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5 de julho de 2026

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Mato Grosso avança como potência global da proteína animal, mas custos apertam o produtor

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso vive um momento histórico na produção e exportação de proteína animal. Recordes sucessivos e o protagonismo no comércio exterior consolidam o estado como potência global da proteína animal, especialmente na carne bovina. Ao mesmo tempo, o avanço vem acompanhado de desafios dentro da porteira, com custos elevados, margens apertadas e necessidade crescente de eficiência.

Em novembro, Mato Grosso bateu recorde nas exportações de carne bovina, com mais de 112 mil toneladas embarcadas, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No acumulado de 2025, o estado já exportou mais de 867,7 mil toneladas, alta de 23,8% em relação ao ano anterior, superando todo o volume de 2024. A China segue como principal destino, concentrando quase 55% das compras, o que mantém Mato Grosso como o maior exportador de carne bovina do país.

A expectativa do setor é de continuidade nesse ritmo, principalmente com o retorno das compras por parte dos Estados Unidos e a possibilidade de abertura para os mercados do Japão e Coreia do Sul. “A perspectiva é manter esse mesmo nível de abate. Mato Grosso não vai baixar de 7 milhões e duzentas mil cabeças”, afirma o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Mesmo com a liderança nas exportações, o setor agora tenta equilibrar o bom desempenho dos embarques com a necessidade de ganhar eficiência para seguir competitivo, em um cenário cada vez mais profissionalizado.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos altos e margem mínima

Segundo Oswaldo, a realidade dentro das propriedades é de disputa acirrada e lucro cada vez mais estreito. “O pecuarista hoje já está competindo entre si na fase da recria e terminação e hoje dois reais por arroba é lucro. Só tem profissional no mercado, mesmo os grandes confinamentos têm que fazer muita conta para não perder dinheiro, hoje não tem como ser amador no mercado”, diz.

Ele ressalta que a cria, base da pecuária, tem se concentrado no produtor mais tradicional. “O que está sobrando para o pecuarista raiz é a cria. Dá mais trabalho, dá muito mais despesas e tem muito mais perda. Está sobrando isso aí para entrar hoje na pecuária”, relata.

O aumento dos custos de produção e a baixa rentabilidade dentro da porteira seguem como os principais desafios do setor, que opera com pouca margem para erros. O comportamento do preço da arroba também mudou nos últimos anos, reduzindo as oportunidades de recuperação financeira ao longo do ciclo.

“Quando começava o final da seca a gente tinha uma recuperação gradativa do preço da arroba e chegava no final do ano com um preço melhor para recuperar o perdido, mas não está tendo mais. Já faz uns dois anos que a gente não tem observado isso”. Conforme o presidente da Acrimat, a expectativa de preços mais elevados não se confirmou. “A expectativa nossa é de muitos analistas de mercado era de chegar a R$ 350 até R$ 400 a arroba, mas não vai chegar nem perto disso, ficou um sinal amarelo, uns zero a zero tomando cuidado para não perder dinheiro”.

Nesse cenário, produtores com menor capitalização acabam deixando a atividade. “Aquele pequeno e médio que não tem lastro para poder bancar os prejuízos esse aí está saindo do mercado, e o que está salvando o Brasil hoje e que está salvando a pecuária é o mercado externo”, pontua.

Apesar das dificuldades, o setor já observa sinais de um novo ciclo pecuário, com retenção de fêmeas e valorização dos animais. “Já estamos entrando nesse novo ciclo pecuário de retenção de fêmeas. A gente tem observado a grande valorização do macho, valorização do boi magro, a procura é muito grande o que deve refletir a partir do segundo semestre do ano que vem em aumento de arroba bastante”, completa.

Rastreabilidade e pressão internacional

As exigências de rastreabilidade impostas por mercados internacionais também geram preocupação entre os produtores. A principal cobrança do setor é para que o processo seja conduzido de forma gradual, sem aumento excessivo de custos no curto prazo.

“É um caminho sem volta. A gente tem passado para o nosso produtor, mas isso não pode ser imposto, porque tem muita gente que não quer vender para a China. Ele quer vender o seu gado aqui mesmo, tem que ir devagar, não pode pressionar e não pode onerar o produtor. Não pode ter um custo absurdo porque isso interfere no ganho”, reforça o presidente da Acrimat.

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Foto: Leandro Balbino/ Canal Rural MT

Suinocultura cresce, mas crédito limita investimentos

A suinocultura de Mato Grosso também atravessa um período positivo em termos de produção e exportação. O setor alcançou resultados considerados satisfatórios pelos produtores, mas enfrenta entraves semelhantes aos da pecuária de corte, especialmente no acesso ao crédito.

“A suinocultura podemos dizer que foi um ano bastante produtivo, a contento do produtor”, avalia o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, ao Canal Rural Mato Grosso. De acordo com ele, há interesse em ampliar a produção, mas o custo do financiamento inviabiliza novos investimentos. “Algumas pessoas já começam a querer aumentar a produção, buscando alternativas de empréstimos de bancos, mas com juros de 19%, 20%, 25%, realmente não tem condição de pegar porque não paga a conta”.

Para Custódio, é necessário pensar em políticas públicas estratégicas para fortalecer a cadeia produtiva. “Essa é uma busca que acredito que o governo do estado tem que começar a pensar a partir do ano que vem, para que possamos fomentar a suinocultura, trazendo uma atividade mais pujante, com um número maior de matrizes, para gerar não só as divisas que o estado precisa, mas também oportunidades para os produtores de Mato Grosso”, afirma.

Dados do Imea mostram que, até setembro de 2025, a carne suína in natura respondeu por mais de 84% das exportações do estado. Após o recorde de 1,3 milhão de toneladas exportadas em 2024, a projeção para 2025 é de novo crescimento, acompanhando a tendência nacional, estimada em 1,45 milhão de toneladas. O cenário é reforçado pelo recorde de abates no Brasil, com quase 15,8 milhões de cabeças no terceiro trimestre.


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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

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Foto: Embrapa

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.

O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.

Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.

Saúde das colônias

Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.

As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.

A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.

Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.

A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

produção de café
Foto: Embrapa

Polinização e manejo fitossanitário

Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.

A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.

Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.

“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.

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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

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Da tecnologia do gramado à cerveja da torcida, o agronegócio atua como o motor invisível por trás do maior torneio do planeta

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.

Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.

Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.

Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.

Confira:

A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.

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Abimaq lança guia gratuito sobre armazenagem diante de déficit no setor; confira

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Foto gerada por IA.

Com estimativa de produção de 353 milhões de toneladas de grãos por ciclo, o Brasil tem capacidade para armazenar 62% desse volume, o que deixa cerca de 135 milhões de toneladas sem estrutura de estocagem.

Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançou o Guia Prático de Armazenagem Eficiente, disponível gratuitamente.

O material reúne orientações para produtores rurais, gestores e profissionais do agronegócio sobre práticas de armazenagem, com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a logística e apoiar o planejamento das operações.

Déficit afeta logística e comercialização

Segundo a Abimaq, o crescimento da produção agrícola tem ampliado o déficit de capacidade estática de armazenagem no país. A limitação da infraestrutura pode aumentar os custos logísticos, elevar as perdas e reduzir as alternativas de comercialização da produção, obrigando produtores a venderem a safra em períodos de maior oferta.

A iniciativa integra uma campanha da entidade voltada à conscientização sobre a importância dos investimentos em armazenagem para o agronegócio.

Tecnologia disponível

A associação informa que a indústria nacional dispõe de tecnologia para ampliar a infraestrutura de armazenagem. A Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG), vinculada à Abimaq, reúne empresas que desenvolvem sistemas e equipamentos destinados a diferentes perfis de produtores e operações agrícolas.

O Guia Prático de Armazenagem Eficiente pode ser acessado gratuitamente mediante o preenchimento de formulário disponível aqui.

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