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11 de maio de 2026

Business

O renascimento do feijão: por que o mundo redescobriu a nossa proteína com alma?

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Foto: Pixabay

No prato do brasileiro, o feijão nunca foi apenas comida. Ele sempre foi o abraço de casa, o cheiro da cozinha da infância e o alicerce da nossa identidade. No entanto, ao abrirmos as cortinas de 2026, vemos uma transformação sem precedentes.

Além das nossas fronteiras, o feijão deixou de ser um simples acompanhamento para se tornar a estrela de uma revolução alimentar global. Existe uma busca voraz por proteínas saudáveis e sustentáveis, e o Brasil está sentado sobre uma mina de ouro. Não falamos apenas de grãos, mas de histórias que o mundo está ávido para consumir.

A cafeinização do feijão

Para entender o potencial do que temos nas mãos, precisamos olhar para o que aconteceu com o mercado de café. Há algumas décadas, o café era tratado como uma commodity genérica, vendido apenas pelo volume e preço. Hoje, o cenário é outro. O consumidor paga prêmios por nuances de sabor, notas sensoriais, altitude e, principalmente, pela história do produtor.

O feijão está trilhando exatamente esse caminho de valorização. Podemos e devemos explorar essa similaridade com o café para elevar a margem de lucro de quem produz e o prazer de quem consome. Onde antes se via apenas um grão básico, hoje se enxerga uma superfood versátil.

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Variedades como o feijão-vermelho, o feijão-fradinho, o feijão-rajado e o nosso tradicional feijão-preto agora ganham as prateleiras internacionais com um novo status. O consumidor moderno não quer apenas saciar a fome. Ele busca a experiência de consumir um alimento com propósito, rastreabilidade e alma.

Embora o feijão seja nativo das Américas, a Europa foi o primeiro palco a elevar o grão ao status de alta culinária. Não existe um único inventor da gourmetização, mas a França desempenhou um papel crucial através do cassoulet. O que era um cozido camponês de feijão branco foi refinado com confit de pato e cordeiro, tornando-se um ícone mundial.

Diz a lenda que Catarina de Médici, no século 16, foi quem levou as sementes para a nobreza francesa, iniciando a aceitação do grão nas mesas reais.

No Brasil, esse fenômeno ganhou força recentemente. Saímos do trivial para as cartas de vinhos e menus degustação. A gourmetização brasileira está seguindo caminhos fascinantes, como a releitura da feijoada, transformada em evento de slow food (o prazer de comer, valorizando a cultura local) e o resgate de variedades nobres.

tipo de feijão e influência

Feijões como o manteiguinha de Santarém, o roxinho e o andu saíram das roças regionais para os menus de chefs premiados, servidos como acompanhamentos delicados para frutos do mar e carnes nobres.

Uma herança milenar

A narrativa que encanta o mercado internacional está enraizada no solo da América do Sul há milênios. Os Caminhos do Peabiru, que em tupi significa caminho de grama amassada, formavam uma rede de trilhas transcontinentais que conectavam o Atlântico aos Andes. Construído pelos incas e consolidado pelos índios há mais de 1.500 anos, esse sistema era a artéria por onde circulavam culturas e alimentos.

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O feijão era o combustível dessas rotas místicas. Séculos depois, foi esse mesmo grão que garantiu a expansão do território brasileiro no lombo dos tropeiros. Por ser um alimento que não perecia e oferecia a energia necessária, o feijão acompanhou o desbravador onde nada mais chegava. Ao exportarmos nosso feijão, estamos entregando milênios de resiliência. É essa história que agrega valor e diferencia o grão brasileiro da concorrência global.

Feijão pronto para consumo

A vida em 2026 exige praticidade. Uma das maiores tendências é o crescimento do feijão pronto para o consumo. A rotina moderna silenciou a panela de pressão em muitos lares, mas o desejo pela nutrição de verdade permanece vivo.

Seja cozido no vapor, embalado a vácuo ou transformado em snacks funcionais, o feijão pronto para comer é a ponte entre a tradição e a modernidade. O Brasil já exporta o grão em grandes volumes, mas o próximo passo estratégico é levar essa tecnologia de processamento e a nossa história aos consumidores de todo o mundo.

O feijão não é apenas uma commodity. Ele é a nossa história contada em grãos. É a proteína que o planeta precisa com o sabor que só a nossa terra e o nosso passado podem oferecer. Temos a narrativa, temos a qualidade e temos a escala. O que precisamos agora é de ousadia para levar essa história ao mundo, tratando o feijão-carioca e suas variedades com o orgulho e a sofisticação que elas merecem. O mundo está com fome de feijão, mas, acima de tudo, está com fome da nossa história. Vamos entregá-la.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.

Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.

Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.

Mudança na dieta e no comportamento

Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.

O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.

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Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.

Oportunidades estratégicas para o Brasil

Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.

As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.

Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.

Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

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Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

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Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

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Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

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Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

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Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


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