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Cacau: indústria reage a MP e prevê perda bilionária nas exportações

A redução do prazo do regime de drawback para importação de amêndoas de cacau, estabelecida pela medida provisória 1341/2026, publicada na semana passada, abriu um impasse entre a indústria processadora e entidades do setor produtivo. A nova regra diminui de até dois anos para seis meses o período para que empresas realizem operações vinculadas à exportação de derivados utilizando esse mecanismo.
O drawback permite a suspensão de tributos sobre insumos importados destinados à produção de bens exportados, sendo um instrumento amplamente utilizado para garantir competitividade no comércio exterior.
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Indústria aponta risco de perda de competitividade
A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) afirma que a medida foi adotada sem diálogo com o setor e pode gerar efeitos negativos na cadeia produtiva.
Segundo a entidade, o Brasil não é autossuficiente na produção de cacau, o que exige importações regulares para manter as plantas industriais em operação e cumprir contratos de exportação.
Atualmente, indica a AIPC, cerca de 22% das amêndoas processadas no país são importadas, sendo que 99% dessas operações estão vinculadas ao regime de drawback e à exportação de derivados como manteiga, pó e líquor de cacau.
A indústria brasileira tem capacidade instalada próxima de 275 mil toneladas por ano, mas processa cerca de 195 mil toneladas, operando com aproximadamente 30% de ociosidade.
Para a AIPC, a redução do prazo cria um descompasso com o ciclo do comércio internacional. Dados do setor indicam que 92% dos contratos de exportação têm duração superior a 180 dias, considerando negociação, importação, processamento e entrega.
A entidade projeta que, em cinco anos, a mudança pode resultar em perdas de até R$ 3,5 bilhões nas exportações de derivados, além de ampliar a ociosidade industrial e reduzir a demanda por cacau nacional.
Produtores defendem medida como proteção ao mercado interno
Por outro lado, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e federações estaduais avaliam que a medida contribui para proteger a produção nacional.
Segundo as entidades, o uso do drawback pode estar associado ao aumento de estoques da indústria e à pressão sobre os preços pagos ao produtor.
A avaliação é de que a redução do prazo busca limitar distorções no abastecimento e equilibrar a relação entre demanda industrial e produção nacional.
Antes da mudança, o regime permitia operações com prazo de 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses. Com a nova regra, o período máximo passa a ser de seis meses.
Impactos podem atingir toda a cadeia produtiva
Na avaliação da indústria, a restrição ao uso do drawback pode comprometer a competitividade das exportações brasileiras e afetar toda a cadeia.
A redução das exportações tenderia a diminuir o volume de processamento no país, aumentar a ociosidade das indústrias e impactar o nível de emprego, segundo a AIPC.
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Como o mercado de soja fechou o mês de abril? Ritmo lento dita negócios; saiba mais

O mercado brasileiro de soja encerrou o mês de abril com preços estáveis e baixo volume de negociações, refletindo um período de cautela por parte dos produtores. Ao longo do mês, as vendas foram pontuais, com foco no encerramento da colheita e na expectativa por condições mais favoráveis de comercialização.
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Entre os principais fatores que influenciam a formação de preços, o cenário foi misto. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos futuros apresentaram leve valorização, enquanto no Brasil o câmbio atuou de forma negativa, com a queda do dólar frente ao real pressionando os preços internos.
Preços no Brasil
No mercado físico, houve pequenas variações nas cotações. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00. Já em Cascavel (PR), o avanço foi de R$ 120,00 para R$ 121,00, enquanto em Rondonópolis (MT) os preços passaram de R$ 108,00 para R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), a cotação saiu de R$ 130,00 para R$ 131,00.
Contratos futuros de soja
Os contratos futuros com vencimento em julho, os mais negociados em Chicago, acumularam alta de 0,75% no mês, sendo cotados a US$ 11,95 por bushel no dia 30. O suporte veio, principalmente, da valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e de sinais de retomada na demanda norte-americana.
Soja em Chicago
No cenário internacional, o mercado acompanha expectativas envolvendo os Estados Unidos e a China, com possíveis acordos comerciais que possam impulsionar as exportações da oleaginosa. Ainda assim, o ambiente segue pressionado pela ampla oferta global, com destaque para a safra recorde brasileira, boa produção na Argentina e perspectivas positivas para o plantio americano.
Câmbio
Internamente, o câmbio segue como fator limitante. O dólar operou abaixo de R$ 5,00 no fim de abril, sendo cotado a R$ 4,997 no dia 30, acumulando queda de 3,5% no mês. A entrada de capital estrangeiro, atraído pelos juros elevados no Brasil, contribuiu para a valorização do real e impactou negativamente a competitividade das exportações.
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Acordo Mercosul-UE, inflação e Plano Safra: veja os destaques do Radar Rural

O novo episódio do Radar Rural detalha os primeiros impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia, os itens que mais pressionam a inflação no Brasil e as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o próximo Plano Safra.
O videocast também mostra os bastidores da cobertura das principais feiras do agro. Confira o episísódio completo:
Pensado primeiro para o ambiente digital, o Radar Rural é publicado no Youtube do Canal Rural às sextas-feiras, a partir das 15h. Nesta semana, será exibido na programação do Canal Rural no domingo (3), às 07h30, com reprise na segunda-feira (4), a partir de 11h30.
Mercosul-UE: quem ganha no curto prazo
Após 26 anos de negociação, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor e já traz mudanças para alguns setores do agro brasileiro. No curto prazo, café solúvel e frutas aparecem entre os mais beneficiados.
No caso do café solúvel, a redução de tarifas será gradual. A alíquota atual de 9% começa a cair agora e será zerada em até quatro anos. Já para as frutas, o cenário é mais heterogêneo: produtos como a uva terão tarifa zerada imediatamente, enquanto outros seguirão cronogramas específicos.
A avaliação inicial de entidades do setor é positiva, mas há alertas. A exigência europeia de comprovação de origem livre de desmatamento deve pesar, principalmente para o café. A regra passa a valer a partir do fim de 2026 para médios e grandes produtores, e em 2027 para pequenos, o que exige adaptação e organização documental.
Inflação: alimentos e combustíveis lideram alta
Outro destaque do Radar Rural é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,89% entre meados de março e abril, puxado principalmente por alimentação, bebidas e combustíveis.
Entre os alimentos, itens como cenoura, cebola, leite longa vida e tomate registraram altas expressivas. Apesar disso, o maior impacto individual no índice veio da gasolina, com alta de 6%.
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O diesel também chama atenção, com avanço de cerca de 16% no período, influenciado pelo cenário internacional e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo.
Outro destaque é o açaí, que teve forte variação de preços, especialmente no Norte do país. O produto enfrenta pressão da seca na Amazônia, aumento da demanda global e desafios logísticos, o que amplia a diferença de preços entre regiões.
Plano Safra 2026/27: CNA pede R$ 623 bilhões
A CNA entregou ao governo federal suas propostas para o Plano Safra 2026/27, com pedido de R$ 623 bilhões em recursos para financiar a produção agropecuária.
Além do crédito, a entidade reforça a necessidade de ampliar o seguro rural, com solicitação de R$ 4 bilhões para subvenção. O objetivo é proteger o produtor diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Outro ponto defendido é a adoção de um planejamento plurianual, inspirado no modelo adotado pelos Estados Unidos, para dar mais previsibilidade ao setor.
Cobertura no campo: Agrishow e Expozebu
O episódio também traz relatos sobre a cobertura das principais feiras do agro. A Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), se destaca pela dimensão e volume de informações, com intensa agenda de coletivas e lançamentos tecnológicos.
Já a Expozebu, em Uberaba (MG), é referência na pecuária, com foco em genética, julgamentos de animais e leilões. Em poucos dias, o volume de negócios pode ultrapassar centenas de milhões de reais.
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IA identifica vespas que podem substituir inseticidas no combate às pragas

Uma pesquisa feita na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP aliou técnicas de visão computacional e deep learning, um campo da inteligência artificial que tem se desenvolvido aceleradamente, para automatizar a identificação de vespas que podem ser usadas como controle biológico na agricultura.
Usando um banco de dados de mais de 3 mil imagens em alta resolução, a técnica identificou vespas parasitoides por família com alta precisão.
O estudo, apresentado como dissertação de mestrado de João Manoel Herrera Pinheiro, tem potencial para revolucionar o trabalho de especialistas em taxonomia, ciência que classifica, identifica, nomeia e organiza os seres vivos em categorias, na descrição e catalogação de insetos, ajudando também na contenção de pragas.
Essencial para o monitoramento eficaz da biodiversidade, para as pesquisas ecológicas e estratégias de controle biológico, a identificação taxonômica precisa é um trabalho de especialistas que realizam comparações detalhadas para construir o catálogo de seres vivos do qual a biologia depende.
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Foco do estudo
No entanto, o trabalho exige profissionais extremamente qualificados, e, por seu método de comparação manual, consome bastante tempo dos cientistas.
Biólogos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizaram o trabalho em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste (Hympar/Sudeste), que reúne uma coleção de mais de 600 mil espécies de vespas.
“O foco do meu trabalho foi na identificação de vespas parasitoides, da família Ichneumonidae. Essa superfamília é o grupo mais diverso da ordem Hymenoptera, que contém as abelhas, formigas e vespas não-parasitoides, dentro do qual diversas espécies ainda não foram descritas”, diz João Pinheiro.
Ele explica que, por ser o maior grupo, esses invertebrados são abundantes e às vezes muito parecidos, o que aumenta a complexidade no trabalho do entomologista, que é quem identifica e estuda os insetos.
Inventário dos insetos
Apesar de os insetos representarem cerca de metade da biomassa global, cerca de 80% de espécies ainda não são conhecidas, gerando impactos diretos na conservação e em práticas de controle biológico.
De acordo com o pesquisador, o inventário de insetos ainda está incompleto, e essa lacuna na taxonomia, somada ao declínio global das espécies provocado pela ação humana, impacta diretamente o bem-estar humano.
Os insetos têm funções ecossistêmicas cruciais, que incluem polinização, manutenção da saúde de ecossistemas agrícolas, controle natural de pestes e decomposição de matéria orgânica.
“Com esse trabalho eu consegui aprender bastante sobre a importância das vespas. Foi gratificante ver como a engenharia e a inteligência artificial podem ajudar em outras áreas ”, conta.
Tecnologia a favor da ciência

Nesse sentido, a aplicação do deep learning propõe a utilização de modelos computacionais compostos de múltiplas camadas de processamento para “aprender” a partir de representações que usam dados abstratos, como imagens.
A tecnologia ganhou destaque nos últimos anos e já se aplica em diversas áreas, mas avançou de forma mais lenta no monitoramento de invertebrados e nas pesquisas em biodiversidade. Somente na última década o aprendizado computacional profundo começou a transformar os campos da entomologia e ecologia.
Marcelo Becker, coordenador do Centro de Robótica da USP, docente da EESC e orientador do estudo, reforça que esse trabalho pode poupar muito tempo de especialistas.
“Existe todo um ciclo em que a pessoa pesquisadora coloca armadilhas na mata ou na área de cultivo, coleta os insetos através de redes, coloca todos em receptáculos, manda para a universidade e reserva no frigorífico. Tirando dali, começa a separação entre o que é mosca, formiga, vespa. É preciso um especialista com anos de formação”, explica Becker.
Ele também ressalta que, com esse sistema, seja possível, através da imagem, identificar automaticamente o animal dentro da família, gênero ou espécie, o que deixa o especialista alocado em uma tarefa menos mecânica.
Uma nova ‘visão’
A proposta foi usar aprendizado profundo para que o computador reconhecesse estruturas visuais, com foco em características biologicamente relevantes, como padrões na nervação das asas e no formato da cabeça e do corpo dos insetos.
O material biológico utilizado no estudo foi cedido pela coleção taxonômica DCBU da UFSCar e o conjunto de dados Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera (DAPWH), com 3.556 imagens em alta resolução que foram utilizadas para treinar o algoritmo e estão disponíveis publicamente.
“O modelo, de fato, aprendeu a identificar morfologias do inseto. Então, por exemplo, para uma família específica, a rede neural teve mais ativação na asa, ou seja, podemos dizer que o modelo ‘enxergou’ a asa para fazer aquela predição”, diz o autor do estudo.
“Poderíamos especular que o modelo possa vir a ‘enxergar’, no futuro, detalhes que o ser humano não não consegue diferenciar, afinal, nossa visão é limitada dentro do espectro de luz e o computador pode acessar uma faixa mais ampla e encontrar padrões que nós ainda não identificamos”, completa.
Biomimética: tecnologia inspirada na natureza

As vespas estudadas, majoritariamente nativas brasileiras, são conhecidas por parasitar outros insetos considerados pragas nas plantações. João Manoel Pinheiro, autor da dissertação, explica que essa família de vespas, por ser um grupo pouco explorado em temas de pesquisas, apresenta pouco uso em controle biológico.
“Pense que, ao invés de usar um defensivo agrícola numa plantação de mandioca ou de couve, por exemplo, a vespa, por causa do seu próprio ciclo de parasitismo, consegue matar as pragas dessas plantações, que geralmente são larvas de borboletas, utilizando as larvas para fechar o ciclo reprodutivo delas. É um controle biológico natural”, afirma João Manoel Pinheiro.
Marcelo Becker enfatiza que o acervo disponibilizado pela professora Angélica Maria Penteado-Dias, da UFSCar, foi essencial no potencial de aplicação da pesquisa para a agricultura. Constituído por fotografias de alta qualidade desse tipo de vespa parasitária, o conjunto de dados foi um diferencial.
“O acervo com que trabalhamos é muito específico: um tipo de vespa importante para fazer o controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas.”
Ele conta que a professora explicou que há vespas que ajudam a controlar pragas na mandioca, cana-de-açúcar, café e muito mais.
“A importância e aplicabilidade dessa pesquisa para a agricultura está na alternativa mais sustentável ao uso de inseticidas e pesticidas, que constitui um impacto muito favorável”, conclui Becker.
O orientador da pesquisa reforça também que é muito importante fazer o reconhecimento de insetos no Brasil, uma vez que muitas espécies ainda não conhecidas podem ter aplicações nos mais diversos campos da economia e oferecer alternativas verdes para o desenvolvimento da sociedade.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
*Com informações do Jornal da USP/Sthephany Oliveira
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