Business
Inadimplência rural sobe a 7,9% e grandes produtores lideram endividamento, aponta Banco Central

Durante audiência pública no Senado, realizada na quarta-feira (19), que discutiu medidas do Governo Federal para apoiar produtores rurais do Rio Grande do Sul afetados por enchentes e secas, o chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) do Banco Central, Cláudio Filgueiras Pacheco Moreira, apresentou um diagnóstico preocupante sobre o endividamento no campo e os riscos crescentes para a sustentabilidade financeira do setor.
Filgueiras afirmou que visitou pessoalmente propriedades atingidas no estado e destacou o peso dos produtores rurais gaúchos no endividamento coberto pela Medida Provisória (MP) 1.314/2025, que liberou R$ 12 bilhões para novas linhas de crédito rural. Segundo ele, “o Rio Grande do Sul representa quase 98% da parte do endividamento da MP”.
Ao apresentar estudo do Banco Central sobre o envidamento do setor, Filgueiras afirmou que a inadimplência no crédito rural vem crescendo de forma acelerada, e que o problema não pode ser atribuído somente aos eventos climáticos extremos.
“Nós tivemos problemas climáticos sim, mas também tivemos situações onde os produtores rurais perderam em um ano, perderam no ano seguinte e apostaram muito mais, perderam de novo e apostaram muito mais no terceiro ano. Ao invés de tratar com cautela, houve uma situação que aumentou demais o endividamento e ficou muito difícil os produtores pagarem essa dívida.”
Ele classificou o cenário como preocupante, destacando que muitos produtores passaram a operar fora de sua capacidade financeira.
Números
Filgueiras apresentou números inéditos sobre margens financeiras na safra 2024/25, com destaque para a situação dos arrendatários:
- Arrendatário com 100% dos custos financiados: –2,6% de margem (prejuízo);
- Arrendatário sem financiamento: 14,8% de margem positiva;
- Proprietários com financiamento: 22,6%;
- Proprietários sem financiamento: 35,7%.
Para ele, os números mostram um problema estrutural no modelo de financiamento e devem recalibrar as políticas públicas. “Talvez esse dado nos leve a refletir um pouco sobre como a política pública deveria tratar o financiamento do crédito rural”, opinou.
Filgueiras reforçou ainda que o arrendatário que financia 100% dos custos hoje não consegue pagar qualquer operação que venha a fazer, mesmo com recursos com equalização, no teto do Conselho Monetário Nacional.
“O arrendatário que financia tudo hoje, mesmo que use todas as taxas disponíveis, não consegue ter resultado na sua produção. É hora de parar e pensar se a política está sendo feita da forma que deveria.”
Inadimplência
O chefe do Derop explicou que a inadimplência entre produtores pessoas físicas chegou a 7,9% no primeiro trimestre de 2025, acima dos 7% registrados no ano anterior.
Os grandes produtores são os mais afetados, com taxa de 10,7%, especialmente no Centro-Oeste, além de Paraná e São Paulo.
Filgueiras também destacou que a inadimplência é maior nas operações realizadas com recursos obrigatórios, como custeio. “Recurso obrigatório é custeio e operações curtas, é onde tem mais problema. É algo para se pensar sobre a distribuição.”
Já os financiamentos com origem na poupança rural registram menor inadimplência, por serem destinados a investimentos de prazo mais longo. No agregado nacional, aproximadamente 15% das operações de crédito rural estão inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas. No Rio Grande do Sul, o índice dobra, chegando a 30,6%.
“Há um crescimento significativo de operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, com impacto em diversos estados”, afirmou Filgueiras.
Business
Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade

Na estreia como comentarista do Canal Rural, no Rural Notícias desta quarta-feira (18), Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, chamou atenção para o cenário desafiador enfrentado pelo agro brasileiro, com alta nos fretes, encarecimento dos fertilizantes e pressão crescente sobre os custos de produção. Em debate com o comentarista Miguel Daoud, o especialista destacou a ausência de um planejamento de longo prazo para o país.
“É um momento muito difícil, muito complexo. Isso demonstra mais uma vez que o Brasil precisa de uma diplomacia comercial”, afirmou Meirelles. Segundo ele, os efeitos já são sentidos no campo, em meio ao fim da colheita da soja e ao plantio da safrinha.
O avanço dos fretes, somado ao aumento dos insumos, compromete a rentabilidade do produtor e gera efeitos inflacionários. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção. E isso cria realmente um processo inflacionário no país”, disse.
Para Meirelles, as medidas adotadas pelo governo até agora têm alcance limitado. “O governo diminuiu seus impostos, mas isso ficou muito pouco”, avaliou. Ele defendeu como alternativa o aumento da mistura de biodiesel no diesel. “Nós temos condições de aumentar o biodiesel de 15% para 25% sem problema algum”, afirmou, destacando que a medida pode reduzir a dependência de importações.
O comentarista também mencionou falhas estruturais no setor energético. “Nós exportamos o óleo bruto e depois importamos ele refinado. O Brasil precisa aprender com as lições que ocorreram”, pontuou. Segundo ele, o avanço do B25 ajudaria a conter a inflação e aliviar os custos no campo.
Ao tratar da formação de preços, Meirelles destacou a limitação de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou.
Durante o debate, Miguel Daoud alertou para os riscos de uma possível greve dos caminhoneiros. “A greve é um desastre para o país. Não prejudica A ou B, prejudica o Brasil”, disse. Ele lembrou ainda que o país enfrenta juros elevados, na casa de 15%, e dívida crescente.
Daoud também chamou atenção para distorções no mercado de fretes. “As grandes empresas contratam outras empresas, que muitas vezes terceirizam e acabam pressionando o caminhoneiro autônomo”, explicou.
Sobre o biodiesel, o analista apontou entraves regulatórios. “O governo alega que parte da frota não está preparada e que o biodiesel seria mais caro, o que não é verdade hoje”, afirmou. Ele também criticou a instabilidade nas regras. “Você muda a regra no meio do jogo. Que segurança tem?”
Meirelles voltou a defender uma estratégia de longo prazo para o país. “Falta um plano Brasil. Precisamos de segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar problemas do mercado internacional e nacional”, disse.
A discussão também ganhou participação do público. Um telespectador questionou por que o Brasil ainda não amplia a mistura de biodiesel ao diesel, tema que já vinha sendo abordado no debate. A partir disso, Daoud explicou os argumentos do governo e fez contrapontos.
“O governo alega que o biodiesel seria mais caro, o que hoje não é verdade. Tem muita gente importando diesel puro, sem mistura, porque sai mais barato”, afirmou. Outro ponto levantado, segundo ele, é que parte da frota não estaria preparada para níveis mais elevados de biodiesel, o que exigiria estudos técnicos.
Daoud voltou a criticar a falta de previsibilidade no setor. “Já vimos a mistura cair de 15% para 10%. Que segurança isso traz?”, questionou.
Ao retomar o tema, Meirelles reforçou que o país precisa olhar para o futuro. “O que falta é um projeto de país, com visão de longo prazo”, afirmou, lembrando que o Brasil já discutia biocombustíveis desde a década de 1950, mas sem continuidade.
A discussão também foi refletida entre os produtores. Em enquete do Canal Rural, 71% afirmaram que a guerra no Oriente Médio já impactou o custo de produção, principalmente pelo aumento dos combustíveis. Outros 12% apontaram alta nos fertilizantes, enquanto 17% ainda não perceberam efeitos.
O post Tirso Meirelles aponta que Brasil tem capacidade de elevar biodiesel para 25% sem dificuldade apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Boi gordo mantém preços firmes com oferta restrita

O mercado físico do boi gordo segue sustentado pela restrição de oferta, com negociações pontuais acima da referência média em diversas praças do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, esse cenário tem sido o principal fator de suporte aos preços ao longo de março.
Os frigoríficos continuam enfrentando dificuldades para alongar as escalas de abate, que atendem, em média, entre cinco e sete dias úteis, indicando oferta enxuta de animais terminados. Além disso, o mercado apresenta volatilidade, influenciado por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, a alta dos combustíveis e o avanço da cota chinesa, que impactam os contratos futuros do boi gordo na B3.
Os preços nas principais praças:
- Em São Paulo, a média ficou em R$ 350,42
- Em Goiás, a indicação foi de R$ 337,68
- Em Minas Gerais, atingiu R$ 339,71
- Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi cotada a R$ 337,95
- Em Mato Grosso, a R$ 343,04.
Atacado
No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo do dia. O consumo interno ainda apresenta limitações para absorver novos reajustes da carne bovina, diante da maior competitividade de proteínas concorrentes. Mesmo assim, os preços seguem próximos das máximas históricas. O quarto dianteiro é cotado a R$ 20,50/kg, o quarto traseiro a R$ 27,00/kg e a ponta de agulha também a R$ 20,50/kg.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,72%, cotado a R$ 5,24, após oscilar entre R$ 5,18 e R$ 5,24 ao longo do dia.
O post Boi gordo mantém preços firmes com oferta restrita apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Fórum reúne setor produtivo para debater inovação e expansão de mercados

A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, recebeu, nesta quarta-feira, o Fórum Momento Agro: do Campo ao Mercado, reunindo lideranças, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os rumos do agronegócio brasileiro. O evento teve como foco temas como inovação, sustentabilidade e oportunidades de mercado.
O encontro foi realizado no Parque Científico e Tecnológico da Unochapecó, dentro da programação da Mercoagro, uma das principais feiras do setor na América Latina. Durante o fórum, foram debatidos assuntos estratégicos, como o acordo entre Mercosul e União Europeia e seus impactos para o Brasil.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Para Santa Catarina, maior produtor e exportador de suínos do país, o acesso ao mercado europeu é visto como uma oportunidade relevante.
“O bloco da União Europeia é um bloco que historicamente é difícil de entrar, tem muitas exigências, tem um mercado local forte também. Com a aplicação dessas cotas, redução de tarifas, é uma oportunidade muito interessante da gente acessar esse mercado que paga muito bem”, destaca o economista do Rabobank, Wagner Yanaguizawa.
Inovação e IA
A inovação, com o uso de inteligência artificial já é apontada como uma das principais ferramentas para a tomada de decisão e ganho de produtividade no campo.
“Nós teremos mais eficiência nos processos e mais controle sobre eles desde a própria criação até a fabricação, o resultado do produto final na saída da indústria”, destaca o presidente da Associação Internacional de Inteligência Artificial, Fernando Gomes de Oliveira.
O post Fórum reúne setor produtivo para debater inovação e expansão de mercados apareceu primeiro em Canal Rural.
Agro Mato Grosso20 horas agoTremor de magnitude 3,1 atinge região próxima de cidade com 6 mil habitantes em MT
Agro Mato Grosso20 horas agoNortão de MT vive nova onda de crescimento e atrai mercado de capitais
Agro Mato Grosso13 horas agoGoverno quer barrar empresas que não cumprirem a tabela de frete mínimo; veja
Agro Mato Grosso20 horas agoPescadores relatam falta de água potável para consumo em comunidades no Pantanal de MT
Sustentabilidade19 horas agoConflito no Oriente Médio pode pressionar custos do agro brasileiro, alerta CNA – MAIS SOJA
Sustentabilidade18 horas agoCédulas de Produto Rural totalizam R$ 561 bilhões em fevereiro – MAIS SOJA
Business19 horas agoGuerra no Irã muda cenário de juros no Brasil e pressiona Plano Safra
Sustentabilidade17 horas agoARROZ/CEPEA: Preços seguem firmes com oferta limitada e demanda aquecida – MAIS SOJA
















