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18 de junho de 2026

Sustentabilidade

Atenção com condições favoráveis à ferrugem – MAIS SOJA

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Os relatos da ocorrência de ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) em lavoras comerciais vem aumentando na safra 2025/2026. Em apenas seis dias (de 2 de Janeiro a 8 de Janeiro), os casos relatados passaram de 91 para 128, uma aumento de aproximadamente 40% (Consórcio Antiferrugem, 2026).

Dentre os estados mais afetados pela doença, destacam-se o Paraná com 77 casos, o Mato Grosso do Sul com 39 casos e o Rio Grande do Sul, com 5 casos até o momento (figura 1). Esse aumento significativos dos casos apresenta relação principalmente com as condições climáticas e ambientais favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem, associadas a presenta de inóculo do fungo em áreas próximas.

Figura 1. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 quanto ao estado de ocorrência. Atualização de 8 de Janeiro de 2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem (2025)

Além dos casos já registrados em lavouras comerciais, o mapa de dispersão da ferrugem-asiática demonstra a presença de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi em grande parte do Paraná, o que pode resultar nem um aumento expressivo dos casos de ocorrência da doença, caso condições de umidade e temperatura favoreçam a infecção pelo fungo.

Figura 2. Mapa de dispersão dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 no Brasil. Atualização de 8 de Janeiro de 2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem (2025)
Condições favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem

Mesmo na presença de esporos da ferrugem, para que ocorra a infecção na planta é necessária a presença de água livre na superfície da folha. São necessários no mínimo 6 horas de molhamento foliar, com o  máximo de infecção ocorre com 10 a 12 horas de água livre na folha. O molhamento foliar pode ser proveniente de orvalho ou de chuvas. Temperaturas entre 18 ° C e 26,5 ° C também favorecem o desenvolvimento da ferrugem (Soares et al., 2023).

Figura 3. Molhamento foliar, água livre em folhas de soja.

Para o controle químico da ferrugem-asiática, a prevenção é fundamental. A aplicação de fungicidas deve ocorrer antes do surgimento da doença ou logo nos primeiros sintomas. Para maximizar a eficácia, recomenda-se o uso de fungicidas de alta performance em associação com produtos multissítios. Além disso, é crucial rotacionar os modos de ação dos fungicidas ao longo do programa fitossanitário. Essa prática reduz a pressão de seleção de biótipos resistentes do fungo, sendo uma estratégia essencial para o manejo da resistência.


Veja mais: Eficiência de fungicidas no controle da ferrugem-asiática


Alerta: Danos

Considerada uma das doenças mais agressivas da soja, dependendo da suscetibilidade da cultivar e severidade da doença, as perdas de produtividade em função da ocorrência da ferrugem podem chegar a 90% (Godoy et al., 2025).

Ao determinar o modelo de ponto crítico para estimar danos causados pela ferrugem-asiática em soja, Danelli; Reis; Boaretto (2015) observaram que para cada 1% de incidência foliolar, para a densidade de lesões variaram de 13,34 a 127,4 kg/ha/1 lesão/cm² e para densidade urédias variaram de 5,53 a 110,0 kg/ha/1 uredia/cm², tem-se a redução da produtividade de 3,41 a 9,02 kg/ha.

Figura 4. Escala diagramática para avaliação da severidade da ferrugem da soja.
Fonte: Godoy et al. (2006).

Vale destacar que a redução da produtividade causada pela ferrugem pode estar ligada a fatores como cultivar, ambiente e severidade da doença. Sobretudo, considerando a agressividade da doença, medidas preventivas devem ser adotadas para o controle da ferrugem, especialmente em áreas vizinhas aos casos relatados e/ou com presença de esporos do fungo.

Para acompanhar as atualizações do Consórcio Antiferrugem clique aqui!

Referências:

CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DA DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2025. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 08/01/2026.

DANELLI, A. L. D.; REIS, E. M.; BORETTO, C. CRITICAL-POINT MODEL TO ESTIMATE YIELD LOSS CAUSED BY ASIAN SOYBEAN RUST. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 41, n. 4, p. 262-269, 2015. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/sp/v41n4/0100-5405-sp-41-4-0262.pdf >, acesso em: 08/01/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 2019, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1177349 >, acesso em: 08/01/2026.

GODOY, C. V.; KOGA, L. J.; CANTERI, M. G. DIAGRAMMATIC SCALE FOR ASSESSMENT OF SOYBEAN RUST SEVERITY. Fitopatologia Brasileira, p. 63-68, 2006. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/fb/a/7zsWfRPH6xXNGHjsS4ZSNwN/?format=pdf&lang=en >, acesso em: 08/01/2026.

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1158639 >, acesso em: 08/01/2026.

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Sustentabilidade

Calagem do solo e custos: o perigo das soluções “mágicas” – MAIS SOJA

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O agricultor vive um momento bastante desafiador. O mercado apresenta um conjunto de situações que tornam difíceis as tomadas de decisão – como elevação dos custos e dos insumos.

Nesse cenário, surgem soluções “mágicas” ou que prometem milagres no cultivo. Em contraponto, profissionais pregam a adoção de técnicas consagradas de calagem do solo, com produtos já comprovados cientificamente.

Essa postagem tem o objetivo de proteger o patrimônio do agricultor, trazendo-o de volta para a ciência do solo de forma prática. Fique conosco até o final e saiba mais!

. 5 pontos para o agricultor ficar de olho

1. A armadilha: o “barato que sai caro”

Precisamos desmistificar as promessas de calcários em outros formatos que não sejam pó. Sim, há produtos diferenciados, em outros formatos. Porém, não se trata de calcários, dentro do que é preconizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Também surgem fórmulas “superconcentradas”, que prometem substituir calcário. As mensagens enchem os olhos, com a promessa de reduzir custos na aplicação e no frete.

Lembre-se: o calcário agrícola é vendido acompanhado de documentação que apresenta suas características, como a granulometria, por exemplo. A autorização do MAPA também é citada nessa documentação e pode ser checada no site do ministério.

2. A matemática do solo gera neutralização real

A correção da acidez é uma reação química que depende de quantidade, ou seja, massa. Para neutralizar o alumínio tóxico e elevar o pH de um hectare de área plantada ou pastagem, o solo precisa de volume real de Cálcio e Magnésio.

O Cálcio é essencial para os tecidos da planta. Já o Magnésio surge na clorofila e garante a energia da lavoura.

3. O tripé da calagem tradicional

O calcário traz vários benefícios, mas há 3 principais: fornecimento de Cálcio e Magnésio, melhoria do ambiente para as raízes da planta e aumento da eficiência dos fertilizantes, como os conhecidos NPK.

4. Alerta: prejuízo duplo à vista!

O agricultor não perde apenas o dinheiro investido quando se socorre do produto “milagreiro”, mas perde também o potencial produtivo da safra inteira porque o solo continuará ácido.

E, em algum momento, esse desequilíbrio trará prejuízos.

5. “Mas o que devo ficar de olho nos produtos que corrigem a acidez do solo?”

A orientação é seguir um “passo a passo” que ajuda a identificar eventuais falhas. Exigir o PRNT e o registro no Mapa é uma ação necessária. Fazer a análise do solo é fundamental.

Em resumo

A aplicação de calcário permanece como a prática mais segura, barata e eficiente para o bolso do produtor.

Em momentos de custos altos, a melhor estratégia é errar menos.

Proteger o seu solo com o calcário e a orientação técnica correta é a única garantia de que todo esforço se transformará em sacas colhidas no final da temporada.

Esse vídeo do pesquisador Heitor Cantarella, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), aborda medidas simples que podem ser adotadas.

Fonte: Abracal

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Sustentabilidade

Conheça os vencedores do Prêmio Personagem Soja Brasil 25/26!

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Mauricio Buffon entrega prêmio Personagem Soja Brasil | Foto: Junner Schmidt

E chegou o momento de conhecer os vencedores do Personagem Soja Brasil 25/26. A premiação realizada em Campo Grande (MS) reconheceu produtores e pesquisadores que se destacam pelo trabalho, pela inovação e pela contribuição ao desenvolvimento do agro brasileiro.

Na categoria pesquisador por voto popular, o troféu foi entregue pelo presidente licenciado da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, ao vencedor Leandro Paiola, pesquisador da Supra Pesquisa e da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A entrega foi realizada por Rafael Scapini, gerente comercial da Ihara.

“Todos merecem ser premiados. Nosso agro só é o que é porque temos pesquisadores e produtores que fazem a diferença. Agradeço à minha família pelo apoio e a todos que fazem parte dessa caminhada. Ninguém faz nada sozinho, construímos resultados a partir de interações e conexões”, afirmou Leandro Paiola.

Produtores homenageados

Na categoria produtor por voto popular, o presidente da Aprosoja MS, Jorge Michel, apresentou o vencedor João Damasceno. Ele destacou que todos os indicados já representam uma conquista pelo trabalho desenvolvido no campo.

“Todos já são ganhadores só de serem indicados. O reconhecimento valoriza produtores que fazem a diferença e ajudam a fortalecer o agro brasileiro”, afirmou Jorge Michel.

O presidente do Canal Rural, Julio Cargnino, entregou o prêmio ao vencedor da categoria produtor pela comissão julgadora. A homenagem reconheceu a trajetória e a dedicação dos produtores que representam a força do campo.

A vencedora foi Maira Lelis, que agradeceu o reconhecimento e destacou a emoção de representar produtores e pesquisadores do setor. Ela explicou que a premiação simboliza a importância da ciência, da pesquisa e da tecnologia para o avanço do agro.

“É uma honra muito grande estar aqui. Estou emocionada, meu coração está saltitando. Poder representar tantos produtores e pesquisadores, levar o agro que transforma, que inova e mostrar que somos produtores responsáveis é uma alegria muito grande. Se não fosse a ciência e a pesquisa, hoje o agro do Brasil não estaria nesses patamares”, afirmou.

Maira também ressaltou que acompanha de perto a evolução dentro da fazenda e como as novas tecnologias contribuem para uma produção mais sustentável. “Estamos na quarta geração dentro da fazenda e vemos toda essa inovação chegando ao campo. Junto com as tecnologias conseguimos fazer um agro mais sustentável”, concluiu.

Premiação se faz pela coletividade

A premiação também contou com homenagens especiais na categoria pesquisador e produtor. Subiram ao palco Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa Soja, e Carlos Eduardo Carnieletto, produtor com atuação em manejo integrado de pragas.

Fernando Adegas explicou que o reconhecimento representa um trabalho coletivo envolvendo diferentes profissionais e instituições. “É um grande prazer participar deste prêmio. Esse reconhecimento individual é um prêmio coletivo para todos que estão comigo, pesquisadores, universidades, instituições de pesquisa e a Embrapa”, afirmou.

Carlos Eduardo Carnieletto falou sobre a emoção de receber a homenagem e destacou a importância da família e dos parceiros nessa trajetória. “É uma satisfação enorme. Nunca sonhei em estar em um lugar como esse. Agradeço ao meu pai, minha mãe, que começaram essa história no interior do Paraná, e a todos os parceiros que fizeram parte dessa caminhada”, concluiu.

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Sustentabilidade

Coinoculação: uma estratégia eficiente para o aumento de produtividade da soja – MAIS SOJA

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O nitrogênio (N) é o nutriente mais requerido pela soja, desempenhando papel fundamental na formação de proteínas, no crescimento vegetativo e na definição do potencial produtivo da cultura. Sua deficiência pode limitar significativamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade. Embora a adubação nitrogenada seja uma alternativa para suprir a demanda de N, seu uso em soja apresenta baixa viabilidade econômica, já que por meio da fixação biológica de nitrogênio (FBN) bactérias fixadoras de N, do gênero Bradyrhizobium, são capazes de fornecer todo o nitrogênio necessário para boas produtividades, via simbiose.

Além da inoculação padrão com bactérias do gênero Bradyrhizobium, estudos demonstram que a coinoculação da soja, com o uso adicional de bactérias do gênero Azospirillum tem demonstrado grande viabilidade técnicas e econômica para a cultura da soja, principalmente pelos bons resultados decorrentes da FBN e do estímulo ao crescimento radicular promovido pelo Azospirillum. Conforme observado por  Santos et al., (2024), a coinoculação da soja o uso combinado dessas bactérias contribui de forma efetiva para o melhor desenvolvimento vegetal, especialmente do sistema radicular da planta.

Ganhos na produtividade

Embora os benefícios da coinoculação na produtividade da soja sejam amplamente relatados, principalmente quando comparada a cultivos sem inoculação ou apenas inoculados, os ganhos proporcionados em relação à adubação mineral ainda constituem uma importante linha de investigação. Avaliando parâmetros biométricos e produtivos de plantas de soja submetidas à inoculação, coinoculação e adubação com fertilizantes químicos no Cerrado Sul-Mato-Grossense, Barboza & Costa (2026) observaram que a coinoculação promoveu incremento de aproximadamente 8,5% na produtividade da cultura, equivalente a um aumento de cerca de 3,5 sacas ha⁻¹ em comparação à adubação química (Tabela 1).

Tabela 1. Avaliação da Inoculação com bactéria fixadora de nitrogênio, Bradyrhizobiume da coinoculação com Bradyrhizobium+ Azospirillum na cultura da soja, na cultivar Brasmax 65i65 Intacta.
Médias seguidas da mesma letra na mesma coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05). AP: altura de planta; AV: altura de inserção da primeira vagem; NV: número de vagens; NG: número de grãos; M100: massa de 100 grãos; PROD: produtividade; CV: coeficiente de variação. *Adubação química consistiu no uso de 200 kg ha-1 do fertilizante N-P-K 07-40-02.
Fonte: Barboza & Costa (2026)

Os resultados obtidos por Barboza & Costa (2026) corroboram os dados reportados na literatura, incluindo os ensaios conduzidos pela Embrapa, que evidenciam incrementos médios de produtividade de 8% com a inoculação tradicional e de 16% com a coinoculação utilizando Bradyrhizobium + Azospirillum (Prando et al., 2019). Esses resultados reforçam o potencial da coinoculação como uma estratégia eficiente para otimizar a contribuição da fixação biológica de nitrogênio e favorecer o desempenho produtivo da soja, inclusive em ambientes de Cerrado.

Confira o estudo completo desenvolvido por Barboza & Costa (2026) clicando aqui!



Referências:

BARBOZA, A. F.; COSTA, F. A. EFEITO DA COINOCULAÇÃO DE Bradyrhizobiume Azospirillumna PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA NO CERRADO SUL-MATO-GROSSENSE. Research, Society and Development, 2026. Disponível em: < https://rsdjournal.org/rsd/article/view/51133/40113 >, acesso em: 18/06/2026.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium e Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf >, acesso em: 18/06/2026.

SANTOS, A. L. G. et al. IMPORTÂNICA DAS TÉCNICAS DE INOCULAÇÃOE COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Scientific Electronic Archives, 2024. Disponível em: < https://scientificelectronicarchives.org/index.php/SEA/article/view/2019 >, acesso em: 18/06/2026.

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