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7 de maio de 2026

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Tarifas e reforma tributária colocam liderança do Brasil no café solúvel em risco, diz Abics

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Foto: Freepik

O Brasil segue como uma das principais referências globais na produção e exportação de café solúvel, mas fechou 2025 sob forte pressão. Tarifas impostas pelos Estados Unidos, a ausência de novos acordos comerciais e mudanças na tributação reduziram a competitividade do produto brasileiro.

Para 2026, o setor cobra respostas mais rápidas do governo para evitar a perda de mercados estratégicos. A avaliação é de Aguinaldo José de Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Exportações recuam após tarifaço dos Estados Unidos

Segundo Lima, 2025 começou com expectativas positivas, mas o cenário mudou ao longo do ano. “Era um ano para ser muito bom, com vários objetivos alcançados, mas acabou se frustrando principalmente por conta do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos”, afirmou.

Ele lembrou que 2024 foi um ano recorde para o setor. “Batemos recorde de volume e de faturamento, com mais de US$ 1 bilhão exportados para mais de 100 países”, disse.

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Até junho de 2025, as exportações cresciam cerca de 5% em relação ao primeiro semestre do ano anterior. Com a entrada em vigor das tarifas, porém, as perdas se intensificaram no segundo semestre. “Novembro chegou a registrar uma queda de 72% nas exportações em relação ao mesmo mês de 2024”, destacou.

Com isso, a Abics estima que o setor deve encerrar 2025 com recuo próximo de 9% no volume exportado. “Vamos voltar ao nível de exportações de dois anos atrás, basicamente por causa da redução das vendas para os Estados Unidos”, explicou.

Faturamento se mantém, mas não compensa perda de mercado

Apesar da queda no volume, o faturamento do café solúvel brasileiro deve seguir acima de US$ 1 bilhão, sustentado pelos preços mais elevados do café. Ainda assim, Lima ressaltou que o resultado financeiro não elimina as preocupações do setor.

“Isso não compensa as perdas de volume. A grande preocupação é que esses espaços sejam ocupados por outros fornecedores”, alertou.

Segundo ele, países com capacidade produtiva ociosa já observam essa fatia do mercado. “Eles têm tarifas mais competitivas do que o Brasil e vão abocanhar parte desse mercado. Reverter isso no futuro será muito difícil”, afirmou.

Tarifa elevada ameaça relação histórica com os EUA

O diretor-executivo da Abics destacou que o café solúvel brasileiro segue com tarifa de 50% nos Estados Unidos, enquanto café em grão e torrado tiveram a alíquota zerada. “É uma preocupação muito grande para um país que sempre foi nosso cliente há mais de 60 anos, com uma relação de grande fidelidade”, disse.

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Para Lima, a construção do mercado americano foi baseada justamente nessa parceria de longo prazo. “Foi com base nessa relação que conquistamos o mercado dos Estados Unidos”, afirmou.

Falta de acordo com a União Europeia limita alternativas

Outro ponto de frustração para o setor foi a não conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia. Lima explicou que havia expectativa de redução gradual da tarifa de 9% ao longo de quatro anos. “Isso nos permitiria encaixar parte dos volumes que não vão mais para os Estados Unidos”, afirmou.

Ele lembrou que, como bloco econômico, a União Europeia é o segundo maior destino do café solúvel brasileiro. “Esse quadro tira um pouco a esperança de termos mercados alternativos, porque o Brasil tem poucos acordos comerciais e acaba competindo de forma desigual”, avaliou.

Ásia cresce, mas Brasil perde espaço

Na Ásia, onde o consumo de café solúvel cresce cerca de 6% ao ano, o Brasil também enfrenta dificuldades. Segundo Lima, países como Vietnã e Indonésia se beneficiam de acordos regionais. “Eles têm tarifa zero entre si, enquanto o Brasil fica de fora”, explicou.

O diretor destacou ainda o avanço do Vietnã no mercado europeu. “O Vietnã já zerou tarifas com a União Europeia e está ganhando espaço. No ano que vem, deve ultrapassar o Brasil no fornecimento de café solúvel para o bloco”, afirmou.

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Reforma tributária reduz rentabilidade do setor

No mercado interno, a reforma tributária também preocupa a indústria. Lima explicou que o café solúvel perde o crédito presumido de sete vírgula quatro por cento de PIS/Cofins. “Isso foi conquistado para recuperar impostos retidos na cadeia produtiva e agora está sendo retirado”, disse.

Segundo ele, a perda será gradual entre 2027 e 2032, mas o impacto é direto. “Na prática, é como retirar 7,4% da rentabilidade do produto”, afirmou.

Expectativa é por reação em 2026

Diante do cenário, a Abics defende uma postura mais ativa do Brasil nas negociações comerciais. “O governo precisa ser mais agressivo, inclusive em acordos bilaterais, com negociações mais rápidas, cotas ou reduções temporárias de tarifas”, avaliou Lima.

Para ele, 2025 deixa um alerta claro. “O Brasil construiu essa liderança ao longo de mais de 60 anos, mas já há indicações de que, a partir do ano que vem, o Vietnã pode nos ultrapassar em produção e exportação”, concluiu.

A expectativa do setor é que 2026 traga um ambiente diferente, com avanços em acordos comerciais e soluções tributárias que preservem a competitividade do café solúvel brasileiro no mercado internacional.

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Eucalipto em Mato Grosso: técnica define sucesso na floresta

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O avanço do eucalipto em Mato Grosso abre uma nova frente de produção no campo, especialmente em áreas arenosas e menos competitivas com grãos. Apesar do potencial, especialistas alertam que o sucesso da cultura não acontece por acaso e depende diretamente de planejamento, conhecimento técnico e decisões assertivas desde a implantação.

Em meio à expansão do setor florestal no estado, produtores têm buscado diversificar a produção e aproveitar áreas antes consideradas marginais. Ainda assim, o manejo exige atenção aos detalhes, como escolha do material genético, preparo do solo e condução da floresta ao longo do ciclo produtivo.

A base de tudo, conforme o engenheiro florestal Ranieri Souza, é entender que o eucalipto não foge à lógica das demais culturas agrícolas. “A cultura florestal é como qualquer outra cultura. Ela demanda planejamento e, principalmente, conhecimento técnico ou no mínimo básico”, afirma, ao destacar que fatores como tipo de solo, regime de chuvas e potencial produtivo da área precisam ser analisados antes de qualquer decisão.

Esse diagnóstico inicial se torna ainda mais relevante em Mato Grosso, onde há grande diversidade de ambientes. Segundo ele, o produtor precisa conhecer bem a área para evitar erros que podem comprometer o desenvolvimento da floresta logo nos primeiros anos.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Escolha do clone e adaptação

A definição do clone é outro ponto-chave para o sucesso da produção. Ranieri explica que o estado apresenta diferentes condições climáticas e de solo, o que exige atenção redobrada na escolha do material genético. “Quando a gente fala de Mato Grosso, é uma colcha de retalhos. Tem várias nuances climáticas dentro do estado”, diz em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

Na prática, isso significa que nem todo clone vai performar bem em qualquer região. Ele ressalta que já existem materiais mais versáteis, além de opções específicas para determinadas áreas, o que amplia as possibilidades de cultivo. “A gente tem clones que podem ser plantados em todos esses ambientes e clones mais adaptados a cada micro região”, pontua, ao reforçar a importância de evitar escolhas generalistas.

Essa definição impacta diretamente na produtividade e na sanidade da floresta, já que alguns materiais podem ser mais suscetíveis a doenças ou menos adaptados a determinadas condições de solo e clima.

engenheiro florestal Ranieri Souza Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Solo, espaçamento e manejo

Com a expansão do eucalipto sobre solos arenosos, o manejo da fertilidade e da correção química se torna indispensável. Apesar de a cultura apresentar certa tolerância à acidez, o engenheiro destaca que a produtividade está ligada ao bom preparo do solo. “Por mais que o eucalipto seja tolerante a solos ácidos, quando a gente faz uma calagem, eu tenho maior aproveitamento do fertilizante”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O espaçamento entre plantas também precisa ser bem ajustado para equilibrar crescimento e sanidade da floresta. Conforme Ranieri, a recomendação gira em torno de mil a 1.100 plantas por hectare, evitando extremos que possam comprometer o desenvolvimento. “Quando eu tenho uma floresta muito adensada, posso ter problemas com doenças. E quando eu tenho um estande mais ajustado, também reduzo o risco no período seco”, afirma.

Além disso, práticas como preparo adequado do solo, uso de pré-emergentes e atenção ao plantio das mudas fazem diferença no estabelecimento inicial, fase considerada crítica para o sucesso do cultivo.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Controle de pragas e implantação

O cuidado com pragas começa antes mesmo do plantio, sendo a formiga apontada como o principal desafio na silvicultura. Ranieri é direto ao tratar do tema: “Formiga é a maior e pior praga da silvicultura no Brasil. Então é indispensável que assim que você entre na área, faça o controle”.

Ele explica que a negligência nesse ponto pode comprometer toda a implantação da floresta, já que o ataque ocorre justamente no estágio inicial das mudas. Por isso, o manejo preventivo e contínuo é considerado essencial dentro do sistema produtivo.

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Outras práticas também entram nesse pacote de cuidados, como o controle da matocompetição e o uso correto de insumos, que garantem melhores condições para o crescimento das plantas.

Produtividade em alta

Com o avanço tecnológico e o uso de materiais genéticos mais adaptados, o eucalipto em Mato Grosso tem apresentado ganhos expressivos de produtividade nos últimos anos. A combinação entre clima favorável, com bom volume de chuvas, e manejo adequado tem impulsionado os resultados no campo.

“A gente busca produtividade entre 420 e 520 metros estéreos no ciclo de seis anos”, afirma Ranieri, ao destacar que o estado reúne condições para alcançar esses patamares com consistência.

Ele reforça que, apesar do cenário positivo, atingir esses números exige investimento em tecnologia e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo. “A gente tem tecnologia e material genético que vão permitir chegar próximo disso”, diz.

Nesse contexto, a assistência técnica aparece como fator determinante para reduzir riscos e garantir eficiência. “É importante buscar conhecimento e pessoas que já têm know-how na região para que você tenha sucesso na cultura”, conclui.

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Embaixador da China e cúpula do agro debatem o futuro do milho em Brasília

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O 4º Congresso Abramilho reunirá, no dia 13 de maio, lideranças do governo, do mercado internacional e do setor produtivo para discutir as cadeias de milho e sorgo. O evento, realizado no Unique Palace, em Brasília, terá como destaque a participação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A presença diplomática em dois painéis distintos ocorre em meio à consolidação do país asiático como destino estratégico para os grãos brasileiros.

Para a organização do encontro, a composição da mesa de debates visa aproximar os produtores dos centros de decisão. “Reunir o embaixador da China, o ministro da Agricultura e lideranças de toda a cadeia produtiva em um mesmo dia mostra a dimensão estratégica do congresso. São pessoas que tomam decisões que afetam diretamente o produtor brasileiro, e esse é exatamente o nível de interlocução que queremos proporcionar”, afirma Glauber Silveira, organizador do evento e diretor executivo da Abramilho.

O primeiro painel, mediado por Cassiano Ribeiro, do Globo Rural, focará nos desafios atuais e propostas para o fortalecimento do setor. Além do embaixador chinês, participam o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; o presidente da CNA, João Martins da Silva Júnior; e o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, Manuel Ron, presidente da Aliança Internacional do Milho (Maizall); representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); Tânia Zanela, presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) e Paulo Bertolini, presidente da Abramilho.

Segurança alimentar e inovação

Zhu Qingqiao também integra o segundo debate do dia, voltado à segurança alimentar e ao futuro da inovação no campo. Ao seu lado estarão Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, e Mauro Murakami, presidente da CTNBio, além de Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho. A mediação deste bloco será de Luiz Patroni, do Canal Rural.

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O encerramento da programação tratará da geopolítica e da proteção do agronegócio frente às incertezas globais. O painel contará com Grace Tanno, do Ministério das Relações Exteriores, e representantes da CNA e da iniciativa privada. A discussão final será mediada pelo jornalista Mauro Zafalon, da Folha de S. Paulo.


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Mato Grosso concentra 15% do faturamento agropecuário nacional

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso deve faturar R$ 206 bilhões com a produção agropecuária em 2026, consolidando-se como o principal motor do setor no Brasil. O valor representa 15% do Valor Bruto da Produção (VBP) do país, estimado em R$ 1,38 trilhão. Os números, baseados em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e compilados pelo DataHub (Centro de Dados Econômicos de Mato Grosso) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), mostram o estado à frente de Minas Gerais (R$ 167 bilhões) e São Paulo (R$ 157 bilhões).

O desempenho é sustentado por um mix de commodities em que o estado detém a liderança nacional: soja, milho, algodão e bovinos. Sozinha, a soja é responsável por 43% de todo o VBP mato-grossense. O milho aparece na sequência, com 21,67%, seguido pela pecuária de corte, que responde por 17,96% da receita bruta dentro da porteira.

Diferente do Produto Interno Bruto (PIB), o VBP mede o faturamento bruto real da produção (dentro da porteira), calculando o total produzido (lavoura e pecuária) multiplicado pelos preços médios recebidos pelos produtores. Na prática, é um indicador essencial para entender a saúde financeira do campo, contudo não deve ser confundido com lucro líquido, uma vez que não desconta os custos operacionais, como adubos, combustíveis e mão de obra.

Empregos e movimentação econômica

A circulação dessa receita impactou o mercado de trabalho no início do ano. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o setor agropecuário registrou 9.066 novas vagas formais em Mato Grosso. O saldo de contratações reforça a dependência da economia estadual em relação ao ciclo das commodities e à logística de escoamento.

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Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o volume financeiro se traduz em capilaridade social. “Tão importante quanto ver o volume de recursos que o agronegócio movimenta é perceber como isso se transforma em oportunidades concretas, chegando à ponta com a geração de emprego e renda para a população de Mato Grosso”.

Além das três primeiras posições ocupadas por Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, o ranking das cinco maiores economias do campo no Brasil é completado por Paraná, com R$ 150 bilhões, e Goiás, com R$ 117 bilhões.


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