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29 de setembro de 2026

Business

‘Etanol está mais atrativo que o açúcar’, afirma analista ao projetar safra 2026/27

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Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deve cair cerca de 5% na safra 2026/27, mesmo com expectativa de aumento da colheita de cana-de-açúcar. A redução está ligada ao maior direcionamento da matéria-prima para o etanol, diante de preços internacionais mais baixos do açúcar e da demanda aquecida por biocombustíveis no mercado interno.

A avaliação é do analista da Safras & Mercado, Maurício Muruci, durante entrevista ao telejornal Mercado & Cia, do Canal Rural, desta quinta-feira (1º). Segundo ele, o cenário combina dois movimentos distintos. “O açúcar continua com preços pouco atrativos na Bolsa de Nova York, o que se reflete também no mercado interno brasileiro”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o etanol apresenta fundamentos mais favoráveis. “O etanol hidratado e o anidro têm perspectivas maiores de demanda entre os consumidores finais”, disse.

Etanol ganha espaço no mix das usinas

Muruci explicou que o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 30% é um dos principais vetores desse movimento. “Esse é o ponto de virada, porque eleva a demanda e os preços do anidro e, ao mesmo tempo, reduz a oferta do hidratado, sustentando preços mais altos para os dois”, afirmou.

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De acordo com a Safras, o mix projetado para a safra 2026/27 indica 47% da cana destinada à produção de açúcar e 53% ao etanol. Para o analista, a decisão das usinas reflete uma combinação clara de preços e demanda. “As duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo: o açúcar em queda no mercado internacional e o etanol em alta no mercado interno”, disse.

Ele destacou que, no fim de 2025, o etanol hidratado chegou a apresentar vantagem de 20% a 25% em relação ao açúcar em Nova York. “No ano passado, muitas usinas não conseguiram aproveitar essa vantagem porque estavam muito travadas em fixações de preço do açúcar”, explicou. Para 2026, o cenário é diferente. “Com uma safra nova, elas podem se posicionar melhor no etanol e deixar um pouco o açúcar de lado”, afirmou.

Excesso de oferta pressiona mercado internacional de açúcar

No mercado externo, Muruci apontou excesso de oferta como fator central para a queda dos preços do açúcar. “Há aumento de produção na Índia, Tailândia e China, o que faz esses países comprarem menos açúcar do Brasil”, disse. Segundo ele, os dados indicam superávit internacional elevado de forma persistente.

Esse contexto limita as exportações brasileiras de açúcar e reforça a estratégia das usinas de priorizar o combustível. “O etanol está mais atrativo que o açúcar, e as usinas vão aproveitar isso”, afirmou.

Biocombustíveis ganham caráter estrutural

Para o analista, o movimento de maior produção de etanol não é apenas conjuntural. “O Brasil está na vanguarda dos biocombustíveis. Sempre esteve, ao longo das últimas décadas”, disse. Ele avalia que a transição energética fortalece essa tendência e cria um ambiente mais favorável ao etanol no médio e longo prazo.

Muruci destacou ainda que o aumento da oferta de cana dá segurança ao setor. “Temos conforto na oferta, o que permite ampliar a produção de etanol sem risco de desabastecimento”, afirmou. Segundo a Safras, o aumento da mistura de E27 para E30 gera acréscimo de 1,65 bilhão de litros na demanda anual por etanol anidro.

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Impacto para o consumidor só após o 1º trimestre

No curto prazo, o analista avalia que o consumidor ainda não deve perceber vantagem clara do etanol nas bombas. “No primeiro trimestre, estamos na entressafra, e as usinas precisam administrar os estoques”, explicou.

A expectativa é de mudança ao longo do ano. “Passado o primeiro trimestre e com o início da nova safra, a oferta aumenta, os preços caem e a vantagem do etanol hidratado frente à gasolina tende a voltar”, afirmou. Segundo ele, esse movimento deve ocorrer com mais clareza em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

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Mercado da soja já começa a precificar os futuros impactos do El Niño?

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A colheita da soja avança nos Estados Unidos e, em breve, o mercado terá uma definição mais clara sobre o tamanho da temporada 2026/27. Isso significa que, em breve, os olhares se voltarão para a safra sul-americana, especialmente ao Brasil.

Embora os riscos climáticos de um Super El Niño ainda não estejam totalmente incorporados às cotações, as projeções para os próximos meses já colocam o clima no centro das decisões dos investidores. Essa é a avaliação do analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, durante a live Commodities em Foco. Assista abaixo:

O especialista lembrou que o fenômeno favorece volumes elevados de chuva no Sul. “O Paraná, por exemplo, tem previsão de acumulados expressivos nos próximos dias. Para outubro, os mapas climáticos ainda apresentam condições consideradas relativamente favoráveis em importantes áreas do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul”, enumera.

De acordo com ele, a situação exige mais atenção em áreas do Matopiba, onde, além da irregularidade das precipitações, há perspectiva de ondas de calor intensas. Assim, o quadro pode se tornar mais desafiador a partir de novembro.

Diante das adversidades climáticas e de um possível corte na produção brasileira de soja, Silveira ressalta que o mercado pode começar a precificar os efeitos do Super El Niño por conta do atual ritmo da demanda internacional.

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“Caso problemas climáticos provoquem uma redução mais significativa da produção brasileira em 2027, compradores poderiam recorrer com maior intensidade à soja dos Estados Unidos”, ressalta.

Na live Commodities em Foco, o analista de Safras & Mercado chamou atenção ao fato de, além da China, outros importadores poderem ampliar as compras do produto norte-americano. Esse movimento teria potencial para reduzir de forma expressiva os estoques dos Estados Unidos e mudar o cenário das cotações na Bolsa de Chicago.

“Se o Brasil tiver problemas mais graves no ano que vem por conta de uma produção menor em relação às questões climáticas, nós podemos ter uma demanda incremental sobre a exportação norte-americana”, aponta.

Silveira ainda apontou que em um cenário mais adverso para a produção sul-americana, Chicago pode registrar uma valorização significativa, superando US$ 14 por bushel em 2027.

Dezembro pode ser decisivo para a soja

Apesar dos riscos, uma eventual quebra da safra brasileira provocada pelo Super El Niño ainda não está precificada pelo mercado. Neste momento, investidores acompanham principalmente as atualizações dos modelos meteorológicos.

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Os meses de novembro e dezembro devem ganhar importância nesse processo. Dezembro, especialmente, coincide com uma fase decisiva para o potencial produtivo da soja em diferentes regiões do país.

Por isso, mudanças nas projeções de chuva poderão gerar movimentos importantes nas cotações. “Logo mais à frente podemos ter rallies importantes de preço conforme os mapas vão trazendo chuvas ou não”, destaca.

Silveira destaca que para o produtor brasileiro, o cenário reforça a necessidade de acompanhar não apenas Chicago e o câmbio, mas também as atualizações meteorológicas. “Se os mapas mais adversos previstos para o fim do ano se confirmarem, o risco climático brasileiro poderá passar de uma preocupação para um fator efetivamente incorporado aos preços da soja”, conclui.

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CNA participa de agenda internacional do café na Suíça até sexta-feira

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participa, até sexta-feira (2), de uma agenda internacional do café em Genebra e Montreux, na Suíça. A programação inclui a 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café (CIC) e encontros com instituições internacionais ligadas à cafeicultura, com foco nos desafios e nas prioridades da cadeia global e em questões do comércio internacional do produto.

O presidente da Comissão Nacional de Café da CNA, Ademar Pereira, representa a entidade nas discussões ao lado de representantes do governo brasileiro e de outras entidades do setor.

O Conselho Internacional do Café é o principal fórum intergovernamental da Organização Internacional do Café (OIC). O espaço reúne produtores, exportadores, consumidores e importadores para tratar de temas ligados ao mercado internacional, à sustentabilidade e ao desenvolvimento da produção cafeeira.

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Segundo Ademar Pereira, a cafeicultura atravessa um momento de adaptação às novas exigências dos mercados. Ele afirmou que esse processo precisa considerar as diferentes realidades dos agentes que integram a cadeia. Para o dirigente, transparência nas cadeias de suprimentos, capacitação, informação e acesso a novas tecnologias são pontos centrais para o avanço de uma cadeia mais sustentável, competitiva e inclusiva.

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Pereira também defendeu que a sustentabilidade contemple as dimensões ambiental, econômica e social, com atenção à remuneração dos produtores e à distribuição do valor gerado ao longo da cadeia. De acordo com ele, o diálogo entre os diferentes segmentos do setor é essencial para a construção de soluções que considerem toda a cadeia de valor, da produção ao consumidor.

A agenda começou na segunda-feira (28), em Genebra, com reunião da Plataforma Global do Café. Nesta terça-feira (29), Ademar Pereira participou da Sessão do Conselho Internacional do Café. Na quarta-feira (30), está prevista reunião da Força-Tarefa Público-Privada do Café (FTPPC), com debate sobre o impacto da legislação ambiental europeia (EUDR) para o setor, além de um encontro entre o Conselho da OIC e a Plataforma Suíça do Café, também em Genebra.

Na quinta-feira (1) e na sexta-feira (2), a programação segue em Montreux com as celebrações do Dia Internacional do Café e uma reunião do Fórum das Lideranças Mundiais do Café (WCLF).

Fonte: cnabrasil.org.br

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Semeadura da soja 26/27 ganha ritmo em MT, mas clima e janela do milho preocupam produtores

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O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso, mas ainda está atrás do ritmo observado na safra passada. Até 25 de setembro, 3,87% da área prevista havia sido semeada, enquanto, no mesmo período do ciclo anterior, o percentual chegava a 5,97%.

O atraso ocorre em um cenário de atenção ao comportamento das chuvas e à necessidade de garantir tempo suficiente para o cultivo do milho segunda safra. A preocupação entre os produtores é aproveitar a umidade disponível sem comprometer a janela de plantio do cereal.

Entre as regiões produtoras, o Oeste de Mato Grosso apresenta o maior percentual de área semeada, com 7,56%, de acordo com relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na sequência aparecem o Médio-Norte, com 5,38%, e o Centro-Sul, com 3,77%.

A definição do momento de entrada das máquinas no campo também está ligada às expectativas para o clima nos próximos meses. O produtor precisa conciliar a disponibilidade de umidade com o calendário das culturas que vêm na sequência. “As chuvas estão chegando em um momento bom, nem muito atrasadas nem muito adiantadas”, diz Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima e janela do milho entram no planejamento

A avaliação é de que, havendo condições adequadas de umidade, é importante acelerar a semeadura para antecipar a colheita da soja e preservar espaço no calendário do milho. O planejamento ganha peso diante das incertezas em relação ao comportamento climático.

Lucas Costa Beber chama atenção para as especulações sobre a ocorrência de um El Niño intenso. Conforme ele, diante desse cenário, o produtor precisa considerar os possíveis impactos sobre as condições de cultivo e, ao mesmo tempo, manter atenção ao mercado.

“Só se faz uma segunda safra plantando dentro da janela”, pontua. Por isso, a orientação é aproveitar as condições favoráveis para avançar com o plantio da soja e evitar a perda de tempo no calendário agrícola.

A preocupação também envolve as projeções para a produção brasileira. Beber cita a estimativa de 186 milhões de toneladas divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e questiona a compatibilidade desse volume com um eventual cenário de El Niño intenso. “É impossível viver um El Niño intenso e uma super safra”, afirma em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Além das condições climáticas, o produtor precisa administrar também os custos da atividade. A orientação é manter atenção aos tratos culturais e ao desenvolvimento das lavouras, mas dentro de uma realidade de maior pressão sobre as despesas.

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“É claro que nós temos que fazer a nossa parte, cuidar bem da nossa lavoura, do nosso trato cultural”, frisa Beber. Segundo ele, porém, os custos atuais dificultam a manutenção do padrão de lavoura adotado pelos produtores nos últimos anos.


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