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Pesquisa no campo prova que solo arenoso em Mato Grosso pode produzir mais

Produzir em solo arenoso sempre esteve entre os principais desafios da agricultura em Mato Grosso. Em Campo Novo do Parecis, pesquisas realizadas diretamente no campo vêm mostrando que, com manejo adequado, essas áreas podem alcançar estabilidade produtiva e gerar renda ao produtor.
O trabalho é desenvolvido no Centro Tecnológico de Campo Novo do Parecis (CTECNO Parecis), criado pela Aprosoja Mato Grosso, onde há dez anos são conduzidos experimentos voltados à realidade das lavouras, com foco em manejo do solo, fertilidade, formação de palhada, rotação de culturas e sustentabilidade econômica.
Os testes são acompanhados de perto por produtores e técnicos, que comparam diferentes manejos e utilizam as informações observadas em campo para aplicar diretamente em suas propriedades, especialmente em áreas com solos de baixa retenção de água e nutrientes.
Pesquisa aplicada e rentabilidade no campo
Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, o diferencial do centro está no equilíbrio entre produtividade, viabilidade econômica e sustentabilidade. “A pesquisa é para rentabilidade e viabilidade econômica, aqui você consegue justamente esse equilíbrio, não cometer exageros de uso de insumos, e nem deixar de usar aquilo que é necessário”, afirmou durante visita técnica em comemoração aos 10 anos de pesquisa no local, realizado no último dia 15.

Segundo ele, os números evoluíram ao longo dos anos, com pesquisas replicadas continuamente para validar resultados. Parte dos erros, conforme explica, acontece de forma proposital. “O erro ocorre aqui dentro muitas vezes é proposital para se obter o resultado que precisa da pesquisa, e o produtor consegue direcionar na lavoura já de forma muito mais rápida e assertiva”, disse.
Os experimentos são conduzidos em solos com teores de argila que variam de 9% a 35%, comuns em diversas regiões produtoras de Mato Grosso. No local, agricultores acompanham os testes, comparam diferentes manejos e utilizam as informações observadas em campo para aplicar diretamente em suas propriedades.
O impacto dessa mudança é sentido por quem vive a realidade do campo. “Nós tínhamos muitas terras abandonadas, terras com pouco investimento, essas terras arenosas ficavam sempre meio de lado, e com a vinda do CTECNO para cá começou a mostrar para o produtor que era viável investir em solos arenosos”, relatou Antônio César Brólio, presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis.
Já para o presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kroling, a participação constante nas atividades do centro tem reflexo direto nas decisões dentro da porteira. “Depois que começamos a participar e ver a pesquisa aqui todo ano, a gente está levando alguma coisa para dentro da propriedade. O produtor tem que procurar caminhos todo ano, um desafio diferente, são novas pragas, novas doenças diferentes que aparecem”, contou ao Canal Rural Mato Grosso.
Manejo, produtividade e sustentabilidade
Em campo, cada estação tecnológica apresenta um conjunto de práticas que, segundo a pesquisa, geram impactos diretos na produtividade e na estabilidade das lavouras, especialmente na cultura da soja.
De acordo com o pesquisador Leandro Zancanaro, o trabalho contínuo mostra que a agricultura, quando bem manejada, melhora o ambiente ao longo do tempo. “Todo ano entregando um solo melhor do que o ano anterior. A agricultura não degrada, ela melhora o ambiente ela melhora o solo”, explicou.
Ele destaca que a diferença de produtividade está diretamente ligada às escolhas agronômicas. “O segredo é como agregar todos esses conhecimentos e acreditar, aplicar e persistir”, salientou. Nos melhores tratamentos, a produtividade chegou a 90 sacas por hectare em anos favoráveis, enquanto em períodos de estiagem ficou em torno de 50 sacas. Já em manejos inadequados, a produção caiu para 25 sacas em anos ruins, mostrando variações de até 30 sacas apenas pela sequência de plantas ao longo do tempo.
Para o agricultor Gilson Provence, os resultados obtidos no CTECNO Parecis ultrapassam as fronteiras do Estado. “A pesquisa em solos arenosos que é feita aqui espelha não só o Mato Grosso, outros estados como Rondônia, como a Bahia e nós também usamos muito a tecnologia aplicada aqui”, pontuou.

Conhecimento que vai além da lavoura
A programação comemorativa dos 10 anos do CTECNO Parecis, realizada no último dia 15 de janeiro, também contou com duas palestras especiais: uma com o produtor rural e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, e outra com o biólogo Richard Rasmussen. Ao todo, mais de 400 participantes, entre agricultores, técnicos e lideranças políticas, acompanharam o evento.
Cabrera destacou a força do agronegócio brasileiro mesmo diante de um cenário global desafiador. “Em 2025 o agronegócio brasileiro tem 40 tipos de recordes, recordes em produção, recordes em volume, isso é um negócio inacreditável”, afirmou. Para ele, os resultados estão diretamente ligados à ciência e à inovação. “Quanto maior a inovação do agronegócio menor a dependência do clima, porque estamos falando de uma fábrica a céu aberto”, ressaltou.
Já Richard Rasmussen chamou atenção para o papel do centro na redução de riscos ao produtor. “O CTECNO ajuda o produtor a não errar, especialmente em um solo complexo como o arenoso. Aqui é maravilhoso, o que os caras estão fazendo aqui, estão transformando deserto em Oásis”, disse.
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Caruru-gigante: SP publica regras para trânsito de máquinas; confira

Em continuação aos trabalhos de prevenção, controle e erradicação do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante, a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo publicou nessa semana uma portaria que estabelece regras para o trânsito de máquinas, implementos agrícolas e veículos transportadores.
Segundo a norma, a limpeza técnica passa a ser obrigatória após o uso em campo e antes de qualquer deslocamento entre propriedades, municípios ou estados. Ela envolve, também, a remoção de solo, restos vegetais e sementes que possam estar aderidos aos equipamentos.
O responsável pela limpeza será o proprietário, arrendatário ou responsável legal pelo equipamento. Caso não seja possível identificar o responsável, a obrigação passa ao condutor do veículo transportador.
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Fiscalização será ampliada
A Defesa Agropecuária informou que as ações de fiscalização serão direcionadas principalmente a áreas de produção de soja, milho e algodão. Em caso de irregularidades, poderão ser aplicadas autuações, além da determinação de retorno do equipamento à origem.
“A partir de agora daremos início aos trabalhos de operação das ações de fiscalização com o intuito de prevenir que novos focos surjam no Estado de São Paulo. Também estão previstas reuniões técnicas com o setor produtivo, com o objetivo de apresentar e discutir a Portaria”, afirmou Marileia Ferreira, chefe do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias Presentes, em comunicado.
Regras também valem para transporte de grãos
A norma também estabelece medidas para o transporte de grãos e produtos agrícolas a granel provenientes de áreas com ocorrência da praga. Entre elas estão a limpeza externa dos veículos e a cobertura adequada da carga.
As medidas entram em vigor 15 dias após a publicação da portaria.
Praga considerada quarentenária
O Amaranthus palmeri é classificado como praga quarentenária e possui capacidade de competição com culturas agrícolas. Segundo a Defesa Agropecuária, o plano estadual inclui ações para reduzir a disseminação por meio do trânsito de máquinas, movimentação de solo e transporte de cargas.
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O plano que pode mudar o café no Espírito Santo já está em campo

O Espírito Santo vem ampliando os esforços para consolidar uma cafeicultura mais produtiva, sustentável e competitiva por meio do Projeto de Cafeicultura Sustentável. A iniciativa reúne produtividade, qualidade e responsabilidade socioambiental em uma proposta que busca fortalecer o campo, ampliar a presença dos cafés especiais e estimular práticas mais eficientes nas propriedades rurais.
Coordenado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), o projeto foi estruturado para posicionar a cafeicultura capixaba em um patamar cada vez mais elevado de sustentabilidade, inovação tecnológica e agregação de valor.
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A proposta oferece assistência técnica e extensão rural a produtores de café arábica e conilon, com atendimento voltado à realidade de cada propriedade. A partir do ingresso no programa, as áreas passam por um diagnóstico técnico baseado em indicadores de sustentabilidade alinhados a protocolos internacionais, o que permite identificar desafios, oportunidades e caminhos para aperfeiçoar o sistema produtivo.
Plano de ação individual para produtores de café
Com base nessa avaliação, é elaborado um plano de ação individualizado, com orientações que envolvem os aspectos ambiental, econômico e social da atividade.
A intenção é promover avanços no manejo da lavoura, elevar os níveis de adequação das propriedades e qualificar etapas decisivas da produção, como a colheita e o pós-colheita.
Outro eixo importante do projeto está na transferência de tecnologias para o campo. Entre as ações desenvolvidas estão unidades demonstrativas voltadas a manejo de irrigação, microterraceamento, jardins clonais, secagem de grãos e processamento de cafés especiais.
A iniciativa também estimula a capacitação contínua dos produtores por meio de dias de campo, cursos, excursões técnicas e eventos voltados à troca de experiências e à disseminação de boas práticas.
Ao unir diagnóstico técnico, acompanhamento em campo e difusão de tecnologias, o projeto reforça o papel estratégico da cafeicultura para a economia rural capixaba.
Presente em grande parte dos municípios do estado, a atividade segue como uma das bases da geração de renda, emprego e desenvolvimento no interior, agora com um olhar ainda mais atento à sustentabilidade e à competitividade.
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Pesquisa transforma ‘água de batata’ em farinha para produção de alimentos

O que a água utilizada no processamento da batata tem a ver com a poluição de rios? A resposta está no amido liberado pelo tubérculo ao entrar em contato com o líquido durante as etapas industriais, segundo informações do Jornal da Unicamp.
Sendo um dos alimentos mais consumidos no mundo, a batata possui uma produção em larga escala que exige volumes massivos de água, gerando um resíduo que pode causar danos ao meio ambiente.
De acordo com Eric Keven Silva, professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, o descarte inadequado desse efluente compromete a qualidade dos corpos d’água e dos lençóis freáticos
“Esse material possui uma alta carga orgânica. Quando descartado sem tratamento, ele contribui para a redução do oxigênio na água, causando o desequilíbrio de ecossistemas aquáticos”, explica o docente.
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Alternativa sustentável
Nesse sentido, para enfrentar o problema, pesquisadores da FEA desenvolveram um processo capaz de recuperar o amido presente na chamada “água de batata”, transformando o resíduo em uma farinha rica em fibras.
“O ingrediente pode ser utilizado na produção de pães e bolos ou como espessante natural para molhos, ampliando as possibilidades de uso na indústria”, destaca Gabriela Milanezzi, doutoranda da FEA e responsável pelo estudo.
A proposta central da pesquisa é permitir que as próprias indústrias incorporem o reaproveitamento do resíduo em suas linhas de produção.
A iniciativa não apenas reduz o desperdício de recursos, mas também agrega valor comercial a um material que, anteriormente, a indústria descartaria apenas como efluente.
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