Sustentabilidade
Exportação de soja deve ter salto de 114% em janeiro, projeta Anec

As exportações brasileiras de soja em grão devem somar 2,40 milhões de toneladas em janeiro de 2026, crescimento de 113,8% em comparação com 1,12 milhão de toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025, segundo projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
O salto nos embarques reflete a chegada antecipada da safra 2025/26 aos portos, com a colheita já iniciada em Mato Grosso (0,1%) e Paraná (1%).
Já para o milho, a estimativa aponta embarques de 2,85 milhões de toneladas em janeiro, recuo de 10,6% ante 3,19 milhões de toneladas exportadas em mesmo período do ano passado.
A projeção da Anec para as exportações de farelo de soja indica 1,64 milhão de toneladas, estável na comparação com 1,64 milhão de toneladas de janeiro de 2025.
No caso do trigo, a projeção aponta 287,4 mil toneladas em janeiro, queda de 56,5% sobre 660,7 mil toneladas embarcadas em janeiro de 2025.
Programação dos portos
Na semana entre 4 e 10 de janeiro, o line-up de embarques prevê 598,9 mil toneladas de soja, com destaque para Santos (259,2 mil t), Paranaguá (132 mil t) e Itacoatiara (82,3 mil t).
Para o milho, estão programadas 1,25 milhão de toneladas, lideradas por Santos (423,7 mil t), Paranaguá (175 mil t) e Santarém (147,7 mil t).
O farelo de soja deve registrar 326 mil toneladas no período, com Santos (150,4 mil t), Rio Grande (47 mil t) e Santarém (48,6 mil t) concentrando os maiores volumes.
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Na semana anterior, de 28 de dezembro a 3 de janeiro, os embarques somaram 501,8 mil toneladas de soja, 469,2 mil toneladas de farelo, 1,45 milhão de toneladas de milho e 47,4 mil toneladas de trigo.
Os principais volumes de soja saíram por Paranaguá (264,5 mil t), Santos (166,9 mil t) e Itacoatiara (47,5 mil t), enquanto o milho se concentrou em Santos (544 mil t), Barcarena (337,3 mil t) e Santarém (196,9 mil t).
Recorde de exportações
Dados da Anec mostram que o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de soja, totalizando 108,68 milhões de toneladas, alta de 11,7% sobre 97,29 milhões de toneladas de 2024. O volume superou o recorde anterior de 101,31 milhões de toneladas registrado em 2023 e representou US$ 43,5 bilhões em divisas.
A China manteve-se como principal destino, absorvendo 87,1 milhões de toneladas (80% do total), seguida por Espanha com 3,7 milhões de toneladas (3%) e Tailândia com 3,2 milhões de toneladas (3%).
As exportações de milho somaram 41,59 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 9,9% ante 37,83 milhões de toneladas do ano anterior, gerando US$ 8,6 bilhões em receitas. O Irã liderou as compras com 9,5 milhões de toneladas (23%), seguido pelo Egito com 7,6 milhões (18%) e Vietnã com 4,4 milhões (11%).
O Arco Norte consolidou sua posição no escoamento do cereal, respondendo por 52,1% das exportações, enquanto Santos concentrou 47,9%. O farelo de soja registrou 23,08 milhões de toneladas exportadas em 2025, alta de 1% sobre 22,84 milhões de toneladas de 2024. A Indonésia foi o principal destino com 16% do total, seguida por Tailândia (12%), Holanda (10%), França (8%), Espanha (8%), Polônia (7%) e Coreia do Sul (7%).
No caso do trigo, o Brasil exportou 2,32 milhões de toneladas, recuo de 10% em relação a 2024. O Vietnã concentrou 46% dos embarques brasileiros do cereal, seguido por Bangladesh (18%) e Indonésia (12%).
No consolidado, o volume total de produtos (soja, farelo, milho e trigo) exportados pelo Brasil atingiu 175,68 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 9,4% sobre as 160,55 milhões de toneladas de 2024.
Perspectivas 2026
A safra brasileira de grãos 2025/26 está estimada em 354,8 milhões de toneladas, com a produção de soja projetada em 177,1 milhões de toneladas. O plantio da oleaginosa atingiu 98,2% até a primeira semana de janeiro.
Para 2026, a Anec estima exportações de soja em torno de 110 milhões de toneladas, com intensificação dos embarques a partir de fevereiro. A safra de milho 2025/26 está projetada em 138,9 milhões de toneladas, com área de 22,7 milhões de hectares ante 21,8 milhões de hectares da safra anterior. Apesar da área maior, a produtividade deverá reduzir cerca de 5% em função do elevado rendimento médio registrado na safra anterior.
O plantio da primeira safra atingiu 88,3% até a primeira semana de janeiro, concentrado na região Sul. A semeadura da segunda safra deve começar ainda em janeiro. A Anec ressalta que os volumes podem sofrer alterações em virtude de condições operacionais, climáticas e logísticas nos portos.
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Sustentabilidade
Perdeu o Soja Brasil? Veja os destaques da última edição do programa

O que movimenta a safra de soja 2026/27 no Brasil? A última edição do programa Soja Brasil reúne reportagens sobre pesquisa agrícola na China, os desafios do plantio no Paraná e os impactos do clima para os produtores rurais.
A expedição Soja Brasil percorre Mato Grosso para mostrar os desafios logísticos do escoamento da produção, desde o transporte rodoviário até a integração com as ferrovias. O programa também acompanha o avanço do plantio pelo país e traz a previsão do tempo para a primavera, com alertas para o calor e a irregularidade das chuvas em diferentes regiões.
Outro destaque é a tecnologia no campo. Na abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT), produtores conheceram máquinas e soluções voltadas à precisão das operações, à economia de fertilizantes e à eficiência no trabalho agrícola.
Na China, a equipe mostra como pesquisadores investem em melhoramento genético, manejo do solo e rotação de culturas para ampliar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações. Já no Paraná, o excesso de umidade dificulta a semeadura em algumas regiões e acende o alerta para possíveis impactos no calendário do milho safrinha.
O programa traz ainda informações sobre o ritmo do plantio no Brasil e os principais assuntos em destaque no portal Soja Brasil, incluindo o manejo de pragas e doenças e histórias de produtores rurais.
Sustentabilidade
Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.
Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.
A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.
Confira:
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
- Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
- Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.
Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.
As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.
Sustentabilidade
Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.
Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.
O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).
A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).
Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.
Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.
Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?

Referências:
ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.
WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.

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