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14 de agosto de 2026

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Do sonho à colheita: aos 67 anos, produtor transforma mamão em renda e propósito

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Aos 67 anos, o produtor rural José Matacx é a prova de que nunca é tarde para recomeçar. Depois de uma vida inteira trabalhando para terceiros no campo, ele conseguiu realizar o desejo antigo de viver da terra e tirar dela o sustento da família, no sítio Meu Sonho, em Nova Brasilândia.

A conquista veio recentemente, em 2022, quando José arrendou a área e iniciou a produção de frutas. Sem muitos recursos, mas com convicção e disposição para trabalhar, ele decidiu apostar no mamão como principal fonte de renda da pequena propriedade.

O início não foi simples. Para conseguir a área, o produtor precisou enfrentar dificuldades financeiras e negociar uma forma de pagamento que coubesse na realidade do negócio, usando a própria produção como garantia.

“Foi bastante difícil. Na época, a gente trabalhava como empregado, sem recurso e nós viemos para cá quase sem recurso de nada. Então foi com muita luta. Consegui arrendar a área com bastante dificuldade, apesar de que a renda facilitou, porque tiro a renda da própria colheita. Eu pago uma porcentagem de 10% de todo fruto que eu colho na área do mamão, que é a área maior”, conta.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A escolha pelo mamão

A decisão de plantar mamão veio do gosto pela fruta e de uma conta simples feita pelo próprio produtor. Ao perceber o valor da fruta no comércio, ele enxergou ali uma oportunidade real de melhorar de vida.

“Eu sempre gostei do mamão, sempre produzi no sítio, mas eu fui na cidade de Campo Verde e comprei um mamão e quando eu cheguei em casa e olhei o ticket, eu vi que paguei R$ 23 num mamão. Eu pensei comigo assim, se eu conseguir vender a um mamão a R$ 5 por peça eu melhoro de situação, porque um pé de mamão, ele vai me produzir aí uns 100 mamão por ano ou mais”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

A propriedade arrendada tem um hectare e meio, sendo que cerca de dois terços da área são destinados ao cultivo do mamão. Os pés carregados hoje indicam o sucesso da escolha, mas o começo foi marcado por desafios técnicos e sanitários.

“Quando o mamão pegou aí uns cinco meses, florando, começando a produzir, ele deu uma doença, ficou amarelinho. Aí eu falei: ‘Mas eu não vou desanimar, eu vim com o propósito de produzir’. Aí chegou um agrônomo e falou: ‘Não, esse aí nós combatemos’. Aí me indicou um produto e eu passei e foi muito bom, mas foi com bastante dificuldade, não foi fácil não, o começo”, lembra.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mercado conquistado

Superada a fase inicial da lavoura, outro obstáculo apareceu: conquistar espaço no mercado local, que não via o mamão como um produto de fácil comercialização. A estratégia foi simples e arriscada, mas deu certo.

“Cheguei com três caixas de mamão no mercado e falei para a dona: ‘Olha, eu trouxe um mamão para vender’. Ela falou: ‘Ih, o mamão aqui é muito ruim de comércio’. Eu fiz um preço mais barato e fiz uma proposta: ‘Eu deixo o mamão, hoje é terça, no sábado eu volto. Se a senhora não vender, eu levo o mamão de volta’”, relata.

A aposta foi recompensada rapidamente. “Como o mamão foi um mamão muito sadio e muito gostoso, diferenciado, colhido aqui na região, aí quando eu voltei no sábado para pegar o mamão de volta, ela já gritou: ‘Trouxe mamão para mim?’. E eu falei: ‘Não, vim buscar o outro’. E ela disse: ‘eu vendi tudo ontem já’.”

A partir daí, as portas se abriram. “Se abriram. Se abriram em Planalto da Serra, Nova Brasilândia, Campo Verde e hoje levo até para Paranatinga”, afirma o produtor.

No auge da produção, com cerca de mil pés em plena atividade, José chegou à colher aproximadamente mil quilos de mamão por semana. Hoje, com parte da lavoura mais velha e outra em renovação, a produção gira em torno de 500 quilos semanais.

“Vende tudo, não fica um mamão, só fica aquele que a gente come mesmo”, resume.

O reconhecimento também veio do boca a boca. “Eles falam: ‘Vai lá no seo Zezinho do Mamão. Ele tem mamão à vontade lá’. Aí vem mesmo direto, chega gente de carro para comprar mamão aqui, vem de lá buscar e conhecer a lavoura também, o plantio”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Conhecimento que gera prosperidade

Além da persistência, o avanço da produção está diretamente ligado ao acesso à assistência técnica. No sítio Meu Sonho, o acompanhamento é feito pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso, com visitas mensais do técnico de campo Dhiego Pereira Krause.

“Ele já tinha começado a produzir mamão aqui na região por conta própria, a gente não estava ainda atendendo ele, então ele recebeu ali alguma informação da prefeitura, da Empaer, inicialmente, e depois o localizamos e começamos uma ATeG com ele”, explica.

Segundo o técnico, o trabalho envolveu desde orientações nutricionais e manejo de pragas, doenças e organização do plantio. “Iniciamos todo um projeto de melhorar essa produção, informação também, questão nutricional, de praga e doença e todo o processo de plantio, que tem a questão de espaçamento, de cova e sexagem. Tudo que ele precisava saber para produzir do início até o fim”.

Para o futuro, a perspectiva é de crescimento. E o produtor garante que disposição não falta. “Enquanto Deus me der vida, saúde e força, eu estarei lutando. Não paro de lutar, não. Me criei na roça e vou lutar até o fim. E estou vendo prosperidade. Tem vezes que quase me emociono de ver a qualidade e saber que eu estou levando alimento para cidade também. Estou feliz, muito feliz”.


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Calorão: máximas podem chegar a 40 °C com risco para focos de incêndio; veja quando e onde

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Foto: Unsplash/reprodução

O clima deve apresentar condições distintas nas principais regiões produtoras de soja do Brasil nos próximos dias. Enquanto áreas do Sul enfrentam previsão de temporais e volumes elevados de chuva, regiões do Brasil Central devem registrar temperaturas próximas de 40 °C.

No Sul, a atuação de um cavado deve favorecer a formação de temporais durante o fim de semana. O cenário exige atenção principalmente no Rio Grande do Sul, onde os maiores volumes estão previstos para a faixa sul do estado e áreas próximas à fronteira com o Uruguai.

Nessas localidades, o acumulado de chuva pode ultrapassar 100 milímetros em cinco dias. Para o setor agrícola, o excesso de precipitação pode dificultar operações em campo, especialmente em áreas onde há atividades de manejo, preparo do solo ou implantação de culturas de inverno.

Calor preocupa

O Brasil Central pode registrar máximas entre 39 °C e 40 °C, com possibilidade de os termômetros chegarem a 41 °C ou 42 °C em alguns pontos.

O calor intenso, associado a períodos de menor umidade, pode aumentar a demanda hídrica das lavouras e elevar o risco de incêndios em áreas rurais. Para produtores de soja, o comportamento das temperaturas e das chuvas será importante para as condições de solo e para o planejamento da próxima temporada.

Entre os dias 20 e 24 de agosto, temperaturas próximas de 40 °C também são esperadas em Rondônia e no sul do Pará, regiões que integram a expansão da produção de grãos no país.

Chuva volta a avançar

A previsão indica que a instabilidade deve continuar concentrada no Sul nos próximos dias. Na última semana de agosto, os temporais podem voltar a ganhar força na região e avançar para São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados relevantes para a produção de soja.

A distribuição das chuvas será um dos principais pontos de atenção para o setor. Volumes excessivos podem dificultar operações agrícolas, enquanto períodos prolongados de calor e baixa umidade podem aumentar a necessidade de acompanhamento das condições hídricas.

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Lavouras de trigo mantêm boas condições, mas excesso de chuva ameaça produtividade 

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Foto: João Leonardo Pires/ Embrapa

As chuvas registradas nos últimos dez dias mantiveram a umidade do solo elevada em importantes regiões produtoras brasileiras. Dados de sensoriamento remoto da EarthDaily mostram que os acumulados ficaram acima da média no Sul, em áreas de Mato Grosso do Sul e em partes de São Paulo e do Nordeste.

Os maiores volumes foram observados na região Sul, onde a precipitação superou 100 mm em algumas localidades.

De acordo com Felippe Reis, analista de culturas da empresa, o comportamento das chuvas e das temperaturas merece atenção especialmente nas áreas produtoras de trigo do Sul do país.

“Na comparação entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve uma mudança significativa no padrão térmico da região. Enquanto na primeira semana foram registradas temperaturas de até 5°C acima da média, na segunda semana os termômetros passaram a registrar valores de até 5°C abaixo da normalidade”, detalha.

Ele lembra que no Rio Grande do Sul, uma onda de frio atingiu o estado no último fim de semana, com temperaturas abaixo de 5°C. Apesar dessa queda nos termômetros, as condições não representam, até o momento, motivo de preocupação para o potencial produtivo das lavouras.

Reis lembra que condições semelhantes foram observadas na temporada passada, quando a produtividade foi satisfatória. Além disso, conforme ele, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) permanece acima dos níveis registrados no ciclo anterior, sugerindo impactos limitados sobre o potencial produtivo.

Segundo o monitoramento da EarthDaily, no sudoeste do estado o NDVI apresenta boa dinâmica da vegetação e condições satisfatórias das lavouras. Entretanto, o elevado volume de chuvas permanece como ponto de atenção. A persistência de condições úmidas pode aumentar a pressão de doenças nas lavouras e, eventualmente, limitar o potencial produtivo.

Chuva no Paraná e El Niño

No Paraná, as chuvas permanecem também acima da média, especialmente desde julho. O comportamento observado já sinaliza impactos associados ao El Niño, embora os anos utilizados como referência apontam diferenças importantes.

Em 2015, os acumulados de chuva já eram significativamente superiores aos atuais nesta mesma fase do ciclo. Em 2023, por outro lado, as precipitações permaneceram mais contidas durante a primeira metade do período e aumentaram de maneira mais expressiva posteriormente.

A divergência entre esses anos análogos mostra que o sinal do El Niño sobre a precipitação no Paraná é menos consistente do que no Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses.

Avanço da colheita da cana

Nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, o cenário é diferente. Em agosto, até o momento, as chuvas permaneceram muito baixas na maior parte da zona canavieira brasileira. O predomínio do tempo seco tem favorecido o avanço das operações de campo.

“Houve, entretanto, interrupções pontuais. No Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, foram registradas chuvas superiores a 11 milímetros em 7 de agosto, condição que pode ter limitado temporariamente a colheita da cana-de-açúcar. Nos demais dias do mês, porém, a precipitação permaneceu baixa, permitindo a continuidade das operações”, salienta o analista.

Novas chuvas nos próximos dias

Nos próximos dias, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o norte-americano GFS indicam volumes expressivos de chuva para a região Sul. No entanto, os acumulados previstos deverão ser menores do que os registrados nas últimas semanas.

Os dois modelos também projetam o fortalecimento de um padrão de temperaturas acima da média, com valores que poderão ficar entre 3°C e 7°C acima da normalidade.

Na comparação entre os últimos dez dias e os próximos dez dias, a tendência é de que a umidade do solo continue acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo. Segundo a EarthDaily, o cenário mantém condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, mas o excesso de umidade exige acompanhamento.

A permanência de solos úmidos, combinada à ocorrência frequente de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas áreas de trigo. Assim, Reis salienta que embora os indicadores de vegetação apontem atualmente condições satisfatórias, a evolução das precipitações e da umidade continuará sendo um dos principais fatores de atenção para o potencial produtivo da cultura nas próximas semanas.

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Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e aumenta valor obtido por tonelada exportada

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Foto: Reprodução/Freepik

A carne bovina de Mato Grosso atravessa 2026 com dois movimentos simultâneos no mercado internacional: mais países comprando e maior valor obtido pelas vendas. No primeiro semestre, os embarques alcançaram 88 destinos e movimentaram US$ 2,4 bilhões, com preço médio de US$ 6,1 mil por tonelada.

A comparação com o mesmo período de 2025 mostra que não foi apenas a quantidade de mercados que aumentou. Naquele ano, eram 77 países, receita de US$ 1,47 bilhão e preço médio de US$ 5,1 mil por tonelada.

O avanço do valor médio é um dos pontos que ajudam a explicar o crescimento da receita. A tonelada exportada passou a valer, em média, cerca de US$ 1 mil a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

Mesmo com a abertura de novos destinos, a China continua sendo o principal mercado para a carne mato-grossense. Foram 282,4 mil toneladas destinadas ao país asiático no período, volume muito superior ao registrado pelos Estados Unidos, segundo maior comprador, com 41 mil toneladas.

“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

Mais compradores mudam o perfil do mercado

Depois de China, Estados Unidos e Chile, que recebeu 31 mil toneladas, aparecem mercados como Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos entre os dez principais destinos.

Há ainda compradores com volumes menores, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia. A presença nesses países amplia as alternativas de comercialização para a indústria frigorífica.

Para a pecuária, uma base maior de compradores pode diminuir a exposição às oscilações de demanda ou às condições comerciais de determinados mercados.

“Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas. Essa pulverização dos mercados proporciona maior previsibilidade para a indústria e para os pecuaristas”, afirma Andrade.

A estratégia, segundo o diretor do Imac, também pode favorecer a busca por mercados dispostos a pagar mais por determinados atributos da proteína. “Além de criar oportunidades para acessar nichos que remuneram melhor pela qualidade da carne”, acrescenta.


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