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23 de agosto de 2026

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Exportações de café devem aumentar, mas ainda longe do recorde de 2024, diz setor

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Pixabay

As exportações totais brasileiras de café em 2026 devem superar as registradas em 2025, conforme expectativa manifestada pelo presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira.

De acordo com o relatório estatístico mensal da entidade, o país embarcou, para 121 destinos, 40,049 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto nos 12 meses de 2025, o que implica declínio de 20,8% em relação ao ano anterior.

Apesar da queda em volume, a receita cambial, de US$ 15,586 bilhões, foi recorde anual, apresentando crescimento de 24,1% ante 2024. Esse desempenho foi alcançado com as 3,133 milhões de sacas exportadas em dezembro do ano passado (-20,2% frente a dezembro de 24), que renderam US$ 1,313 bilhão (+10,7%) ao país.

Já no acumulado do primeiro semestre da safra 2025/26 (entre julho e dezembro de 2025), o Brasil remeteu 20,610 milhões de sacas ao exterior, com receita de US$ 8,054 bilhões, desempenho que corresponde a um declínio de 21,3% em volume, mas incremento de 11,7% em valor na comparação com o intervalo de julho a dezembro de 2024.

Para Ferreira, o Brasil terá um primeiro semestre de 2026 sem número expressivo nas exportações, com estoque baixo antes da entrada da safra. Mas, com a colheita de uma safra brasileira em 2026 melhor do que em 2025 no geral a perspectiva é promissora para o país superar neste ano o desempenho do ano passado.

Ressalta, porém, que não será possível alcançar o recorde de 2024, quando o país embarcou 50 milhões de sacas. O segundo semestre será de melhor ritmo nas vendas externas de café com a entrada da safra.

O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, salientou que 2024 foi um ano atípico, de embarques recordes. Além de uma boa safra, o país ainda teve a antecipação de exportações pelos temores envolvendo a implantação do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entraria em vigor ao final de 2024 e já foi prorrogado duas vezes, agora para o fim de 2026, com micro e pequenas empresas tendo até 30 de junho de 2027 para cumprir. Isso acelerou bastante as vendas em 2024.

O ano de 2025, pela bienalidade, já teve uma safra menor, com queda na produção do arábica, com estoques mais baixos e ainda houve o efeito do tarifaço americano às importações do Brasil, que prejudicou os embarques no segundo semestre. “Foi um ano de volta à normalidade depois do recorde de 2024”, salientou Heron.

O presidente do Cecafé comentou que a safra brasileira 2026 deve ser um pouco menor no conilon, mas muito melhor a safra no arábica. “Vai ser um ano desafiador, com a geopolítica, mas com a produção brasileira maior trazendo muitas oportunidades”, observou.

Acordo Mercosul-UE

O diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, destacou que o consumo global pela bebida segue firme e forte e que o acordo Mercosul-União Europeia pode ser um divisor de águas no mercado, trazendo aspectos favoráveis ao Brasil.

Segundo ele, no melhor cenário, o acordo entra em vigor no segundo semestre. “Para o café solúvel, torrado e moído brasileiro são quatro anos de desagravo em relação às tarifas, sendo reduzidas até chegar a zero. São muitos anos até cair tudo”, afirmou.

Mesmo assim, o Cecafé demonstrou grande otimismo com o tratado entre os blocos que deve trazer benefícios ao grão nacional.

Impactos do tarifaço

Segundo ele, devido ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as exportações brasileiras para o país caíram 55% em 2025 em relação a 2024. “Ainda temos prejuízos, há a questão do café solúvel, e temos buscado diálogo com os setores”, ponderou.

De acordo com o executivo, houve perda substancial nos embarques com o tarifaço, com o ritmo das vendas para os EUA ainda não tendo sido totalmente recuperado. “A recuperação é gradual”, avalia o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.

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Embrapa identifica plantas resistentes à praga que pode comprometer até 100% da produção

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Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

A cigarrinha-do-arroz (Tagosodes orizicolus) é um inseto que ganhou importância nos últimos anos na rizicultura, devido a surtos de infestação e aos danos que causa pela alimentação, através da sucção de seiva das plantas.

As perdas, seja em sistemas irrigados ou em terras altas, podem chegar a 100% dependendo da intensidade de ataque. Uma das maneiras de ajudar no controle do inseto é o uso de variedades resistentes.

A Embrapa Arroz e Feijão (GO) identificou dois materiais com resistência à sogata que podem auxiliar os produtores no manejo dessa praga. A cultivar BRS A705, lançada em 2022, e o genótipo BGA 6914, armazenado no Banco Ativo de Germoplasma do centro de pesquisa, foram os mais resistentes.

Também conhecida como sogata, a cigarrinha-do-arroz possui o tamanho da cabeça de um alfinete (entre 2 e 3 milímetros). Apesar de minúscula, suas populações podem crescer rapidamente. A praga suga a seiva das folhas, colmos e panículas, provocando secamento, amarelecimento e morte das folhas.

Como consequência da alimentação, o inseto elimina também substância rica em açúcar que serve para o crescimento de fungo responsável pelo desenvolvimento de fumagina, estruturas pretas sobre as folhas que diminuem a área de fotossíntese. 

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão José Alexandre Barrigossi é um dos coordenadores das pesquisas envolvendo o controle da cigarrinha-do-arroz. Ele conta que se trata de uma praga emergente, ou seja, era um inseto encontrado no Brasil que não representava um problema para o arroz irrigado, nem para o arroz de terras altas, mas infestações regionalizadas vêm despertando a preocupação do setor produtivo.

Houve relatos em lavouras irrigadas em Santa Catarina, a partir de 2018, e, em 2020, em outras partes do Brasil, como o Vale do Paraíba, em São Paulo.

“Até bem pouco tempo, a cigarrinha-do-arroz não chamava a atenção dos agricultores, porque não eram registradas ocorrências de altas populações da praga no País. Possivelmente, isso acontecia porque existia forte pressão de controle biológico natural.

A partir de 2020, passaram a existir surtos que podem estar ligados a vários fatores, como verões mais secos e quentes, favorecendo a reprodução da espécie; ou ainda a aplicação de inseticidas nas lavouras, que acabam eliminando inimigos naturais da praga”, explica Barrigossi. 

Como uma praga emergente, ela ainda não está inclusa entre os principais insetos que atacam o arroz, tanto que não existem inseticidas registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para seu controle, informa o pesquisador.

Manejo integrado da praga

A Embrapa Arroz e Feijão realizou experimentos, ao longo de dois anos, para conhecer o nível de resistência de suas cultivares e identificar fontes de resistência ao inseto que possam ser usadas no programa de melhoramento de arroz. Esses testes foram realizados em ambientes controlados de laboratório e casa telada, em Santo Antônio de Goiás (GO).

Os estudos envolveram avaliações relacionadas à interação inseto-planta, tais como a atividade e preferência alimentar da espécie e aspectos relacionados à sua reprodução. A cultivar BRS A705 e o genótipo BGA 6914 foram os menos preferidos pela praga e os que mais interferiram negativamente no desenvolvimento e sobrevivência dela. 

“A identificação dessas fontes de resistência é um importante passo para apoiar o controle da cigarrinha-do-arroz, pois essas alternativas podem ser usadas pelo melhoramento de plantas como doadoras de genes para o desenvolvimento de cultivares, possibilitando que novas variedades da Embrapa apresentem mais um diferencial, o de resistência à cigarrinha”, diz Barrigossi.

O pesquisador pontua que, mesmo que uma cultivar não seja totalmente resistente, ela pode ser combinada a outros métodos de controle e diminuir consideravelmente a necessidade de aplicação de inseticidas. 

O manejo integrado de pragas, com diferentes métodos de controle associados, dentre eles, plantas mais resistentes, é o caminho sustentável para o controle da sogata, complementa Barrigossi. Ele aponta que utilizar exclusivamente o controle químico para combater a cigarrinha-do-arroz nem sempre é o meio mais eficaz. 

Para o futuro, a pesquisa deve seguir aprimorando o manejo integrado de pragas com sistemas de monitoramento da infestação de lavouras pela cigarrinha-do-arroz, geração de cultivares mais resistentes, estudo de agentes biológicos para o desenvolvimento de bioinseticidas e testes com produtos químicos.

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BNDES aprova R$ 42,8 milhões para ampliar armazenagem da Coasul no Paraná

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 42,8 milhões para a Coasul Cooperativa Agroindustrial ampliar a capacidade de armazenagem de grãos no Paraná. O projeto prevê acréscimo de 24 mil toneladas em Laranjal e São João, além da instalação de uma estrutura integrada de atendimento ao produtor rural. Os recursos serão liberados pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

Com contrapartida de R$ 803 mil da cooperativa, o investimento total do projeto soma R$ 43,6 milhões. Segundo o BNDES, a iniciativa deve beneficiar a base de 16,7 mil cooperados da Coasul, concentrada no sudoeste paranaense.

Em Laranjal, o plano prevê investimento de R$ 33,7 milhões para a construção de silos com capacidade estática de 12 mil toneladas. A unidade também contará com barracão para armazenagem de insumos e defensivos, área de atendimento ao público, refeitório, moradia para funcionário, cercamento e projeto executivo para um trevo rodoviário de acesso à filial.

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A estrutura em Laranjal também deve abrigar loja de peças e equipamentos para manutenção de máquinas, além da oferta de insumos e assistência técnica aos produtores.

Em São João, o investimento previsto é de R$ 9,9 milhões. O projeto inclui a construção de dois silos de 6 mil toneladas cada, um silo-moega de 780 toneladas, instalações elétricas e a compra de máquina de limpeza de grãos. Com a ampliação, a capacidade total da unidade passará de 135 mil para 147 mil toneladas.

De acordo com o BNDES, as intervenções devem ampliar a autonomia de armazenagem da cooperativa e dar mais fluidez à descarga de caminhões no pico da safra, com redução de gargalos logísticos. Em nota, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o projeto contribui para a geração e a distribuição de renda no campo e para a redução do déficit histórico de capacidade de armazenagem.

A operação aprovada pelo BNDES concentra recursos em infraestrutura de silos, recebimento de grãos e atendimento ao cooperado, com expansão da capacidade estática e reforço da estrutura operacional da Coasul em duas unidades no Paraná.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Pesquisadores transformam grãos quebrados de feijão em proteína para bebidas, cappuccino e snacks

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Foto: Mapa

Uma proteína concentrada desenvolvida a partir de grãos quebrados de feijão carioca pode abrir novas possibilidades para o uso da leguminosa pela indústria de alimentos. O ingrediente, criado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas (SP), apresenta entre 40% e 50% de proteína e contém todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano.

A tecnologia utiliza as chamadas “bandinhas”, como são conhecidos os grãos partidos durante o beneficiamento do feijão e que possuem menor valor comercial. A proposta é aproveitar esse coproduto para produzir ingredientes que possam ser utilizados em bebidas, pós instantâneos e snacks, entre outros alimentos.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), sediada no Ital e criada em 2021 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Além do aproveitamento de um subproduto da produção agrícola, os pesquisadores apontam que a tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência da indústria brasileira de proteínas vegetais de soja ou ervilha, atualmente importadas em grande parte.

“Nosso objetivo foi obter uma proteína de uma fonte vegetal brasileira. Como o Brasil é um grande produtor de feijão carioca, pensamos em transformá-lo em um ingrediente proteico para ser usado pela indústria alimentícia”, explicou Mitie Sonia Sadahira, pesquisadora do Ital e coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.

Grãos quebrados ganham nova utilização

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de feijão, com produção anual de aproximadamente 3 milhões de toneladas. A variedade carioca responde por cerca de 54% desse volume.

Durante o beneficiamento, entre 1% e 5% dos grãos acabam quebrados e perdem valor comercial. Foi justamente esse material que chamou a atenção dos pesquisadores.

“Tivemos a ideia de agregar valor a esse coproduto”, afirmou Isabela Emiliorelli, pesquisadora do Ital e participante do projeto.

Para transformar os grãos em ingredientes, a equipe utiliza uma técnica conhecida como fracionamento a seco. O método não utiliza solventes e demanda menos água e energia do que processos convencionais de extração úmida.

O feijão é inicialmente moído e transformado em farinha integral. Em seguida, um processo de separação mecânica divide o produto em duas partes: uma fração rica em amido e outra com maior concentração de proteína.

Dessa forma, uma única matéria-prima permite a obtenção de dois ingredientes que podem ser aproveitados pela indústria.

Proteína tem todos os aminoácidos essenciais

A fração proteica desenvolvida pelos pesquisadores alcançou concentração entre 40% e 50% de proteína.

As análises também mostraram que o ingrediente apresenta todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano e supera as metas do padrão de referência estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo os pesquisadores, essa característica diferencia o produto de outras fontes vegetais que podem precisar ser combinadas com proteínas de cereais para complementar seu perfil de aminoácidos.

“Normalmente, as proteínas vegetais apresentam um ou dois aminoácidos essenciais a menos [que o necessário] e, por isso, precisam ser complementadas com uma proteína de cereal. Na farinha que obtivemos, isso não aconteceu”, explicou Sadahira.

Processo reduz fatores antinutricionais em até 95%

Outro resultado do estudo foi a redução de até 95% dos chamados fatores antinutricionais naturalmente encontrados no feijão.

Entre eles estão fitatos, inibidores de protease, taninos, lectinas e oligossacarídeos, substâncias que podem dificultar a absorção de nutrientes e provocar desconforto digestivo.

Para alcançar o resultado, os pesquisadores aplicaram métodos de pré-tratamento térmico antes da moagem dos grãos.

Com a combinação desse tratamento e do fracionamento, o ingrediente alcançou digestibilidade superior a 60%.

O procedimento também ajudou a reduzir características que poderiam limitar o uso do feijão como ingrediente industrial, como o sabor residual associado à leguminosa e a coloração escura.

Segundo a equipe, a proteína obtida apresenta sabor neutro e coloração clara, características que facilitam sua incorporação em diferentes alimentos.

Proteína de feijão é testada em bebidas e cappuccino

Os pesquisadores desenvolveram produtos para demonstrar as possibilidades de aplicação do novo ingrediente.

A fração proteica foi utilizada na elaboração de um pó instantâneo para cappuccino sem açúcar, com 5 gramas de proteína por porção.

O ingrediente também foi combinado com frutas tropicais, como manga e maracujá, para a produção de pós instantâneos posteriormente utilizados em bebidas vegetais fermentadas e saborizadas, sem necessidade de aromas ou corantes artificiais.

A parte rica em amido, que ainda mantém entre 10% e 20% de proteína, também foi aproveitada. Os pesquisadores desenvolveram snacks nas versões neutra, salgada e doce. Uma das formulações utiliza pó de manga desidratada enriquecido com 8% de proteína.

Tecnologia chega à fase de testes industriais

A proposta é oferecer ao mercado tanto a tecnologia para obtenção da proteína quanto as possibilidades de aplicação em alimentos por meio de pacotes tecnológicos.

A PBIS reúne, além do Ital, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nove empresas do setor de alimentos e a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia.

Em quatro anos e meio de operação, a plataforma desenvolveu mais de 30 ingredientes alimentícios e mais de 20 processos industriais.

No caso da proteína de feijão carioca, a tecnologia já passa por testes de processamento em escala industrial conduzidos pela SL Alimentos, uma das empresas participantes do projeto.

Segundo Gisele Anne Camargo, gestora executiva e pesquisadora principal da PBIS, a tecnologia alcançou os níveis 5 e 6 na escala TRL (Technology Readiness Level), que mede a maturidade tecnológica de uma solução em uma escala de 1 a 9.

A partir dessa etapa, o avanço da proteína de feijão carioca até os alimentos disponíveis aos consumidores dependerá do interesse e das próximas etapas de desenvolvimento conduzidas pela indústria.

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