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14 de agosto de 2026

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Fim da Moratória da Soja e o impacto nas exportações brasileiras

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

O fim da adesão à Moratória da Soja por parte de algumas das maiores tradings do mundo não deve impactar as exportações brasileiras da oleaginosa. Essa é a avaliação, pelo menos sob o ponto de vista jurídico. “É importante lembrar o que a moratória está sendo substituída por outros critérios”, explica Leonardo Munhoz, pesquisador do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A análise ocorre em meio à possibilidade de empresas que negociam soja deixarem o acordo, após informação divulgada pela Reuters no começo da semana. A saída das tradings, nesse sentido, ocorre em um momento crucial. Isso porque em Mato Grosso já está em vigor uma lei que autoriza o governo estadual a retirar incentivos fiscais de empresas signatárias.

Criada em 2006 pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a Moratória da Soja tem caráter voluntário. Ela proíbe a compra de soja produzida em áreas do bioma Amazônia que tenham sido desmatadas após julho de 2008.

Munhoz reforça que o pacto não tem poder de lei. “Não tem caráter jurídico vinculante nem um sistema de rastreabilidade exigido pela legislação. O que estamos vendo é a substituição por normas legais, como o Código Florestal brasileiro, que está em vigor desde 2012”, diz.

Essa mudança no regime jurídico aparece, segundo o especialista, na decisão mais recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Em novembro, o ministro Flávio Dino reconheceu a legalidade da Moratória da Soja, mas respaldou a decisão de Mato Grosso. Ele também determinou a suspensão nacional de todos os processos que envolvam o acordo.

“O próprio ministro Flávio Dino afirmou que acordos comerciais podem existir, mas não podem substituir a lei. Isso representa um respaldo maior ao Código Florestal”, resume Munhoz.

Futuro das certificações ambientais

Enquanto o Brasil tem o Código Florestal como sustentação legal para questões ambientais, a União Europeia conta com o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês). A nova legislação, porém, foi adiada duas vezes e deve entrar em vigor somente em dezembro de 2026.

Nesse sentido, Munhoz ressalta que padrões voluntários estão sendo incorporados às leis nacionais e internacionais. “Quando a moratória foi criada o Brasil não tinha o Código Florestal que existe hoje, nem havia o EUDR na União Europeia”, diz. O pesquisador afirma ainda que esse deve ser o próximo passo para o futuro do comércio internacional, baseado em legislações internas e externas.

Para Daniel Vargas, especialista em direito ambiental e economia e professor da FGV, esse movimento reflete uma mudança estrutural. Segundo ele, certificações privadas não vivem um ciclo de expansão, mas de fragilização, sendo cada vez mais percebidas como juridicamente frágeis e pouco transparentes. “A assinatura da ONG perdeu peso como selo de confiança”, diz.

Vargas lembra que o próprio EUDR surgiu como resposta às limitações do modelo baseado em certificações privadas. A avaliação em Bruxelas era de que esse sistema não reduziu o desmatamento, mas gerou confusão regulatória e exclusão de pequenos produtores, promovendo concentração econômica sem ganhos ambientais relevantes.

Munhoz avalia que esse processo indica uma “estatização dos padrões ambientais”. Para ele, leis nacionais passam a ocupar o centro da governança ambiental, enquanto certificações assumem um papel secundário, como complemento voluntário.

Na avaliação dos dois especialistas, normas públicas tendem a oferecer maior previsibilidade jurídica ao comércio internacional, reduzindo conflitos regulatórios e disputas entre agentes privados.

Acordo Mercosul–UE e a leitura europeia

A indefinição do acordo entre Mercosul e União Europeia adiciona um componente geopolítico ao debate sobre a Moratória da Soja. Para Vargas, o tema ambiental na Europa passou por uma repolitização nos últimos 18 meses, com recuo do Green Deal como eixo absoluto da política econômica.

“A maioria conservadora no Parlamento Europeu passou a resistir a medidas que elevem custos para produtores e consumidores”, afirma. Segundo ele, esse contexto ajuda a explicar os adiamentos e flexibilizações do EUDR, motivados por preocupações inflacionárias e riscos às cadeias produtivas do próprio bloco.

Esse ambiente mais pragmático molda a forma como o fim da moratória tende a ser interpretado. Vargas avalia que organizações não governamentais ambientais devem reagir, mas atravessam uma crise de credibilidade na Europa, sendo associadas ao aumento do custo de vida e à crise energética.

Já Munhoz ressalta que, enquanto não há definição sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, a regra aplicável segue sendo a legislação brasileira. Para ele, o Código Florestal oferece respaldo jurídico suficiente para atender às exigências ambientais no comércio internacional.

Comércio internacional sem a Moratória da Soja

Conforme reforçado por Munhoz, a legislação brasileira consegue suprir as demandas colocadas pela Moratória da Soja. O especialista lembra que mesmo mantido, o acordo precisaria de atualização para se adequar ao Código Florestal.

“A moratória cumpriu sua função. Hoje, especialmente com o EUDR e com o marco temporal de 2020 adotado pelo regulamento europeu, não há justificativa prática ou jurídica para a manutenção do acordo”, diz.

Do ponto de vista econômico, Vargas explica que o fim da moratória não tende a provocar ruptura nas exportações brasileiras. Ou seja, as grandes empresas devem reorganizar fluxos comerciais, não abandonar o Brasil. “Cadeias com dados ou rastreabilidade mais robustas tendem a ser direcionadas ao mercado europeu, enquanto outros mercados absorvem o restante”, afirma.

Ele pondera que, se o EUDR entrar em vigor nos moldes atuais, o equilíbrio pode mudar, possivelmente em desfavor do produtor brasileiro, mas considera esse cenário menos provável diante do contexto político e econômico europeu.

Governança da moratória em xeque

Além das inconsistências jurídicas citadas por Munhoz, a governança da Moratória da Soja também vem sendo questionada. As críticas incluem a centralização das decisões em grandes tradings e organizações internacionais, e a falta de mecanismos que garantissem maior representação de produtores rurais.

Por outro lado, diversos estudos ao longo dos anos mostraram o impacto positivo do acordo no bioma amazônico. De acordo com o Portal Moratória da Soja, o desmatamento médio em municípios da região era de aproximadamente 10.600 km² por ano entre 2002 e 2008, período anterior à implementação. Após o pacto entrar em vigor, esse valor caiu para cerca de 3.000 km² anuais, o que representa uma diminuição de mais de dois terços.

Nesse contexto, Munhoz conclui que o término da Moratória da Soja culmina em um período de transição. “As certificações continuarão existindo, mas de forma acessória, como um complemento voluntário. Elas tendem a perder a centralidade que têm hoje na agenda ambiental do comércio”, finaliza.

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Calorão: máximas podem chegar a 40 °C com risco para focos de incêndio; veja quando e onde

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Foto: Unsplash/reprodução

O clima deve apresentar condições distintas nas principais regiões produtoras de soja do Brasil nos próximos dias. Enquanto áreas do Sul enfrentam previsão de temporais e volumes elevados de chuva, regiões do Brasil Central devem registrar temperaturas próximas de 40 °C.

No Sul, a atuação de um cavado deve favorecer a formação de temporais durante o fim de semana. O cenário exige atenção principalmente no Rio Grande do Sul, onde os maiores volumes estão previstos para a faixa sul do estado e áreas próximas à fronteira com o Uruguai.

Nessas localidades, o acumulado de chuva pode ultrapassar 100 milímetros em cinco dias. Para o setor agrícola, o excesso de precipitação pode dificultar operações em campo, especialmente em áreas onde há atividades de manejo, preparo do solo ou implantação de culturas de inverno.

Calor preocupa

O Brasil Central pode registrar máximas entre 39 °C e 40 °C, com possibilidade de os termômetros chegarem a 41 °C ou 42 °C em alguns pontos.

O calor intenso, associado a períodos de menor umidade, pode aumentar a demanda hídrica das lavouras e elevar o risco de incêndios em áreas rurais. Para produtores de soja, o comportamento das temperaturas e das chuvas será importante para as condições de solo e para o planejamento da próxima temporada.

Entre os dias 20 e 24 de agosto, temperaturas próximas de 40 °C também são esperadas em Rondônia e no sul do Pará, regiões que integram a expansão da produção de grãos no país.

Chuva volta a avançar

A previsão indica que a instabilidade deve continuar concentrada no Sul nos próximos dias. Na última semana de agosto, os temporais podem voltar a ganhar força na região e avançar para São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados relevantes para a produção de soja.

A distribuição das chuvas será um dos principais pontos de atenção para o setor. Volumes excessivos podem dificultar operações agrícolas, enquanto períodos prolongados de calor e baixa umidade podem aumentar a necessidade de acompanhamento das condições hídricas.

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Lavouras de trigo mantêm boas condições, mas excesso de chuva ameaça produtividade 

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Foto: João Leonardo Pires/ Embrapa

As chuvas registradas nos últimos dez dias mantiveram a umidade do solo elevada em importantes regiões produtoras brasileiras. Dados de sensoriamento remoto da EarthDaily mostram que os acumulados ficaram acima da média no Sul, em áreas de Mato Grosso do Sul e em partes de São Paulo e do Nordeste.

Os maiores volumes foram observados na região Sul, onde a precipitação superou 100 mm em algumas localidades.

De acordo com Felippe Reis, analista de culturas da empresa, o comportamento das chuvas e das temperaturas merece atenção especialmente nas áreas produtoras de trigo do Sul do país.

“Na comparação entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve uma mudança significativa no padrão térmico da região. Enquanto na primeira semana foram registradas temperaturas de até 5°C acima da média, na segunda semana os termômetros passaram a registrar valores de até 5°C abaixo da normalidade”, detalha.

Ele lembra que no Rio Grande do Sul, uma onda de frio atingiu o estado no último fim de semana, com temperaturas abaixo de 5°C. Apesar dessa queda nos termômetros, as condições não representam, até o momento, motivo de preocupação para o potencial produtivo das lavouras.

Reis lembra que condições semelhantes foram observadas na temporada passada, quando a produtividade foi satisfatória. Além disso, conforme ele, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) permanece acima dos níveis registrados no ciclo anterior, sugerindo impactos limitados sobre o potencial produtivo.

Segundo o monitoramento da EarthDaily, no sudoeste do estado o NDVI apresenta boa dinâmica da vegetação e condições satisfatórias das lavouras. Entretanto, o elevado volume de chuvas permanece como ponto de atenção. A persistência de condições úmidas pode aumentar a pressão de doenças nas lavouras e, eventualmente, limitar o potencial produtivo.

Chuva no Paraná e El Niño

No Paraná, as chuvas permanecem também acima da média, especialmente desde julho. O comportamento observado já sinaliza impactos associados ao El Niño, embora os anos utilizados como referência apontam diferenças importantes.

Em 2015, os acumulados de chuva já eram significativamente superiores aos atuais nesta mesma fase do ciclo. Em 2023, por outro lado, as precipitações permaneceram mais contidas durante a primeira metade do período e aumentaram de maneira mais expressiva posteriormente.

A divergência entre esses anos análogos mostra que o sinal do El Niño sobre a precipitação no Paraná é menos consistente do que no Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses.

Avanço da colheita da cana

Nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, o cenário é diferente. Em agosto, até o momento, as chuvas permaneceram muito baixas na maior parte da zona canavieira brasileira. O predomínio do tempo seco tem favorecido o avanço das operações de campo.

“Houve, entretanto, interrupções pontuais. No Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, foram registradas chuvas superiores a 11 milímetros em 7 de agosto, condição que pode ter limitado temporariamente a colheita da cana-de-açúcar. Nos demais dias do mês, porém, a precipitação permaneceu baixa, permitindo a continuidade das operações”, salienta o analista.

Novas chuvas nos próximos dias

Nos próximos dias, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o norte-americano GFS indicam volumes expressivos de chuva para a região Sul. No entanto, os acumulados previstos deverão ser menores do que os registrados nas últimas semanas.

Os dois modelos também projetam o fortalecimento de um padrão de temperaturas acima da média, com valores que poderão ficar entre 3°C e 7°C acima da normalidade.

Na comparação entre os últimos dez dias e os próximos dez dias, a tendência é de que a umidade do solo continue acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo. Segundo a EarthDaily, o cenário mantém condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, mas o excesso de umidade exige acompanhamento.

A permanência de solos úmidos, combinada à ocorrência frequente de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas áreas de trigo. Assim, Reis salienta que embora os indicadores de vegetação apontem atualmente condições satisfatórias, a evolução das precipitações e da umidade continuará sendo um dos principais fatores de atenção para o potencial produtivo da cultura nas próximas semanas.

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Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e aumenta valor obtido por tonelada exportada

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Foto: Reprodução/Freepik

A carne bovina de Mato Grosso atravessa 2026 com dois movimentos simultâneos no mercado internacional: mais países comprando e maior valor obtido pelas vendas. No primeiro semestre, os embarques alcançaram 88 destinos e movimentaram US$ 2,4 bilhões, com preço médio de US$ 6,1 mil por tonelada.

A comparação com o mesmo período de 2025 mostra que não foi apenas a quantidade de mercados que aumentou. Naquele ano, eram 77 países, receita de US$ 1,47 bilhão e preço médio de US$ 5,1 mil por tonelada.

O avanço do valor médio é um dos pontos que ajudam a explicar o crescimento da receita. A tonelada exportada passou a valer, em média, cerca de US$ 1 mil a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

Mesmo com a abertura de novos destinos, a China continua sendo o principal mercado para a carne mato-grossense. Foram 282,4 mil toneladas destinadas ao país asiático no período, volume muito superior ao registrado pelos Estados Unidos, segundo maior comprador, com 41 mil toneladas.

“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

Mais compradores mudam o perfil do mercado

Depois de China, Estados Unidos e Chile, que recebeu 31 mil toneladas, aparecem mercados como Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos entre os dez principais destinos.

Há ainda compradores com volumes menores, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia. A presença nesses países amplia as alternativas de comercialização para a indústria frigorífica.

Para a pecuária, uma base maior de compradores pode diminuir a exposição às oscilações de demanda ou às condições comerciais de determinados mercados.

“Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas. Essa pulverização dos mercados proporciona maior previsibilidade para a indústria e para os pecuaristas”, afirma Andrade.

A estratégia, segundo o diretor do Imac, também pode favorecer a busca por mercados dispostos a pagar mais por determinados atributos da proteína. “Além de criar oportunidades para acessar nichos que remuneram melhor pela qualidade da carne”, acrescenta.


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