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4 de julho de 2026

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Embrapa identifica gene que ativa ‘estado de alerta’ nas plantas e amplia resistência a doenças e seca

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Foto: Embrapa

Descobertas conduzidas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com instituições nacionais e internacionais, estão abrindo uma nova fronteira para o melhoramento genético de culturas agrícolas. Pesquisas recentes demonstraram que genes oriundos de parentes silvestres do amendoim podem aumentar significativamente a resistência de plantas cultivadas a múltiplos estresses, como seca, doenças fúngicas e ataque de nematoides — sem comprometer produtividade ou qualidade.

A abordagem é inédita por explorar espécies nativas da América do Sul, integrando biodiversidade, conhecimento ancestral e ferramentas avançadas da biotecnologia moderna. No centro dessa descoberta está o gene AdEXLB8, isolado da espécie silvestre Arachis duranensis, considerada um dos ancestrais diretos do amendoim cultivado.

‘Arachis duranensis’, espécie ancestral do amendoim cultivado. Foto: Embrapa

Gene silvestre ativa defesa inteligente das plantas

Diferentemente de estratégias clássicas de resistência, o AdEXLB8 não atua bloqueando diretamente patógenos ou pragas. Segundo a pesquisadora Ana Brasileiro, líder dos estudos, o gene ativa um mecanismo molecular conhecido como priming de defesa.

Nesse processo, a planta passa a operar em um estado permanente de alerta fisiológico. “É como se ela estivesse sempre preparada para reagir rapidamente a um ataque, mas sem gastar energia em uma defesa contínua”, afirma a pesquisadora. A analogia usada por Brasileiro compara esse estado à adrenalina pronta no organismo humano, sem gerar desgaste excessivo.

Resultados expressivos contra seca, fungos e nematoides

Para testar a eficácia do gene, os pesquisadores inseriram o AdEXLB8 em plantas transgênicas de tabaco, soja e amendoim. Os resultados chamaram atenção da comunidade científica.

As plantas modificadas apresentaram maior tolerância à seca, resistência a nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e maior tolerância a doenças causadas por fungos, como Sclerotinia sclerotiorum. Em raízes com superexpressão do gene, a infecção por nematoides foi reduzida em até 60%.

Um ponto considerado estratégico é que essas respostas não vieram acompanhadas de perdas agronômicas. A produtividade e a qualidade final dos produtos permaneceram inalteradas, o que reforça o potencial de aplicação da tecnologia em sistemas produtivos comerciais.

Foto: Embrapa

Biodiversidade como fonte de soluções agrícolas

A trajetória dessa pesquisa começou com a observação de que espécies silvestres do gênero Arachis apresentam elevada rusticidade, tolerância à seca, à salinidade e resistência natural a pragas e doenças. Essas características são resultado de milhares de anos de evolução em ambientes sujeitos a estresses bióticos e abióticos.

Esse patrimônio genético é conservado pela Embrapa em um amplo programa de coleta e preservação de germoplasma, coordenado pelo pesquisador José Valls. Atualmente, o Banco Ativo de Germoplasma da instituição abriga cerca de 1.500 acessos de espécies silvestres de Arachis.

Segundo Valls, o Brasil é o principal centro de diversidade do gênero, com 62 das 84 espécies conhecidas ocorrendo no País — sendo 43 exclusivas do território nacional.

Biotecnologia supera limites do melhoramento tradicional

Historicamente, melhoristas evitavam o uso de espécies silvestres devido ao risco de transferir características indesejáveis junto com os traços positivos. Esse obstáculo começou a ser superado com o avanço da biotecnologia.

A pesquisadora Patricia Messemberg, que coordenou nos anos 2000 a caracterização molecular dessas espécies, explica que ferramentas como marcadores moleculares, mapas genéticos e, mais recentemente, a transgenia, permitiram acessar genes específicos sem comprometer desempenho agronômico.

“A biotecnologia permite transferir diretamente um gene de interesse para uma cultura comercial, preservando produtividade e qualidade”, destaca.

Pesquisa pioneira e impacto sustentável

O gene AdEXLB8 pertence à família das expansinas, proteínas ligadas ao afrouxamento da parede celular. Inicialmente, a equipe acreditava que essa característica poderia facilitar a entrada de patógenos. O efeito oposto observado surpreendeu os cientistas.

A explicação está justamente no priming de defesa. Ao perceber sinais constantes de estresse, a planta reorganiza sua parede celular, ativa vias hormonais de defesa e fortalece sistemas antioxidantes. Assim, quando o estresse real ocorre, a resposta é mais rápida e eficiente.

Esse mecanismo pode reduzir a dependência de fungicidas e nematicidas químicos, contribuindo para uma agricultura mais sustentável, com menor impacto ambiental e alimentos mais seguros.

Da conservação ao campo

A tecnologia associada ao gene AdEXLB8 está em processo de patenteamento e já vem sendo testada em outras culturas, como soja, algodão e tomate. Para os pesquisadores, o caso simboliza o valor estratégico da conservação de germoplasma.

O gene percorreu um longo caminho até chegar ao laboratório. A primeira coleta registrada da espécie Arachis duranensis ocorreu em 1905, na Argentina. As primeiras sementes viáveis foram obtidas apenas em 1953. Desde 1977, o material é preservado no Brasil, permitindo avanços científicos que hoje impactam a agricultura moderna.

Conhecimento indígena e futuro da agricultura

A pesquisa também reforça o papel histórico dos povos indígenas na domesticação e preservação do amendoim. Evidências arqueológicas indicam que a cultura já era cultivada há mais de 5 mil anos na América do Sul.

De acordo com a Embrapa, comunidades como os Kayabi, no Parque Indígena do Xingu, mantêm até hoje dezenas de variedades tradicionais, fundamentais para a diversidade genética da cultura. Para os pesquisadores, esse legado é essencial para o desenvolvimento de novas soluções agrícolas.

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Látex de jaca pode ajudar no tratamento de doença que causa perda dos dentes

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Foto: divulgação/Prefeitura Municipal de Lagarto

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biomaterial à base de látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina (medicamento à base de estatinas) que se mostrou promissor para o tratamento da periodontite em testes de laboratório.

A periodontite é uma enfermidade inflamatória crônica, de origem infecciosa, que leva à destruição progressiva dos tecidos de suporte do dente, resultando em reabsorção óssea e perda de inserção (perda do dente).

Os tratamentos convencionais visam controlar a infecção e a inflamação, sem promover a renovação dos tecidos periodontais de maneira efetiva, o que faz com que tenham resultados limitados em longo prazo.

Técnicas como regeneração tecidual guiada e enxerto ósseo já foram propostas para esses casos, mas seus efeitos clínicos permanecem variáveis e, por vezes, imprevisíveis.

Para reverter esse problema, os pesquisadores focaram em explorar biomateriais naturais e bioativos que pudessem atuar de forma integrada no combate ao quadro.

O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba. Os resultados foram divulgados na revista Polymer Bulletin.

“Começamos a ver o látex extraído da jaca como uma alternativa interessante, pois ele apresenta uma característica adesiva. Isso nos fez pensar que ele poderia permanecer mais tempo no local afetado pela periodontite, favorecendo a liberação mais direcionada dos compostos terapêuticos e, potencialmente, reduzindo a necessidade do uso sistêmico de antibióticos”, conta a professora Eliana Aparecida de Rezende Duek, do Departamento de Cirurgia da FCMS.

Como foi feita a combinação

O látex, após extraído, foi combinado com extrato de casca de romã, que tem reconhecido potencial antimicrobiano para aplicação local, e sinvastatina, um fármaco com atividade anti-inflamatória que tem sido amplamente estudado pelo seu potencial de estimular a formação óssea.

A combinação desses elementos resultou em uma matriz mucoadesiva (ou seja, que adere às mucosas do corpo) com capacidade de atuar diretamente no local da lesão.

O efeito da sinvastatina aplicada localmente também se torna mais eficaz, já que, quando a substância é administrada por via oral, é predominantemente retida pelo fígado, com apenas uma pequena fração atingindo a circulação sistêmica, o que exige doses mais elevadas que podem aumentar o risco de efeitos adversos, incluindo degeneração muscular aguda.

No trabalho, os cientistas fizeram um experimento em que o látex, após ser extraído manualmente de jacas recém-colhidas, passou por um processo cuidadoso de purificação. A partir dessa matriz foi incorporado o extrato de casca de romã.

Avaliação da eficácia

Para avaliar a eficácia, foi conduzido um ensaio in vitro com células-tronco derivadas do tecido adiposo humano com a formulação e diferentes concentrações da sinvastatina (0,3%, 0,6% e 1,2%) que não alteraram a estrutura do gel e são tecnicamente seguras.

Todas se mostraram capazes de aumentar a osteoindução (ou seja, fazer com que as células-tronco se diferenciassem em osteoblastos, as células responsáveis pela formação de novo tecido ósseo) em 14 dias, com um efeito ainda mais pronunciado após 21 dias, corroborando o potencial do material para o tratamento da periodontite.

“Observamos que o biomaterial desenvolvido apresenta um grande potencial para aplicações futuras no tratamento da periodontite e até em outras áreas, especialmente por envolver um material ainda pouco explorado na literatura científica para uso biomédico”, diz Duek. 

Apesar dos resultados bastante promissores, pondera a pesquisadora, ainda será preciso vencer etapas importantes da pesquisa, como testes em animais e em pacientes.

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Como crise no café deu origem ao Instituto Biológico, hoje referência para o agro brasileiro

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Biológico se consolidou como uma das principais referências em pesquisa, diagnóstico e inovação voltadas à sanidade animal, vegetal e à proteção ambiental.

Ao longo de quase um século, a instituição ampliou sua atuação e hoje desenvolve tecnologias que ajudam a tornar a produção agropecuária mais eficiente e sustentável.

O Instituto Biológico foi criado em 1927, após uma grave crise que atingiu a cafeicultura paulista na década de 1920. Na época, uma praga ainda desconhecida provocava grandes prejuízos aos cafezais do estado, levando produtores a recorrerem ao governo em busca de soluções.

“Uma praga ou uma doença (eles não sabiam o que era) acometeu os cafezais. Esses produtores foram até o governador pedir ajuda. E o governador então montou uma comissão de pesquisadores, de pessoas da época”, contou a coordenadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia de Carvalho Campos.

Essa equipe se reúne e descobre que o problema estava sendo causado por um pequeno besouro. Ana Eugênia explica que a fêmea colocava o ovo no fruto do café e a larva se alimentava, o que depreciava esse fruto.

Na época, pesquisadores identificaram que o inseto era originário da África e desenvolveram uma estratégia pioneira de controle biológico, baseada na introdução de um inimigo natural da praga. De acordo com Ana Eugênia, a iniciativa pode ser considerada um dos primeiros programas de controle biológico conduzidos pelo poder público no Brasil.

A partir desse trabalho, surgiu a necessidade de criar uma instituição permanente para apoiar os produtores rurais diante de novos desafios sanitários. Assim nasceu o Instituto Biológico, que já em seu primeiro ano expandiu as pesquisas para a sanidade animal e, posteriormente, incorporou ações voltadas à proteção ambiental.

Patrimônio científico e histórico

Além da produção científica, o Instituto reúne importantes patrimônios históricos e ambientais. A sede abriga um dos maiores cafezais urbanos do mundo, um acervo entomológico com milhares de insetos (considerado um dos mais antigos e relevantes do estado de São Paulo) e um edifício histórico construído no final da década de 1920.

Pesquisa com formigas busca alternativas sustentáveis

Entre as diversas linhas de pesquisa desenvolvidas atualmente está o estudo das formigas, coordenado por Ana Eugênia. Especialista em insetos sociais, ela dedica sua carreira ao entendimento do comportamento desses organismos e ao desenvolvimento de métodos sustentáveis para o controle de formigas cortadeiras, uma das principais pragas agrícolas.

“As formigas cortadeiras se tornam um problema para o agricultor. Geralmente quase todas as culturas podem ser cortadas pelas formigas cortadeiras. Então, o agricultor tem que ter uma atenção muito grande e nos preocupamos com esse manejo adequado. Temos trabalhado com microrganismos endofíticos (fungos especificamente) no controle de formigas cortadeiras”, destaca.

Formigas
Foto: reprodução/Planeta Campo

Segundo a pesquisadora, existem cerca de 20 mil espécies de formigas no planeta, sendo aproximadamente 2 mil registradas no Brasil. A grande maioria exerce funções essenciais para o equilíbrio ambiental, como ciclagem de nutrientes, incorporação de matéria orgânica ao solo e controle natural de outras populações de insetos.

No entanto, algumas espécies, como as formigas cortadeiras, podem provocar prejuízos em praticamente todas as culturas agrícolas. Por isso, o Instituto desenvolve pesquisas com microrganismos endofíticos, especialmente fungos, como alternativa ao controle químico dessas pragas.

Ciência voltada ao produtor

Atualmente, o Instituto Biológico conta com laboratórios certificados pela norma internacional ISO 17025, que garante a qualidade dos diagnósticos laboratoriais, inclusive para processos ligados à exportação de produtos agropecuários.

Além dos diagnósticos de doenças em plantas e animais, as pesquisas também estão voltadas ao desenvolvimento de bioinsumos, novas biotecnologias e processos que reduzam o impacto ambiental da produção rural.

A atuação da instituição também contempla o monitoramento de resíduos de defensivos agrícolas em alimentos, água, solo e polinizadores, como as abelhas, contribuindo para a segurança alimentar e a preservação dos recursos naturais.

Ao completar quase 100 anos de história, o Instituto Biológico mantém a missão que motivou sua criação: transformar conhecimento científico em soluções para fortalecer a produção agropecuária, proteger o meio ambiente e garantir alimentos cada vez mais seguros para a população.

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Conab inaugura unidade em Maceió com capacidade para 4,5 mil toneladas de milho

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) inaugurou nesta sexta-feira (3) a nova sede da Unidade Armazenadora (UA) de Maceió, em Alagoas. A estrutura passa a ter capacidade para estocar até 4,5 mil toneladas de milho em sacas de 50 quilos. Segundo a companhia, a ampliação acrescenta 1,7 mil toneladas à capacidade estática e representa aumento de aproximadamente 60,7% em volume e de 28,6% em área.

A Conab informou que a nova unidade fortalece a eficiência operacional dos estoques públicos e a execução das políticas de abastecimento. Entre os programas atendidos está o Programa de Venda em Balcão (ProVB), que comercializou 2,6 mil toneladas de milho em Alagoas em 2025.

Durante a inauguração, o diretor de Operações e Abastecimento, Arnoldo de Campos, afirmou que a armazenagem e a logística são parte central da política de abastecimento. Ele destacou que a estrutura permite guardar milho para atendimento ao produtor ao longo dos meses e também manter estoques de produtos usados em ações de apoio ao abastecimento e à segurança alimentar.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Na cerimônia, também foi assinada a pactuação com cinco empreendimentos coletivos da agricultura familiar para aquisições na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O investimento é de aproximadamente R$ 1,5 milhão e prevê a destinação de 204,6 toneladas de hortifruti, pescado e alimentos manufaturados à rede socioassistencial de Alagoas.

Desde 2023, a Conab destinou cerca de R$ 94 milhões para aquisição de alimentos da agricultura familiar no estado, contemplando 427 projetos de cooperativas e associações. As propostas somam aproximadamente 12 mil toneladas de alimentos, com atendimento a 6.342 agricultores e 541 entidades e iniciativas sociais.

Durante a solenidade, a companhia ainda assinou dois contratos do PAA Sementes, com investimento total de R$ 355 mil, para aquisição de 210 mil raquetes de palma e 9,3 toneladas de sementes de feijão e milho crioulos destinadas a agricultores familiares.

A agenda incluiu ainda a entrega de alimentos a cozinhas solidárias em Maceió, a distribuição de oito kits de maquinários a cooperativas e associações de assentados da reforma agrária e a apresentação dos números do ProVB em Alagoas. Entre 2022 e 2026, o programa atendeu 394 criadores de animais de 65 municípios e realizou 2.212 operações de venda em 2025, com receita de R$ 3,3 milhões.

Fonte: gov.br

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