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Seguro rural brasileiro deveria seguir modelos de Espanha e EUA, diz FGV Agro

O projeto de lei 2.951/2024, que atualiza o marco legal do seguro rural, foi aprovado na última quinta-feira (27) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A proposta busca dar previsibilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR) e reorganizar a política de gestão de risco no campo.
Entre as discussões do texto está a obrigatoriedade de o produtor estar assegurado para conseguir receber crédito extraordinário do governo em casos de catástrofe ambiental.
Para o coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola, neste caso, o Brasil deveria seguir o modelo adotado na Espanha, onde o Estado não cobre custos de produtores sem proteção, mas nos casos em que a seguradora não arcou com todo o prejuízo, o governo oferece ajuda.
“Então, talvez seja interessante incentivar para que seja um mecanismo do seguro rural, de dar acesso não só ao crédito facilitado, com taxa de juros menores, porque o risco é menor, como também para um fundo de catástrofe ou ajuda extraordinária do governo para uma renegociação”, considera.
De acordo com ele, o seguro rural apenas será bem-sucedido no Brasil quando o governo brasileiro encará-lo como política de Estado e conferir subsídios a sua operacionalização, como também acontece nos Estados Unidos, Turquia e Colômbia, por exemplo.
“Nessas nações, o Estado tem um papel muito importante, não só subsidiando o prêmio do seguro, como atuando junto às seguradoras que não querem, às vezes, atuar em uma região que tem muito problema, então o governo paga parte dos custos administrativos”, exemplifica.
De acordo com Loyola, se o governo não entra como um braço financiador, gera-se uma falha de mercado, ou seja, o preço pago pelo produtor torna-se muito alto porque está diretamente relacionado ao risco da operação, sendo que o seguro agrícola cobre, majoritariamente, danos em culturas causados por secas, geadas, granizos e chuva severa.
“Então se paga muita indenização todo ano porque o Brasil é muito grande e, assim, não se consegue equalizar essa conta. Então o prêmio sobe demais por conta de pagamento de muita indenização, o produtor não contrata e a seguradora não consegue vender”, sintetiza.
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‘Vai chegar ao consumidor’, diz produtor de café sobre alta do diesel e dos fertilizantes

Os produtores de café de Minas Gerais já começam a sentir os efeitos da guerra no Oriente Médio. O aumento nos preços de fertilizantes, diesel e frete tem pressionado os custos de produção e pode, em breve, chegar ao consumidor final.
Segundo Fernando Barbosa, presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, o impacto ocorre em cadeia e já é percebido mesmo antes do início da colheita.
De acordo com o produtor, a alta nos insumos já atinge diretamente o manejo do cafezal, especialmente na fase de adubação.
Parte dos fertilizantes utilizados na cultura, como a ureia, depende de importações ligadas a regiões afetadas pelo conflito, o que tem elevado os preços.
“Já adquirimos insumos com aumento. A questão do conflito e das rotas logísticas impacta diretamente o custo da nutrição do café”, explica.
Diesel e frete ampliam pressão sobre o produtor
Além dos fertilizantes, o aumento do petróleo também tem reflexo direto no diesel, essencial para todas as etapas da produção.
O encarecimento do combustível impacta desde o transporte de insumos até a operação de máquinas e a colheita.
Segundo Barbosa, o frete já apresenta alta, o que agrava ainda mais o cenário. “A logística encarece tanto para levar os insumos quanto para escoar a produção. Isso já está acontecendo agora, antes mesmo da colheita”, afirma.
Ainda de acordo com Barbosa , a projeção no campo é de um aumento significativo nos custos ao longo da safra 2025/26. Ele projeta uma alta entre 20% e 30%, impulsionada principalmente pelo encarecimento dos insumos e da logística.
Colheita se aproxima em meio a cenário de incerteza
No sudoeste de Minas Gerais, algumas áreas devem iniciar a colheita entre o fim de abril e o começo de maio, enquanto o pico ocorre entre junho e setembro.
Mesmo com uma safra promissora, favorecida por boas condições climáticas e enchimento de grãos, o cenário de custos elevados preocupa. “Era um ano para aliviar o custo de produção, mas estamos vendo o contrário”, destaca o produtor.
Impacto deve chegar ao consumidor
Com a elevação dos custos no campo e na logística, a tendência é de repasse ao longo da cadeia. Segundo Barbosa, o aumento inevitavelmente deve impactar o preço final do café.
“Tudo isso vai chegar ao bolso do consumidor. Não tem como absorver esse custo sozinho”, afirma.
Dependência do petróleo
O produtor também chama atenção para a dependência do setor em relação aos combustíveis fósseis. Mesmo com avanços tecnológicos, grande parte das operações agrícolas ainda depende de diesel e gasolina.
“Não temos máquinas totalmente elétricas no campo. Toda a operação depende do petróleo, desde o transporte até a colheita”, ressalta.
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Exportações de café solúvel do Brasil crescem e atingem melhor resultado em cinco anos

As exportações brasileiras de café solúvel somaram 7,409 mil toneladas em fevereiro de 2026, o equivalente a 321.129 sacas de 60 kg, registrando alta de 13,9% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita cambial também avançou, atingindo US$ 90,289 milhões, um crescimento de 10,8%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abics).
O desempenho é considerado o melhor para meses de fevereiro nos últimos cinco anos, mesmo em um contexto de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O aumento das compras norte-americanas contribuiu para sustentar a demanda pelo produto brasileiro no período.
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Apesar do bom resultado mensal, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 apresentou retração. Os embarques totalizaram 13,235 mil toneladas, uma queda de 11,5% frente ao mesmo período do ano anterior. A receita também recuou, somando US$ 161,059 milhões, refletindo um início de ano mais fraco em comparação com 2025.
De acordo com a entidade, possíveis reduções tarifárias por parte dos Estados Unidos podem favorecer os embarques nos próximos meses. Além disso, o acordo entre o Mercosul-UE tende a reduzir gradualmente as tarifas atualmente aplicadas ao café solúvel brasileiro, ampliando oportunidades no mercado externo.
No ranking dos principais destinos no bimestre, os Estados Unidos lideraram as importações, com 1,769 mil toneladas, seguidos por Rússia, com 1,161 mil toneladas, e Argentina, com 1,090 mil toneladas.
No mercado interno, o consumo de café solúvel também apresentou crescimento, com alta de 15,1% no primeiro bimestre, totalizando 4,146 mil toneladas. O avanço reflete a maior demanda doméstica e os investimentos da indústria em qualidade e diversificação de produtos.
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Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade

Na estreia como comentarista do Canal Rural, no Rural Notícias desta quarta-feira (18), Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, chamou atenção para o cenário desafiador enfrentado pelo agro brasileiro, com alta nos fretes, encarecimento dos fertilizantes e pressão crescente sobre os custos de produção. Em debate com o comentarista Miguel Daoud, o especialista destacou a ausência de um planejamento de longo prazo para o país.
“É um momento muito difícil, muito complexo. Isso demonstra mais uma vez que o Brasil precisa de uma diplomacia comercial”, afirmou Meirelles. Segundo ele, os efeitos já são sentidos no campo, em meio ao fim da colheita da soja e ao plantio da safrinha.
O avanço dos fretes, somado ao aumento dos insumos, compromete a rentabilidade do produtor e gera efeitos inflacionários. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção. E isso cria realmente um processo inflacionário no país”, disse.
Para Meirelles, as medidas adotadas pelo governo até agora têm alcance limitado. “O governo diminuiu seus impostos, mas isso ficou muito pouco”, avaliou. Ele defendeu como alternativa o aumento da mistura de biodiesel no diesel. “Nós temos condições de aumentar o biodiesel de 15% para 25% sem problema algum”, afirmou, destacando que a medida pode reduzir a dependência de importações.
O comentarista também mencionou falhas estruturais no setor energético. “Nós exportamos o óleo bruto e depois importamos ele refinado. O Brasil precisa aprender com as lições que ocorreram”, pontuou. Segundo ele, o avanço do B25 ajudaria a conter a inflação e aliviar os custos no campo.
Ao tratar da formação de preços, Meirelles destacou a limitação de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou.
Durante o debate, Miguel Daoud alertou para os riscos de uma possível greve dos caminhoneiros. “A greve é um desastre para o país. Não prejudica A ou B, prejudica o Brasil”, disse. Ele lembrou ainda que o país enfrenta juros elevados, na casa de 15%, e dívida crescente.
Daoud também chamou atenção para distorções no mercado de fretes. “As grandes empresas contratam outras empresas, que muitas vezes terceirizam e acabam pressionando o caminhoneiro autônomo”, explicou.
Sobre o biodiesel, o analista apontou entraves regulatórios. “O governo alega que parte da frota não está preparada e que o biodiesel seria mais caro, o que não é verdade hoje”, afirmou. Ele também criticou a instabilidade nas regras. “Você muda a regra no meio do jogo. Que segurança tem?”
Meirelles voltou a defender uma estratégia de longo prazo para o país. “Falta um plano Brasil. Precisamos de segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar problemas do mercado internacional e nacional”, disse.
A discussão também ganhou participação do público. Um telespectador questionou por que o Brasil ainda não amplia a mistura de biodiesel ao diesel, tema que já vinha sendo abordado no debate. A partir disso, Daoud explicou os argumentos do governo e fez contrapontos.
“O governo alega que o biodiesel seria mais caro, o que hoje não é verdade. Tem muita gente importando diesel puro, sem mistura, porque sai mais barato”, afirmou. Outro ponto levantado, segundo ele, é que parte da frota não estaria preparada para níveis mais elevados de biodiesel, o que exigiria estudos técnicos.
Daoud voltou a criticar a falta de previsibilidade no setor. “Já vimos a mistura cair de 15% para 10%. Que segurança isso traz?”, questionou.
Ao retomar o tema, Meirelles reforçou que o país precisa olhar para o futuro. “O que falta é um projeto de país, com visão de longo prazo”, afirmou, lembrando que o Brasil já discutia biocombustíveis desde a década de 1950, mas sem continuidade.
A discussão também foi refletida entre os produtores. Em enquete do Canal Rural, 71% afirmaram que a guerra no Oriente Médio já impactou o custo de produção, principalmente pelo aumento dos combustíveis. Outros 12% apontaram alta nos fertilizantes, enquanto 17% ainda não perceberam efeitos.
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