Sustentabilidade
Análise mensal do mercado do milho – MAIS SOJA

Os preços internos do milho avançaram pelo terceiro mês consecutivo, sustentados sobretudo pela retração de vendedores, que estão focados nas atividades de campo e no desenvolvimento das lavouras da safra verão. De modo geral, esses players ofertaram novos lotes apenas quando houve necessidade de fazer caixa no curto prazo e/ou de liberar parte dos armazéns.
Do lado comprador, parte dos agentes voltou a atuar no spot, no intuito de recompor os estoques, mas muitos ainda indicaram ter volumes para o curto prazo, o que, de certa forma, limitou valorizações mais expressivas. Vale lembrar que uma parcela dos compradores fez aquisições quando os preços estavam mais baixos e, em outubro, apenas receberam os lotes negociados antecipadamente.
No acumulado de outubro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou consideráveis 3%, fechando a R$ 66,15/saca de 60 kg no dia 31. A média mensal de outubro, de R$ 65,35/sc de 60 kg, registrou alta de 0,9% em relação à do mês anterior.
Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal se valorizou 0,7% no mercado de balcão (ao produtor) e 1,7% no de lotes (negociação entre empresas) também no acumulado do mês. As médias mensais de outubro são 0,6% e 1,1% superiores às de setembro, respectivamente.
Na B3, os valores foram impulsionados pela demanda mais ativa em partes do mês e pelo avanço dos preços internacionais do cereal. Os vencimentos Nov/25 e Jan/26 subiram fortes 4,2% e 5%, fechando a R$ 68 e R$ 71,44/saca de 60 kg no dia 31 de outubro, respectivamente.

EXPORTAÇÕES – Nos portos, os preços subiram, influenciados pela valorização externa. Dados do Cepea mostram que, em Paranaguá (PR), a média de outubro esteve 0,8% superior à de setembro e, em Santos (SP), a alta foi de 3%. O dólar teve média de R$ 5,39, 0,4% maior que a de setembro.
Ainda assim, as exportações seguem nos volumes observados em 2024. Considerando-se a temporada 2024/25 (de fevereiro até a parcial de outubro/25), foram escoadas 24,9 milhões de toneladas, contra 25,2 milhões de toneladas no mesmo período de 2024, de acordo com dados da Secex. Especificamente na parcial de outubro (18 dias úteis), foram exportadas 5,14 milhões de toneladas, com média diária de 285,93 mil toneladas, ainda segundo dados da Secex.
ESTIMATIVAS – Relatório divulgado em outubro pela Conab aponta que a produção agregada de milho para 2025/26 pode ser de 138,6 milhões de toneladas, o que representaria queda de 1,8% em relação ao volume de 2024/25.
Especificamente para a safra verão, atualmente em semeadura, apesar da redução de 3,1% na produtividade, a área é estimada para ser 6,1% superior, e, com isso, a produção pode chegar a 25,63 milhões de toneladas, 2,8% acima da de 2024/25. O aumento da área, por sua vez, ocorre devido à substituição de produtores de arroz e feijão para milho, que têm perspectivas de rentabilidade maior.
Para a segunda safra, a Conab estima aumento de 3,8% na área, mas queda de 6,1% da produtividade, resultando em produção de 110,46 milhões de toneladas, decréscimo de 2,5%. A terceira safra pode somar 2,51 milhões de toneladas, queda de 13,1%.
Apesar do cenário de menor disponibilidade interna do cereal, a Companhia espera que os embarques brasileiros aumentem, passando para 46,5 milhões de toneladas, 6,5 milhões a mais que o estimado para a atual temporada. Quanto ao consumo, incentivados pelo aumento na demanda pelo cereal para produção de etanol, na safra 2025/26, devem ser consumidas 94,56 milhões de toneladas. Assim, restariam, em janeiro/27, 13,35 milhões de toneladas de milho, próximas às 14,11 milhões de toneladas projetadas para janeiro/26.
CAMPO – A semeadura da safra verão segue intensa. A Conab indicou que a área média nacional semeada chegou a 42,8% até o dia 1º de novembro, mas ainda abaixo dos 44,5% da média dos últimos cinco anos.
No Paraná, 99% da área estadual estimada já havia sido implantada até o dia 3 de novembro, de acordo com o Deral/Seab. No Rio Grande do Sul, dados da Emater mostram que 80% da área destinada ao milho da safra verão já havia sido semeada o final de outubro. Em Santa Catarina, a semeadura totaliza 89% da área, conforme dados da Conab do dia 1º. No Centro-Oeste, a semeadura em Goiás teve início em outubro, somando apenas 3% da área esperada até o dia 1º, segundo a Conab.
Em São Paulo e em Minas Gerais, os trabalhos de campo totalizaram 32% e 13,7% da área até o dia 1º, também de acordo com a Conab.
MERCADO INTERNACIONAL – Na Argentina, a semeadura da safra 2025/26 continua avançando, apesar do excesso de chuvas nas regiões de Buenos Aires, chegando a 35% da área nacional estimada, segundo relatório da Bolsa de Cereais do dia 30. Quantos aos preços, subiram no acumulado do mês, refletindo a demanda internacional aquecida pelo cereal dos Estados Unidos. Com isso, na Bolsa de Chicago (CME Group), os contratos Dez/25 e Jan/26, cederam 1,1% e 1,3% entre 31 de outubro e 30 de setembro, ao fecharem no dia 31 cotados a US$ 4,3150/bushel (US$ 169,87/t) e a US$ 4,44/bushel (US$ 174,79/t), respectivamente.
Confira o Agromensal outubro/2025 do Milho completo, clicando aqui!
Fonte: CEPEA

Autor:AGROMENSAIS OUTUBRO/2025
Site: CEPEA
Sustentabilidade
Para 2026/27, Rabobank projeta estabilidade na área plantada de soja do Brasil – MAIS SOJA

Embora 2026 tenha sido um ano de margens mais apertadas para os produtores de grãos no Brasil, a cadeia da soja deverá encerrar a temporada com volumes recordes. A combinação de uma safra excepcional com uma demanda global ainda robusta sustentou exportações e processamento doméstico em níveis historicamente elevados.
Na safra 2025/26, a área plantada com soja no Brasil avançou para aproximadamente 49 milhões de hectares, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito mais restritivas. Somada a uma produtividade acima da tendência, essa expansão levou a produção a cerca de 182 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. A produção acima das expectativas iniciais trouxe algum alívio à rentabilidade dos produtores, mas foi insuficiente para compensar integralmente a deterioração das margens em relação ao que se projetava no início da safra.
O desempenho excepcional não ficou restrito à produção. As exportações brasileiras de soja em grão caminham para atingir 114 milhões de toneladas, favorecidas principalmente pela menor presença dos Estados Unidos no mercado chinês. Com os embarques norte-americanos para a China limitados a aproximadamente 12 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os compradores chineses ampliaram sua dependência da oferta sul-americana. Esse movimento sustentou a demanda pelo produto brasileiro e contribuiu para a valorização dos prêmios de exportação ao longo dos meses.
No mercado doméstico, a indústria processadora também operou em ritmo recorde. O esmagamento deverá alcançar 63 milhões de toneladas, sustentado pelas margens robustas observadas sobretudo ao longo do primeiro semestre.
A valorização do petróleo, em meio à persistência das tensões geopolíticas, estimulou a demanda por óleo vegetal e fortaleceu a rentabilidade do setor. Embora o adiamento da implementação da mistura obrigatória B16 tenha reduzido parte do otimismo inicial, as margens permaneceram historicamente atrativas durante boa parte do ano. Esse cenário começou a perder força na segunda metade da temporada, à medida que a recuperação dos prêmios de exportação intensificou a competição pela matéria-prima.
Apesar desse ambiente favorável do lado da demanda, a evolução dos preços foi bastante distinta quando observada em dólares e em reais. Entre janeiro e outubro de 2026, as cotações da soja na CBOT avançaram cerca de 15%, enquanto os preços em reais registraram alta de apenas 1%. A principal explicação para essa divergência foi a valorização do real frente ao dólar, que limitou a transmissão da recuperação das cotações internacionais para os preços domésticos. Esse movimento contribuiu para manter a rentabilidade do produtor brasileiro mais pressionada, mesmo em um contexto de melhora dos preços internacionais.
Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta estabilidade na área plantada de soja, em torno de 49 milhões de hectares. Após os resultados excepcionais da temporada anterior, a expectativa é de retorno da produtividade para níveis mais próximos da tendência, levando a produção brasileira a aproximadamente 178 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. Embora os elevados custos financeiros continuem pressionando os produtores que ainda atravessam um processo de desalavancagem, a soja preserva sua atratividade relativa e deverá seguir como a principal opção de cultivo em grande parte das regiões agrícolas do país.
As informações são do Rabobank – RaboResearch Food and Agribusiness – Novembro 2026.
Fonte: Agência Safras
Autor:Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Bioinsumos, drones e controle biológico fortalecem a produção de algodão no semiárido – MAIS SOJA

Tecnologias apresentadas na ExpoCariri 2026 buscam reduzir perdas provocadas pela seca e pelas pragas, ampliar a eficiência do manejo e tornar a cotonicultura mais sustentável. O uso de bioinsumos, o controle biológico de pragas e as tecnologias de agricultura de precisão estão entre as estratégias para aumentar a resiliência e a sustentabilidade da produção de algodão no semiárido brasileiro. Esses temas foram apresentados por pesquisadores da Embrapa durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará, em uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão e à difusão de tecnologias para pequenos, médios e grandes produtores.
As apresentações abordaram alternativas para enfrentar dois dos principais desafios da cotonicultura na região: a irregularidade das chuvas, associada às altas temperaturas, e a pressão de insetos-praga, especialmente o bicudo-do-algodoeiro. A proposta é integrar conhecimentos sobre solo, plantas e organismos benéficos, combinando práticas de manejo, biotecnologia e ferramentas digitais para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.
O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que a biodiversidade presente no solo e nas plantas representa uma importante fonte de soluções para a agricultura. Segundo ele, os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica que incluem microrganismos, macrorganismos e substâncias produzidas por seres vivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das plantas e contribuir para o controle de pragas e doenças.
O pesquisador explicou que o solo abriga milhares de espécies de microrganismos e pequenos organismos que interagem entre si e desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos sistemas produtivos. Bactérias que fixam nitrogênio, fungos que controlam insetos e organismos que disponibilizam nutrientes são exemplos de recursos biológicos que podem ser incorporados ao manejo agrícola.
“Quanto mais próximo a gente conseguir chegar com boas produtividades de um ambiente natural, melhor vai ser para o meio ambiente e maior sustentabilidade a gente vai ter”, ressaltou Barroso. Para ele, a agricultura precisa aproveitar a biodiversidade existente para reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade necessária ao abastecimento de alimentos e à produção de fibras.
Projeto CaatÁgua busca microrganismos adaptados à seca
Uma das iniciativas apresentadas foi o projeto CaatÁgua, desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com a Rede Borborema de Agroecologia e três unidades da Embrapa: Algodão, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Meio Ambiente.
A pesquisa busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga, especialmente cactáceas e algodoeiros mocó e herbáceo, capazes de ajudar as culturas agrícolas a enfrentar o estresse hídrico. A estratégia considera que os microrganismos presentes nas raízes e no solo próximo a elas, região conhecida como rizosfera, podem contribuir para a adaptação das plantas às condições ambientais adversas.
De acordo com Barroso, dezenas de bactérias das centenas inicialmente isoladas apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas mantiveram o turgor, enquanto aquelas sem inoculação apresentaram murcha. O processo de seleção das melhores bactérias continua com experimentos em casa de vegetação e deverão orientar novas etapas de seleção e testes em outras culturas e condições de campo.
A equipe também investiga fungos entomopatogênicos, capazes de infectar e matar insetos, para desenvolver alternativas de controle do bicudo-do-algodoeiro. Em testes de laboratório, isolados de Metarhizium da coleção da Embrapa apresentaram mortalidade superior a 80% dos insetos expostos ao fungo. O desafio agora é aprimorar as estratégias para que os organismos entrem em contato com a praga nas condições de cultivo.
Barroso explicou que o desenvolvimento de novos bioinsumos exige avaliações de eficácia e segurança para as pessoas e o meio ambiente, além de procedimentos para obtenção de registro. A expectativa apresentada é que soluções para o controle do bicudo, incluindo alternativas biológicas, possam estar disponíveis em um horizonte de três a seis anos, dependendo dos resultados das pesquisas e dos processos regulatórios.
O pesquisador também chamou a atenção para os cuidados necessários na produção de bioinsumos nas propriedades rurais, modalidade conhecida como on-farm. Embora a legislação permita essa produção, o processo exige conhecimento técnico, infraestrutura e controle de qualidade para evitar contaminações por microrganismos patogênicos e assegurar a concentração adequada dos organismos desejados.
Auras contribui para a tolerância das plantas ao estresse climático
Outro destaque da programação foi a tecnologia Auras, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa NOOA e apresentada por Lucas Carvalho, representante da empresa. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, anteriormente classificada como Bacillus aryabhattai, isolada no contexto de pesquisas sobre a adaptação de plantas da Caatinga às condições de seca.
A bactéria apresenta mais de 126 genes relacionados à resposta ao estresse abiótico. Aplicada às sementes ou no sulco de plantio, ela atua em associação com as raízes e contribui para o desenvolvimento radicular, a retenção de água nos tecidos vegetais, a ativação de enzimas antioxidantes e a disponibilização de nutrientes.
“Segundo Lucas Carvalho, a tecnologia procura ampliar a capacidade de resposta das plantas diante de condições adversas, como deficiência hídrica, temperaturas elevadas e excesso de água. A associação entre a planta e os microrganismos benéficos pode ajudar a preservar as estruturas celulares durante o estresse e favorecer a retomada do crescimento quando as condições ambientais melhoram.
Na cultura do algodão, a resposta média de proteção produtiva apresentada foi de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse. A recomendação de uso informada é de 200 mililitros por hectare no sulco de plantio ou quatro mililitros por quilo de sementes. O produto também apresenta resultados em soja e milho.
O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade. O palestrante ressaltou que o produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar melhor a lavoura para enfrentar suas variações. Nesse sentido, o manejo biológico complementa o melhoramento genético e as práticas agronômicas, ajudando a reduzir perdas de produtividade.
Manejo integrado busca reduzir perdas com o bicudo
O manejo integrado de pragas (MIP) foi apresentado pelo pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, que chamou a atenção para a importância de combinar diferentes estratégias de controle. O algodoeiro pode abrigar cerca de 30 espécies de insetos, mas aproximadamente meia dúzia representa ameaça econômica relevante nas condições brasileiras.
Entre elas está o bicudo-do-algodoeiro, praga que se estabeleceu no País na década de 1980 e teve papel importante na enorme redução da área de algodão no Nordeste. Altamente adaptado à cultura, o inseto pode permanecer em plantas voluntárias e áreas antigas de algodão, mesmo depois de muitos anos sem cultivo comercial.
Para Albuquerque, uma das medidas mais importantes e econômicas de prevenção é o vazio sanitário, período em que não deve haver plantas vivas de algodão nas áreas de produção. A eliminação de rebrotas e plantas remanescentes interrompe a disponibilidade de alimento e locais de reprodução para o bicudo, reduzindo a população da praga entre as safras.
Experimentos apresentados pelo pesquisador demonstraram a importância dessa prática. Em uma área na qual foi simulada a ausência do vazio sanitário, permitindo a rebrota de plantas podadas, a infestação inicial de bicudos chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem. Isso ocorre porque plantas adultas rebrotam rapidamente e voltam a emitir estruturas reprodutivas, oferecendo condições para a multiplicação do inseto.
O pesquisador também destacou a importância de preservar inimigos naturais presentes no ambiente, como parasitoides e predadores. Entre os organismos de interesse estão Bracon vulgaris e Catolaccus grandis, este último associado à tecnologia de controle biológico conhecida como Jaliscoa.
Outro desafio é a resistência de insetos às tecnologias de controle. Albuquerque observou que o uso intensivo de cultivares com tecnologia Bt, sem áreas de refúgio adequadas, contribuiu para aumentar a pressão de seleção sobre populações de lagartas. Em algumas regiões produtoras, isso tem levado à necessidade de cinco a oito aplicações de inseticidas para o controle dessas pragas, em particular de Spodoptera.
A orientação é que o controle químico seja utilizado de forma racional, somente quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de controle, evitando pulverizações preventivas sucessivas que podem prejudicar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no ambiente.
Drones ampliam eficiência do controle biológico
O pesquisador Tardelly de Andrade Lima, doutorando da Embrapa, apresentou tecnologias de drones para diferentes operações agrícolas, com destaque para a liberação de macrorganismos utilizados no controle biológico. Além dos equipamentos de imageamento e dos drones de pulverização, a Embrapa trabalha com uma tecnologia específica para dispersar insetos benéficos nas lavouras.
O sistema utiliza pequenos tubetes para acondicionar os organismos e realizar a liberação durante o voo. A tecnologia permite distribuir parasitoides e outros agentes de controle biológico sem a necessidade de deslocamento manual de trabalhadores por toda a área cultivada.
Segundo Lima, com o equipamento é possível cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos, reduzindo o tempo e o esforço operacional. Entre os organismos que podem ser liberados estão Jaliscoa grandis, utilizada no controle do bicudo, e espécies de Trichogramma, empregadas contra lagartas.
Para o controle do bicudo, a recomendação apresentada considera a liberação de aproximadamente 730 parasitoides por hectare. Cada tubete contém 30 indivíduos, sendo necessários cerca de 25 tubetes para cobrir um hectare. As liberações devem começar com o aparecimento dos primeiros botões florais, antes que a população da praga alcance o nível de controle.
O pesquisador também explicou que drones multiespectrais podem auxiliar no monitoramento das lavouras. Por meio de índices de vegetação, como o NDVI e o NDRE, é possível identificar diferenças de vigor e localizar áreas com possíveis problemas, como falhas no desenvolvimento, ataques de insetos ou doenças.
Esses mapas não identificam necessariamente a causa da anomalia, mas ajudam a direcionar as equipes de campo para os pontos que precisam de avaliação. Com isso, o monitoramento se torna mais eficiente e permite intervenções localizadas e oportunas.
Tecnologias voltadas também à agricultura familiar
A adaptação das tecnologias à realidade dos pequenos produtores foi um dos pontos destacados durante a programação. Lima apresentou resultados de pesquisas para reduzir os custos de produção de parasitoides, substituindo materiais importados por alternativas mais acessíveis e reutilizáveis.
Em um dos experimentos, a substituição de um material utilizado na criação dos insetos permitiu reduzir custos e ampliar a capacidade de produção. Com uma equipe de duas pessoas, foi possível produzir cerca de 2.500 parasitoides por semana, segundo os dados apresentados.
O pesquisador Paulo Barroso também ressaltou que o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá funcionar como polo de testes e validação de tecnologias para a agricultura familiar, incluindo soluções para o controle do bicudo e para a tolerância das plantas à seca.
A integração entre bioinsumos, monitoramento por drones, controle biológico e práticas culturais representa um caminho para tornar a cotonicultura mais eficiente e menos dependente de aplicações sucessivas de produtos químicos. A expectativa é que a aproximação entre pesquisa, produtores e parceiros regionais contribua para ampliar o acesso às inovações e fortalecer a produção de algodão no semiárido.
Fonte: Embrapa
Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Soja fecha o dia com preços firmes e quedas pontuais; veja as cotações

O mercado brasileiro de soja apresentou preços entre estáveis e mais baixos nesta quinta-feira (5). De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, os participantes permaneceram afastados das negociações, com pouco interesse de compra.
O dia também foi marcado por exportações mais lentas e limitadas ofertas destinadas ao mercado interno.
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou perdas mais acentuadas a partir do meio-pregão, pressionando as cotações domésticas. O dólar, por sua vez, ajudou a compensar parcialmente o movimento negativo.
Segundo Silveira, a baixa movimentação fez com que muitas indicações de preços fossem apenas nominais, sem negócios efetivos que confirmassem as referências.
Preços médios da soja no mercado físico
- Passo Fundo (RS): R$ 152,50
- Santa Rosa (RS): R$ 153,50
- Cascavel (PR): R$ 148,00
- Rondonópolis (MT): R$ 140,00
- Dourados (MS): recuou de R$ 140 para R$ 138
- Rio Verde (GO): caiu de R$ 141 para R$ 140
- Porto de Paranaguá (PR): R$ 159
- Porto de Rio Grande (RS): R$ 160,50
Bolsa de Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta quinta-feira. O avanço da colheita daquela que deve ser a maior safra da história dos Estados Unidos colocou os contratos nos menores níveis em dois meses e meio.
As atenções se voltam para o relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A aposta é de que o número para a safra americana seja elevados.
Analistas consultados pelas agências internacionais indicam que o número para a safra dos EUA em 2026/27 deverá ficar em 4,601 bilhões de bushels. Em outubro, a previsão era de 4,562 bilhões.
Em relação aos estoques de passagem, o mercado aposta em número 336 milhões de bushels, contra 315 milhões indicados em outubro.
“Quanto ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2026/27 de 125,3 milhões de toneladas, avançando frente aos atuais 124,3 milhões. Para 2025/26, o USDA deverá elevar sua estimativa de 124,9 milhões para 125 milhões de toneladas”, detalha o analista. O relatório será divulgado na próxima terça-feira (10), às 14h.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com baixa de 14,00 centavos de dólar ou 1,16%, a US$ 11,88 1/4 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 11,96 1/4 por bushel, com retração de 14,00 centavos de dólar ou 1,15%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,40 ou 0,43% a US$ 317,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 62,24 centavos de dólar, com perda de 1,29 centavo ou 2,03%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,68%, negociado a R$ 5,4855 para venda e a R$ 5,4875 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4267 e a máxima de R$ 5,4947.
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