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Plano Safra 2025/2026: desembolso cai 15,6% no 1º semestre, a R$ 186,1 bilhões

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Foto: Pixabay.

O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho, alcançou R$ 186,146 bilhões até dezembro em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, conforme levantamento realizado pela reportagem.

Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central. O montante desembolsado no primeiro semestre do plano agrícola e pecuário corresponde a 45,8% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir CPRs.

O valor ficou 15,54% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 220,384 bilhões. Até o fim de dezembro, foram realizados 1,241 milhão de contratos em todas as modalidades, 0,5% menos que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,247 milhão de contratos. Na safra atual, observou-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada.

Período tem maior desembolso de crédito

O primeiro semestre da safra costuma ser um dos períodos de maior desembolso de crédito rural em virtude das contratações dos produtores de financiamento para a nova safra. Produtores, entretanto, estão retraídos na demanda por novos financiamentos dada a conjuntura adversa do setor e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor agropecuário.

Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 224,840 bilhões liberados nos cinco primeiros meses da safra para agricultura empresarial, até novembro, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Considerando os R$ 101,448 bilhões liberados via CPRs de julho a novembro, a retração no desembolso da safra é menor, de 4% na agricultura empresarial ante o ciclo anterior.

Para José Carlos Hausknecht, sócio diretor da consultoria MB Agro, a resolução recente do Banco Central que endurece a provisão de ativos problemáticos por agentes financeiros tem retraído os bancos na concessão do crédito rural.

“Esse cenário mais desafiador do agronegócio combinado à onda de recuperações judiciais gera maior incerteza e deixa os bancos mais seletivos, o que dificulta o acesso a crédito aos produtores, sobretudo os menos capitalizados e com maior grau de endividamento” disse Hausknecht ao Broadcast Agro.

Esse movimento, aponta, leva ao crescimento e à maior procura pelos produtores de fontes de recursos do mercado financeiro, como CRAs, e do mercado privado, como barter.

Modalidades e programas

Os financiamentos para custeio somaram R$ 107,494 bilhões em desembolso de julho a dezembro, 15,5% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 445.174 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 41,490 bilhões no período, 30,56% menos que na temporada passada, em 788.603 contratos.

As operações de comercialização atingiram R$ 18,124 bilhões (queda de 9,14%), em 6.315 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 19,038 bilhões (alta de 40,5%), em 1.172 contratos, em seis meses da safra.

No período, 1,028 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 37,174 bilhões ao fim de dezembro, recuo de 5% ante o ano-safra anterior.

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 123.144 operações, totalizando R$ 39,452 bilhões nos seis meses do ano-safra, queda de 6,4% em um ano. Outros 90.509 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 109,519 bilhões em financiamentos de julho a dezembro na safra 2025/26, retração de 21,3% em relação a igual período do ano passado.

Dados por região

A região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados no primeiro semestre da safra, com 610.634 operações, com R$ 17,874 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 313.267 contratos, e maior valor contratado, de R$ 62,045 bilhões.

O Sudeste registrou 198.797 operações de crédito rural de julho a dezembro, somando o total de R$ 51,524 bilhões. No Centro-Oeste, foram firmados 60.834 contratos, alcançando a liberação de R$ 42,242 bilhões.

No Norte, foram reportadas 57.732 operações, somando R$ 12,461 bilhões. O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 149,965 mil ao fim dos seis meses do ano-safra atual, queda de 15% ante igual período da temporada passada.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 65,005 bilhões foram provenientes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26. Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 39,995 bilhões. Outros R$ 26,549 bilhões de julho a setembro deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.

No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores.

Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. No total, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.

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Boi gordo avança com oferta restrita e escalas curtas no Brasil

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Foto: Breno Lobato/Embrapa Cerrados

O mercado físico do boi gordo registrou negociações acima da referência média em diversas praças do país ao longo da semana. O movimento foi sustentado, principalmente, pela restrição na oferta de animais terminados, que segue como o principal fator de sustentação dos preços em março.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos ainda enfrentam dificuldades para alongar suas escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional. Esse cenário mantém a necessidade de compras mais agressivas por parte da indústria.

Apesar da firmeza nos preços, o mercado segue volátil. Entre os fatores de pressão estão o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que tornam o comportamento dos contratos futuros do boi gordo na B3 bastante instável.

Nas principais praças, os preços da arroba apresentaram movimentos mistos na semana:

  • São Paulo (SP): R$ 355,00, alta de 2,90% frente aos R$ 345,00 da semana anterior
  • Goiânia (GO): R$ 340,00, avanço de 3,03% ante R$ 330,00
  • Uberaba (MG): R$ 345,00, estável
  • Dourados (MS): R$ 340,00, queda de 1,45% frente aos R$ 345,00
  • Cuiabá (MT): R$ 340,00, estável
  • Vilhena (RO): R$ 310,00, sem alterações

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo da semana, sinalizando limitações para novos avanços. De acordo com Iglesias, esse comportamento reflete a maior competitividade de proteínas concorrentes.

O quarto do dianteiro seguiu cotado a R$ 20,50 por quilo, enquanto o traseiro bovino permaneceu em R$ 27,00 por quilo.

Exportações

No comércio exterior, as exportações brasileiras de carne bovina seguem aquecidas em março. Até o momento, o país já embarcou 115,678 mil toneladas, com receita de US$ 666,888 milhões. A média diária ficou em 11,567 mil toneladas, com faturamento médio de US$ 66,688 milhões.

Na comparação com março do ano passado, houve crescimento de 20,1% na receita média diária, avanço de 2,1% no volume e alta de 17,6% no preço médio da tonelada, que ficou em US$ 5.765,00.

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Banana ambrosia chega ao mercado após 20 anos de estudos trazendo alta resistência

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Foto: Incaper

A pesquisa agropecuária alcançou um resultado de destaque com o desenvolvimento da banana ambrosia, nova cultivar recomendada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para fortalecer a bananicultura no Espírito Santo. Resultado de mais de 20 anos de estudos, a variedade do tipo nanica foi desenvolvida para atender às demandas do setor produtivo e ampliar as alternativas disponíveis aos produtores rurais.

A cultivar surge como resposta a um desafio importante da atividade: a busca por uma variedade do subgrupo cavendish com resistência a doenças que afetam a produção em todo o país, como sigatoka-amarela e negra e mal do Panamá (raça 1). Com isso, a nova
variedade passa a representar uma alternativa tecnológica construída a partir da ciência pública e voltada diretamente às necessidades do campo.

Entre as características apontadas pelo Incaper estão plantas mais robustas, cachos com peso médio superior a 30 quilos, alta produtividade e frutos com qualidade destacada. Outro
diferencial é o potencial de aproveitamento na agroindústria, já que a cultivar apresenta características que ampliam suas possibilidades de uso além do consumo in natura.

Neste mês, cerca de 1.200 mudas da nova variedade já foram entregues a produtores rurais, incentivando a adoção inicial da cultivar em propriedades capixabas. A iniciativa reforça a integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo na difusão de novas tecnologias para a agricultura do Espírito Santo.

Além da recomendação da cultivar, o Incaper também apresentou a cartilha Ambrosia, uma
banana tipo nanica para o Espírito Santo
. A publicação reúne o histórico da pesquisa, a descrição da variedade e suas principais características, servindo como material de apoio para produtores, técnicos e demais profissionais ligados à cadeia da banana.

Com a nova cultivar, o Espírito Santo passa a contar com uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas e direcionada ao fortalecimento de uma atividade tradicional em municípios como Alfredo Chaves, onde a produção de banana tem peso importante na economia rural. A ambrosia se consolida, assim, como mais um resultado do trabalho científico voltado à competitividade e à sustentabilidade do agro capixaba.

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São Paulo abre inscrições para programa de apoio a produtores; saiba mais

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Foto: Divulgação/ADE SAMPA.

Estão abertas as inscrições para o Programa Semeando Negócios, iniciativa da Prefeitura de São Paulo voltada a produtores rurais da zona sul da capital. A ação contempla propriedades localizadas em Parelheiros, Marsilac, Grajaú e na Terra Indígena Tenondé Porã.

O programa oferece assessoria técnica e aporte financeiro de até R$ 30 mil para projetos ligados ao turismo rural e ao beneficiamento de produtos.

Foco em geração de renda

A região atendida reúne mais de 600 propriedades rurais e integra o Polo de Ecoturismo de São Paulo. As atividades incluem produção de alimentos e experiências como visitação, degustação e práticas ligadas ao meio rural.

Segundo a organização, o objetivo é apoiar a estruturação de negócios e ampliar a renda das propriedades.

“Este programa de aceleração ajuda a enfrentar um dos principais desafios da agricultura em grandes cidades: tornar a atividade economicamente viável e garantir que as famílias continuem no campo”, afirma Carlos Alberto Santos, diretor de desenvolvimento local da ADE SAMPA, em comunicado.

Resultados da primeira edição

Na primeira edição, o programa apoiou 29 projetos. Entre eles, o Recanto Magini utilizou os recursos para aquisição de equipamentos. O Sítio do Léo ampliou a produção de doce de leite de cabra. Já o Meliponário Mondury investiu em consultoria e expansão da produção de mel.

Inscrições abertas

O programa é destinado a produtores familiares, cooperativas e associações. As inscrições para a edição de 2026 podem ser feitas até 25 de março pelo site oficial do projeto (clique aqui).

Em caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail semeandonegocios@adesampa.com.br ou pelo whatsapp: (11) 93484-5363.

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