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Do sonho à colheita: aos 67 anos, produtor transforma mamão em renda e propósito

Aos 67 anos, o produtor rural José Matacx é a prova de que nunca é tarde para recomeçar. Depois de uma vida inteira trabalhando para terceiros no campo, ele conseguiu realizar o desejo antigo de viver da terra e tirar dela o sustento da família, no sítio Meu Sonho, em Nova Brasilândia.
A conquista veio recentemente, em 2022, quando José arrendou a área e iniciou a produção de frutas. Sem muitos recursos, mas com convicção e disposição para trabalhar, ele decidiu apostar no mamão como principal fonte de renda da pequena propriedade.
O início não foi simples. Para conseguir a área, o produtor precisou enfrentar dificuldades financeiras e negociar uma forma de pagamento que coubesse na realidade do negócio, usando a própria produção como garantia.
“Foi bastante difícil. Na época, a gente trabalhava como empregado, sem recurso e nós viemos para cá quase sem recurso de nada. Então foi com muita luta. Consegui arrendar a área com bastante dificuldade, apesar de que a renda facilitou, porque tiro a renda da própria colheita. Eu pago uma porcentagem de 10% de todo fruto que eu colho na área do mamão, que é a área maior”, conta.

A escolha pelo mamão
A decisão de plantar mamão veio do gosto pela fruta e de uma conta simples feita pelo próprio produtor. Ao perceber o valor da fruta no comércio, ele enxergou ali uma oportunidade real de melhorar de vida.
“Eu sempre gostei do mamão, sempre produzi no sítio, mas eu fui na cidade de Campo Verde e comprei um mamão e quando eu cheguei em casa e olhei o ticket, eu vi que paguei R$ 23 num mamão. Eu pensei comigo assim, se eu conseguir vender a um mamão a R$ 5 por peça eu melhoro de situação, porque um pé de mamão, ele vai me produzir aí uns 100 mamão por ano ou mais”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.
A propriedade arrendada tem um hectare e meio, sendo que cerca de dois terços da área são destinados ao cultivo do mamão. Os pés carregados hoje indicam o sucesso da escolha, mas o começo foi marcado por desafios técnicos e sanitários.
“Quando o mamão pegou aí uns cinco meses, florando, começando a produzir, ele deu uma doença, ficou amarelinho. Aí eu falei: ‘Mas eu não vou desanimar, eu vim com o propósito de produzir’. Aí chegou um agrônomo e falou: ‘Não, esse aí nós combatemos’. Aí me indicou um produto e eu passei e foi muito bom, mas foi com bastante dificuldade, não foi fácil não, o começo”, lembra.
Mercado conquistado
Superada a fase inicial da lavoura, outro obstáculo apareceu: conquistar espaço no mercado local, que não via o mamão como um produto de fácil comercialização. A estratégia foi simples e arriscada, mas deu certo.
“Cheguei com três caixas de mamão no mercado e falei para a dona: ‘Olha, eu trouxe um mamão para vender’. Ela falou: ‘Ih, o mamão aqui é muito ruim de comércio’. Eu fiz um preço mais barato e fiz uma proposta: ‘Eu deixo o mamão, hoje é terça, no sábado eu volto. Se a senhora não vender, eu levo o mamão de volta’”, relata.
A aposta foi recompensada rapidamente. “Como o mamão foi um mamão muito sadio e muito gostoso, diferenciado, colhido aqui na região, aí quando eu voltei no sábado para pegar o mamão de volta, ela já gritou: ‘Trouxe mamão para mim?’. E eu falei: ‘Não, vim buscar o outro’. E ela disse: ‘eu vendi tudo ontem já’.”
A partir daí, as portas se abriram. “Se abriram. Se abriram em Planalto da Serra, Nova Brasilândia, Campo Verde e hoje levo até para Paranatinga”, afirma o produtor.
No auge da produção, com cerca de mil pés em plena atividade, José chegou à colher aproximadamente mil quilos de mamão por semana. Hoje, com parte da lavoura mais velha e outra em renovação, a produção gira em torno de 500 quilos semanais.
“Vende tudo, não fica um mamão, só fica aquele que a gente come mesmo”, resume.
O reconhecimento também veio do boca a boca. “Eles falam: ‘Vai lá no seo Zezinho do Mamão. Ele tem mamão à vontade lá’. Aí vem mesmo direto, chega gente de carro para comprar mamão aqui, vem de lá buscar e conhecer a lavoura também, o plantio”.
Conhecimento que gera prosperidade
Além da persistência, o avanço da produção está diretamente ligado ao acesso à assistência técnica. No sítio Meu Sonho, o acompanhamento é feito pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso, com visitas mensais do técnico de campo Dhiego Pereira Krause.
“Ele já tinha começado a produzir mamão aqui na região por conta própria, a gente não estava ainda atendendo ele, então ele recebeu ali alguma informação da prefeitura, da Empaer, inicialmente, e depois o localizamos e começamos uma ATeG com ele”, explica.
Segundo o técnico, o trabalho envolveu desde orientações nutricionais e manejo de pragas, doenças e organização do plantio. “Iniciamos todo um projeto de melhorar essa produção, informação também, questão nutricional, de praga e doença e todo o processo de plantio, que tem a questão de espaçamento, de cova e sexagem. Tudo que ele precisava saber para produzir do início até o fim”.
Para o futuro, a perspectiva é de crescimento. E o produtor garante que disposição não falta. “Enquanto Deus me der vida, saúde e força, eu estarei lutando. Não paro de lutar, não. Me criei na roça e vou lutar até o fim. E estou vendo prosperidade. Tem vezes que quase me emociono de ver a qualidade e saber que eu estou levando alimento para cidade também. Estou feliz, muito feliz”.
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Eucalipto em Mato Grosso: técnica define sucesso na floresta

O avanço do eucalipto em Mato Grosso abre uma nova frente de produção no campo, especialmente em áreas arenosas e menos competitivas com grãos. Apesar do potencial, especialistas alertam que o sucesso da cultura não acontece por acaso e depende diretamente de planejamento, conhecimento técnico e decisões assertivas desde a implantação.
Em meio à expansão do setor florestal no estado, produtores têm buscado diversificar a produção e aproveitar áreas antes consideradas marginais. Ainda assim, o manejo exige atenção aos detalhes, como escolha do material genético, preparo do solo e condução da floresta ao longo do ciclo produtivo.
A base de tudo, conforme o engenheiro florestal Ranieri Souza, é entender que o eucalipto não foge à lógica das demais culturas agrícolas. “A cultura florestal é como qualquer outra cultura. Ela demanda planejamento e, principalmente, conhecimento técnico ou no mínimo básico”, afirma, ao destacar que fatores como tipo de solo, regime de chuvas e potencial produtivo da área precisam ser analisados antes de qualquer decisão.
Esse diagnóstico inicial se torna ainda mais relevante em Mato Grosso, onde há grande diversidade de ambientes. Segundo ele, o produtor precisa conhecer bem a área para evitar erros que podem comprometer o desenvolvimento da floresta logo nos primeiros anos.

Escolha do clone e adaptação
A definição do clone é outro ponto-chave para o sucesso da produção. Ranieri explica que o estado apresenta diferentes condições climáticas e de solo, o que exige atenção redobrada na escolha do material genético. “Quando a gente fala de Mato Grosso, é uma colcha de retalhos. Tem várias nuances climáticas dentro do estado”, diz em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Na prática, isso significa que nem todo clone vai performar bem em qualquer região. Ele ressalta que já existem materiais mais versáteis, além de opções específicas para determinadas áreas, o que amplia as possibilidades de cultivo. “A gente tem clones que podem ser plantados em todos esses ambientes e clones mais adaptados a cada micro região”, pontua, ao reforçar a importância de evitar escolhas generalistas.
Essa definição impacta diretamente na produtividade e na sanidade da floresta, já que alguns materiais podem ser mais suscetíveis a doenças ou menos adaptados a determinadas condições de solo e clima.
Solo, espaçamento e manejo
Com a expansão do eucalipto sobre solos arenosos, o manejo da fertilidade e da correção química se torna indispensável. Apesar de a cultura apresentar certa tolerância à acidez, o engenheiro destaca que a produtividade está ligada ao bom preparo do solo. “Por mais que o eucalipto seja tolerante a solos ácidos, quando a gente faz uma calagem, eu tenho maior aproveitamento do fertilizante”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.
O espaçamento entre plantas também precisa ser bem ajustado para equilibrar crescimento e sanidade da floresta. Conforme Ranieri, a recomendação gira em torno de mil a 1.100 plantas por hectare, evitando extremos que possam comprometer o desenvolvimento. “Quando eu tenho uma floresta muito adensada, posso ter problemas com doenças. E quando eu tenho um estande mais ajustado, também reduzo o risco no período seco”, afirma.
Além disso, práticas como preparo adequado do solo, uso de pré-emergentes e atenção ao plantio das mudas fazem diferença no estabelecimento inicial, fase considerada crítica para o sucesso do cultivo.
Controle de pragas e implantação
O cuidado com pragas começa antes mesmo do plantio, sendo a formiga apontada como o principal desafio na silvicultura. Ranieri é direto ao tratar do tema: “Formiga é a maior e pior praga da silvicultura no Brasil. Então é indispensável que assim que você entre na área, faça o controle”.
Ele explica que a negligência nesse ponto pode comprometer toda a implantação da floresta, já que o ataque ocorre justamente no estágio inicial das mudas. Por isso, o manejo preventivo e contínuo é considerado essencial dentro do sistema produtivo.
Outras práticas também entram nesse pacote de cuidados, como o controle da matocompetição e o uso correto de insumos, que garantem melhores condições para o crescimento das plantas.
Produtividade em alta
Com o avanço tecnológico e o uso de materiais genéticos mais adaptados, o eucalipto em Mato Grosso tem apresentado ganhos expressivos de produtividade nos últimos anos. A combinação entre clima favorável, com bom volume de chuvas, e manejo adequado tem impulsionado os resultados no campo.
“A gente busca produtividade entre 420 e 520 metros estéreos no ciclo de seis anos”, afirma Ranieri, ao destacar que o estado reúne condições para alcançar esses patamares com consistência.
Ele reforça que, apesar do cenário positivo, atingir esses números exige investimento em tecnologia e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo. “A gente tem tecnologia e material genético que vão permitir chegar próximo disso”, diz.
Nesse contexto, a assistência técnica aparece como fator determinante para reduzir riscos e garantir eficiência. “É importante buscar conhecimento e pessoas que já têm know-how na região para que você tenha sucesso na cultura”, conclui.
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Embaixador da China e cúpula do agro debatem o futuro do milho em Brasília

O 4º Congresso Abramilho reunirá, no dia 13 de maio, lideranças do governo, do mercado internacional e do setor produtivo para discutir as cadeias de milho e sorgo. O evento, realizado no Unique Palace, em Brasília, terá como destaque a participação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A presença diplomática em dois painéis distintos ocorre em meio à consolidação do país asiático como destino estratégico para os grãos brasileiros.
Para a organização do encontro, a composição da mesa de debates visa aproximar os produtores dos centros de decisão. “Reunir o embaixador da China, o ministro da Agricultura e lideranças de toda a cadeia produtiva em um mesmo dia mostra a dimensão estratégica do congresso. São pessoas que tomam decisões que afetam diretamente o produtor brasileiro, e esse é exatamente o nível de interlocução que queremos proporcionar”, afirma Glauber Silveira, organizador do evento e diretor executivo da Abramilho.
O primeiro painel, mediado por Cassiano Ribeiro, do Globo Rural, focará nos desafios atuais e propostas para o fortalecimento do setor. Além do embaixador chinês, participam o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; o presidente da CNA, João Martins da Silva Júnior; e o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, Manuel Ron, presidente da Aliança Internacional do Milho (Maizall); representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); Tânia Zanela, presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) e Paulo Bertolini, presidente da Abramilho.
Segurança alimentar e inovação
Zhu Qingqiao também integra o segundo debate do dia, voltado à segurança alimentar e ao futuro da inovação no campo. Ao seu lado estarão Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, e Mauro Murakami, presidente da CTNBio, além de Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho. A mediação deste bloco será de Luiz Patroni, do Canal Rural.
O encerramento da programação tratará da geopolítica e da proteção do agronegócio frente às incertezas globais. O painel contará com Grace Tanno, do Ministério das Relações Exteriores, e representantes da CNA e da iniciativa privada. A discussão final será mediada pelo jornalista Mauro Zafalon, da Folha de S. Paulo.
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Mato Grosso concentra 15% do faturamento agropecuário nacional

Mato Grosso deve faturar R$ 206 bilhões com a produção agropecuária em 2026, consolidando-se como o principal motor do setor no Brasil. O valor representa 15% do Valor Bruto da Produção (VBP) do país, estimado em R$ 1,38 trilhão. Os números, baseados em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e compilados pelo DataHub (Centro de Dados Econômicos de Mato Grosso) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), mostram o estado à frente de Minas Gerais (R$ 167 bilhões) e São Paulo (R$ 157 bilhões).
O desempenho é sustentado por um mix de commodities em que o estado detém a liderança nacional: soja, milho, algodão e bovinos. Sozinha, a soja é responsável por 43% de todo o VBP mato-grossense. O milho aparece na sequência, com 21,67%, seguido pela pecuária de corte, que responde por 17,96% da receita bruta dentro da porteira.
Diferente do Produto Interno Bruto (PIB), o VBP mede o faturamento bruto real da produção (dentro da porteira), calculando o total produzido (lavoura e pecuária) multiplicado pelos preços médios recebidos pelos produtores. Na prática, é um indicador essencial para entender a saúde financeira do campo, contudo não deve ser confundido com lucro líquido, uma vez que não desconta os custos operacionais, como adubos, combustíveis e mão de obra.
Empregos e movimentação econômica
A circulação dessa receita impactou o mercado de trabalho no início do ano. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o setor agropecuário registrou 9.066 novas vagas formais em Mato Grosso. O saldo de contratações reforça a dependência da economia estadual em relação ao ciclo das commodities e à logística de escoamento.
Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o volume financeiro se traduz em capilaridade social. “Tão importante quanto ver o volume de recursos que o agronegócio movimenta é perceber como isso se transforma em oportunidades concretas, chegando à ponta com a geração de emprego e renda para a população de Mato Grosso”.
Além das três primeiras posições ocupadas por Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, o ranking das cinco maiores economias do campo no Brasil é completado por Paraná, com R$ 150 bilhões, e Goiás, com R$ 117 bilhões.
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