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O renascimento do feijão: por que o mundo redescobriu a nossa proteína com alma?

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Foto: Pixabay

No prato do brasileiro, o feijão nunca foi apenas comida. Ele sempre foi o abraço de casa, o cheiro da cozinha da infância e o alicerce da nossa identidade. No entanto, ao abrirmos as cortinas de 2026, vemos uma transformação sem precedentes.

Além das nossas fronteiras, o feijão deixou de ser um simples acompanhamento para se tornar a estrela de uma revolução alimentar global. Existe uma busca voraz por proteínas saudáveis e sustentáveis, e o Brasil está sentado sobre uma mina de ouro. Não falamos apenas de grãos, mas de histórias que o mundo está ávido para consumir.

A cafeinização do feijão

Para entender o potencial do que temos nas mãos, precisamos olhar para o que aconteceu com o mercado de café. Há algumas décadas, o café era tratado como uma commodity genérica, vendido apenas pelo volume e preço. Hoje, o cenário é outro. O consumidor paga prêmios por nuances de sabor, notas sensoriais, altitude e, principalmente, pela história do produtor.

O feijão está trilhando exatamente esse caminho de valorização. Podemos e devemos explorar essa similaridade com o café para elevar a margem de lucro de quem produz e o prazer de quem consome. Onde antes se via apenas um grão básico, hoje se enxerga uma superfood versátil.

Variedades como o feijão-vermelho, o feijão-fradinho, o feijão-rajado e o nosso tradicional feijão-preto agora ganham as prateleiras internacionais com um novo status. O consumidor moderno não quer apenas saciar a fome. Ele busca a experiência de consumir um alimento com propósito, rastreabilidade e alma.

Embora o feijão seja nativo das Américas, a Europa foi o primeiro palco a elevar o grão ao status de alta culinária. Não existe um único inventor da gourmetização, mas a França desempenhou um papel crucial através do cassoulet. O que era um cozido camponês de feijão branco foi refinado com confit de pato e cordeiro, tornando-se um ícone mundial.

Diz a lenda que Catarina de Médici, no século 16, foi quem levou as sementes para a nobreza francesa, iniciando a aceitação do grão nas mesas reais.

No Brasil, esse fenômeno ganhou força recentemente. Saímos do trivial para as cartas de vinhos e menus degustação. A gourmetização brasileira está seguindo caminhos fascinantes, como a releitura da feijoada, transformada em evento de slow food (o prazer de comer, valorizando a cultura local) e o resgate de variedades nobres.

tipo de feijão e influência

Feijões como o manteiguinha de Santarém, o roxinho e o andu saíram das roças regionais para os menus de chefs premiados, servidos como acompanhamentos delicados para frutos do mar e carnes nobres.

Uma herança milenar

A narrativa que encanta o mercado internacional está enraizada no solo da América do Sul há milênios. Os Caminhos do Peabiru, que em tupi significa caminho de grama amassada, formavam uma rede de trilhas transcontinentais que conectavam o Atlântico aos Andes. Construído pelos incas e consolidado pelos índios há mais de 1.500 anos, esse sistema era a artéria por onde circulavam culturas e alimentos.

O feijão era o combustível dessas rotas místicas. Séculos depois, foi esse mesmo grão que garantiu a expansão do território brasileiro no lombo dos tropeiros. Por ser um alimento que não perecia e oferecia a energia necessária, o feijão acompanhou o desbravador onde nada mais chegava. Ao exportarmos nosso feijão, estamos entregando milênios de resiliência. É essa história que agrega valor e diferencia o grão brasileiro da concorrência global.

Feijão pronto para consumo

A vida em 2026 exige praticidade. Uma das maiores tendências é o crescimento do feijão pronto para o consumo. A rotina moderna silenciou a panela de pressão em muitos lares, mas o desejo pela nutrição de verdade permanece vivo.

Seja cozido no vapor, embalado a vácuo ou transformado em snacks funcionais, o feijão pronto para comer é a ponte entre a tradição e a modernidade. O Brasil já exporta o grão em grandes volumes, mas o próximo passo estratégico é levar essa tecnologia de processamento e a nossa história aos consumidores de todo o mundo.

O feijão não é apenas uma commodity. Ele é a nossa história contada em grãos. É a proteína que o planeta precisa com o sabor que só a nossa terra e o nosso passado podem oferecer. Temos a narrativa, temos a qualidade e temos a escala. O que precisamos agora é de ousadia para levar essa história ao mundo, tratando o feijão-carioca e suas variedades com o orgulho e a sofisticação que elas merecem. O mundo está com fome de feijão, mas, acima de tudo, está com fome da nossa história. Vamos entregá-la.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Boi gordo avança com oferta restrita e escalas curtas no Brasil

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Foto: Breno Lobato/Embrapa Cerrados

O mercado físico do boi gordo registrou negociações acima da referência média em diversas praças do país ao longo da semana. O movimento foi sustentado, principalmente, pela restrição na oferta de animais terminados, que segue como o principal fator de sustentação dos preços em março.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades para alongar suas escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional. Esse cenário mantém a necessidade de compras mais agressivas por parte da indústria.

Apesar da firmeza nos preços, o mercado segue volátil. Entre os fatores de pressão estão o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que tornam o comportamento dos contratos futuros do boi gordo na B3 bastante instável.

Nas principais praças, os preços da arroba apresentaram movimentos mistos na semana:

  • São Paulo (SP): R$ 355,00, alta de 2,90% frente aos R$ 345,00 da semana anterior
  • Goiânia (GO): R$ 340,00, avanço de 3,03% ante R$ 330,00
  • Uberaba (MG): R$ 345,00, estável
  • Dourados (MS): R$ 340,00, queda de 1,45% frente aos R$ 345,00
  • Cuiabá (MT): R$ 340,00, estável
  • Vilhena (RO): R$ 310,00, sem alterações

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo da semana, sinalizando limitações para novos avanços. De acordo com Iglesias, esse comportamento reflete a maior competitividade de proteínas concorrentes.

O quarto do dianteiro seguiu cotado a R$ 20,50 por quilo, enquanto o traseiro bovino permaneceu em R$ 27,00 por quilo.

Exportações

No comércio exterior, as exportações brasileiras de carne bovina seguem aquecidas em março. Até o momento, o país já embarcou 115,678 mil toneladas, com receita de US$ 666,888 milhões. A média diária ficou em 11,567 mil toneladas, com faturamento médio de US$ 66,688 milhões.

Na comparação com março do ano passado, houve crescimento de 20,1% na receita média diária, avanço de 2,1% no volume e alta de 17,6% no preço médio da tonelada, que ficou em US$ 5.765,00.

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Banana ambrosia chega ao mercado após 20 anos de estudos trazendo alta resistência

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Foto: Incaper

A pesquisa agropecuária alcançou um resultado de destaque com o desenvolvimento da banana ambrosia, nova cultivar recomendada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para fortalecer a bananicultura no Espírito Santo. Resultado de mais de 20 anos de estudos, a variedade do tipo nanica foi desenvolvida para atender às demandas do setor produtivo e ampliar as alternativas disponíveis aos produtores rurais.

A cultivar surge como resposta a um desafio importante da atividade: a busca por uma variedade do subgrupo cavendish com resistência a doenças que afetam a produção em todo o país, como sigatoka-amarela e negra e mal do Panamá (raça 1). Com isso, a nova
variedade passa a representar uma alternativa tecnológica construída a partir da ciência pública e voltada diretamente às necessidades do campo.

Entre as características apontadas pelo Incaper estão plantas mais robustas, cachos com peso médio superior a 30 quilos, alta produtividade e frutos com qualidade destacada. Outro
diferencial é o potencial de aproveitamento na agroindústria, já que a cultivar apresenta características que ampliam suas possibilidades de uso além do consumo in natura.

Neste mês, cerca de 1.200 mudas da nova variedade já foram entregues a produtores rurais, incentivando a adoção inicial da cultivar em propriedades capixabas. A iniciativa reforça a integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo na difusão de novas tecnologias para a agricultura do Espírito Santo.

Além da recomendação da cultivar, o Incaper também apresentou a cartilha Ambrosia, uma
banana tipo nanica para o Espírito Santo
. A publicação reúne o histórico da pesquisa, a descrição da variedade e suas principais características, servindo como material de apoio para produtores, técnicos e demais profissionais ligados à cadeia da banana.

Com a nova cultivar, o Espírito Santo passa a contar com uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas e direcionada ao fortalecimento de uma atividade tradicional em municípios como Alfredo Chaves, onde a produção de banana tem peso importante na economia rural. A ambrosia se consolida, assim, como mais um resultado do trabalho científico voltado à competitividade e à sustentabilidade do agro capixaba.

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São Paulo abre inscrições para programa de apoio a produtores; saiba mais

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Foto: Divulgação/ADE SAMPA.

Estão abertas as inscrições para o Programa Semeando Negócios, iniciativa da Prefeitura de São Paulo voltada a produtores rurais da zona sul da capital. A ação contempla propriedades localizadas em Parelheiros, Marsilac, Grajaú e na Terra Indígena Tenondé Porã.

O programa oferece assessoria técnica e aporte financeiro de até R$ 30 mil para projetos ligados ao turismo rural e ao beneficiamento de produtos.

Foco em geração de renda

A região atendida reúne mais de 600 propriedades rurais e integra o Polo de Ecoturismo de São Paulo. As atividades incluem produção de alimentos e experiências como visitação, degustação e práticas ligadas ao meio rural.

Segundo a organização, o objetivo é apoiar a estruturação de negócios e ampliar a renda das propriedades.

“Este programa de aceleração ajuda a enfrentar um dos principais desafios da agricultura em grandes cidades: tornar a atividade economicamente viável e garantir que as famílias continuem no campo”, afirma Carlos Alberto Santos, diretor de desenvolvimento local da ADE SAMPA, em comunicado.

Resultados da primeira edição

Na primeira edição, o programa apoiou 29 projetos. Entre eles, o Recanto Magini utilizou os recursos para aquisição de equipamentos. O Sítio do Léo ampliou a produção de doce de leite de cabra. Já o Meliponário Mondury investiu em consultoria e expansão da produção de mel.

Inscrições abertas

O programa é destinado a produtores familiares, cooperativas e associações. As inscrições para a edição de 2026 podem ser feitas até 25 de março pelo site oficial do projeto (clique aqui).

Em caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail semeandonegocios@adesampa.com.br ou pelo whatsapp: (11) 93484-5363.

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