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MT-140: logística crítica que custou R$ 50 mil em uma única chuva

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MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A precariedade da MT-140 expõe produtores e caminhoneiros a perdas que chegam a dezenas de milhares de reais em um único dia de chuva, afetando o escoamento de milho, soja, algodão e outras culturas na região. O trecho considerado mais crítico acumula tombamentos, atolamentos e interrupções frequentes.

O impasse sobre a responsabilidade pela manutenção agrava o problema, enquanto municípios, consórcios e governo estadual discutem recursos e autorizações. A falta de infraestrutura encarece o frete, reduz competitividade e ameaça o andamento da safra que se aproxima.

Em meio ao barro e à instabilidade da estrada, cargas inteiras têm sido perdidas. O agricultor Lucas Pasqualotto relata que um caminhão carregado dentro da propriedade tombou ao tentar vencer o trecho. “É uma estrada totalmente abandonada. Esse milho foi carregado em nossa propriedade. Tinha 900 sacos de milho”. Quando questionado se era possível aproveitar o produto, ele responde: “Não, esse milho foi totalmente perdido por conta das chuvas. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 50 mil, R$ 60 mil. Qualquer cultura que carrega aqui corre esse risco”.

A família Pasqualotto possui uma área de quatro mil hectares na região. O produtor Osvaldo Pasqualotto afirma que o cenário se repete chuva após chuva. “Por incrível que pareça é a terceira chuva que dá. Praticamente de seis meses para cá já aconteceu isso. É caminhão atolado, é caminhão tombado, é produto que se perde, prejuízo atrás de prejuízo e vai passando os anos e ninguém mexe nessa estrada”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Para ele, a sensação é de desamparo: “Vemos nas cidades tantas pessoas precisando, passando fome, passando dificuldade e a gente vai pegar esse produto que colhemos com amor, plantou com carinho e vai levar na cidade e acaba se perdendo no caminho por ter estradas ruins. A gente só quer trabalhar, só quer tirar os produtos entregar na cidade e a gente não consegue fazer isso”.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízo no campo e na competitividade

Os produtores frisam que a cada dia mais enfrentam custos crescentes para manter a logística funcionando. Alberto Chiapinotto, que está na região há quatro décadas, afirma que uma chuva mais intensa é suficiente para bloquear o caminho. “Até outro dia era chuva de cinco milímetros, agora deu uma chuva de 50 milímetros. Nós não temos mais estrada e estamos aqui há 40 anos nesse espaço de tempo e não se tem ninguém fazendo uma conclusão de melhoria”.

Ele lembra ainda que a precariedade afeta até o acesso escolar: “O que mais judia para nós é as crianças sem ter a possibilidade de ir para a escola”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso. A Agrícola Irmãos Chiapinotto semeia 2.050 hectares de soja e milho no município de Juscimeira.

O custo do frete também dispara diante da situação. Alberto comenta que chega a pagar em frete “50% a mais do valor de mercado”. A competitividade regional cai junto: “Essa logística deixa uma margem de 12% no valor do grão a menos do que em outras regiões”.

Segundo os produtores, a área cultivada na região no entorno da MT-140 é de aproximadamente de 200 mil hectares e envolve cerca de 50 agricultores.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Caminhoneiros travados e risco constante

Ezequiel Victor, gerente agrícola da Girassol Agrícola, relata que as equipes da empresa chegam a mobilizar máquinas para garantir a passagem. “Todos os caminhoneiros sofrem muito para tirar a safra e nós temos que estar ajudando, tem que estar desengatando trator para poder puxar, pá carregadeira para tapar buraco, então recém começa as chuvas e já começa os problemas”. A Girassol Agrícola cultiva 8,2 mil hectares de lavoura e aproximadamente 7,5 mil hectares de eucalipto na região.

Para quem transporta, o desgaste é diário, a ponto de motoristas terem que aguardar horas para prosseguir. É o caso de Dionísio da Silva Campos. “Já era para eu estar carregando. Todo ano é essa labuta aí”.

Ele pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o buraco que bloqueia o trecho poderia ter sido reparado antes do período chuvoso. “Poderia ter tampado bem antes da chuva, mas infelizmente os órgãos públicos não fizeram nada”. O prejuízo atinge até o lucro da viagem: “Lucro fica totalmente aqui”.

O caminhoneiro Daniel Luiz também enfrentou o atoleiro registrado na reportagem. “Pneu, mola, tudo vai judiando com a estrada ruim. É a primeira vez que entro aqui, já não venho mais, é a última também”, diz.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impasse político e lei parada desde 2024

Um dos trechos considerados mais críticos da MT-140, com pouco mais de 15 quilômetros, está oficialmente sob responsabilidade do município de Santo Antônio de Leverger. Porém, “nunca recebeu uma manutenção necessária”, como relatam aqueles que dependem da rodovia estadual. Conforme produtores e autoridades locais, Juscimeira — que está mais próximo — tenta assumir a gestão para viabilizar obras no local.

“Na MT-140 quatro quilômetros é do município de Juscimeira. Juscimeira fez o seu dever de casa, primeiro ano de mandato já arrumando todas MTs, todas as estradas vicinais, e arrumando todos os quatro quilômetros da MT-140. Gostaria de ter arrumado mais, gostaria de ter entrado e ter alcançado até o município de Jaciara, mas não tenho permissão”, afirma o prefeito Alexandre Russi ao Canal Rural Mato Grosso.

O prefeito reforça que a distância inviabiliza o atendimento por Santo Antônio de Leverger. “Fica mais próximo de Juscimeira a 60 quilômetros e a 150 quilômetros de Santo Antônio de Leverger, e Santo Antônio de Leverger não consegue dar esse atendimento”.

O prefeito explica que uma lei necessária para formalizar a transferência do trecho está parada desde 2024 na Assembleia Legislativa. “Recursos temos, maquinários temos, força de vontade não nos falta, mas precisamos do documento falando: ‘pode entrar que é Juscimeira’. E a gente entra para essa região”, afirma. Ele cita ainda que foi firmado um convênio de R$ 12,8 milhões com o governo do estado, por meio do Cidesasul, para manutenção de MTs e um novo acordo está em andamento para ampliar a atuação nas estradas de Dom Aquino, Campo Verde e Poxoréu.

A Aprosoja Mato Grosso também acompanha a situação. “Mal começaram as primeiras chuvas e já estamos com um cenário lamentável aqui. São vários anos com esse mesmo problema aqui neste local, justamente por causa dessa redivisão municipal”, relata o delegado da entidade Rogério Berwanger.

Em nota, a Sinfra-MT informou que firmou convênio com o Cidesasul, consórcio intermunicipal presidido pelo prefeito de Juscimeira, para manutenção de trechos não pavimentados das MTs 140, 373, 040, 469, 460 e 454 no município. Não há, por enquanto, projetos de pavimentação.

No meio de tantos entraves, a cobrança permanece por soluções definitivas. Como resume Osvaldo Pasqualotto: “E tem que ser um trabalho bem feito, tem que ser levantada, cascalhada”.

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Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade

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Reprodução Canal Rural

Na estreia como comentarista do Canal Rural, no Rural Notícias desta quarta-feira (18), Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, chamou atenção para o cenário desafiador enfrentado pelo agro brasileiro, com alta nos fretes, encarecimento dos fertilizantes e pressão crescente sobre os custos de produção. Em debate com o comentarista Miguel Daoud, o especialista destacou a ausência de um planejamento de longo prazo para o país.

“É um momento muito difícil, muito complexo. Isso demonstra mais uma vez que o Brasil precisa de uma diplomacia comercial”, afirmou Meirelles. Segundo ele, os efeitos já são sentidos no campo, em meio ao fim da colheita da soja e ao plantio da safrinha.

O avanço dos fretes, somado ao aumento dos insumos, compromete a rentabilidade do produtor e gera efeitos inflacionários. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção. E isso cria realmente um processo inflacionário no país”, disse.

Para Meirelles, as medidas adotadas pelo governo até agora têm alcance limitado. “O governo diminuiu seus impostos, mas isso ficou muito pouco”, avaliou. Ele defendeu como alternativa o aumento da mistura de biodiesel no diesel. “Nós temos condições de aumentar o biodiesel de 15% para 25% sem problema algum”, afirmou, destacando que a medida pode reduzir a dependência de importações.

O comentarista também mencionou falhas estruturais no setor energético. “Nós exportamos o óleo bruto e depois importamos ele refinado. O Brasil precisa aprender com as lições que ocorreram”, pontuou. Segundo ele, o avanço do B25 ajudaria a conter a inflação e aliviar os custos no campo.

Ao tratar da formação de preços, Meirelles destacou a limitação de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou.

Durante o debate, Miguel Daoud alertou para os riscos de uma possível greve dos caminhoneiros. “A greve é um desastre para o país. Não prejudica A ou B, prejudica o Brasil”, disse. Ele lembrou ainda que o país enfrenta juros elevados, na casa de 15%, e dívida crescente.

Daoud também chamou atenção para distorções no mercado de fretes. “As grandes empresas contratam outras empresas, que muitas vezes terceirizam e acabam pressionando o caminhoneiro autônomo”, explicou.

Sobre o biodiesel, o analista apontou entraves regulatórios. “O governo alega que parte da frota não está preparada e que o biodiesel seria mais caro, o que não é verdade hoje”, afirmou. Ele também criticou a instabilidade nas regras. “Você muda a regra no meio do jogo. Que segurança tem?”

Meirelles voltou a defender uma estratégia de longo prazo para o país. “Falta um plano Brasil. Precisamos de segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar problemas do mercado internacional e nacional”, disse.

A discussão também ganhou participação do público. Um telespectador questionou por que o Brasil ainda não amplia a mistura de biodiesel ao diesel, tema que já vinha sendo abordado no debate. A partir disso, Daoud explicou os argumentos do governo e fez contrapontos.

“O governo alega que o biodiesel seria mais caro, o que hoje não é verdade. Tem muita gente importando diesel puro, sem mistura, porque sai mais barato”, afirmou. Outro ponto levantado, segundo ele, é que parte da frota não estaria preparada para níveis mais elevados de biodiesel, o que exigiria estudos técnicos.

Daoud voltou a criticar a falta de previsibilidade no setor. “Já vimos a mistura cair de 15% para 10%. Que segurança isso traz?”, questionou.

Ao retomar o tema, Meirelles reforçou que o país precisa olhar para o futuro. “O que falta é um projeto de país, com visão de longo prazo”, afirmou, lembrando que o Brasil já discutia biocombustíveis desde a década de 1950, mas sem continuidade.

A discussão também foi refletida entre os produtores. Em enquete do Canal Rural, 71% afirmaram que a guerra no Oriente Médio já impactou o custo de produção, principalmente pelo aumento dos combustíveis. Outros 12% apontaram alta nos fertilizantes, enquanto 17% ainda não perceberam efeitos.

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Boi gordo mantém preços firmes com oferta restrita

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Foto: Fernando Carvalho/arquivo Pessoal

O mercado físico do boi gordo segue sustentado pela restrição de oferta, com negociações pontuais acima da referência média em diversas praças do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse cenário tem sido o principal fator de suporte aos preços ao longo de março.

Os frigoríficos continuam enfrentando dificuldades para alongar as escalas de abate, que atendem, em média, entre cinco e sete dias úteis, indicando oferta enxuta de animais terminados. Além disso, o mercado apresenta volatilidade, influenciado por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que impactam os contratos futuros do boi gordo na B3.

Os preços nas principais praças:

  • Em São Paulo, a média ficou em R$ 350,42
  • Em Goiás, a indicação foi de R$ 337,68
  • Em Minas Gerais, atingiu R$ 339,71
  • Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi cotada a R$ 337,95
  • Em Mato Grosso, a R$ 343,04.

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo do dia. O consumo interno ainda apresenta limitações para absorver novos reajustes da carne bovina, diante da maior competitividade de proteínas concorrentes. Mesmo assim, os preços seguem próximos das máximas históricas. O quarto dianteiro é cotado a R$ 20,50/kg, o quarto traseiro a R$ 27,00/kg e a ponta de agulha também a R$ 20,50/kg.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,72%, cotado a R$ 5,24, após oscilar entre R$ 5,18 e R$ 5,24 ao longo do dia.

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Fórum reúne setor produtivo para debater inovação e expansão de mercados

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Foto: divulgação/Planeta Campo

A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, recebeu, nesta quarta-feira, o Fórum Momento Agro: do Campo ao Mercado, reunindo lideranças, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os rumos do agronegócio brasileiro. O evento teve como foco temas como inovação, sustentabilidade e oportunidades de mercado.

O encontro foi realizado no Parque Científico e Tecnológico da Unochapecó, dentro da programação da Mercoagro, uma das principais feiras do setor na América Latina. Durante o fórum, foram debatidos assuntos estratégicos, como o acordo entre Mercosul e União Europeia e seus impactos para o Brasil.

Para Santa Catarina, maior produtor e exportador de suínos do país, o acesso ao mercado europeu é visto como uma oportunidade relevante.

“O bloco da União Europeia é um bloco que historicamente é difícil de entrar, tem muitas exigências, tem um mercado local forte também. Com a aplicação dessas cotas, redução de tarifas, é uma oportunidade muito interessante da gente acessar esse mercado que paga muito bem”, destaca o economista do Rabobank, Wagner Yanaguizawa.

Inovação e IA

A inovação, com o uso de inteligência artificial já é apontada como uma das principais ferramentas para a tomada de decisão e ganho de produtividade no campo. 

“Nós teremos mais eficiência nos processos e mais controle sobre eles desde a própria criação até a fabricação, o resultado do produto final na saída da indústria”, destaca o presidente da Associação Internacional de Inteligência Artificial, Fernando Gomes de Oliveira.

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