Connect with us
5 de julho de 2026

Business

O renascimento do feijão: por que o mundo redescobriu a nossa proteína com alma?

Published

on


Foto: Pixabay

No prato do brasileiro, o feijão nunca foi apenas comida. Ele sempre foi o abraço de casa, o cheiro da cozinha da infância e o alicerce da nossa identidade. No entanto, ao abrirmos as cortinas de 2026, vemos uma transformação sem precedentes.

Além das nossas fronteiras, o feijão deixou de ser um simples acompanhamento para se tornar a estrela de uma revolução alimentar global. Existe uma busca voraz por proteínas saudáveis e sustentáveis, e o Brasil está sentado sobre uma mina de ouro. Não falamos apenas de grãos, mas de histórias que o mundo está ávido para consumir.

A cafeinização do feijão

Para entender o potencial do que temos nas mãos, precisamos olhar para o que aconteceu com o mercado de café. Há algumas décadas, o café era tratado como uma commodity genérica, vendido apenas pelo volume e preço. Hoje, o cenário é outro. O consumidor paga prêmios por nuances de sabor, notas sensoriais, altitude e, principalmente, pela história do produtor.

O feijão está trilhando exatamente esse caminho de valorização. Podemos e devemos explorar essa similaridade com o café para elevar a margem de lucro de quem produz e o prazer de quem consome. Onde antes se via apenas um grão básico, hoje se enxerga uma superfood versátil.

Variedades como o feijão-vermelho, o feijão-fradinho, o feijão-rajado e o nosso tradicional feijão-preto agora ganham as prateleiras internacionais com um novo status. O consumidor moderno não quer apenas saciar a fome. Ele busca a experiência de consumir um alimento com propósito, rastreabilidade e alma.

Embora o feijão seja nativo das Américas, a Europa foi o primeiro palco a elevar o grão ao status de alta culinária. Não existe um único inventor da gourmetização, mas a França desempenhou um papel crucial através do cassoulet. O que era um cozido camponês de feijão branco foi refinado com confit de pato e cordeiro, tornando-se um ícone mundial.

Diz a lenda que Catarina de Médici, no século 16, foi quem levou as sementes para a nobreza francesa, iniciando a aceitação do grão nas mesas reais.

No Brasil, esse fenômeno ganhou força recentemente. Saímos do trivial para as cartas de vinhos e menus degustação. A gourmetização brasileira está seguindo caminhos fascinantes, como a releitura da feijoada, transformada em evento de slow food (o prazer de comer, valorizando a cultura local) e o resgate de variedades nobres.

tipo de feijão e influência

Feijões como o manteiguinha de Santarém, o roxinho e o andu saíram das roças regionais para os menus de chefs premiados, servidos como acompanhamentos delicados para frutos do mar e carnes nobres.

Uma herança milenar

A narrativa que encanta o mercado internacional está enraizada no solo da América do Sul há milênios. Os Caminhos do Peabiru, que em tupi significa caminho de grama amassada, formavam uma rede de trilhas transcontinentais que conectavam o Atlântico aos Andes. Construído pelos incas e consolidado pelos índios há mais de 1.500 anos, esse sistema era a artéria por onde circulavam culturas e alimentos.

O feijão era o combustível dessas rotas místicas. Séculos depois, foi esse mesmo grão que garantiu a expansão do território brasileiro no lombo dos tropeiros. Por ser um alimento que não perecia e oferecia a energia necessária, o feijão acompanhou o desbravador onde nada mais chegava. Ao exportarmos nosso feijão, estamos entregando milênios de resiliência. É essa história que agrega valor e diferencia o grão brasileiro da concorrência global.

Feijão pronto para consumo

A vida em 2026 exige praticidade. Uma das maiores tendências é o crescimento do feijão pronto para o consumo. A rotina moderna silenciou a panela de pressão em muitos lares, mas o desejo pela nutrição de verdade permanece vivo.

Seja cozido no vapor, embalado a vácuo ou transformado em snacks funcionais, o feijão pronto para comer é a ponte entre a tradição e a modernidade. O Brasil já exporta o grão em grandes volumes, mas o próximo passo estratégico é levar essa tecnologia de processamento e a nossa história aos consumidores de todo o mundo.

O feijão não é apenas uma commodity. Ele é a nossa história contada em grãos. É a proteína que o planeta precisa com o sabor que só a nossa terra e o nosso passado podem oferecer. Temos a narrativa, temos a qualidade e temos a escala. O que precisamos agora é de ousadia para levar essa história ao mundo, tratando o feijão-carioca e suas variedades com o orgulho e a sofisticação que elas merecem. O mundo está com fome de feijão, mas, acima de tudo, está com fome da nossa história. Vamos entregá-la.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post O renascimento do feijão: por que o mundo redescobriu a nossa proteína com alma? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Junho recupera ânimo dos preços de soja no Brasil; Chicago recua com cenário favorável nos EUA

Published

on


Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja registrou, em junho, recuperação dos preços domésticos e melhora pontual na comercialização. O movimento foi sustentado principalmente pela valorização do câmbio, prêmios firmes ao longo de grande parte do mês e pela queda dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).

Nas principais praças do país, as cotações avançaram de forma consistente. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 125,50 para R$ 131,50. Em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 120,50 para R$ 126,50. Já em Rondonópolis (MT), a valorização foi de R$ 109,00 para R$ 117,00. No Porto de Paranaguá, a cotação avançou de R$ 131,50 para R$ 137,50 por saca.

Entre os principais fatores formadores de preços, o dólar comercial acumulou alta de 2,34% em junho, encerrando o período a R$ 5,16. Em contrapartida, na CBOT, os contratos com vencimento em novembro recuaram 3,8% no mês, fechando a US$ 11,44 por bushel.

  • Saiba as notícias mais recentes sobre a soja na comunidade Soja Brasil no WhatsApp!

Soja em Chicago

No cenário internacional, os fundamentos seguem pressionando as cotações em Chicago. As condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, elevando as perspectivas de uma safra cheia e ampliando a já confortável oferta global.

Além disso, o arrefecimento do conflito no Oriente Médio levou os preços do petróleo de volta aos níveis anteriores ao período de tensão, contribuindo para a pressão sobre as commodities agrícolas. A valorização do dólar também reduz a competitividade da soja dos Estados Unidos no mercado internacional.

Apesar desse quadro, o mercado segue atento ao comportamento da demanda chinesa, que pode oferecer suporte às cotações em Chicago nos próximos meses.

USDA

No relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área plantada com soja em 2026 foi estimada em 85,4 milhões de acres, alta de 5% em relação ao ano anterior. O número ficou em linha com as expectativas do mercado e acima da projeção divulgada em março.

Já os estoques trimestrais, na posição de 1º de junho, somaram 1,06 bilhão de bushels, volume 5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado também veio acima da expectativa do mercado.

Do total armazenado, 367 milhões de bushels estão nas propriedades rurais, representando queda de 11% na comparação anual. Por outro lado, os estoques fora das fazendas atingiram 694 milhões de bushels, com avanço em relação ao ano anterior, reforçando o quadro de oferta confortável no mercado global.

O post Junho recupera ânimo dos preços de soja no Brasil; Chicago recua com cenário favorável nos EUA apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Látex de jaca pode ajudar no tratamento de doença que causa perda dos dentes

Published

on


Foto: divulgação/Prefeitura Municipal de Lagarto

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biomaterial à base de látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina (medicamento à base de estatinas) que se mostrou promissor para o tratamento da periodontite em testes de laboratório.

A periodontite é uma enfermidade inflamatória crônica, de origem infecciosa, que leva à destruição progressiva dos tecidos de suporte do dente, resultando em reabsorção óssea e perda de inserção (perda do dente).

Os tratamentos convencionais visam controlar a infecção e a inflamação, sem promover a renovação dos tecidos periodontais de maneira efetiva, o que faz com que tenham resultados limitados em longo prazo.

Técnicas como regeneração tecidual guiada e enxerto ósseo já foram propostas para esses casos, mas seus efeitos clínicos permanecem variáveis e, por vezes, imprevisíveis.

Para reverter esse problema, os pesquisadores focaram em explorar biomateriais naturais e bioativos que pudessem atuar de forma integrada no combate ao quadro.

O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba. Os resultados foram divulgados na revista Polymer Bulletin.

“Começamos a ver o látex extraído da jaca como uma alternativa interessante, pois ele apresenta uma característica adesiva. Isso nos fez pensar que ele poderia permanecer mais tempo no local afetado pela periodontite, favorecendo a liberação mais direcionada dos compostos terapêuticos e, potencialmente, reduzindo a necessidade do uso sistêmico de antibióticos”, conta a professora Eliana Aparecida de Rezende Duek, do Departamento de Cirurgia da FCMS.

Como foi feita a combinação

O látex, após extraído, foi combinado com extrato de casca de romã, que tem reconhecido potencial antimicrobiano para aplicação local, e sinvastatina, um fármaco com atividade anti-inflamatória que tem sido amplamente estudado pelo seu potencial de estimular a formação óssea.

A combinação desses elementos resultou em uma matriz mucoadesiva (ou seja, que adere às mucosas do corpo) com capacidade de atuar diretamente no local da lesão.

O efeito da sinvastatina aplicada localmente também se torna mais eficaz, já que, quando a substância é administrada por via oral, é predominantemente retida pelo fígado, com apenas uma pequena fração atingindo a circulação sistêmica, o que exige doses mais elevadas que podem aumentar o risco de efeitos adversos, incluindo degeneração muscular aguda.

No trabalho, os cientistas fizeram um experimento em que o látex, após ser extraído manualmente de jacas recém-colhidas, passou por um processo cuidadoso de purificação. A partir dessa matriz foi incorporado o extrato de casca de romã.

Avaliação da eficácia

Para avaliar a eficácia, foi conduzido um ensaio in vitro com células-tronco derivadas do tecido adiposo humano com a formulação e diferentes concentrações da sinvastatina (0,3%, 0,6% e 1,2%) que não alteraram a estrutura do gel e são tecnicamente seguras.

Todas se mostraram capazes de aumentar a osteoindução (ou seja, fazer com que as células-tronco se diferenciassem em osteoblastos, as células responsáveis pela formação de novo tecido ósseo) em 14 dias, com um efeito ainda mais pronunciado após 21 dias, corroborando o potencial do material para o tratamento da periodontite.

“Observamos que o biomaterial desenvolvido apresenta um grande potencial para aplicações futuras no tratamento da periodontite e até em outras áreas, especialmente por envolver um material ainda pouco explorado na literatura científica para uso biomédico”, diz Duek. 

Apesar dos resultados bastante promissores, pondera a pesquisadora, ainda será preciso vencer etapas importantes da pesquisa, como testes em animais e em pacientes.

O post Látex de jaca pode ajudar no tratamento de doença que causa perda dos dentes apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Como crise no café deu origem ao Instituto Biológico, hoje referência para o agro brasileiro

Published

on


Foto: reprodução/Planeta Campo

Biológico se consolidou como uma das principais referências em pesquisa, diagnóstico e inovação voltadas à sanidade animal, vegetal e à proteção ambiental.

Ao longo de quase um século, a instituição ampliou sua atuação e hoje desenvolve tecnologias que ajudam a tornar a produção agropecuária mais eficiente e sustentável.

O Instituto Biológico foi criado em 1927, após uma grave crise que atingiu a cafeicultura paulista na década de 1920. Na época, uma praga ainda desconhecida provocava grandes prejuízos aos cafezais do estado, levando produtores a recorrerem ao governo em busca de soluções.

“Uma praga ou uma doença (eles não sabiam o que era) acometeu os cafezais. Esses produtores foram até o governador pedir ajuda. E o governador então montou uma comissão de pesquisadores, de pessoas da época”, contou a coordenadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia de Carvalho Campos.

Essa equipe se reúne e descobre que o problema estava sendo causado por um pequeno besouro. Ana Eugênia explica que a fêmea colocava o ovo no fruto do café e a larva se alimentava, o que depreciava esse fruto.

Na época, pesquisadores identificaram que o inseto era originário da África e desenvolveram uma estratégia pioneira de controle biológico, baseada na introdução de um inimigo natural da praga. De acordo com Ana Eugênia, a iniciativa pode ser considerada um dos primeiros programas de controle biológico conduzidos pelo poder público no Brasil.

A partir desse trabalho, surgiu a necessidade de criar uma instituição permanente para apoiar os produtores rurais diante de novos desafios sanitários. Assim nasceu o Instituto Biológico, que já em seu primeiro ano expandiu as pesquisas para a sanidade animal e, posteriormente, incorporou ações voltadas à proteção ambiental.

Patrimônio científico e histórico

Além da produção científica, o Instituto reúne importantes patrimônios históricos e ambientais. A sede abriga um dos maiores cafezais urbanos do mundo, um acervo entomológico com milhares de insetos (considerado um dos mais antigos e relevantes do estado de São Paulo) e um edifício histórico construído no final da década de 1920.

Pesquisa com formigas busca alternativas sustentáveis

Entre as diversas linhas de pesquisa desenvolvidas atualmente está o estudo das formigas, coordenado por Ana Eugênia. Especialista em insetos sociais, ela dedica sua carreira ao entendimento do comportamento desses organismos e ao desenvolvimento de métodos sustentáveis para o controle de formigas cortadeiras, uma das principais pragas agrícolas.

“As formigas cortadeiras se tornam um problema para o agricultor. Geralmente quase todas as culturas podem ser cortadas pelas formigas cortadeiras. Então, o agricultor tem que ter uma atenção muito grande e nos preocupamos com esse manejo adequado. Temos trabalhado com microrganismos endofíticos (fungos especificamente) no controle de formigas cortadeiras”, destaca.

Formigas
Foto: reprodução/Planeta Campo

Segundo a pesquisadora, existem cerca de 20 mil espécies de formigas no planeta, sendo aproximadamente 2 mil registradas no Brasil. A grande maioria exerce funções essenciais para o equilíbrio ambiental, como ciclagem de nutrientes, incorporação de matéria orgânica ao solo e controle natural de outras populações de insetos.

No entanto, algumas espécies, como as formigas cortadeiras, podem provocar prejuízos em praticamente todas as culturas agrícolas. Por isso, o Instituto desenvolve pesquisas com microrganismos endofíticos, especialmente fungos, como alternativa ao controle químico dessas pragas.

Ciência voltada ao produtor

Atualmente, o Instituto Biológico conta com laboratórios certificados pela norma internacional ISO 17025, que garante a qualidade dos diagnósticos laboratoriais, inclusive para processos ligados à exportação de produtos agropecuários.

Além dos diagnósticos de doenças em plantas e animais, as pesquisas também estão voltadas ao desenvolvimento de bioinsumos, novas biotecnologias e processos que reduzam o impacto ambiental da produção rural.

A atuação da instituição também contempla o monitoramento de resíduos de defensivos agrícolas em alimentos, água, solo e polinizadores, como as abelhas, contribuindo para a segurança alimentar e a preservação dos recursos naturais.

Ao completar quase 100 anos de história, o Instituto Biológico mantém a missão que motivou sua criação: transformar conhecimento científico em soluções para fortalecer a produção agropecuária, proteger o meio ambiente e garantir alimentos cada vez mais seguros para a população.

O post Como crise no café deu origem ao Instituto Biológico, hoje referência para o agro brasileiro apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT