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Sob risco de multa e bloqueio de GTA, produtores devem atualizar estoque de rebanhos a partir de 1º de novembro

Começa no dia 1º de novembro a Campanha de Atualização do Estoque de Rebanhos em Mato Grosso. O produtor rural deve comunicar o quantitativo de animais ao Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea-MT), uma medida obrigatória e fundamental para a sanidade animal do estado.
Quem não informar o estoque dentro do prazo estará sujeito à multa de R$ 6,8 mil. A omissão também impede a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) a partir do dia 7 de novembro, documento essencial para a movimentação de animais, exceto se o destino for o abate.
A obrigação de declarar o rebanho se aplica a produtores rurais de bovinos, bubalinos, suínos e aves comerciais. Criadores de ovinos, caprinos, equinos, muares (mula), asininos (burros), aves diversas (peru, pato, marreco, galinha e codorna), peixes e abelhas também fazem parte do público-alvo.
Declaração é online ou presencial
A comunicação da quantidade de animais por espécie pode ser feita em duas modalidades:
- Online: Por meio do Módulo do Produtor.
- Presencial: Nas unidades locais do Indea ou em Postos Avançados.
Para quem ainda não tem acesso ao módulo online, é necessário solicitar o cadastro em uma unidade do Indea, assinando o Termo de Compromisso de Utilização do Sistema Informatizado. O documento pode ser acessado no site do Indea, na seção Sanidade Animal, Atendimento Não Presencial, item 9.
A atualização semestral do estoque (realizada em maio e novembro) substituiu a campanha de vacinação contra a febre aftosa. Seu principal objetivo é fornecer ao governo do estado dados precisos para o planejamento e execução da defesa sanitária animal garantindo a manutenção da certificação sanitária do rebanho mato-grossense e a competitividade para o setor nos mercados internacionais.
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Estudo da Embrapa avalia uso de algas para reduzir impacto da seca em lavouras

Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, no Distrito Federal, estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante voltado à tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico.
Os experimentos foram realizados em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado. Os testes registraram aumento de até 160% na formação de síliquas na canola, estruturas que abrigam as sementes, e crescimento de até 12% no sistema radicular do trigo.
O projeto recebeu o nome de Algoj, inspirado na palavra “alga” em esperanto, e é realizado em parceria com a empresa CBKK, com recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
Segundo as pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, responsáveis pelo projeto iniciado em 2023, os resultados indicam potencial de aplicação, mas ainda precisam ser confirmados em condições de campo.
Extração de fitormônios é foco do estudo
Ao longo de dois anos, os pesquisadores analisaram quatro espécies de algas marinhas. Três delas foram selecionadas para continuidade dos estudos. O foco da pesquisa está na extração de metabólitos secundários, compostos que atuam como sinalizadores químicos no desenvolvimento das plantas.
“Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica Mendonça.
Para obter esses compostos, chamados de fitormônios, os pesquisadores testaram diferentes métodos de secagem e extração das algas. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, afirma a pesquisadora.
Quatro extratos foram selecionados após testes iniciais realizados com mudas de tomate da cultivar BRS Zamir.
Testes com trigo e canola no Cerrado

A pesquisa avançou para experimentos com trigo e canola, culturas cultivadas no inverno no Cerrado. O bioma registra período de estiagem entre maio e setembro, com redução de chuvas observada nas últimas décadas. As duas culturas foram escolhidas por enfrentarem fases de estresse hídrico durante esse período.
Os testes identificaram dois extratos de algas com potencial de aplicação nas lavouras.
Na canola, uma das formulações antecipou o florescimento e manteve desempenho produtivo sob restrição de água. No trigo cultivado sem irrigação, o uso de extratos resultou em aumento no volume e no comprimento das raízes.
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Resultados ainda precisam ser validados em campo
Os experimentos foram realizados em ambiente controlado, com temperatura e umidade reguladas. O pesquisador Agnaldo Chaves afirma que os resultados obtidos indicam potencial, mas não devem ser reproduzidos na mesma proporção em lavouras comerciais.
“Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, diz.
Segundo ele, duas formulações apresentaram desempenho na canola e uma no trigo de sequeiro (sem irrigação). “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, afirma.
Nos testes, a canola foi acompanhada por cerca de 100 dias até a fase reprodutiva, enquanto o trigo foi avaliado até a fase vegetativa.
Produção de bioinsumo também enfrenta desafios
Além dos testes agronômicos, a pesquisa incluiu o desenvolvimento de formas de transporte e conservação do bioinsumo.
Como o transporte de extratos líquidos pode aumentar custos e provocar degradação dos compostos, os cientistas desenvolveram uma versão seca do produto, em pó molhável, por meio do processo de spray dryer.
“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, afirma Mendonça.
Próxima etapa prevê testes em lavouras
Com a etapa de laboratório e de casa de vegetação concluída em janeiro de 2026, a equipe busca ampliar a parceria para iniciar experimentos em campo. O objetivo é definir recomendações de uso, como dosagem e período de aplicação.
Ainda serão avaliados fatores como o uso combinado de espécies de algas e o comportamento do extrato em regiões com diferentes regimes de chuva. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, afirma Mendonça.
Segundo a pesquisadora, o uso de algas também pode estimular a cadeia produtiva ligada à biodiversidade marinha brasileira, com geração de renda para comunidades que atuam na coleta e cultivo dessas espécies.
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Ministério identifica fraude em carga de 42 toneladas de soja

Indícios de fraude em uma carga de 42 toneladas de soja destinada à exportação em Paranaguá, no Paraná, foram identificados pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A ação, comunicada pela pasta nesta segunda-feira (9), foi realizada após comunicação da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), em 24 de fevereiro.
A inspeção ocorreu no Pátio de Triagem do porto para verificar a conformidade do produto com os padrões oficiais de identidade e qualidade exigidos para produtos vegetais destinados à alimentação humana e ao comércio internacional.
Durante a fiscalização, foram constatadas inconformidades entre o produto transportado e as informações declaradas na documentação fiscal, indicando possível irregularidade no processo.
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A carga apresentou indícios de adulteração ao chegar ao destino, com divergências em relação ao produto originalmente embarcado. A auditoria na classificação reforçou os indícios ao apontar composição diferente da declarada.
O caso segue sob apuração pelas autoridades competentes. Os indícios de irregularidade de natureza administrativa e operacional estão sendo analisados pelo Mapa, enquanto eventual aspecto criminal é apurado pela Polícia Federal, nos termos da legislação vigente.
O produto apreendido deverá ser destinado à destruição, com acompanhamento do Mapa. A definição formal do procedimento está em andamento, e a destinação final deverá ocorrer em aterro sanitário.
Segundo o chefe do Sipov/PR, Fernando Augusto Mendes, a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial de soja exige o fortalecimento contínuo dos mecanismos oficiais de fiscalização para resguardar a reputação do produto nacional no mercado global.
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Agro catarinense quer ferrovia para escoar produção

Santa Catarina se consolidou como um dos estados que mais cresceu em produção agropecuária nos últimos anos, destacando-se na produção de grãos, proteínas e outros produtos do agronegócio. No entanto, o rápido crescimento da produção não foi acompanhado pelo desenvolvimento da infraestrutura logística, criando um gargalo que compromete a competitividade. Para superar o problema e expandir a área produtiva, projetos buscam viabilizar a implantação de ferrovias no estado, prometendo diminuir custos e otimizar o escoamento.
A região Oeste catarinense, com destaque para Chapecó, é um polo de produção, figurando entre as maiores em grãos como soja e milho, e proteínas como suínos e aves. A concentração de indústrias de processamento de alimentos na área reforça sua importância. Na Fazenda da Família Alessio, em Faxinal dos Guedes, o produtor Diego Alessio cultiva 1.200 hectares com grãos de verão e inverno, utilizando técnicas de agricultura regenerativa para garantir alta produtividade. Mesmo com parte da safra armazenada em silos na propriedade, o escoamento imediato no pico da colheita ainda é um desafio.
“No momento de desovar esse grão para porto, qualquer imprevisto lá pode retardar o carregamento aqui. Além disso, temos a questão das rodovias. Estamos com uma estrutura rodoviária de 40, 50 anos, sendo que a capacidade dela duplicou hoje”, relata Diego Alessio.
BR-282 no limite
A principal via de escoamento é a BR-282, que liga a cidade de Paraíso à capital Florianópolis, cruzando toda a região Oeste e conectando a portos importantes, como Itajaí e São Francisco do Sul. É por esta rodovia que circula grande parte da riqueza do agronegócio regional. A falta de trechos duplicados na BR-282 resulta em viagens mais longas e atrasos em períodos de alto fluxo, tornando-se um obstáculo significativo para a expansão agropecuária.
Marcelo Bassani, Gerente Regional da Epagri em Xanxerê/SC, enfatiza a necessidade de ação: “Incentivos em logística e em armazenagem devem ser estudados para que a região possa ter sustentabilidade na agricultura e para os produtores de um modo geral”.
Alternativa Ferroviária
Diante do cenário, entidades e empresários do setor buscam alternativas para aumentar a competitividade e diminuir os custos de produção, sendo a principal delas a implantação de uma malha ferroviária na região Oeste para operar em sistema multimodal. A diferença de custo para o escoamento entre o sistema rodoviário e ferroviário pode chegar a 50%.
Em 2021, oito entidades ligadas ao agronegócio catarinense lançaram o Movimento Pró-Ferrovias, que financiou um estudo de viabilidade para um traçado que ligaria Maracaju (MS) a Cascavel (PR), chegando a Chapecó (SC), com potencial de extensão até Passo Fundo (RS).
Em Santa Catarina, o projeto prevê 320 km de trilhos entre Chapecó e Correia Pinto, conectando-se à Malha Sul. O investimento total é estimado em quase R$ 11 bilhões. O objetivo estratégico é utilizar a ferrovia para subir com proteínas e descer com grãos (milho do Centro-Oeste), principal matéria-prima para a ração de aves, suínos e gado de leite.
“Trazendo para os portos do litoral e conectando esses eixos para trazer milho mais barato. Então, logística e infraestrutura é um tema que a gente debate constantemente,” afirma Clemerson Pedrozo, vice-presidente executivo da FAESC (Federação da Agricultura de SC).
Lenoir Broch, diretor de ferrovias da ACIC Chapecó/SC – Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Chapecó) – reforça que a vantagem vai além dos grãos: “Não podemos pensar somente na exportação de grãos. Nós podemos exportar carne. Isso quer dizer que se a gente trouxer o milho, esses quase 8 milhões de trem até o Oeste de SC, viabilizamos um custo muito menor para exportar nossa carne, nosso produto acabado”.
O estudo indica que o custo anual com frete na região está em cerca de R$ 6 bilhões, e há uma redução na oferta de caminhões e profissionais para o transporte rodoviário. O plano é que a ferrovia seja usada para distâncias maiores, com a rodovia mantendo-se como opção para trechos mais curtos, garantindo a sustentabilidade de toda a cadeia.
Apesar dos avanços nos estudos, Ricardo Miotto, Superintendente da Ocesc (Organização das Cooperativas de SC) ressalta que o projeto precisa sair do papel. “Temos avanços, mas ainda são insuficientes. Precisamos seguir cobrando para isso sair do papel e podermos diminuir custos e ter competitividade,” conclui.
Assista a reportagem da série Santa Catarina e o Agro 5.0, do Canal Rural:
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