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14 de agosto de 2026

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Frete mínimo pode elevar custos da produção em até 30% no agro de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores rurais de Mato Grosso acendem o alerta para os impactos da política do frete mínimo na logística do campo. A avaliação do setor é de que a tabela do piso mínimo pode elevar os custos de produção em até 30%, pressionando margens que já estão apertadas e afetando desde a compra de insumos até o escoamento da safra.

A preocupação ganha ainda mais peso em um estado marcado por longas distâncias até os portos e forte dependência do transporte rodoviário. No campo, o debate envolve a redução do frete de retorno, a falta de flexibilidade da tabela e os reflexos diretos no preço dos alimentos e na inflação.

Para a Aprosoja Mato Grosso, a forma como o piso mínimo é calculado gera distorções tanto para produtores quanto para caminhoneiros autônomos. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, avalia que o modelo atual penaliza principalmente os pequenos veículos.

“O preço mínimo do frete ele traz injustiça tanto para o produtor quanto para o caminhoneiro autônomo principalmente e quanto menor o caminhão, devido os critérios de cálculo, menos ele vai receber e menos lucratividade vai ter, ou seja, ele tira competitividade do pequeno, caso prevalecer esse tabelamento de frete”, diz ao Patrulheiro Agro.

Na prática, situações comuns na logística do agro deixam de existir com a tabela. Um exemplo é o frete de retorno, bastante utilizado no Médio-Norte do estado, especialmente no transporte de calcário.

“O caminhão que passa por Nobres, no retorno o motorista faz questão de não voltar vazio, de procurar por interesse do produtor de levar durante a safra o calcário com frete mais barato, até porque depois ele pode novamente fazer o frete na época normal se puxar calcário para aqueles produtores que não compraram. Ou seja, ele consegue trabalhar o dobro e acaba compensando esse valor que voltaria com o frete vazio”, relata Lucas.

Conforme o dirigente, esse arranjo permite que o caminhoneiro trabalhe mais e compense o custo de viagens que antes seriam feitas vazias.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Lei e impactos na cadeia

A lei do piso mínimo do frete surgiu após a greve dos caminhoneiros de 2018. Hoje, a tabela abrange 12 tipos de veículos e operações. A legislação prevê revisão dos valores a cada seis meses e reajuste automático sempre que o preço do diesel variar 5%, para mais ou para menos.

Mesmo com essas atualizações, o setor produtivo entende que a tabela não reflete a realidade do mercado ao longo do ano. “A tabela não contempla um preço justo do frete que tem variabilidade ao longo do ano”, reforça Lucas Costa Beber. De acordo com ele, entidades do agro estão trabalhando para encomendar um estudo técnico pela ESALQ, em parceria com outras instituições, com o objetivo de refazer os cálculos da tabela.

Além disso, há tentativa de diálogo com o Ministério dos Transportes. “O produtor não tem quem regula e garante um preço mínimo a ele dos produtos e ele acaba ficando absorvendo todo esse custo, todo esse prejuízo”, ressalta ao Canal Rural Mato Grosso.

Na avaliação do presidente da Aprosoja Mato Grosso, o impacto não fica restrito ao campo. “Essa tabela vai acabar causando um aumento de preço também no valor dos alimentos, do óleo diesel, de tudo que a gente utiliza, causando mais inflação no nosso país”, acrescenta. Ele ainda aponta um efeito colateral: o estímulo à formação de frota própria pelos produtores, reduzindo a dependência do frete terceirizado.

Fertilizantes e distâncias elevam custos

No caso dos fertilizantes, o impacto já é sentido de forma direta. Para o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, a dificuldade está justamente no retorno dos caminhões. “A cada seis caminhões que descem para o Porto um volta com fertilizante, o que está impactando diretamente no custo do fertilizante. O nosso custo de produção subiu com esse tipo de frete que nós estamos tendo que pagar”, pontua.

Além do aumento dos custos, o frete mínimo também gera apreensão sobre seus reflexos na dinâmica do transporte. No campo, a preocupação é como essas mudanças podem afetar o acesso ao frete e a rotina de quem depende da logística para produzir, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros.

Esse é o caso do produtor rural Adalberto Grando, que cultiva 2,7 mil hectares de soja entre Gaúcha do Norte e Sorriso. Para ele, o peso do frete já compromete a rentabilidade. “O frete de Gaúcha para Paranaguá, por exemplo, Santos, o pessoal fala aí em torno de R$ 500 a tonelada”, relata. O produtor dimensiona o impacto ao comparar o valor com a produção. “Nossa Senhora, o equivalente a cinco sacas de soja uma tonelada”, diz.

A dificuldade de acesso também agrava o cenário. “Em Gaúcha do Norte nós temos apenas uma via com acesso de asfalto, as outras duas são com estrada de chão. Se não tiver o frete de retorno ninguém vai querer ir para lá”, observa. Na avaliação dele, o caminho seria a livre iniciativa. “Acho que teria que voltar a livre iniciativa, se continuar insistindo com essa tabela, com esse preço mínimo, pode subir e pode ficar muito pior”, alerta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cooperativas e produtores pedem equilíbrio

Na região de Canarana, o impacto da logística pesa tanto na compra de insumos quanto na venda da produção. O diretor do Sindicato Rural do município, Camilo Ramos, destaca que a localização influencia diretamente nos preços. “Aqui em Canarana, aqui nesta região, nós estamos no centro do Brasil, então é o frete mais caro para se pagar para vir os produtos e a gente é penalizado com o frete mais caro na hora do deságio da venda”, relata. “A nossa logística aqui ela influencia muito tanto no preço da soja para vender ou do milho e nos insumos para comprar”, ressalta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A Cooperativa de Transportes Rodoviários de Mato Grosso (Cootromat), com sede em Canarana, reúne cerca de 110 associados e uma frota de 150 caminhões, sendo 80% motoristas autônomos. Conforme o diretor de logística, Sidnei Rogério Weirich, a aplicação da tabela mudou a dinâmica do frete de retorno. “Como a gente está um pouco retirado do Porto em dois mil quilômetros, então onde havia um frete de retorno hoje tem que seguir a tabela, então isso mudou um pouco”, explica.

Outro entrave apontado envolve a diferença de custos entre os tipos de veículos. “E a dificuldade que a gente está tendo referente a questão dos eixos é nos veículos sete eixos. Veículos menores o pessoal não está querendo contratar, porque o nove eixos ele sai em um custo menor”, afirma Sidnei. Para ele, seria necessário ajustar os valores para garantir concorrência justa. “Poderia na distância jogar até mesmo o valor para que o valor seja igual para todo mundo, para que possa competir de igual para igual”, defende.

O temor é que, sem ajustes, o impacto se agrave nos próximos ciclos. O presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira Bueno, avalia que a margem do produtor já está no limite. “O lucro ele já está mínimo, a margem ela está espremida, já está praticamente inviável”, afirma. Segundo ele, mesmo com oferta de caminhões, o custo tende a subir. “Vai ter frete praticamente sobrando e vai ter que pagar caro mesmo no frete sobrando”, diz.

Para Eder, o reflexo deve ser mais sentido nos fertilizantes. “Acredito que no próximo ano principalmente nos fertilizantes vai haver um acréscimo no valor o produtor vai ficar com um custo acima de 20% a 30%”, projeta.

Ele defende mais diálogo e equilíbrio. “É um problema sério para o produtor, uma lei nova que foi criada lá atrás e que está sendo implantada aos poucos. O produtor ainda não sabe o que vai acontecer. Tem que ter um equilíbrio porque ficar só no colo do produtor é sofrido”, conclui.

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Calorão: máximas podem chegar a 40 °C com risco para focos de incêndio; veja quando e onde

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Foto: Unsplash/reprodução

O clima deve apresentar condições distintas nas principais regiões produtoras de soja do Brasil nos próximos dias. Enquanto áreas do Sul enfrentam previsão de temporais e volumes elevados de chuva, regiões do Brasil Central devem registrar temperaturas próximas de 40 °C.

No Sul, a atuação de um cavado deve favorecer a formação de temporais durante o fim de semana. O cenário exige atenção principalmente no Rio Grande do Sul, onde os maiores volumes estão previstos para a faixa sul do estado e áreas próximas à fronteira com o Uruguai.

Nessas localidades, o acumulado de chuva pode ultrapassar 100 milímetros em cinco dias. Para o setor agrícola, o excesso de precipitação pode dificultar operações em campo, especialmente em áreas onde há atividades de manejo, preparo do solo ou implantação de culturas de inverno.

Calor preocupa

O Brasil Central pode registrar máximas entre 39 °C e 40 °C, com possibilidade de os termômetros chegarem a 41 °C ou 42 °C em alguns pontos.

O calor intenso, associado a períodos de menor umidade, pode aumentar a demanda hídrica das lavouras e elevar o risco de incêndios em áreas rurais. Para produtores de soja, o comportamento das temperaturas e das chuvas será importante para as condições de solo e para o planejamento da próxima temporada.

Entre os dias 20 e 24 de agosto, temperaturas próximas de 40 °C também são esperadas em Rondônia e no sul do Pará, regiões que integram a expansão da produção de grãos no país.

Chuva volta a avançar

A previsão indica que a instabilidade deve continuar concentrada no Sul nos próximos dias. Na última semana de agosto, os temporais podem voltar a ganhar força na região e avançar para São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados relevantes para a produção de soja.

A distribuição das chuvas será um dos principais pontos de atenção para o setor. Volumes excessivos podem dificultar operações agrícolas, enquanto períodos prolongados de calor e baixa umidade podem aumentar a necessidade de acompanhamento das condições hídricas.

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Lavouras de trigo mantêm boas condições, mas excesso de chuva ameaça produtividade 

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Foto: João Leonardo Pires/ Embrapa

As chuvas registradas nos últimos dez dias mantiveram a umidade do solo elevada em importantes regiões produtoras brasileiras. Dados de sensoriamento remoto da EarthDaily mostram que os acumulados ficaram acima da média no Sul, em áreas de Mato Grosso do Sul e em partes de São Paulo e do Nordeste.

Os maiores volumes foram observados na região Sul, onde a precipitação superou 100 mm em algumas localidades.

De acordo com Felippe Reis, analista de culturas da empresa, o comportamento das chuvas e das temperaturas merece atenção especialmente nas áreas produtoras de trigo do Sul do país.

“Na comparação entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve uma mudança significativa no padrão térmico da região. Enquanto na primeira semana foram registradas temperaturas de até 5°C acima da média, na segunda semana os termômetros passaram a registrar valores de até 5°C abaixo da normalidade”, detalha.

Ele lembra que no Rio Grande do Sul, uma onda de frio atingiu o estado no último fim de semana, com temperaturas abaixo de 5°C. Apesar dessa queda nos termômetros, as condições não representam, até o momento, motivo de preocupação para o potencial produtivo das lavouras.

Reis lembra que condições semelhantes foram observadas na temporada passada, quando a produtividade foi satisfatória. Além disso, conforme ele, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) permanece acima dos níveis registrados no ciclo anterior, sugerindo impactos limitados sobre o potencial produtivo.

Segundo o monitoramento da EarthDaily, no sudoeste do estado o NDVI apresenta boa dinâmica da vegetação e condições satisfatórias das lavouras. Entretanto, o elevado volume de chuvas permanece como ponto de atenção. A persistência de condições úmidas pode aumentar a pressão de doenças nas lavouras e, eventualmente, limitar o potencial produtivo.

Chuva no Paraná e El Niño

No Paraná, as chuvas permanecem também acima da média, especialmente desde julho. O comportamento observado já sinaliza impactos associados ao El Niño, embora os anos utilizados como referência apontam diferenças importantes.

Em 2015, os acumulados de chuva já eram significativamente superiores aos atuais nesta mesma fase do ciclo. Em 2023, por outro lado, as precipitações permaneceram mais contidas durante a primeira metade do período e aumentaram de maneira mais expressiva posteriormente.

A divergência entre esses anos análogos mostra que o sinal do El Niño sobre a precipitação no Paraná é menos consistente do que no Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses.

Avanço da colheita da cana

Nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, o cenário é diferente. Em agosto, até o momento, as chuvas permaneceram muito baixas na maior parte da zona canavieira brasileira. O predomínio do tempo seco tem favorecido o avanço das operações de campo.

“Houve, entretanto, interrupções pontuais. No Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, foram registradas chuvas superiores a 11 milímetros em 7 de agosto, condição que pode ter limitado temporariamente a colheita da cana-de-açúcar. Nos demais dias do mês, porém, a precipitação permaneceu baixa, permitindo a continuidade das operações”, salienta o analista.

Novas chuvas nos próximos dias

Nos próximos dias, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o norte-americano GFS indicam volumes expressivos de chuva para a região Sul. No entanto, os acumulados previstos deverão ser menores do que os registrados nas últimas semanas.

Os dois modelos também projetam o fortalecimento de um padrão de temperaturas acima da média, com valores que poderão ficar entre 3°C e 7°C acima da normalidade.

Na comparação entre os últimos dez dias e os próximos dez dias, a tendência é de que a umidade do solo continue acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo. Segundo a EarthDaily, o cenário mantém condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, mas o excesso de umidade exige acompanhamento.

A permanência de solos úmidos, combinada à ocorrência frequente de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas áreas de trigo. Assim, Reis salienta que embora os indicadores de vegetação apontem atualmente condições satisfatórias, a evolução das precipitações e da umidade continuará sendo um dos principais fatores de atenção para o potencial produtivo da cultura nas próximas semanas.

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Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e aumenta valor obtido por tonelada exportada

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Foto: Reprodução/Freepik

A carne bovina de Mato Grosso atravessa 2026 com dois movimentos simultâneos no mercado internacional: mais países comprando e maior valor obtido pelas vendas. No primeiro semestre, os embarques alcançaram 88 destinos e movimentaram US$ 2,4 bilhões, com preço médio de US$ 6,1 mil por tonelada.

A comparação com o mesmo período de 2025 mostra que não foi apenas a quantidade de mercados que aumentou. Naquele ano, eram 77 países, receita de US$ 1,47 bilhão e preço médio de US$ 5,1 mil por tonelada.

O avanço do valor médio é um dos pontos que ajudam a explicar o crescimento da receita. A tonelada exportada passou a valer, em média, cerca de US$ 1 mil a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

Mesmo com a abertura de novos destinos, a China continua sendo o principal mercado para a carne mato-grossense. Foram 282,4 mil toneladas destinadas ao país asiático no período, volume muito superior ao registrado pelos Estados Unidos, segundo maior comprador, com 41 mil toneladas.

“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

Mais compradores mudam o perfil do mercado

Depois de China, Estados Unidos e Chile, que recebeu 31 mil toneladas, aparecem mercados como Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos entre os dez principais destinos.

Há ainda compradores com volumes menores, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia. A presença nesses países amplia as alternativas de comercialização para a indústria frigorífica.

Para a pecuária, uma base maior de compradores pode diminuir a exposição às oscilações de demanda ou às condições comerciais de determinados mercados.

“Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas. Essa pulverização dos mercados proporciona maior previsibilidade para a indústria e para os pecuaristas”, afirma Andrade.

A estratégia, segundo o diretor do Imac, também pode favorecer a busca por mercados dispostos a pagar mais por determinados atributos da proteína. “Além de criar oportunidades para acessar nichos que remuneram melhor pela qualidade da carne”, acrescenta.


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