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29 de setembro de 2026

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Frete mínimo pode elevar custos da produção em até 30% no agro de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores rurais de Mato Grosso acendem o alerta para os impactos da política do frete mínimo na logística do campo. A avaliação do setor é de que a tabela do piso mínimo pode elevar os custos de produção em até 30%, pressionando margens que já estão apertadas e afetando desde a compra de insumos até o escoamento da safra.

A preocupação ganha ainda mais peso em um estado marcado por longas distâncias até os portos e forte dependência do transporte rodoviário. No campo, o debate envolve a redução do frete de retorno, a falta de flexibilidade da tabela e os reflexos diretos no preço dos alimentos e na inflação.

Para a Aprosoja Mato Grosso, a forma como o piso mínimo é calculado gera distorções tanto para produtores quanto para caminhoneiros autônomos. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, avalia que o modelo atual penaliza principalmente os pequenos veículos.

“O preço mínimo do frete ele traz injustiça tanto para o produtor quanto para o caminhoneiro autônomo principalmente e quanto menor o caminhão, devido os critérios de cálculo, menos ele vai receber e menos lucratividade vai ter, ou seja, ele tira competitividade do pequeno, caso prevalecer esse tabelamento de frete”, diz ao Patrulheiro Agro.

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Na prática, situações comuns na logística do agro deixam de existir com a tabela. Um exemplo é o frete de retorno, bastante utilizado no Médio-Norte do estado, especialmente no transporte de calcário.

“O caminhão que passa por Nobres, no retorno o motorista faz questão de não voltar vazio, de procurar por interesse do produtor de levar durante a safra o calcário com frete mais barato, até porque depois ele pode novamente fazer o frete na época normal se puxar calcário para aqueles produtores que não compraram. Ou seja, ele consegue trabalhar o dobro e acaba compensando esse valor que voltaria com o frete vazio”, relata Lucas.

Conforme o dirigente, esse arranjo permite que o caminhoneiro trabalhe mais e compense o custo de viagens que antes seriam feitas vazias.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Lei e impactos na cadeia

A lei do piso mínimo do frete surgiu após a greve dos caminhoneiros de 2018. Hoje, a tabela abrange 12 tipos de veículos e operações. A legislação prevê revisão dos valores a cada seis meses e reajuste automático sempre que o preço do diesel variar 5%, para mais ou para menos.

Mesmo com essas atualizações, o setor produtivo entende que a tabela não reflete a realidade do mercado ao longo do ano. “A tabela não contempla um preço justo do frete que tem variabilidade ao longo do ano”, reforça Lucas Costa Beber. De acordo com ele, entidades do agro estão trabalhando para encomendar um estudo técnico pela ESALQ, em parceria com outras instituições, com o objetivo de refazer os cálculos da tabela.

Além disso, há tentativa de diálogo com o Ministério dos Transportes. “O produtor não tem quem regula e garante um preço mínimo a ele dos produtos e ele acaba ficando absorvendo todo esse custo, todo esse prejuízo”, ressalta ao Canal Rural Mato Grosso.

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Na avaliação do presidente da Aprosoja Mato Grosso, o impacto não fica restrito ao campo. “Essa tabela vai acabar causando um aumento de preço também no valor dos alimentos, do óleo diesel, de tudo que a gente utiliza, causando mais inflação no nosso país”, acrescenta. Ele ainda aponta um efeito colateral: o estímulo à formação de frota própria pelos produtores, reduzindo a dependência do frete terceirizado.

Fertilizantes e distâncias elevam custos

No caso dos fertilizantes, o impacto já é sentido de forma direta. Para o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, a dificuldade está justamente no retorno dos caminhões. “A cada seis caminhões que descem para o Porto um volta com fertilizante, o que está impactando diretamente no custo do fertilizante. O nosso custo de produção subiu com esse tipo de frete que nós estamos tendo que pagar”, pontua.

Além do aumento dos custos, o frete mínimo também gera apreensão sobre seus reflexos na dinâmica do transporte. No campo, a preocupação é como essas mudanças podem afetar o acesso ao frete e a rotina de quem depende da logística para produzir, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros.

Esse é o caso do produtor rural Adalberto Grando, que cultiva 2,7 mil hectares de soja entre Gaúcha do Norte e Sorriso. Para ele, o peso do frete já compromete a rentabilidade. “O frete de Gaúcha para Paranaguá, por exemplo, Santos, o pessoal fala aí em torno de R$ 500 a tonelada”, relata. O produtor dimensiona o impacto ao comparar o valor com a produção. “Nossa Senhora, o equivalente a cinco sacas de soja uma tonelada”, diz.

A dificuldade de acesso também agrava o cenário. “Em Gaúcha do Norte nós temos apenas uma via com acesso de asfalto, as outras duas são com estrada de chão. Se não tiver o frete de retorno ninguém vai querer ir para lá”, observa. Na avaliação dele, o caminho seria a livre iniciativa. “Acho que teria que voltar a livre iniciativa, se continuar insistindo com essa tabela, com esse preço mínimo, pode subir e pode ficar muito pior”, alerta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cooperativas e produtores pedem equilíbrio

Na região de Canarana, o impacto da logística pesa tanto na compra de insumos quanto na venda da produção. O diretor do Sindicato Rural do município, Camilo Ramos, destaca que a localização influencia diretamente nos preços. “Aqui em Canarana, aqui nesta região, nós estamos no centro do Brasil, então é o frete mais caro para se pagar para vir os produtos e a gente é penalizado com o frete mais caro na hora do deságio da venda”, relata. “A nossa logística aqui ela influencia muito tanto no preço da soja para vender ou do milho e nos insumos para comprar”, ressalta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A Cooperativa de Transportes Rodoviários de Mato Grosso (Cootromat), com sede em Canarana, reúne cerca de 110 associados e uma frota de 150 caminhões, sendo 80% motoristas autônomos. Conforme o diretor de logística, Sidnei Rogério Weirich, a aplicação da tabela mudou a dinâmica do frete de retorno. “Como a gente está um pouco retirado do Porto em dois mil quilômetros, então onde havia um frete de retorno hoje tem que seguir a tabela, então isso mudou um pouco”, explica.

Outro entrave apontado envolve a diferença de custos entre os tipos de veículos. “E a dificuldade que a gente está tendo referente a questão dos eixos é nos veículos sete eixos. Veículos menores o pessoal não está querendo contratar, porque o nove eixos ele sai em um custo menor”, afirma Sidnei. Para ele, seria necessário ajustar os valores para garantir concorrência justa. “Poderia na distância jogar até mesmo o valor para que o valor seja igual para todo mundo, para que possa competir de igual para igual”, defende.

O temor é que, sem ajustes, o impacto se agrave nos próximos ciclos. O presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira Bueno, avalia que a margem do produtor já está no limite. “O lucro ele já está mínimo, a margem ela está espremida, já está praticamente inviável”, afirma. Segundo ele, mesmo com oferta de caminhões, o custo tende a subir. “Vai ter frete praticamente sobrando e vai ter que pagar caro mesmo no frete sobrando”, diz.

Para Eder, o reflexo deve ser mais sentido nos fertilizantes. “Acredito que no próximo ano principalmente nos fertilizantes vai haver um acréscimo no valor o produtor vai ficar com um custo acima de 20% a 30%”, projeta.

Ele defende mais diálogo e equilíbrio. “É um problema sério para o produtor, uma lei nova que foi criada lá atrás e que está sendo implantada aos poucos. O produtor ainda não sabe o que vai acontecer. Tem que ter um equilíbrio porque ficar só no colo do produtor é sofrido”, conclui.

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Mercado da soja já começa a precificar os futuros impactos do El Niño?

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A colheita da soja avança nos Estados Unidos e, em breve, o mercado terá uma definição mais clara sobre o tamanho da temporada 2026/27. Isso significa que, em breve, os olhares se voltarão para a safra sul-americana, especialmente ao Brasil.

Embora os riscos climáticos de um Super El Niño ainda não estejam totalmente incorporados às cotações, as projeções para os próximos meses já colocam o clima no centro das decisões dos investidores. Essa é a avaliação do analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, durante a live Commodities em Foco. Assista abaixo:

O especialista lembrou que o fenômeno favorece volumes elevados de chuva no Sul. “O Paraná, por exemplo, tem previsão de acumulados expressivos nos próximos dias. Para outubro, os mapas climáticos ainda apresentam condições consideradas relativamente favoráveis em importantes áreas do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul”, enumera.

De acordo com ele, a situação exige mais atenção em áreas do Matopiba, onde, além da irregularidade das precipitações, há perspectiva de ondas de calor intensas. Assim, o quadro pode se tornar mais desafiador a partir de novembro.

Diante das adversidades climáticas e de um possível corte na produção brasileira de soja, Silveira ressalta que o mercado pode começar a precificar os efeitos do Super El Niño por conta do atual ritmo da demanda internacional.

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“Caso problemas climáticos provoquem uma redução mais significativa da produção brasileira em 2027, compradores poderiam recorrer com maior intensidade à soja dos Estados Unidos”, ressalta.

Na live Commodities em Foco, o analista de Safras & Mercado chamou atenção ao fato de, além da China, outros importadores poderem ampliar as compras do produto norte-americano. Esse movimento teria potencial para reduzir de forma expressiva os estoques dos Estados Unidos e mudar o cenário das cotações na Bolsa de Chicago.

“Se o Brasil tiver problemas mais graves no ano que vem por conta de uma produção menor em relação às questões climáticas, nós podemos ter uma demanda incremental sobre a exportação norte-americana”, aponta.

Silveira ainda apontou que em um cenário mais adverso para a produção sul-americana, Chicago pode registrar uma valorização significativa, superando US$ 14 por bushel em 2027.

Dezembro pode ser decisivo para a soja

Apesar dos riscos, uma eventual quebra da safra brasileira provocada pelo Super El Niño ainda não está precificada pelo mercado. Neste momento, investidores acompanham principalmente as atualizações dos modelos meteorológicos.

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Os meses de novembro e dezembro devem ganhar importância nesse processo. Dezembro, especialmente, coincide com uma fase decisiva para o potencial produtivo da soja em diferentes regiões do país.

Por isso, mudanças nas projeções de chuva poderão gerar movimentos importantes nas cotações. “Logo mais à frente podemos ter rallies importantes de preço conforme os mapas vão trazendo chuvas ou não”, destaca.

Silveira destaca que para o produtor brasileiro, o cenário reforça a necessidade de acompanhar não apenas Chicago e o câmbio, mas também as atualizações meteorológicas. “Se os mapas mais adversos previstos para o fim do ano se confirmarem, o risco climático brasileiro poderá passar de uma preocupação para um fator efetivamente incorporado aos preços da soja”, conclui.

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CNA participa de agenda internacional do café na Suíça até sexta-feira

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participa, até sexta-feira (2), de uma agenda internacional do café em Genebra e Montreux, na Suíça. A programação inclui a 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café (CIC) e encontros com instituições internacionais ligadas à cafeicultura, com foco nos desafios e nas prioridades da cadeia global e em questões do comércio internacional do produto.

O presidente da Comissão Nacional de Café da CNA, Ademar Pereira, representa a entidade nas discussões ao lado de representantes do governo brasileiro e de outras entidades do setor.

O Conselho Internacional do Café é o principal fórum intergovernamental da Organização Internacional do Café (OIC). O espaço reúne produtores, exportadores, consumidores e importadores para tratar de temas ligados ao mercado internacional, à sustentabilidade e ao desenvolvimento da produção cafeeira.

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Segundo Ademar Pereira, a cafeicultura atravessa um momento de adaptação às novas exigências dos mercados. Ele afirmou que esse processo precisa considerar as diferentes realidades dos agentes que integram a cadeia. Para o dirigente, transparência nas cadeias de suprimentos, capacitação, informação e acesso a novas tecnologias são pontos centrais para o avanço de uma cadeia mais sustentável, competitiva e inclusiva.

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Pereira também defendeu que a sustentabilidade contemple as dimensões ambiental, econômica e social, com atenção à remuneração dos produtores e à distribuição do valor gerado ao longo da cadeia. De acordo com ele, o diálogo entre os diferentes segmentos do setor é essencial para a construção de soluções que considerem toda a cadeia de valor, da produção ao consumidor.

A agenda começou na segunda-feira (28), em Genebra, com reunião da Plataforma Global do Café. Nesta terça-feira (29), Ademar Pereira participou da Sessão do Conselho Internacional do Café. Na quarta-feira (30), está prevista reunião da Força-Tarefa Público-Privada do Café (FTPPC), com debate sobre o impacto da legislação ambiental europeia (EUDR) para o setor, além de um encontro entre o Conselho da OIC e a Plataforma Suíça do Café, também em Genebra.

Na quinta-feira (1) e na sexta-feira (2), a programação segue em Montreux com as celebrações do Dia Internacional do Café e uma reunião do Fórum das Lideranças Mundiais do Café (WCLF).

Fonte: cnabrasil.org.br

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Semeadura da soja 26/27 ganha ritmo em MT, mas clima e janela do milho preocupam produtores

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O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso, mas ainda está atrás do ritmo observado na safra passada. Até 25 de setembro, 3,87% da área prevista havia sido semeada, enquanto, no mesmo período do ciclo anterior, o percentual chegava a 5,97%.

O atraso ocorre em um cenário de atenção ao comportamento das chuvas e à necessidade de garantir tempo suficiente para o cultivo do milho segunda safra. A preocupação entre os produtores é aproveitar a umidade disponível sem comprometer a janela de plantio do cereal.

Entre as regiões produtoras, o Oeste de Mato Grosso apresenta o maior percentual de área semeada, com 7,56%, de acordo com relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na sequência aparecem o Médio-Norte, com 5,38%, e o Centro-Sul, com 3,77%.

A definição do momento de entrada das máquinas no campo também está ligada às expectativas para o clima nos próximos meses. O produtor precisa conciliar a disponibilidade de umidade com o calendário das culturas que vêm na sequência. “As chuvas estão chegando em um momento bom, nem muito atrasadas nem muito adiantadas”, diz Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima e janela do milho entram no planejamento

A avaliação é de que, havendo condições adequadas de umidade, é importante acelerar a semeadura para antecipar a colheita da soja e preservar espaço no calendário do milho. O planejamento ganha peso diante das incertezas em relação ao comportamento climático.

Lucas Costa Beber chama atenção para as especulações sobre a ocorrência de um El Niño intenso. Conforme ele, diante desse cenário, o produtor precisa considerar os possíveis impactos sobre as condições de cultivo e, ao mesmo tempo, manter atenção ao mercado.

“Só se faz uma segunda safra plantando dentro da janela”, pontua. Por isso, a orientação é aproveitar as condições favoráveis para avançar com o plantio da soja e evitar a perda de tempo no calendário agrícola.

A preocupação também envolve as projeções para a produção brasileira. Beber cita a estimativa de 186 milhões de toneladas divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e questiona a compatibilidade desse volume com um eventual cenário de El Niño intenso. “É impossível viver um El Niño intenso e uma super safra”, afirma em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Além das condições climáticas, o produtor precisa administrar também os custos da atividade. A orientação é manter atenção aos tratos culturais e ao desenvolvimento das lavouras, mas dentro de uma realidade de maior pressão sobre as despesas.

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“É claro que nós temos que fazer a nossa parte, cuidar bem da nossa lavoura, do nosso trato cultural”, frisa Beber. Segundo ele, porém, os custos atuais dificultam a manutenção do padrão de lavoura adotado pelos produtores nos últimos anos.


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