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Agro catarinense quer ferrovia para escoar produção

Santa Catarina se consolidou como um dos estados que mais cresceu em produção agropecuária nos últimos anos, destacando-se na produção de grãos, proteínas e outros produtos do agronegócio. No entanto, o rápido crescimento da produção não foi acompanhado pelo desenvolvimento da infraestrutura logística, criando um gargalo que compromete a competitividade. Para superar o problema e expandir a área produtiva, projetos buscam viabilizar a implantação de ferrovias no estado, prometendo diminuir custos e otimizar o escoamento.
A região Oeste catarinense, com destaque para Chapecó, é um polo de produção, figurando entre as maiores em grãos como soja e milho, e proteínas como suínos e aves. A concentração de indústrias de processamento de alimentos na área reforça sua importância. Na Fazenda da Família Alessio, em Faxinal dos Guedes, o produtor Diego Alessio cultiva 1.200 hectares com grãos de verão e inverno, utilizando técnicas de agricultura regenerativa para garantir alta produtividade. Mesmo com parte da safra armazenada em silos na propriedade, o escoamento imediato no pico da colheita ainda é um desafio.
“No momento de desovar esse grão para porto, qualquer imprevisto lá pode retardar o carregamento aqui. Além disso, temos a questão das rodovias. Estamos com uma estrutura rodoviária de 40, 50 anos, sendo que a capacidade dela duplicou hoje”, relata Diego Alessio.
BR-282 no limite
A principal via de escoamento é a BR-282, que liga a cidade de Paraíso à capital Florianópolis, cruzando toda a região Oeste e conectando a portos importantes, como Itajaí e São Francisco do Sul. É por esta rodovia que circula grande parte da riqueza do agronegócio regional. A falta de trechos duplicados na BR-282 resulta em viagens mais longas e atrasos em períodos de alto fluxo, tornando-se um obstáculo significativo para a expansão agropecuária.
Marcelo Bassani, Gerente Regional da Epagri em Xanxerê/SC, enfatiza a necessidade de ação: “Incentivos em logística e em armazenagem devem ser estudados para que a região possa ter sustentabilidade na agricultura e para os produtores de um modo geral”.
Alternativa Ferroviária
Diante do cenário, entidades e empresários do setor buscam alternativas para aumentar a competitividade e diminuir os custos de produção, sendo a principal delas a implantação de uma malha ferroviária na região Oeste para operar em sistema multimodal. A diferença de custo para o escoamento entre o sistema rodoviário e ferroviário pode chegar a 50%.
Em 2021, oito entidades ligadas ao agronegócio catarinense lançaram o Movimento Pró-Ferrovias, que financiou um estudo de viabilidade para um traçado que ligaria Maracaju (MS) a Cascavel (PR), chegando a Chapecó (SC), com potencial de extensão até Passo Fundo (RS).
Em Santa Catarina, o projeto prevê 320 km de trilhos entre Chapecó e Correia Pinto, conectando-se à Malha Sul. O investimento total é estimado em quase R$ 11 bilhões. O objetivo estratégico é utilizar a ferrovia para subir com proteínas e descer com grãos (milho do Centro-Oeste), principal matéria-prima para a ração de aves, suínos e gado de leite.
“Trazendo para os portos do litoral e conectando esses eixos para trazer milho mais barato. Então, logística e infraestrutura é um tema que a gente debate constantemente,” afirma Clemerson Pedrozo, vice-presidente executivo da FAESC (Federação da Agricultura de SC).
Lenoir Broch, diretor de ferrovias da ACIC Chapecó/SC – Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Chapecó) – reforça que a vantagem vai além dos grãos: “Não podemos pensar somente na exportação de grãos. Nós podemos exportar carne. Isso quer dizer que se a gente trouxer o milho, esses quase 8 milhões de trem até o Oeste de SC, viabilizamos um custo muito menor para exportar nossa carne, nosso produto acabado”.
O estudo indica que o custo anual com frete na região está em cerca de R$ 6 bilhões, e há uma redução na oferta de caminhões e profissionais para o transporte rodoviário. O plano é que a ferrovia seja usada para distâncias maiores, com a rodovia mantendo-se como opção para trechos mais curtos, garantindo a sustentabilidade de toda a cadeia.
Apesar dos avanços nos estudos, Ricardo Miotto, Superintendente da Ocesc (Organização das Cooperativas de SC) ressalta que o projeto precisa sair do papel. “Temos avanços, mas ainda são insuficientes. Precisamos seguir cobrando para isso sair do papel e podermos diminuir custos e ter competitividade,” conclui.
Assista a reportagem da série Santa Catarina e o Agro 5.0, do Canal Rural:
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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.
A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.
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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.
O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.
Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).
O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.
Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.
Fonte: gov.br
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Prefeitura abre chamada pública para compra de alimentos com investimento de R$ 324,8 mil

A Prefeitura de Sorriso (MT) abriu uma chamada pública para agricultores familiares interessados em fornecer alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
O programa permite que o poder público compre alimentos produzidos por agricultores familiares e destine esses produtos a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de programas e serviços públicos de segurança alimentar.
Em Sorriso, serão investidos R$ 324.899,20 na compra de alimentos da agricultura familiar. Entre os produtos previstos estão frutas, verduras, legumes, mandioca, farinha, mel, ovos, frango caipira, queijo, pães e bolachas caseiras, entre outros.
A chamada pública é destinada a agricultores familiares individuais que moram em Sorriso e possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo.
Os interessados deverão preparar um Projeto de Venda, informando os alimentos que produzem e pretendem fornecer ao programa, além de apresentar a documentação exigida no edital.
Como participar?
Os documentos e o Projeto de Venda deverão ser entregues presencialmente na SEMASA, entre os dias 17 e 30 de setembro de 2026, das 7h às 12h, de segunda a sexta-feira.
Entre os documentos necessários estão CPF, RG ou CNH, extrato do CAF, comprovante de endereço, Projeto de Venda e Declaração de Produção Própria. Quando for o caso, também deverá ser apresentado o CadÚnico atualizado.
Após o prazo de inscrição, a equipe técnica responsável pelo PAA fará a análise dos projetos. Os agricultores habilitados poderão ser chamados para realizar as entregas, conforme a demanda dos programas atendidos e a disponibilidade de recursos.
Local: Rua Marechal Cândido Rondon, nº 2311, Jardim Bela Vista
Prazo: 17 a 30 de setembro
Horário: 7h às 12h
Entrega: presencialmente
Critérios
O PAA possui critérios de priorização para ampliar a participação de públicos específicos da agricultura familiar, como mulheres, agricultores inscritos no CadÚnico, assentados da reforma agrária, jovens de 18 a 29 anos, pescadores, indígenas, quilombolas, negros e integrantes de povos e comunidades tradicionais.
O edital também estabelece a participação mínima de 50% de mulheres e 60% de fornecedores inscritos no CadÚnico. As compras estão previstas para ocorrer de novembro de 2026 a julho de 2027, ou até que os recursos disponíveis sejam utilizados. O limite de comercialização é de até R$ 15 mil por agricultor, por CAF, em cada ano civil, conforme as regras do programa.
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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.
No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.
Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.
Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.
Umidade do solo entra na decisão
O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.
O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.
“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.
A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.
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