Connect with us
18 de junho de 2026

Business

Guerra no Irã muda cenário de juros no Brasil e pressiona Plano Safra

Published

on


Foto: Mapa

As atenções do mercado financeiro estão voltadas para Brasília, onde o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define, nesta quarta-feira (18), o rumo da taxa básica de juros, a Selic.

As expectativas indicam alívio nos juros, mas o tamanho do corte segue incerto, com o mercado dividido entre corte moderado e manutenção da taxa em 15%.

No campo, essas incertezas se traduzem em um possível impacto no Plano Safra, principal instrumento no financiamento da produção agropecuária no Brasil. A Selic é fundamental na referência para o custo do dinheiro na economia, impactando diretamente o crédito rural.

Segundo Hulisses Dias, mestre em Finanças pela Universidade de Sorbonne, quando a taxa de juros sobe, o custo de captação dos bancos aumenta e esse movimento é repassado ao produtor, tanto nas linhas livres quanto nas subsidiadas.

“Juro mais alto não machuca só o consumidor urbano, ele também encarece o capital de giro, o custeio e o investimento no campo”, afirma.

Ele ressalta que o efeito não é imediato nem uniforme, mas tende a encarecer capital de giro, custeio e investimentos no campo, já que o crédito fica mais caro ao longo de toda a cadeia.

Para Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, o impacto varia conforme a origem dos recursos.

Nas linhas livres, que dependem da captação de mercado, o custo acompanha o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e já supera 20% o ao ano em alguns casos, o que encarece principalmente operações fora dos programas oficiais.

Linhas subsidiadas também sentem efeito da Selic

Mesmo nas linhas controladas, com taxas definidas pelo governo, a pressão dos juros aparece. Isso ocorre por meio da equalização, mecanismo que cobre a diferença entre a taxa de mercado e a cobrada do produtor.

Bassani explica que, com a Selic elevada, o custo dessa conta aumenta para o Tesouro, o que reduz a capacidade de oferta de crédito subsidiado. “Com o mesmo orçamento, o governo consegue bancar um volume menor de crédito”, diz.

Na prática, isso tende a forçar produtores a migrarem para linhas livres, historicamente mais caras.

Guerra pressiona inflação e muda cenário de juros

O avanço do conflito no Oriente Médio trouxe novas incertezas para a política monetária. Dias afirma que o principal impacto vem da alta do petróleo, que encarece energia, combustíveis e frete, com efeito disseminado sobre a inflação.

Segundo ele, o risco está na contaminação das expectativas, o que exige maior cautela dos bancos centrais.

Já Bassani classifica o cenário como um choque de oferta com potencial estagflacionário. “O aumento dos combustíveis eleva os custos de frete e de produção de alimentos”, afirma.

Diante disso, a tendência é de manutenção de juros elevados por mais tempo ou cortes mais lentos, mesmo com impacto sobre o crescimento econômico.

Mercado reduz apostas e Plano Safra entra no radar

A decisão do Copom desta semana ocorre em um ambiente de maior incerteza. Antes do ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, a expectativa do mercado girava em torno de um corte de meio ponto percentual na Selic. Portanto, um quadro mais otimista.

Dias avalia que o mercado ainda vê espaço para queda da taxa básica de juros ao longo de 2026, mas agora com ritmo mais moderado. A discussão, segundo ele, deixou de ser apenas sobre o início dos cortes e passou a incluir o tamanho e a velocidade desse movimento.

Já Bassani aponta que o mercado se divide entre um corte menor ou a manutenção da taxa, após a piora nas expectativas de inflação.

“O financiamento tende a ficar mais sensível, mais caro e mais dependente da capacidade do Tesouro de sustentar subsídios”, afirma.

Na prática, isso pode resultar em maior pressão sobre o orçamento, disputa por recursos subsidiados e maior dependência de linhas livres por parte do produtor, em um cenário de custos ainda elevados.

O post Guerra no Irã muda cenário de juros no Brasil e pressiona Plano Safra apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Paraná prepara novo edital do Compra Direta para cooperativas e agricultura familiar

Published

on


O Estado do Paraná se prepara para lançar, neste ano, a Chamada Pública Eletrônica nº 1/2026 do Programa Compra Direta Paraná. Vinculada ao Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Desan), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a nova etapa dará continuidade à compra de alimentos de cooperativas e produtores da agricultura familiar para atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo o material divulgado nesta quinta-feira (18), o programa foi implementado em 2020 e completa seis anos de execução em 2026. A política pública é voltada ao escoamento da produção de agricultores locais, com fornecimento para cozinhas comunitárias, restaurantes populares, hospitais filantrópicos e a rede socioassistencial paranaense.

No balanço de 2025, foram firmados 188 contratos com cooperativas e associações da agricultura familiar, somando R$ 77 milhões em investimentos em todas as regiões do Paraná. De acordo com a Seab, o programa entregou 9 milhões de toneladas de alimentos frescos nos 399 municípios do estado. Entre os produtos citados estão ovos, pães, sucos, arroz, feijão, frutas, legumes, hortaliças e orgânicos. O material informa ainda atendimento direto a 400 mil famílias em situação de vulnerabilidade.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

A nova chamada pública eletrônica foi estruturada em dois pilares: a distribuição dos alimentos em grupos e o uso de um sistema eletrônico para integrar as etapas do processo. A plataforma, segundo a secretaria, reúne cadastro do projeto de venda, registro dos agricultores, apresentação de propostas, classificação de produtos, habilitação de fornecedores e acompanhamento da execução dos contratos e das entregas.

De acordo com a coordenadora estadual do programa, Angelita Avi Pugliesi, as datas oficiais e as demais informações ainda serão divulgadas no site da Seab e pelos escritórios regionais da secretaria. O material não informa, até o momento, cronograma, valores previstos para o novo edital nem o número esperado de contratos para o ciclo 2026.

A nova etapa mantém a continuidade de uma política de compra pública voltada à agricultura familiar no Paraná, mas os detalhes operacionais do edital de 2026 ainda não foram divulgados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Fonte: agricultura.pr.gov.br

O post Paraná prepara novo edital do Compra Direta para cooperativas e agricultura familiar apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Gargalos estruturais e margens apertadas desafiam mercado de sementes

Published

on


Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

O mercado de sementes enfrenta um ciclo severo de ajustes provocado pela compressão de margens em toda a cadeia produtiva. Além do estrangulamento financeiro, o esgotamento do crescimento puramente horizontal das últimas duas décadas e as restrições no acesso ao crédito rural trazem novos desafios para o setor.

O cenário foi debatido por executivos de grandes indústrias e empresas de genética nesta quinta-feira (18), durante o segundo dia da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem). O painel Perspectivas do Futuro da Comercialização de Sementes, realizado em Rondonópolis (MT), discutiu os rumos do segmento em meio ao avanço da digitalização e da integração de dados.

As dificuldades econômicas atuais afetam de forma homogênea desde a base produtiva até as companhias de insumos. Diante desse cenário de retração, a sobrevivência e a competitividade dos negócios dependem diretamente do aumento da eficiência comercial.

Para o líder Comercial Brasil e Paraguai da Corteva, Willian Weber, o momento do agronegócio exige resiliência de todos os elos. “Não só o setor de sementes, mas todo o agrícola está passando por margens apertadas. A indústria também”.

Ajustes e pressão do tempo

Na avaliação de Weber, o redesenho das relações comerciais torna-se obrigatório para superar a crise atual. “Ao mesmo tempo os desafios criam oportunidades. Não podemos sair dessa crise da mesma forma que entramos. Sairão aqueles que tiverem a capacidade de se sobressair. Cabe aqui uma reflexão. Não cabe aqui um alinhamento dos setores, dos multiplicadores?”.

Além da pressão financeira, o tempo de maturação das inovações e as barreiras burocráticas travam o ritmo de entrega de novas tecnologias ao produtor. O líder da Unidade Comercial de Soja e Lançamentos da Bayer, Fábio Passos, pondera que o intervalo entre a pesquisa básica e o uso comercial efetivo ainda é excessivo frente às necessidades urgentes constatadas nas lavouras.

Segundo Passos, a velocidade da resposta da indústria precisa acompanhar com mais dinamismo o dia a dia do campo. “Ao mesmo tempo que a gente inova, nós temos que ser efetivos. Quando olhamos para a inovação tem que ser cada vez mais curto o espaço de tempo. Hoje entre sair do laboratório até chegar no produtor são 15 anos. Precisamos ser mais efetivos nisso quando detectamos um problema, uma necessidade no campo”.

Essa perda de dinamismo encontra obstáculos estruturais complexos que vão além das porteiras das empresas. O vice-presidente da Divisão de Soluções para a Agricultura da Basf no Brasil, Marcelo Batistela, explica que o setor agrícola encerrou um longo período de expansão de área e agora precisa focar na organização interna da cadeia e nos custos operacionais.

“Estamos num ciclo de ajustes que estão afetando todos. O desafio hoje é estrutural. Nas últimas duas décadas vimos um crescimento horizontal, vamos continuar crescendo, mas não no mesmo ritmo. Hoje precisamos ajustar a questão de oferta e demanda”, alerta Batistela.

Para superar o atual cenário, o executivo defende que a cadeia precisa trabalhar melhor, organizando-se e cooperando mais entre si. “Outro problema estrutural é o custo. A demanda sempre vai continuar e nós do Brasil temos capacidade para ampliar a oferta. Nós todos como cadeia precisamos trabalhar melhor. Se organizar mais, cooperar mais.”.

O avanço tecnológico do país depende dessa união regulatória e de um olhar atento ao mercado global. Batistela pontua que o setor precisa de agilidade institucional e afirma que “precisamos estar mais atentos à legislação e ao exterior para a liberação das tecnologias”.

Consolidação e crédito restrito

O redesenho do mercado regional também é impulsionado por movimentos de consolidação corporativa. Francisco Soares, presidente da TMG, traça um paralelo com a evolução histórica da área plantada no estado e destaca o forte incremento tecnológico das últimas décadas.

“Há 25 anos o Brasil plantava 13 milhões de hectares de soja e isso Mato Grosso planta hoje. O salto produtivo foi muito grande. Onde na história se teve isso? A gente vê esses movimentos caminhando para as consolidações”, contextualiza Soares.

Na avaliação do executivo da TMG, as mudanças nos próximos anos serão direcionadas por esse processo de fusões e aquisições. “Eu acredito que os próximos anos caminharão para isso. Por outro lado, os produtores possuem cada vez mais sementes de qualidade”.

Na ponta final do negócio, o principal entrave para a comercialização tem sido a falta de liquidez e os critérios rigorosos de financiamento. Júlio César Poletto, líder de Negócios da GDM, avalia que, embora o mercado preserve espaço para os diferentes competidores a longo prazo, o cenário imediato é travado pela escassez de recursos.

“Creio que o mercado continuará tendo espaço para todos”, projeta Júlio César. Contudo, ele pondera que as dificuldades atuais de financiamento desaceleram o ritmo dos negócios, resumindo o atual momento do campo ao afirmar que “hoje precisamos melhorar mais o acesso ao mercado. Hoje temos restrições de crédito”.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Gargalos estruturais e margens apertadas desafiam mercado de sementes apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Força-tarefa vistoria 522 imóveis após foco de greening no Rio Grande do Sul

Published

on


A força-tarefa montada após a confirmação do primeiro foco de greening (HLB) no Rio Grande do Sul já vistoriou 522 imóveis e erradicou 201 plantas cítricas em Palmitinho, no Médio Alto Uruguai. Segundo informações apresentadas nesta quinta-feira (18/6), as ações são conduzidas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desde a confirmação da doença, em 8 de junho.

De acordo com o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, o protocolo de emergência foi adotado imediatamente após a confirmação do caso. Os trabalhos de fiscalização e erradicação no raio de 500 metros ao redor do foco já foram concluídos, enquanto o monitoramento na área ampliada de 2,4 quilômetros está em fase final.

Até esta quarta-feira (17/6), as equipes haviam vistoriado 42 imóveis no raio de 500 metros da propriedade onde a doença foi identificada. Nesse perímetro, foram erradicadas 178 plantas, realizadas 100 coletas de material para análise laboratorial e inspecionadas outras 217 plantas sem sintomas.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Na área de monitoramento de 2,4 quilômetros, foram vistoriados 480 imóveis. As equipes coletaram 70 amostras para análise e identificaram 13 propriedades com necessidade de erradicação, totalizando a eliminação de 23 plantas.

Segundo Felicetti, a presença de grande quantidade de plantas cítricas em áreas urbanas levou à ampliação das ações de vigilância. Ele informou que, nas próximas semanas, serão feitas novas prospecções na área rural e que também poderá haver ampliação da vigilância para municípios vizinhos.

As ações seguem as diretrizes do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Huanglongbing (PNCHLB). O principal alvo do controle é o psilídeo Diaphorina citri, inseto transmissor da bactéria associada ao greening.

O superintendente do Mapa no Rio Grande do Sul, José Cleber Dias de Souza, afirmou que as equipes estaduais e federais seguem mobilizadas de forma coordenada para conter o foco identificado em Palmitinho.

Segundo o material apresentado, o greening não tem cura, compromete a produtividade, reduz a qualidade dos frutos e pode levar à morte das plantas. Por isso, a estratégia adotada no foco identificado em Palmitinho concentra erradicação, controle do inseto transmissor e monitoramento das áreas vizinhas. O conteúdo divulgado não informa prazo para o encerramento das ações nem estimativa de impacto sobre a citricultura gaúcha.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

O post Força-tarefa vistoria 522 imóveis após foco de greening no Rio Grande do Sul apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT