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25 de junho de 2026

Business

Frete mínimo pode elevar custos da produção em até 30% no agro de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores rurais de Mato Grosso acendem o alerta para os impactos da política do frete mínimo na logística do campo. A avaliação do setor é de que a tabela do piso mínimo pode elevar os custos de produção em até 30%, pressionando margens que já estão apertadas e afetando desde a compra de insumos até o escoamento da safra.

A preocupação ganha ainda mais peso em um estado marcado por longas distâncias até os portos e forte dependência do transporte rodoviário. No campo, o debate envolve a redução do frete de retorno, a falta de flexibilidade da tabela e os reflexos diretos no preço dos alimentos e na inflação.

Para a Aprosoja Mato Grosso, a forma como o piso mínimo é calculado gera distorções tanto para produtores quanto para caminhoneiros autônomos. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, avalia que o modelo atual penaliza principalmente os pequenos veículos.

“O preço mínimo do frete ele traz injustiça tanto para o produtor quanto para o caminhoneiro autônomo principalmente e quanto menor o caminhão, devido os critérios de cálculo, menos ele vai receber e menos lucratividade vai ter, ou seja, ele tira competitividade do pequeno, caso prevalecer esse tabelamento de frete”, diz ao Patrulheiro Agro.

Na prática, situações comuns na logística do agro deixam de existir com a tabela. Um exemplo é o frete de retorno, bastante utilizado no Médio-Norte do estado, especialmente no transporte de calcário.

“O caminhão que passa por Nobres, no retorno o motorista faz questão de não voltar vazio, de procurar por interesse do produtor de levar durante a safra o calcário com frete mais barato, até porque depois ele pode novamente fazer o frete na época normal se puxar calcário para aqueles produtores que não compraram. Ou seja, ele consegue trabalhar o dobro e acaba compensando esse valor que voltaria com o frete vazio”, relata Lucas.

Conforme o dirigente, esse arranjo permite que o caminhoneiro trabalhe mais e compense o custo de viagens que antes seriam feitas vazias.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Lei e impactos na cadeia

A lei do piso mínimo do frete surgiu após a greve dos caminhoneiros de 2018. Hoje, a tabela abrange 12 tipos de veículos e operações. A legislação prevê revisão dos valores a cada seis meses e reajuste automático sempre que o preço do diesel variar 5%, para mais ou para menos.

Mesmo com essas atualizações, o setor produtivo entende que a tabela não reflete a realidade do mercado ao longo do ano. “A tabela não contempla um preço justo do frete que tem variabilidade ao longo do ano”, reforça Lucas Costa Beber. De acordo com ele, entidades do agro estão trabalhando para encomendar um estudo técnico pela ESALQ, em parceria com outras instituições, com o objetivo de refazer os cálculos da tabela.

Além disso, há tentativa de diálogo com o Ministério dos Transportes. “O produtor não tem quem regula e garante um preço mínimo a ele dos produtos e ele acaba ficando absorvendo todo esse custo, todo esse prejuízo”, ressalta ao Canal Rural Mato Grosso.

Na avaliação do presidente da Aprosoja Mato Grosso, o impacto não fica restrito ao campo. “Essa tabela vai acabar causando um aumento de preço também no valor dos alimentos, do óleo diesel, de tudo que a gente utiliza, causando mais inflação no nosso país”, acrescenta. Ele ainda aponta um efeito colateral: o estímulo à formação de frota própria pelos produtores, reduzindo a dependência do frete terceirizado.

Fertilizantes e distâncias elevam custos

No caso dos fertilizantes, o impacto já é sentido de forma direta. Para o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, a dificuldade está justamente no retorno dos caminhões. “A cada seis caminhões que descem para o Porto um volta com fertilizante, o que está impactando diretamente no custo do fertilizante. O nosso custo de produção subiu com esse tipo de frete que nós estamos tendo que pagar”, pontua.

Além do aumento dos custos, o frete mínimo também gera apreensão sobre seus reflexos na dinâmica do transporte. No campo, a preocupação é como essas mudanças podem afetar o acesso ao frete e a rotina de quem depende da logística para produzir, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros.

Esse é o caso do produtor rural Adalberto Grando, que cultiva 2,7 mil hectares de soja entre Gaúcha do Norte e Sorriso. Para ele, o peso do frete já compromete a rentabilidade. “O frete de Gaúcha para Paranaguá, por exemplo, Santos, o pessoal fala aí em torno de R$ 500 a tonelada”, relata. O produtor dimensiona o impacto ao comparar o valor com a produção. “Nossa Senhora, o equivalente a cinco sacas de soja uma tonelada”, diz.

A dificuldade de acesso também agrava o cenário. “Em Gaúcha do Norte nós temos apenas uma via com acesso de asfalto, as outras duas são com estrada de chão. Se não tiver o frete de retorno ninguém vai querer ir para lá”, observa. Na avaliação dele, o caminho seria a livre iniciativa. “Acho que teria que voltar a livre iniciativa, se continuar insistindo com essa tabela, com esse preço mínimo, pode subir e pode ficar muito pior”, alerta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cooperativas e produtores pedem equilíbrio

Na região de Canarana, o impacto da logística pesa tanto na compra de insumos quanto na venda da produção. O diretor do Sindicato Rural do município, Camilo Ramos, destaca que a localização influencia diretamente nos preços. “Aqui em Canarana, aqui nesta região, nós estamos no centro do Brasil, então é o frete mais caro para se pagar para vir os produtos e a gente é penalizado com o frete mais caro na hora do deságio da venda”, relata. “A nossa logística aqui ela influencia muito tanto no preço da soja para vender ou do milho e nos insumos para comprar”, ressalta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A Cooperativa de Transportes Rodoviários de Mato Grosso (Cootromat), com sede em Canarana, reúne cerca de 110 associados e uma frota de 150 caminhões, sendo 80% motoristas autônomos. Conforme o diretor de logística, Sidnei Rogério Weirich, a aplicação da tabela mudou a dinâmica do frete de retorno. “Como a gente está um pouco retirado do Porto em dois mil quilômetros, então onde havia um frete de retorno hoje tem que seguir a tabela, então isso mudou um pouco”, explica.

Outro entrave apontado envolve a diferença de custos entre os tipos de veículos. “E a dificuldade que a gente está tendo referente a questão dos eixos é nos veículos sete eixos. Veículos menores o pessoal não está querendo contratar, porque o nove eixos ele sai em um custo menor”, afirma Sidnei. Para ele, seria necessário ajustar os valores para garantir concorrência justa. “Poderia na distância jogar até mesmo o valor para que o valor seja igual para todo mundo, para que possa competir de igual para igual”, defende.

O temor é que, sem ajustes, o impacto se agrave nos próximos ciclos. O presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira Bueno, avalia que a margem do produtor já está no limite. “O lucro ele já está mínimo, a margem ela está espremida, já está praticamente inviável”, afirma. Segundo ele, mesmo com oferta de caminhões, o custo tende a subir. “Vai ter frete praticamente sobrando e vai ter que pagar caro mesmo no frete sobrando”, diz.

Para Eder, o reflexo deve ser mais sentido nos fertilizantes. “Acredito que no próximo ano principalmente nos fertilizantes vai haver um acréscimo no valor o produtor vai ficar com um custo acima de 20% a 30%”, projeta.

Ele defende mais diálogo e equilíbrio. “É um problema sério para o produtor, uma lei nova que foi criada lá atrás e que está sendo implantada aos poucos. O produtor ainda não sabe o que vai acontecer. Tem que ter um equilíbrio porque ficar só no colo do produtor é sofrido”, conclui.

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El Niño aumenta risco para qualidade do trigo e produção deve cair 20%, aponta Itaú BBA

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Foto: Divulgação

A produção brasileira de trigo deve recuar cerca de 20% na safra 2026/27, para 6,2 milhões de toneladas, diante da redução da área plantada e da expectativa de menor produtividade, estima relatório da consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo a análise, o cultivo da nova safra ocorre em um cenário de margens apertadas, fator que desestimula a expansão da área. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta retração de 13,4% na área semeada e queda de 7,6% na produtividade, contribuindo para a redução da oferta nacional.

De acordo com a analista do Itaú BBA Marina Marangon, o aumento dos custos de produção também influencia as decisões dos produtores. “O aumento dos custos de produção tem levado os produtores a adotarem uma postura mais cautelosa, limitando a expansão de área e os investimentos em manejo tecnológico, o que reforça o viés de baixa na produção”, afirma.

Impacto do El Niño no trigo

Além das questões econômicas, o clima também preocupa. O documento enfatiza que a confirmação do fenômeno El Niño eleva os riscos para a safra, especialmente em relação à qualidade do cereal.

Embora as chuvas possam favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras no Sul do país, o excesso de umidade ao longo do ciclo aumenta a incidência de doenças e pode comprometer a qualidade dos grãos na fase final de desenvolvimento.

No mercado, a expectativa é de preços mais firmes durante a entressafra, sustentados pela menor oferta doméstica e pela maior necessidade de importações. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que um cenário internacional com ampla disponibilidade de trigo deve limitar altas mais expressivas.

Nesse contexto, os preços no mercado brasileiro tendem a continuar sensíveis às oscilações do câmbio e à competitividade do trigo argentino.

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Agro Mato Grosso

Governo de MT lança concurso para eleger os melhores cafés produzidos no Estado

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O governo de Mato Grosso lançou o 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso – “Valorizando Origens, Impulsionando Negócios”, iniciativa que busca reconhecer os melhores cafés produzidos no estado e fortalecer a cafeicultura como fonte de renda para as famílias rurais. O evento aconteceu em Colniza, reconhecida no estado como ‘Capital do Café’, neste final de semana.

O lançamento reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades da região noroeste do estado. Durante o evento, uma série de palestras orientou os participantes sobre todas as etapas da competição, desde os critérios de avaliação até os cuidados necessários na colheita e pós-colheita para garantir um café de alta qualidade.

Os produtores receberam orientações sobre o checklist diagnóstico que será avaliado pelo laboratório, a forma correta de embalar e enviar as amostras, a importância da ciência na produção cafeeira, além dos principais atributos analisados pelos especialistas, como aroma, sabor, acidez, corpo, finalização, uniformidade e ausência de defeitos.

A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou que o concurso foi criado para dar visibilidade ao trabalho dos produtores e abrir novas oportunidades de mercado. Entre os anos de 2019 e 2025, o governo por meio da secretaria de Agricultura Familiar, investiu mais de R$ 4,4 milhões na cefeicutura do estado com insumos, mudas, máquinas e equipamentos.

“Os produtores já provaram que fazem acontecer. Chegaram nesta região, desbravaram essas terras com coragem e determinação e acreditaram que era possível produzir café de qualidade. Os resultados estão aí para todos verem. Nossa missão, enquanto Estado, é ajudar vocês a impulsionar esse mercado. Em parceria com o governador Otaviano Pivetta e com o Sebrae, criamos essa iniciativa para identificar e apoiar os produtores na missão de mostrar o melhor café de Mato Grosso e transformar sua produção em excelência”, afirmou.

Andreia também ressaltou os impactos sociais da valorização da cafeicultura. “Quanto mais valor vocês agregarem ao café produzido, mais renda terão e mais qualidade de vida poderão proporcionar às suas famílias. Vamos contribuir para reduzir o êxodo rural dos jovens, fortalecer a participação das mulheres e incentivar o desenvolvimento das comunidades. Este é apenas o primeiro de muitos concursos. Assumimos o compromisso de realizar o Concurso de Qualidade do Café todos os anos”, completou.

As inscrições seguem abertas até o dia 31 de julho. O resultado será divulgado durante evento na cidade de Juína, no dia 31 de outubro.

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Concurso que elege o melhor tomate do Brasil volta a ser realizado após 12 anos

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Foto: Pixabay

O concurso que elege o melhor tomate de mesa do Brasil volta a acontecer em 2027, após um hiato de 12 anos.

As inscrições serão abertas em 1 de janeiro e os vencedores serão divulgados em agosto, enquanto a cerimônia de premiação está prevista para 15 de setembro. Podem concorrer produtores de tomates uva, italiano, redondo e gourmet.

O regulamento aponta que serão premiados os primeiros colocados das três primeiras categorias. Já os gourmets serão reconhecidos como Revelação do Ano, O mais saboroso e O mais diferenciado.

Além disso, o concurso também homenageará quatro produtores com os prêmios Jovem Tomateiro, Tomate no Feminino, Tomate Rastreável e Tomate Sustentável.

Entre os membros da comissão avaliadora está o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“Assim como na primeira edição, o Ital será responsável pelas análises físico-químicas e pelos painéis sensoriais descritivos”, destaca a pesquisadora do Instituto e presidente da comissão avaliadora do concurso, Aline de Oliveira Garcia.

Também estão confirmadas na comissão as pesquisadoras Silvia Moura, diretora do Centro de Tecnologia de Frutas e Hortaliças (Fruthotec) do Ital, e Kátia Cipolli, que atua com Aline Garcia no Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA) do Instituto.

Os organizadores do concurso esperam superar os 36 inscritos e 330 quilos de tomates recebidos na edição de estreia. A organização do prêmio é do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort) em parceria com a Eacea.

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