduzindo a eficácia de tratamentos tanto na medicina veterinária quanto na humana.
Para o setor produtivo, a medida impõe uma transição operacional. O Mapa estabeleceu prazo de 180 dias para utilização dos estoques já existentes e determinou que empresas informem volumes disponíveis em até 30 dias. Após esse período, os produtos deverão ser retirados do mercado.
Sem esses aditivos, produtores terão de recorrer a alternativas para manter desempenho zootécnico, como ajustes no manejo, nutrição mais precisa e uso de aditivos não antibióticos. No curto prazo, a mudança pode elevar custos e exigir adaptação dos sistemas produtivos. No médio prazo, a expectativa é de alinhamento a exigências sanitárias internacionais, especialmente de mercados mais rigorosos.
A restrição aproxima o Brasil de padrões já adotados em outros países e reforça a tendência global de redução do uso não terapêutico de antibióticos na produção animal, tema que ganhou relevância crescente na agenda sanitária e comercial do agronegócio.
Agro Mato Grosso
Inteligência artificial antecipa surtos de tripes

Modelos de aprendizado de máquina previram populações de Frankliniella occidentalis em campo aberto
Pesquisadores da Texas A&M AgriLife Research desenvolveram modelos de inteligência artificial para prever o aumento populacional de tripes (Frankliniella occidentalis) em sistemas de produção de tomate e pimentão. Seu estudo mostrou acurácia de 87,7% em campo aberto e de 84,9% em túneis altos. A ferramenta pode antecipar o risco de surtos e apoiar decisões de manejo antes do dano nas lavouras.
A pesquisa avaliou modelos de aprendizado de máquina em dois ambientes produtivos contrastantes. O Random Forest apresentou o melhor desempenho em campo aberto. O XGBoost obteve a maior acurácia nos túneis altos (“high tunnels”). Os autores também testaram Gradient Boosting Machine, ou GBM. Os três algoritmos analisaram variáveis ambientais e biológicas ligadas à dinâmica do inseto.

Os pesquisadores usaram armadilhas adesivas amarelas para capturar tripes (cada círculo vermelho). Eles monitoraram a população da praga e aplicaram as contagens e outros parâmetros a modelos avançados para prever padrões populacionais – Foto: Kiran Gadhave – Texas A&M AgriLife
Dados usados
O trabalho usou dados de 1.686 armadilhas adesivas amarelas instaladas semanalmente em áreas de tomate e pimentão na estação de pesquisa da Texas A&M AgriLife em Bushland, no Texas. Desse total, 903 armadilhas vieram de túneis altos e 783 de campos abertos adjacentes. Após padronização, os pesquisadores trabalharam com 2.254 unidades de modelagem.
Os pesquisadores combinaram as contagens de tripes com variáveis meteorológicas. A lista incluiu temperatura média, máxima e mínima, umidade relativa, precipitação, velocidade do vento e direção do vento. O estudo também incluiu a população registrada 14 dias antes da coleta. Esse intervalo corresponde ao tempo aproximado de desenvolvimento do inseto, do ovo ao adulto, nas condições avaliadas.
A população anterior do inseto, chamada no estudo de “parent population”, surgiu como o principal preditor de severidade nos dois ambientes. A temperatura apareceu em seguida. Umidade e vento tiveram efeitos secundários. Em campo aberto, a combinação entre população anterior elevada e maior umidade relativa contribuiu para níveis altos de severidade. Em túneis altos, o vento teve maior peso na previsão de alta severidade.
Diferença entre ambientes
A diferença entre os ambientes teve peso decisivo. Modelos treinados em um sistema falharam ao prever a população no outro. A acurácia ficou em 44,13% quando o modelo de túnel alto foi aplicado ao campo. O modelo de campo atingiu 38,22% quando aplicado aos túneis altos. Os autores concluíram que campo aberto e túnel alto funcionam como microecossistemas distintos, mesmo quando ficam lado a lado.
Essa constatação reforça a importância do microclima no manejo de pragas. Segundo os autores, túneis altos e campo aberto diferem em estabilidade térmica, umidade, vento e exposição. Essas condições alteram o desenvolvimento, a dispersão e o potencial de transmissão de vírus por Frankliniella occidentalis. O estudo indica que ferramentas de previsão precisam considerar essas diferenças para gerar alertas úteis ao produtor.
Mudança no manejo
A antecipação do risco pode mudar a lógica do manejo. Segundo Kiran Gadhave, entomologista da AgriLife Research e professor assistente no Departamento de Entomologia da Texas A&M, enxergar o risco uma semana antes desloca o controle de uma resposta ao dano para uma estratégia preventiva.
Os resultados também apontam limitações. Os autores informam que os modelos ainda não incorporam reguladores biológicos, como inimigos naturais e competição interespecífica. O estudo também usou dados meteorológicos de uma estação em campo aberto. Para túneis altos, sensores instalados dentro das estruturas podem melhorar a resolução espacial e a interpretação ecológica das relações entre clima e tripes.
Mais informações em doi.org/10.1016/j.ecoinf.2026.103690
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