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O renascimento do feijão: por que o mundo redescobriu a nossa proteína com alma?

No prato do brasileiro, o feijão nunca foi apenas comida. Ele sempre foi o abraço de casa, o cheiro da cozinha da infância e o alicerce da nossa identidade. No entanto, ao abrirmos as cortinas de 2026, vemos uma transformação sem precedentes.
Além das nossas fronteiras, o feijão deixou de ser um simples acompanhamento para se tornar a estrela de uma revolução alimentar global. Existe uma busca voraz por proteínas saudáveis e sustentáveis, e o Brasil está sentado sobre uma mina de ouro. Não falamos apenas de grãos, mas de histórias que o mundo está ávido para consumir.
A cafeinização do feijão
Para entender o potencial do que temos nas mãos, precisamos olhar para o que aconteceu com o mercado de café. Há algumas décadas, o café era tratado como uma commodity genérica, vendido apenas pelo volume e preço. Hoje, o cenário é outro. O consumidor paga prêmios por nuances de sabor, notas sensoriais, altitude e, principalmente, pela história do produtor.
O feijão está trilhando exatamente esse caminho de valorização. Podemos e devemos explorar essa similaridade com o café para elevar a margem de lucro de quem produz e o prazer de quem consome. Onde antes se via apenas um grão básico, hoje se enxerga uma superfood versátil.
Variedades como o feijão-vermelho, o feijão-fradinho, o feijão-rajado e o nosso tradicional feijão-preto agora ganham as prateleiras internacionais com um novo status. O consumidor moderno não quer apenas saciar a fome. Ele busca a experiência de consumir um alimento com propósito, rastreabilidade e alma.
Embora o feijão seja nativo das Américas, a Europa foi o primeiro palco a elevar o grão ao status de alta culinária. Não existe um único inventor da gourmetização, mas a França desempenhou um papel crucial através do cassoulet. O que era um cozido camponês de feijão branco foi refinado com confit de pato e cordeiro, tornando-se um ícone mundial.
Diz a lenda que Catarina de Médici, no século 16, foi quem levou as sementes para a nobreza francesa, iniciando a aceitação do grão nas mesas reais.
No Brasil, esse fenômeno ganhou força recentemente. Saímos do trivial para as cartas de vinhos e menus degustação. A gourmetização brasileira está seguindo caminhos fascinantes, como a releitura da feijoada, transformada em evento de slow food (o prazer de comer, valorizando a cultura local) e o resgate de variedades nobres.

Feijões como o manteiguinha de Santarém, o roxinho e o andu saíram das roças regionais para os menus de chefs premiados, servidos como acompanhamentos delicados para frutos do mar e carnes nobres.
Uma herança milenar
A narrativa que encanta o mercado internacional está enraizada no solo da América do Sul há milênios. Os Caminhos do Peabiru, que em tupi significa caminho de grama amassada, formavam uma rede de trilhas transcontinentais que conectavam o Atlântico aos Andes. Construído pelos incas e consolidado pelos índios há mais de 1.500 anos, esse sistema era a artéria por onde circulavam culturas e alimentos.
O feijão era o combustível dessas rotas místicas. Séculos depois, foi esse mesmo grão que garantiu a expansão do território brasileiro no lombo dos tropeiros. Por ser um alimento que não perecia e oferecia a energia necessária, o feijão acompanhou o desbravador onde nada mais chegava. Ao exportarmos nosso feijão, estamos entregando milênios de resiliência. É essa história que agrega valor e diferencia o grão brasileiro da concorrência global.
Feijão pronto para consumo
A vida em 2026 exige praticidade. Uma das maiores tendências é o crescimento do feijão pronto para o consumo. A rotina moderna silenciou a panela de pressão em muitos lares, mas o desejo pela nutrição de verdade permanece vivo.
Seja cozido no vapor, embalado a vácuo ou transformado em snacks funcionais, o feijão pronto para comer é a ponte entre a tradição e a modernidade. O Brasil já exporta o grão em grandes volumes, mas o próximo passo estratégico é levar essa tecnologia de processamento e a nossa história aos consumidores de todo o mundo.
O feijão não é apenas uma commodity. Ele é a nossa história contada em grãos. É a proteína que o planeta precisa com o sabor que só a nossa terra e o nosso passado podem oferecer. Temos a narrativa, temos a qualidade e temos a escala. O que precisamos agora é de ousadia para levar essa história ao mundo, tratando o feijão-carioca e suas variedades com o orgulho e a sofisticação que elas merecem. O mundo está com fome de feijão, mas, acima de tudo, está com fome da nossa história. Vamos entregá-la.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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Projeto incentiva destinação correta de resíduos orgânicos e troca material por mudas de flores

Um projeto desenvolvido em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, une sustentabilidade, educação ambiental e participação comunitária para incentivar a destinação correta de resíduos orgânicos.
O “Harmoniza Chapecó – Laboratório de Compostagem” estimula moradores a separarem restos de alimentos e, em troca, oferece mudas de flores produzidas pelo Horto Municipal.
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A iniciativa recebe, de forma voluntária, resíduos como frutas, legumes, erva-mate e pó de café, que passam por um processo de compostagem e são transformados em adubo. O material retorna à cidade na manutenção de praças, jardins e espaços públicos, fortalecendo o cuidado ambiental urbano.
Além do impacto ambiental, o Harmoniza Chapecó também tem um forte viés educativo e social. O laboratório recebe visitantes, estudantes, idosos e grupos comunitários para ações de sensibilização sobre a importância do descarte correto dos resíduos orgânicos.
“O projeto Harmoniza Chapecó, ele tem um impacto social, ambiental e econômico. A parte social por conta da educação ambiental, porque o projeto tem todo um processo de laboratório da compostagem, onde nós recebemos visitantes”, afirma a gerente de resíduos, Graciela Heckler.
Atualmente, cerca de 650 a 700 quilos de resíduos orgânicos são processados por mês no laboratório. O projeto integra o programa Chapecó, Cidade Limpa, Cidade Sustentável, e contribui para a redução do volume de lixo destinado ao aterro sanitário, ajudando a prolongar a vida útil do espaço e a diminuir a emissão de gases de efeito estufa.
No momento da entrega do material, os resíduos são pesados e registrados. A cada 50 quilos de resíduos orgânicos leves, o participante tem direito a levar 15 mudas de flores da estação, incentivando a continuidade da prática sustentável.
Criado há cinco anos, o projeto completa uma década em 2026 e reforça que pequenas atitudes no dia a dia podem gerar impactos ambientais positivos, quando aliadas à conscientização e ao engajamento da comunidade.
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Leitura sobre acordo Mercosul-UE está equivocada, diz porta-voz de Câmara italiana

À medida que as negociações eram finalizadas, os holofotes ao acordo Mercosul-União Europeia se concentrou nas salvaguardas europeias, como se o Brasil estivesse diante de um bloqueio disfarçado. No entanto, essa leitura é equivocada. Essa é a opinião do vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam), Fabio Ongaro.
Segundo ele, o debate acabou dominado por uma narrativa defensiva: cotas para carne, limites para açúcar, restrições ao etanol. “O verdadeiro impacto do acordo não está no número de toneladas autorizadas. Está no que ele pode provocar dentro do mercado agro brasileiro”, ressalta.
Ongaro pontua que a União Europeia não é o principal destino das exportações agrícolas brasileiras. China e Ásia têm peso maior em carnes e grãos. “Isso significa que o efeito direto das cotas europeias sobre o volume total exportado é relativamente limitado. O que muda não é a quantidade, mas o padrão”, destaca.
De acordo com ele, vale destacar que a Europa funciona como referência regulatória global, visto que suas exigências de rastreabilidade, controle sanitário e critérios ambientais tendem a se tornar padrão de referência internacional.
“Atender a esses requisitos não é apenas acessar um mercado específico, é elevar o nível de organização e governança da cadeia produtiva. Isso gera efeitos internos consistentes, como: produtores mais estruturados que ganham vantagem competitiva; a formalização que tende a aumentar; e a gestão e o controle de qualidade que se tornam diferenciais estratégicos.
Para Ongaro, o agro brasileiro que já é altamente produtivo pode, com o tratado entre os blocos, tornar-se também mais sofisticado e integrado.
Brasil é superavitário em alimentos
O representante da Câmara Italiana também considera que o receio de que o aumento das exportações brasileiras reduzam a oferta interna e pressionem preços não deve se concretizar, já que o Brasil é estruturalmente superavitário em alimentos.
“O mais provável é uma segmentação maior: produtos premium direcionados à exportação e grande parte da produção mantendo abastecimento regular do mercado doméstico”, contextualiza.
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Para ele, trata-se de especialização, não de escassez. As salvaguardas europeias são resultado de dinâmicas políticas internas do bloco. Assim, o desafio brasileiro passa a ser essencialmente econômico e estrutural.
“O produtor nacional convive com crédito mais caro do que concorrentes globais, infraestrutura logística desigual, complexidade tributária e insegurança regulatória. Esses fatores afetam margens de forma muito mais relevante do que qualquer limite de cota”, ressalta.
Ampliação de valor agregado
Ongaro acredita que se o acordo vier acompanhado de melhorias no ambiente doméstico em infraestrutura, segurança jurídica, simplificação tributária e acesso a financiamento competitivo, o agro poderá ampliar valor agregado, não apenas volume exportado.
“Hoje, o Brasil é extremamente eficiente na produção primária. O próximo passo natural é aprofundar a industrialização da cadeia: alimentos processados, biocombustíveis avançados, bioquímica, proteínas com maior grau de transformação”, comenta.
Segundo ele, a integração com a União Europeia pode facilitar esse movimento, mas ele depende sobretudo de decisões internas. Há também um fator relevante do ponto de vista macroeconômico: previsibilidade institucional.
Na visão do vice-presidente de finanças da Italcam, um acordo com a União Europeia sinaliza estabilidade de regras no longo prazo, algo que tende a reduzir percepção de risco e estimular investimentos em tecnologia agrícola, armazenagem, logística e transformação industrial.
Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e reorganização das cadeias produtivas, diversificar parcerias comerciais fortalece a posição estratégica do país.
“No fim, a questão central não é apenas o volume autorizado para exportação. É como o Brasil utilizará esse acesso para consolidar seu agro como setor cada vez mais moderno, eficiente e integrado às cadeias globais de maior valor agregado”, conclui Ongaro.
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PRF apreende mais de 1.600 kg de maconha escondida em carga de soja no Paraná

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu mais de 1.600 quilos de maconha na tarde desta terça-feira (3), por volta das 18h, durante fiscalização na BR-277, no município de Irati, no Paraná.
A equipe deu ordem de parada a um caminhão com placas de Porto Velho (RO). Durante a abordagem, o motorista informou que havia carregado soja no município de Naviraí (MS) e que o destino final da carga seria Curitiba (PR).
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Ao longo da fiscalização, os policiais identificaram nervosismo e contradições nas informações prestadas pelo condutor, especialmente em relação ao trajeto percorrido e aos locais de descanso. Diante da suspeita, foi realizada uma verificação detalhada da carga.
Na inspeção, a PRF localizou 153 fardos de maconha prensada, ocultos e misturados à carga de soja. Ao todo, foram apreendidos 1.609,8 quilos da droga.
O motorista foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e encaminhado, juntamente com o caminhão e o entorpecente apreendido, à Polícia Civil de Irati (PR), onde foram adotados os procedimentos legais cabíveis.
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