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24 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Déficit hídrico: Relação com produtividade e efeitos na soja – MAIS SOJA

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A disponibilidade hídrica é um os principais, se não o principal fator limitante da produtividade da soja. Ainda que varie em função da cultivar, estima-se que para expressar bom potencial produtivo, a soja necessite de 450 mm a 800 mm bem distribuídos durante seu ciclo (Neumaier et al., 2020). No Brasil, a limitação hídrica tem um impacto significativo, especialmente no Sul do país, onde as perdas podem chegar a 3.000 kg/ha, representando até 50% do potencial produtivo (Zanuz, 2024).

Como alternativa para mitigar os efeitos do déficit hídrico, a planta ativa mecanismos de adaptação que à auxiliam a enfrentar os períodos de estresse. Dentre os principais mecanismos ativados com esse intuito, destacam-se o fechamento estomático, o enrolamento das folhas, o desenvolvimento de tricomas, a redução da área foliar e o aprofundamento de raízes.

Figura 1. Sintomas visuais da deficiência hídrica em  soja aos 12 dias de supressão hídrica (A) e diferenças morfológicas em soja cultivada no município de Alegrete – RS (safra 2021/22) em ambiente de sequeiro e irrigado por pivô central (B).
Fonte: Equipe FieldCrops.

Conforme destacado por Tagliapietra et al. (2022), há uma relação significativa entre produtividade da soja e suprimento de água. Essa relação varia de acordo com o ciclo da cultivar. Com o aumento do GMR, tem-se o aumento da demanda total de água. Estudos conduzidos pela equipe Field Crops demonstram que, os valores de exigência de água para a região Sul do Brasil para cultivares com GMR ≤ 5.5 é de 765mm, para GMR 5.6 a 6.4 é 830mm e para GMR ≥ 6.5 seria 875mm (Figura 2), dessa maneira, pode-se dizer que cultivares de menor ciclo apresentam maior eficiência no uso da água.

Figura 2. Produtividade da soja (t ha-1) em relação ao suprimento de água (mm) durante a estação de cultivo (Semeadura – R7) da soja para GMR ≤ 5.5 (A), GMR 5.6 a 6.4 (B) e GMR ≥ 6.5 (C).
Fonte: Equipe Field Crops

Em termos práticos, estima-se que, para cada milimetro de água durante o ciclo, se for aproveitado com a máxima eficiência, é possível produzir aproximadamente 9kg grão (Zanon et. al., 2016). Considerando a relação da disponibilidade hídrica com a produtividade da soja, identificar sinais de resposta ao estresse hídrico é crucial para embasar estratégias de manejo que possam mitigar os efeitos do déficit hídrico na planta, em prol da manutenção do potencial produtivo da cultura.

O que acontece com a planta sob déficit hídrico?

Ao identificar o déficit hídrico, a planta reduz sua taxa fotossintética, e com isso ocorre a redução da produção de acúmulo de fotoassimilados nos tecidos e órgãos da planta, o que impacta diretamente o crescimento vegetal. Em casos mais severos, quando se atinge o ponto de murcha permanente do solo, a viabilidade da planta fica comprometida, podendo inclusive, causar a morte da planta, mesmo após posterior hidratação.

Em uma tentativa de reduzir a perda de água por transpiração, a planta fecha seus estômatos. Em algumas espécies como a soja, também é possível observar o enrolamento das folhas, em uma tentativa de reduzir a área foliar exposta ao sol. A nível celular, tem-se a redução da capacidade das folhas em assimilar dióxido de carbono, assim como a redução da absorção de nutrientes pelo sistema radicular da planta, afetando como um todo o processo fotossintético, ocorrendo também a redução na fotofosforilação (formação de ATP) e a inibição da atividade enzimática da RUBISCO (Zanon et al., 2018).

Além da deficiência hídrica, fatores como a velocidade do vento e temperatura podem influenciar no estresse hídrico, agravando o problema. A espessura da camada limítrofe (resistência causada pela camada de ar estacionário junto à superfície foliar, por meio da qual o vapor tem de se difundir para alcançar o ar turbulento da atmosfera) interfere diretamente no fluxo transpiratório da folha, sendo assim, a velocidade do vento pode agravar os efeitos do estresse hídrico (Taiz et al., 2017).

Temperaturas acentuadas também podem contribuir para o aumento do estresse hídrico em soja, especialmente quando observadas temperaturas acima da temperatura basal superior da soja , correspondente a 40°C (Bergamaschi & Bergonci, 2017). Considerando cultivos de sequeiro, há poucas alternativas disponíveis para atenuar os efeitos do déficit hídrico, sobretudo, o bom posicionamento de cultivares com base nas orientações presentes no Zoneamento Agrícolas de Risco Climático, contribui para reduzir os efeitos da seca na cultura da soja.

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Referências:

BERGAMASCHI, H.; BERGONCI, J. I. AS PLANTAS E O CLIMA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÕES. Agro Livros, 2017.

NEUMAIER, N. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Embrapa Soja, Sistemas de Produção, n. 17, Tecnologias de produção de soja, cap. 2, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 06/01/2026.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Porto Alegre, ed. 6, 2017.

ZANON, A. J. et al. CLIMATE AND MANAGEMENT FACTORS INFLUENCE SOYBEAN YIELD POTENCIAL IN A SUBTROPICAL ENVIRONMENT. Agronomy Journal, v. 108, n.4, p. 1447-1454, 2016. Disponivel em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2134/agronj2015.0535 >, acesso: 06/01/2026.

ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGICA DA  SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.

ZANUZ, J. S. DÉFICIT HÍDRICO: COMO ELE AFETA A SOJA E O QUE PODE SER FEITO. Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/deficit-hidrico-como-ele-afeta-a-soja-e-o-que-pode-ser-feito/ >, acesso em: 06/01/2026.

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Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

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O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.

Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.

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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.

Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.

O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

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As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.

Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Chicago perde força e deve manter comercialização de soja contida – MAIS SOJA

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 O mercado brasileiro de soja deve ter mais um dia de negócios contidos, reflexo da perda de força na Bolsa de Mercadoria de Chicago. Por lá, pesa um movimento de realização de parte dos lucros acumulados na última semana. Por aqui, o dólar abriu com leve alta frente ao real, mas encontra dificuldade de romper a casa de R$ 5,15. Se não ocorrerem novidades, o produtor deve seguir em cima do muro,

Na sexta-feira, o mercado brasileiro de soja encerrou a semana com movimentos contidos em termos de volume comercializado, apesar da manutenção de preços firmes tanto nos portos quanto na indústria. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o basis permanece bastante fortalecido, mas o spread entre as ofertas dos compradores e as pedidas dos vendedores segue elevado.

Na Bolsa de Chicago, a sessão foi marcada por volatilidade. Silveira destaca que o Crop Tour surpreendeu ao projetar uma produtividade maior para a safra norte-americana, depois de algumas amostras ao longo da semana apresentarem resultados menos favoráveis. Por outro lado, houve grandes reportes de vendas da safra nova dos Estados Unidos, de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas, com a China respondendo por cerca da metade desse volume.

“O dólar apresentou recuos firmes, enquanto os prêmios compensaram parte desses ajustes”, observa Silveira. De maneira geral, as cotações oscilaram entre a estabilidade e leves quedas, sem alterar os bons patamares de preços observados atualmente.

No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 147,00 para R$ 146,50, enquanto em Santa Rosa (RS) caiu de R$ 148,00 para R$ 147,50. Em Cascavel (PR), as cotações permaneceram em R$ 144,00. Em Rondonópolis (MT), os preços seguiram em R$ 138,00, enquanto em Dourados (MS) a saca permaneceu em R$ 135,50. Já em Rio Verde (GO), a cotação continuou em R$ 138,00.

Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca avançou de R$ 153,50 para R$ 155,00. Em Rio Grande (RS), as referências recuaram de R$ 155,00 para R$ 154,50.

CHICAGO

* A Bolsa de Mercadorias de Chicago opera com perdas. A posição novembro/26 do grão recuava 0,40%, cotada a US$ 12,34 1/2 por bushel.

* O mercado busca realizar parte dos ganhos acumulados na semana anterior, quando avançou mais de 3%. A pressão sobre os preços é reforçada pela queda do petróleo em Nova York, enquanto investidores aguardam detalhes das novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, que serão apresentados pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

CÂMBIO

* O dólar comercial registra alta de 0,14%, a R$ 5,1495. O Dollar Index registra alta de 0,11%, a 98,981 pontos.

INDICADORES FINANCEIROS

* As principais bolsas da Ásia fecharam em baixa. China, -0,59%. Japão, -0,74%.

* As bolsas na Europa operam sem sentido definido. Paris, -0,09%. Frankfurt, -0,03%. Londres, +0,02%.

* O petróleo opera em forte baixa. Outubro do WTI em NY: US$ 85,32 o barril (-1,99%).

AGENDA

—–Segunda-feira (24/08)

12:00 – Inspeções de exportação semanal dos EUA – USDA.

15:00 – Balança comercial parcial de agosto/MDIC.

17:00 – Relatório de condições das lavouras dos EUA – USDA.

—-Terça-feira (25/08)

03:00 – Alemanha: Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.

11:30 – Dados sobre as lavouras do Paraná – Deral.

—–Quarta-feira (26/08)

09:00 – IPCA-15 de agosto/IBGE.

09:30 – EUA: PIB – 2ª estimativa (2º trimestre).

09:30 – EUA: Índice PCE (julho).

11:30 – EUA: Relatório Semanal de Petróleo da EIA.

—–Quinta-feira (27/08)

08h30 – Zona do Euro: Ata da última reunião de política monetária.

09:00 – Pnad de julho/IBGE.

09:30 – Dados de exportação semanal de grãos dos EUA/USDA.

15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.

15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.

—–Sexta-feira (28/08)

04:55 – Alemanha: Dados do mercado de trabalho de agosto, incluindo desemprego.

08:00 – IGP-M de agosto/FGV.

09:00 – Índice de Preços ao Produtor de julho/IBGE.

16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.

– Dados de julho do Caged/Ministério do Trabalho.

Autor/Fonte: Rodrigo Ramos – rodrigo@safras.com.br (Agência Safras)

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